quinta-feira, 17 de julho de 2014

Espécies vegetais de Miróbriga (em construção)

«Foi ela que deu o germe das plantas e das árvores, foi ela que reuniu nos laços da sociedade os primeiros homens, espíritos ferozes e bárbaros, foi ela que ensinou a cada ser a unir-se a uma companheira. Foi ela que nos proporcionou as inúmeras espécies de aves e a multiplicação dos rebanhos. O carneiro furioso luta, às chifradas, com o carneiro. Mas teme ferir a ovelha. O touro cujos longos mugidos faziam ecoar os vales e os bosques abandona a ferocidade, quando vê a novilha. O mesmo poder sustenta tudo quanto vive sob os amplos mares e povoa as águas de peixes sem conta. Vénus foi a primeira em despojar os homens do aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que nos vieram o atavio e o cuidado do próprio corpo».

Ovídio, Metamorfoses


Recolhendo frutos , mosaico do Museo del Bardo, Túnez. Datado do século III
Imagem de legenda a partir  de Ermitiella
de: https://www.facebook.com/384147545051594/photos/a.387593661373649.1073741828.384147545051594/679584132174599/?type=1&theater





Na imagem: Flora. Divindade itálica.
Flora ou a Primavera.
Fresco, I sec.d.C.
Castellammare di Stabia (Stabiae)
Museo Archeologico Nazionale, Napoles


Desenhos: Marcos Oliveira (à excepção do sobreiro - a tinta da china - do ilustrador científico Pedro Salgado).
Ao Marcos Oliveira agradeço a cedência dos restantes, para efeito de publicação neste blogue. A todos os que me animaram a continuar este trabalho o meu agradecimento.

   



 Sentenças e frases sem tempo que nos fazem pensar seriamente na condição humana enquanto ser da Natureza:
«Fertilior seges est alieno in arvo. [Erasmo, Adagia 1.6.72] A colheita mais rica está no campo dos outros. ■A galinha da vizinha é mais gorda que a minha. ■Quando neste vale estou, outro melhor me parece, não assim quando lá vou. ●Fertilior seges est alieno semper in agro. A colheita mais fértil sempre está em terra alheia. ●Fertilior seges est alienis semper in agris, vicinumque pecus grandius uber habet. [Ovídio, Ars Amatoria 1.3.49] A colheita mais fértil sempre está nos campos dos outros, e o gado vizinho tem tetas maiores. Festinans ad duo diversa, neutrum bene peragit. [Binder, Medulla 546] Quem corre atrás de duas coisas diferentes, não tem sucesso com nenhuma. ■Quem corre a duas lebres, não apanha nenhuma.
  Pretendeu-se com este trabalho, a partir do levantamento efectuado pela empresa "Mãe d'Água" das espécies animais e vegetais actualmente existentes em Miróbriga e dos estudos publicados relativos a determinados achados arqueológicos florísticos e faunísticos, fazer um elenco das referências existentes às mesmas na literatura latina e ainda tentar encontrar associações com as divindades romanas. Pese o trabalho ainda não se encontrar concluído, tão simplesmente iniciado,não posso deixar de o partilhar, na esperança que todos os dias o venha, doravante, continuar.
Desejava-se organizar o trabalho, já iniciado em 2007, do seguinte modo, no que respeita à sua segunda parte, o elenco das espécies e sua associação com as divindades latinas: Entidade Divindade relacionada Referências Bibliográficas; Autor, Edição Lugar de Edição, Ano de Edição, Páginas e ainda Observações/Citações.



   

Madresilva, Miróbriga   

Contudo, como a ideia de o fazer não surgiu isolada, mas no contexto do estudo acima referido da fauna e flora de Miróbriga, não posso deixar de apresentar, em primeiro lugar, o conceito que o precedeu, tanto mais que a primeira parte do que aqui se agora edita teve como base um artigo publicado por dois autores, designadamente: Maria Filomena Barata[1]Renato Neves [2], tendo como base um artigo que se intitulava «MIRÓBRIGA: UMA NOVA MANEIRA DE OLHAR O PATRIMÓNIO». A segunda parte com forma de elenco,se bem que ainda incipiente e com algumas gralhas, pois tem como base um ficheiro em Filemaker não facilmente transponível para um blogue, pretende dar continuidade ao mesmo, no que se refere ao levantamento bibliográfico e associações das respectivas divindades greco-romanas e é da minha total responsabilidade.





Maria Filomena Barata[1]Renato Neves [2]

«MIRÓBRIGA: UMA NOVA MANEIRA DE OLHAR O PATRIMÓNIO»

Conscientes de que umas ruínas devem, para além do seu intrínseco valor científico e patrimonial, como testemunhos do Passado, assumir, no Presente, uma estreita relação com o meio e o ambiente onde se inserem, decidiram os autores[3] deste trabalho promover um conjunto de estudos que pretendem realçar a importância paisagística e paleo-ambiental de um Sítio Arqueológico com as características de Miróbriga. Isto porque, pese o reconhecido valor de um bem cultural como é Miróbriga, é fundamental não encarar hoje esses vestígios arqueológicos como meros “fetiches da memória” ou apenas como um objecto passível de estudo por parte de um grupo de especialistas, que será posteriormente musealizado ou museografado, mas também como um local de silêncio, de lazer, de bem-estar, onde a paisagem, também ela humanizada, nos murmure a relação estreita que sempre existiu entre o Homem e a Natureza. Temos presente que essa íntima relação sofreu grandes ameaças, - podendo-se quase falar de ruptura, como bem o demonstraram alguns dos desastres ecológicos a que assistimos - devido ao acelerado crescimento demográfico e económico a que, desde o século passado, se assistiu. Assentando o seu desenvolvimento na consolidação de uma forte produção industrial com o consequente exacerbado consumo de bens, colaborou no esgotamento de muitos dos recursos naturais.
Por outro lado, as perturbações políticas, sociais e ideológicas que atravessaram todo o século XX contribuíram também para uma instabilidade galopante, tão, ou mesmo mais, intensa do que o bem-estar produzido pela democratização dos valores ou dos bens de consumo. Isto porque, nem qualquer dos regimes políticos conhecidos, nem os novos avanços tecnológicos conseguiram ainda resolver totalmente duas questões fundamentais: a partilha mais equitativa dos recursos e um crescimento mais concertado, que permita uma convivência mais harmoniosa entre os seres orgânicos ou inorgânicos que partilham a vida na Terra.
É assim que o Passado, a História e, portanto, o Património Cultural e Ambiental se tornaram como que uma espécie de "valor vital", com uma importância imprescindível para o equilíbrio de uma sociedade em permanente mutação. Desde sempre, é óbvio que sim, o Homem interferiu na Natureza.
É aliás essa intervenção que o distingue dos outros animais, moldando a Cultura. O desenvolvimento das sociedades alterou em muito os ecossistemas outrora implantados, originando aquilo a que se pode chamar o “Ecossistema Humano”. Só que esse processo viveu durante milénios de um maior equilíbrio entre os Homens e as regiões onde habitavam, pois constituía a base da sua sobrevivência.
A cidade romana de Miróbriga e o aglomerado pré-romano que a precedeu são disso um exemplo. Do xisto e no xisto os Homens proto-históricos construíram um povoado fortificado, erguendo muralhas. Dentro dos seus muros edificaram casas, aproveitando as pedras que havia nas zonas limítrofes. Em época posterior, os Romanos ocuparam esse mesmo local, tornando-se incomparavelmente maior a área edificada. Cortando e aplanando a rocha edificaram patamares artificiais sobre os quais se construiu uma cidade em socalcos. Na zona mais baixa, e aproveitando possivelmente os recursos hídricos, implantaram uns balneários para homens e mulheres, pois os artefactos encontrados assim permitem pensar. Estruturaram bairros onde os habitantes viviam e as zonas comerciais onde se transaccionavam os produtos. Intervieram e transformaram o território envolvente, fomentando uma produção agrícola mais intensiva e introduzindo novas espécies. Desenvolveu-se o cultivo das oliveiras, cuja descoberta os Romanos, alterando a versão do mito grego, atribuem à deusa Minerva, das árvores de fruto e da vinha. À volta de Miróbriga, cujos vestígios dispersos ocupam uma área de aproximadamente 10 ha, instalaram-se casas agrícolas,mantendo uma exploração agrícola que se pode assemelhar à de uma pequena uilla romana.


Desenvolveu-se a exploração mineira e a actividade metalúrgica, como se pode comprovar da concentração de escória de ferro em quase todo o aglomerado urbano. De Miróbriga ou da sua vida nos falam agora os seus vestígios arqueológicos, as suas construções arruinadas, os textos gravados em inscrições e ainda algumas possíveis reminiscências na paisagem que a envolve. Mas cada uma das suas pedras, cada fragmento de telhado, um pequeno objecto cerâmico ou metálico, cada pássaro que canta empoleirado nos seus muros derruídos ou nas árvores, cada serpente que se esconde ou aranha que partilha dos seus recantos ou a vegetação que aí foi crescendo é mais um testemunho que contribui para melhor conhecer o aglomerado urbano, bem como a dinâmica que se gerou em seu redor, ao longo dos séculos, após o seu abandono. É, portanto, partindo do princípio que todos esses vestígios patrimoniais poderão contribuir, por um lado, para a sobrevivência das memórias e, por outro, colaborar na vivificação das paisagens humanizadas e na recriação/requalificação dos espaços e dos ambientes em que se inserem, que tentaremos que Miróbriga assuma uma outra dinâmica. Neste sentido, e inserido num conjunto mais vasto de acções que têm em vista a valorização do Sítio Arqueológico, realizou-se um estudo detalhado da fauna e flora que incluiu, numa primeira fase, a inventariação das espécies presentes e a sua relação com a área actualmente propriedade do Estado Português.

Rabirruivo 

Este estudo pretendia identificar eventuais pontos de conflito entre os trabalhos arqueológicos, a gestão do sítio e as espécies presentes, salvaguardando os locais de ocorrência, abrigo ou criação. Por outro lado, esta inventariação possibilita que, pelo menos ao nível das espécies mais facilmente observáveis, seja viável disponibilizar meios informativos que divulguem a temática ambiental de uma forma directa, tendo sido para o efeito produzidas ilustrações e textos de divulgação que, no futuro, apoiarão os visitantes no local. Durante os trabalhos verificou-se uma diversidade faunística notável do sítio, particularmente ao nível das aves, que beneficiam da existência e interpenetração de ambientes diversificados, pertencentes ao domínio do montado, prados, horta, silvados e meio saxícola constituído pelas estruturas rochosas das ruínas. Sendo a paisagem envolvente a Miróbriga o resultado de uma longa intervenção humana, o estudo não poderia deixar também de abordar a sua evolução histórica, bem como algumas das suas consequências, cujos exemplos mais eloquentes serão o desaparecimento do lobo, na alvorada do nosso século, e a presença reliquilial do lince nos dias de hoje, cuja sobrevivência, no século que em breve se inicia, é duvidosa. Deste modo, o visitante ao dominar a paisagem do alto da colina do forum tomará também consciência que, dos fundadores da Cidade Antiga até si, grandes transformações atravessaram o Sítio, e que actualmente, mais do que nunca, é necessário olhar os recursos naturais como um bem colectivo. O estudo contribuirá ainda para apoiar a elaboração de propostas de promoção da biodiversidade no local, com o recurso à reconversão da área hortícola actualmente abandonada, para a qual se prevê a recuperação das estruturas de rega tradicionais, bem como o plantio de árvores de fruto típicas das áreas adjacentes aos Montes e Casais da Serra e Charneca de Grândola, as quais constituem um recurso alimentar importante para as comunidades de aves frugíferas e micromamíferos.
Paralelamente, foi efectuado um levantamento bibliográfico dos autores latinos que se referiam a espécies animais e vegetais com características das que actualmente sobrevivem no território de Miróbriga, bem como das divindades greco-latinas que tinham como atributo algumas dessas entidades naturais e/ou na história mitológica relações íntimas com elas.
Está também em curso um levantamento comparativo dos materiais arqueológicos encontrados em território nacional, em cuja iconografia se encontram representadas essas espécies. Assim se conhecerá algumas das raízes insuspeitas que nos ligam ao Mundo Antigo: os Mochos (Athene noctua) que se abrigam nas oliveiras de Miróbriga, foram o símbolo da deusa Atena, divindade da inteligência ponderada, introdutora da oliveira na Grécia Antiga, árvore da paz, que simboliza o triunfo da Civilização. A Cobra que gozou o sol sobre a ara de Esculápio encontrada em Miróbriga e que era símbolo dessa mesma divindade, o patrono da Medicina; o touro, representado num silhar de uma das tabernas de Miróbriga, que nos fala de um poder fertilizante milenar que os romanos tão bem souberam adaptar às exigências de uma nova civilização, cuja ideologia imperial necessitava de símbolos eternos. Cremos que numa perspectiva regional seria de todo o interesse transportar o exemplo de Miróbriga para outros sítios históricos ou arqueológicos do Alentejo, criando uma rede de percursos ou itinerários temáticos, onde o Património Natural e Cultural fosse abordado no seu conjunto. Permitindo uma visão integrada do território, destinada a ser usufruída por uma multiplicidade de públicos, viabilizar-se-ia assim a multiplicação de actividades económicas ligadas ao turismo e eco-turismo, em áreas afastadas dos tradicionais pólos regionais de atracção turística. Se esta abordagem é válida e tem sido posta em prática nos mais variados locais do mundo, não o será menos no Alentejo, onde as villas romanas repousam sobre estepes cerealíferas, nas quais nidificam algumas das mais belas aves do continente europeu, e nos montados onde, misteriosos, emergem menires e antas, se alimentam durante o Inverno os grous, que retomam na Primavera as taigas boreais. Quilómetros de vias férreas abandonadas, esperam o estabelecimento de ciclovias ligando lugares interessantes afastados de IP´s e auto-estradas. Aldeamentos mineiros, montes e pequenos povoados arruinam-se sem que, senão muito pontualmente, como é a experiência em curso no Lousal, se procurem alternativas à sua ocupação e rentabilização. Estas acções carecem da realização de estudos fiáveis, relativamente à compatibilização dos diversos usos e sua gestão para os fins pretendidos, bem como a produção de materiais de divulgação e interpretação, onde a qualidade gráfica e informativa deverá ser assegurada de forma coerente. Urge, pois, que se desenvolvam com a administração central, as autarquias e os vários agentes económicos, estratégias concertadas de desenvolvimento sustentado que permitam, preservando o Passado, salvaguardar o Futuro. Que dos Antigos nos fique essa lição: entre o Homem, o Divino e a Natureza não pode haver separação.
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[1] Responsável pelo Programa de Valorização de Miróbriga até 2008 e Responsável por um projecto de investigação até à actualidade. Assessora do IGESPAR. [2] Responsável pela coordenação do estudo da fauna e da flora de Miróbriga, através da empresa Mãe d’Agua. [3] O estudo da fauna e da flora foi iniciado em 1998, a expensas do IPPAR, entidade a que estava afecto o Sítio Arqueológico de Miróbriga. Para a sua execução contaram os signatários com a colaboração do arquitecto paisagista Mário Fortes, da D.R. Lisboa do ex-IPPAR.

As espécies animais e vegetais de Miróbriga e referências das mesmas na literatura latina, Maria Filomena Barata



Pintura con flores, casa de Livia en Prima Porta, Museo Nacional de Roma

Hortus, hierbas y frutas en el jardín romano

http://domus-romana.blogspot.com.es/2013/04/hortus.html


 Natureza


Gema representando Ceres. Fotografia gentilmente cedida por Graça Cravinho. Museu de Vila Viçosa.


Artémis / Diana e Sátiros

Artémis era a padroeira dos animais selvagens e da natureza. Era a deusa da caça e protectora das mulheres e dos partos.
Em Santa Bárbara, Castro Verde, recolheram-se seis exemplares de lucernas com a representação de Artémis (MAIA, 1997:46). Também nesse local apareceram dois exemplares de lucernas representado Sátiro, símbolo do poder vital da natureza.
Por esse facto, as representações de Sátiros são sempre particularmente zoomórficas, fazendo os cornos do bode parte integrante das figurações.
Pan, deus dos rebanhos e dos pastores, também filho de Hermes/Mercúrio, nasceu igualmente com cornos de bode e muito irrequieto. Os Romanos identificaram esta divindade com Fauno, também com cornos e pés de bode (MAIA, 1997: 75).
No «Asno de Apuleio», a determinada altura da sua viagem iniciática, o burro suplica à Lua, apelando a atributos que lhe foram conferidos ao longo dos tempos: " Rainha dos céus, ou tu sejas Ceres criadora, primeira mão dos frutos (...); ou tu sejas a celeste Vénus, que na primeira origem das cousas ajuntaste os diferentes sexos gerando amor, e propagaste a espécie humana de eterna descendência (...) que, favorecendo o parto das mulheres com brandos remédios, tens dado à luz tantos povos (...); ou tu sejas Prosérpina, horrível pelos uivos nocturnos, que reprimes com a triforme face os ímpetos dos espectros, e encerras os arcanos da terra e, vagueando por diversos bosques, és aplacada com diferentes modos de culto: tu que alumias os muros de todas as cidades com a tua feminina luz, que crias as alegres sementes com teu húmido fogo e esparges uma luz incerta segundo as revoluções do Sol: por qualquer nome, quaisquer ritos e debaixo de qualquer forma que é lícito invocar-te, tu me socorre agora em minha extrema calamidade (...), tu dá-me paz e repouso depois de tão cruéis desgraças sofridas".
Virgílio na sua obra didáctica sobre a agricultura, «As Geórgicas» que é um elogio da vida campestre, em harmonia com a natureza, símbolo da paz e da serenidade que se instala com a «Pax Romana» com o imperador Augusto que reconciliou Roma a vida agrícola e a história dos seus antepassados, inicia o seu Livro I do seguinte modo:

«CANTAREI, doravante, o que leva a abundância às terras lavradias; sob que astro convém, ó Mecenas, revirar a terra e casar a vinha com o ulmeiro; que cuidados cumpre dipensar aos bois; que tarefas requer a formação de um rebanho; e que saber exige a criação das industriosas abelhas. Vós, ó brilhantes luminares do Mundo, que guiais nos céus a marcha do ano; vós Baco e alma Cres, por cuja mercê à lande Caónia sucedeu a pingue espiga e se misturou o sumo das uvas com a água Aquelóia; vós também Faunos, protectores sempre vigilantes da grei rural, avançai, e convosco as virgens Dríades: eu canto os vossos dons! E tu, Neptuno, a cuja ordem a terra, golpeada pela vez primeira com o teu magno tridente, lançou do seio o fremente corcel! E tu, habitante dos bosques, em honra de uem trezentos novilhos brancis como a neve tosam as fartas devezas de Ceos! E tu, Pan, guardião dos rebanhos, que com tanto carinho olhas para o teu Ménalo, favorece-me, ó Tegeu! Tu, Minerva, que nos deste a oliveira; tu, moço inventor do curvo arado; tu Silvano, que usas em guisa de cajado um tenro cipreste arrancado com as raízes! E vós todos, deuses e deusas a quem cabe o cuidado de proteger os campos, que alimentais as plantas que o homem não semeou, e derramais do céu, sobre as que ele cultiva, a chuva benfazeja.
(...) Quando renasce a Primavera, e frios regatos correm das montanhas cobertas de neve, e o Zéfiro desagrega as leivas, é chegada a ocasião dos bois começarem a gemer sob o peso do arado tanchando a fundo, e de rebrilhar ao sol a elha desgastada pelo roçar nos sulcos. (...)
Mãos à obra, portanto! Comecem os teus robustos bois, desde o primeiro dia do mês, a revolver a terra feraz, para que o poeirento Verão recoza com rais ardentos de sol as glebas que se lhe oferecem..
(...) o pai dos deuses, o próprio Jove, determinou que fosse árduo o cultivo das terras,pela primeira vez as mandou fabricar obedecendo a uma arte, e aguilhoou com preocupações o coração dos mortais, não consentindo que os seus domínios entorpecessem numa pesada modorra. Antes do reinado de Júpiter não havia agricultores em luta com os campos; não era permitido dividir a terra, e assinalar extremas; os homens buscavam o proveito para o bem comum, e o próprio solo produzia mais liberalmente, sem nada se lhe solicitar. Foi Júpiter que deu às negras serpentes o veneno maléfico, quem mandou que os lobos fossem depredadores, quem ordenou que o mar se agitasse, quem, sacudindo as folhas, fez cair delas o mel; quem retirou aos homens o fogo, e estancou os vinhos que corriam. Tudo para que o homem, à força de experiência e constante exercício, forjasse pouco a pouco as várias artes, alcançasse, abrindi sulcos, as messes de trigo, e fizesse brotar das veias da pedra o fogo que se lhe havia ocultado.
(...) Foi Ceres quem primeiro ensinou os mortais a revirar a terra com o ferro, quando já lhes faltava as landes, e Dodona recusava o alimento fácil».
Virgílio, Livro I, ed. Sá da Costa, 1948: «As Geórgicas»).
«CANTEI!, até aqui, o amanho dos campos e os astros do céu; cantar-te-ei a ti, Baco, e contigo as árvores silvestres e a prole da oliveira, lenta no crescer. Vem, ó pae Leneu! Tudo aqui está cheio dos teus dons; em tua honra floresce o campo, carregado de pâmpanos outonais, e a vindima espuma nos lagares atestados. Vem ó pae Leneu! Descalça os conturnos e tinge comigo as pernas nuas no mosto novo! Antes de mais nada, direi que a natureza varia quanto modo por que cria as árvores. Na verdade, umas, sem intervenção humana, nascem expontaneamente, e cobrem ao longe os campos e as margens sinuosas dos rios, como o fime flexível, a branda giesta, o choupo, e os salgueiros brancos, coroados de verde folhagem; outros brotam da semente colocada pela mão do homem, como os altos castanheiros, o roble, que, sobraceiro às mais árvores, se veste de folhas em honra de Júpiter, e as carvalheiras que serviam de oráculos aos Gregos; a outras rebenta da raiz densa mata de pôlas, como sucede às gingeiras e aos ulmeiros, e também ao loureiro do Parnaso, que, pequeno ainda, se desapega da vasta sombra da mãe. Tais são os meios por que a natureza forma primitivamente as árvores: destarte verdeja toda a raça que povoa as florestas, os matagais de arbustos e os sagrados bosques» (Virgílio, Livro II, ed. Sá da Costa, 1948: «As Geórgicas»).



Na fotografia: Ceres sentada. Museo Nacional de Arte Romano.
Século I d. C.

Imagem a partir de: http://www.arqueomas.com/peninsula-iberica-museo-nacional-de-arte-romano-de-merida.htm



Cornalina alaranjada com representação de Ceres - Fides Publica ou Fides Augusti, «divindade segurando espigas e um prato com frutas (...) que talvez simbolizasse a fé dos cidadãos na actividade do Imperador é, no fundo, uma personificação de símbolos agrícolas»

in Graça Cravinho (CRAVINHO, Graça, 2015, Espólio Funerário da Ammaia, a Joalharia, p. 105).

Esta investigadora data-a do século II - III d. C
«Mas, antes de tudo, venera os deuses e oferece à magna Ceres os sacrifícios anuais devidos, celebrando-os nos prados ridentes, quando o inverno chegou ao ser termo e a primavera serena já se anuncia. Nessa ocasião estão nédios os cordeiros e os vinhos têm o melhor sabor; o sono é aprazível, e são densas as sombras nos montes. Adore Ceres, por tua intenção, toda a mocidade dos campos; diluam-se, em honra de Ceres, favos de mel em leite e doce vinho; que a vítima propiciadora dê três voltas aos trigos novos, e todo o alegre cortejo a acompanhe, invocando com clamores, para a tua casa, a protecção de Ceres; e que ninguém meta foice nos trigos maduros antes de, com a fonte cingida por uma grinalda de folhas de carvalho, ter honrado a deusa com singelas danças e com cânticos»
As Geórgicas de Vergílio, Ed. Sá da Costa, 1948. (vv 335-355)


Em Roma Opalia ou Opiconsiva, no dia 25 de Agosto, era o nome do festival em honra da deusa Ops, uma divindade ligada aos recursos agrícolas, à riqueza e à abundância. Marcava o fim do período das colheitas.


Imagem: Jovem colhendo flores, detalhe da pintura mural de Stabiae, Séc. I d. C.
Museu Arqueológico Nacional, Nápoles, Itália


1 - Cipreste

Mas não podemos, pois, esquecer as inúmeras divindades associadas à Natureza e à Floresta, designadamente Silvano (do latim Silvanus), deus das florestas (do latim silva, "selva" – donde vem-lhe o nome). É o protector das actividades pastoris, facilitando a fertilidade do solo e à procriação dos animais.
protectora dos bosques, da vida rural e da prodigalidade dos campos, bem como da caça e dos limites das propriedades (limes)
Tem características do deus Fauno ou do Pã grego, se bem que alguns autores o tenham descrito como seu filho ou de Saturno.
São muitas vezes representados com uma cauda, patas e orelhas de cavalo ou mesmo alongando as pernas em forma de patas de cavalo.
O cipreste é um dos atributos de Silvano, árvore sagrada para numerosos povos, dada a sua longevidade e à sua verdura persistente, ou seja a árvore da vida. 

Para os gregos e romanos, estava em comunicação com as divindades do inferno. estando, por isso ligada também ao culto de Plutão, deus dos infernos. Talvez por isso continue a ornar os cemitérios.


(Ver) CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números).

O cipreste era também atributo de Artemisa /Diana. Associava-se ainda a  Plutão, motivo porque ainda adorna os cemitérios , bem como a Esculápio e a Saturno/Cronos e a Apolo, (pela sua copa em forma de chama. 
Já no séc. I d. C., o médico grego Dioscorides mencionava as propriedades curativas do cipreste como diurético, contra a disenteria e as hemorragias.



Escultura do deus  Silvano de «Los Mártires» , Talavera la Real, Badajoz, 
segundo desenho de José Manuel Jerez Linde.



2 Oliveira


Mosaico com representação da apanha da azeitona (Cartago, Tunísia). Fot. André Martin

Associada a Atena, (Minerva) e a Júpiter.

Encontramos várias referências à oliveira em Virgílio, As Geórgicas, pp.25; 45; 63; 65, 69; 75; 89.; Plínio, NH, XV, 1, 8; 17; XVII, 93; XV, 17; Estrabão, III, 4, 16. Catão, De Agr. 10-11

Era a árvore da civilização, da fecundidade, da paz e da vitória sobre as forças obscuras, esterilizantes e injustas. O Triunfo da civilização. A deusa Atena fez brotar a oliveira por detrás do Erectéion, como o mais belo presente que podia oferecer aos Atenienses. Atena zela pelo Estado e pela prosperidade do mesmo. Vela também pela agricultura.
Na pátera do Tesouro da Lameira Larga (Ver Filomena Barata sobre o «Tesouro da Lameira Larga» publicado na Revista de Arqueologia, Madrid e com edição revista neste blogue) é bem visível a oliveira e o mocho, atributos de Atena. Junto a Pedras d'El Rei (Santa Luzia) existe uma oliveira com cerca de dois mil anos, uma das árvores mais antigas de Portugal. Catão considerava suficientes 13 trabalhadores para se ocuparem de uma propriedade de 240 judera (60 ha) de olival, número que para 100 jugera de vinha subia para 18.
Segundo Plínio, «Há também azeitonas muito doces que se secam por si, mais doces que uvas passas; são bastante raras e produzem-se na África e próximo de Emérita, na Lusitânia» Plínio, NH, XV, 17. Este autor latino refere ainda que a Bética obtinha as suas mais ricas colheitas das oliveiras e que o solo cascalhoso era muito apto para plantar olivais.
É sabido que a oliveira, a par da videira, foi uma das primeiras árvores a ser cultivada, há mais de 5.000 anos, no Mediterrâneo Oriental e Ásia Menor, sendo os Feníciios, Sírios e Arménios os primeiros a consumir azeite.
Era utilizado na alimentação, higiene e beleza e ainda com fins medicinais.
Durante o Período Romano, foi muito utilizado para tratamentos capilares, sendo também aproveitado para a iluminação, designadamente nas lucernas, ou candeias, como lubrificante de ferramentas e alfaias agrícolas, impermeabilizante e ainda em rituais religiosos, tendo mantido, contudo, o seu tradicional uso na alimentação e para efeitos medicinais.
Ao que se sabe,«a oliveira mais antiga conhecida até ao momento em Portugal tem 2210 anos, datados segundo um método desenvolvido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Situa-se em Pedras d’el Rei em Tavira /Algarve. Por ela passaram romanos, muçulmanos, ainda nem sequer se imaginava vir a existir o Reino de Portugal e ainda mais longe estava a conquista do Algarve, quando pela primeira vez deu frutos. Classificada como árvore de interesse público em 1984 a oliveira das Pedras d’el Rei, tem de dimensão o abraço de seis homens, a copa possui mais de 9 metros e a árvore encontra-se em bom estado vegetativo, de acordo com a última ‘vistoria’ da Autoridade Florestal Nacional, entidade encarregue da classificação deste património natural. O tronco oco assemelha-se a uma catedral viva, permitindo que lá dentro haja um banco, quiçá de madeira da própria árvore, onde se pode ficar a apreciar as volutas do tronco retorcido». A partir de: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=42632
Virgílio, o autor latino do século I que heroiciza o prestígio da vida agrícola, como um dos pilares da época de Augusto, n'«As Geórgicas» faz várias referências às oliveiras, afirmando logo no seu Livro I: «Tu, Minerva, que nos deste a oliveira; tu moço inventor do curvo arado; tu, Silvano, que usas em guisa de cajado um tenro cipreste arrancado com as raízes! E vós todos, deuses e deusas a quem cabe o cuidado de proteger os campos, que alimentais as plantas que o homem não semeou, e derramais do céu, sobre as que ele cultiva, a chuva benfazeja!» Também o geógrafo Estrabão se refere à riqueza agrícola e mineira da Turdetania do seguinte modo : « trigo, muito vinho e azeite; este de grande quantidade, e de qualidade insuperável» e adianta ainda que grande parte da costa atlântica e mediterrânica estava coberta de arvoredo: oliveira, vinha, figueira e outras árvores semelhantes e que a região entre o Tejo e o Cantábrico "era naturalmente rica e frutos e gado" (3, 3, 5).
Virgílio, Livro I, ed. Sá da Costa, 1948: «As Geórgicas».

Foto: Oliveira em Miróbriga





Em Santa Bárbara dos Padrões foram identificados vários exemplares dedicados aos Manes, tendo na decoração árvores onde se enroscam serpentes (MAIA, 1997, 61).


Ártemis ou Artemisa é deusa virgem da mitologia grega, também protectora da vida selvagem e da caça, filha de Júpiter-Zeus e de Leto e irmã gémea de Apolo que os tempos quiseram associar à lua e à magia, bem como aos animais selvagens, à virgindade, e às parturientes. O cervo e o cipreste eram os seus atributos.

Fotografia e legenda da mesma: Graça Cravinho.

4 Louro/loureiro 




Aparece associado a Apolo, Dioniso, Dafne e Liberdades.

(Ver As Geórgicas Virgílio Sá da Costa 1948: 45; 61).


Mosaico com representação de folhas de louro. Foto Jean-Louis Bellurget, Inrap
https://latunicadeneso.wordpress.com/2017/07/17/descubren-en-francia-los-esplendidos-mosaicos-de-una-residencia-aristocratica-romana/mosaicosauch9_ng/

Segundo a Mitologia, Febo-Apolo, considerado o deus da juventude e da luz, irmão gémeo de Artemisa, apaixonou-se pela ninfa Dafne que não lhe correspondeu. Dafne não aguentava mais a perseguição do belo deus Apolo e pediu ao seu pai Peneu que lhe mudasse a forma. O pai atendeu ao seu pedido e transformou-a num loureiro. Com as folhas desta árvore Apolo teceu uma coroa. Passou a ser o símbolo desta divindade, representando a vitória e a glória.

«O PRIMEIRO amor de Febo foi Dafne, filha de Peneu. Não foi
o acaso ignaro a induzir-lho, mas a cólera cruel de Cupido.

(...) Logo este se enamora, a outra foge à ideia de um amante;
rejubila ela com esconderijos nas florestas, com os troféus
dos animais que caça, rivalizando assim com a inupta Febe.
(...) Febo está apaixonado. Ao ver Dafne, deseja desposá-la,
e tem esperança no que deseja: os seus oráculos iludem-no.

(...)
«Ninfa do Peneu, suplico pára! Não te persegue o inimigo! Assim, foge o cordeiro ao lobo, assim a cerva ao leão, assim fogem à águia as pombas de trémulas asas, cada qual ao inimigo! O amor é a razão de te persiguir. Ai de mim! Temo que caias de cara ao chão, que as sebes arranhem as inicentes pernas, te magoes por minha culpa! Os locais por onde vais são acidentados. Corre mais devagar suplico, abranda a tua corrida. Eu seguir-te-ei mais devagar. Mas pergunta a quem seduziste; eu não vivo nos montes, eu não sou um pastor, eu não vigio, abrutalhado, manadas e rebanhos. Não sabes, temerária, tu não sabes, náo,
de quem tu foges, por isso, foges. Eu sou o senhor da terra de Delfos e de Claro, de Ténedos e do palácio de Pátaros. Júpiter é meu pai. Eu sou quem revela o que será, o que foi
e o que é; eu sou quem harmoniza o canto com a cítara. A minha flecha é, de facto, certeira, mas há uma flecha
mais certeira, aquela flecha que feriu o meu coração vazio. A medicina é uma invenção minha, e pelo mundo fora chamam-me Auxiliador, e tenho sou dono do poder das ervas. Ai de mim! Não há erva alguma para curar o meu amor,
nem minhas artes úteis aos outros são úteis ao seu senhor!»

(...) Ia a dizer mais coisas quando a filha de Peneu se afasta,
assustada, em corrida, deixando-o com as palavras a meio.

(...)

vencida pelo cansaço, fitando as ondas do Peneu,
«Ajuda pai», gritou, «se vós, os rios, tendes poder divino!
Extongue e transforma esta figura, demasiado atraente»

Mal termina a prece (Dafne), um pesadelo torpor invade o corpo.
O macio peito da jovem é envolto por uma fina casca,
os cabelos alongam-se em folhas, os braços em ramos,
os pés, há pouco tão lestos, fixam-se em indolentes raízes;
o rosto faz-se copa: só o seu esplendor permanece nela.
Ainda assim Febo a ama. E apoiando a mão no tronco,
sente o peito ainda a palpitar debaixo da casca recente.
Abraça nos braços os ramos, como se membros fossem,
cobre de beijos o lenho; mas o lenho aos beijos se esquiva.
Então o deus disse: «já que minha esposa não podes ser,
serás ao menos a minha árvore. Os meus cabelos sempre
te terão, e a minha cítara, ó loureiro, e a minha aljava.
Tu estarás com os chefes do Lácio, quando a voz cantar
alegre o Triunfo, e o Capitólio assistir aos longos cortejos.
Tu, fidelíssima guardiã, estarás no umbral de Augusto,
diante da porta, de guarda às folhas de carvalho ao meio»

Ovídio, Metamorfoses, Livro I, Livros Cotovia, 2007.

O loureiro queimado, consagrado a Febo-Apolo, possuía qualidades divinatórias, motivo pelo qual a Pítia e os adivinhos o utilizavam quer queimado, quer mascado, antes de de profetizar.(GHEVALIER, Jean e CHEETBRANT, Alain, 1982, Diccionário dos Símbolos, Teorema). Os que obtinham uma resposta favorável regressavam a casa usando uma cora de louros na cabeça.
O loureiro, em Roma, mantendo-se associado a Apolo, representava a vitória e a glória. Os romanos acreditavam que os ramos de folhas de louro protegiam quem os usava contra os relâmpagos e contra as intempéries. Os sacerdotes utolizavam os ramos para borrifar água ou sangue de sacrifícios de animais nas cerimónias nos Templos, havendo quem defenda que essa é a origem cristã de borrifar a água benta nas missas.

A coroa de louros é um dos atributos de Vitória e simboliza triunfo. Foi oficialmente atribuída a César, que a usava com frequência.
Em Santa Bárbara foram identificadas inúmeras lucernas com a representação de coroas de louro (MAIA, Manuel e MAIA, Maria, 1997, Lucernas de Santa Bárbara, Castro Verde, Cortiçol).

O loureiro está ligado ao símbolo da imortalidade, motivo pelo que deve ter sido eleito pelos Romanos como emblema da glória. Foi consagrado a Apolo, exactamente nessa acepção, da imortalidade adquirida pela vitória. A sua folhagem não é apenas utilizada para coroar os heróis, mas também os génios e os sábios. E não se conota somente com a vitória material ou física, mas também com a espiritual (GHEVALIER, Jean e CHEETBRANT, Alain, 1982, Diccionário dos Símbolos, Teorema)
A coroa de folhas simboliza a vitória, a glória, por imitação à coroa que distingue os reis.
Na Antiguidade era um ornamento usado como jóia real. Muito conhecido é exemplar executado com folhas de carvalho, em ouro que parece ter pertencido a Felipe II da Macedônia e que foi encontrada numa sepultura.
O deus romano Fauno fazia-se representar com uma coroa de folhas.
Ao que se sabe, a origem do uso da coroa de louros, como acima referido, pode remeter-se ao mito de Dafne, uma ninfa que se transformara em pé de louro para fugir de Apolo. A divindade, executou assim com as folhas uma coroa, passando a ser seu atributo.
Na Grécia Antiga, os atletas eram premiados com as coroas de pequenos ramos de oliveira entrelaçados, que representavam a suprema glória para a alma grega.
Na mitologia grega este era um dos símbolos usados por Apolo, deus da Luz, da Cura, da Poesia, da Música e da Profecia, protector dos atletas e dos jovens guerreiros.
Em Atenas, a utilização da oliveira substitui a coroa de louros como símbolo de glória, pois esta era a árvore protectora da cidade, sendo realizadas festas em honra dos vencedores.
A coroa de louros, ou láurea, então, passou a associar-se à ideia de vitória, motivo pelo que foi usada pelos próprios imperadores.




http://www.usp.br/verve/coordenadores/raimundocarvalho/rascunhos/metamorfosesovidio-raimundocarvalho.pdf).

A propósito do loureiro citemos ainda as Bucólicas de Virgílio:

Menalcas
«A mim Febo me adora, sempre ofertas
de Febo estão comigo; são os louros,
são jacintos* dum rosa delicado.
Dametas
Me atira uma maçã a Galateia**,
menina meio tonta e logo foge
para o salgueiro, que eu, porém a veja.
(…)
Dametas
Prontos estão presentes para a Vénus
A quem adoro; e sei onde ela está,
Lá no lugar dessas aéreas pombas. Menalcas
Para o meu jovem, de árvore dos bosques,
enviei, todas de ouro, dez maçãs,
amanhã outras tantas mandarei».
Bucólicas, Virgílio

*Tal como os narcisos, os jacintos aparecem associados à mitologia, pois, segundo a lenda, Jacinto fora incautamente morto por Apolo, quando este lançava o disco. Do sítio onde jorrou o sangue do moribundo, nasceu uma flor, segundo alguns carmezim e outros púrpura. Há também aqui outra versão do mito que diz que o culpado da sua morte não foi Apolo, mas o Vento Zéfiro, que enciumado, pois amava Apolo e via em Jacinto um rival, teria impelido o disco violentamente.
**Segundo a mitologia, o Ciclope monstruoso Polifemo nutria por Galateia, a bela ninfa marinha filha de Dóris e de Nereu, uma incontrolável paixão de que a Nereide troçava. Sempre que ele revoltado se insurgia contra ela, Galateia aproximava-se furtivamente. Mas quando ele ia no seu encalço do céu choviam maçãs sobre o rebanho do pastor e a ninfa desaparecia de novo, deixando-o só na praia cantando-lhe canções de amor. No entanto, existem outras versões do mesmo mito, dando-nos conta que Galateia até se teria condoído pelo hediondo Ciclope ao tomar consciência de que ele era o filho predilecto do deus dos mares, Posídon. Segundo a mitologia apaixonou-se da ninfa Dafne que, para lhe escapar, foi transformada em loureiro. Com as folhas desta árvore Apolo teceu uma coroa.

Talvez pelo mesmo motivo, associado à glória ou à vitória, no fantástico mosaico recentemente descoberto em Alter do Chão, o escudo que tem na sua figura central a Mesusa é cercado por folhas de louro. Górgona é esse monstro que tem o poder de transformar em pedra todos aqueles que a olham directamente.




Na mitologia grega tardia, havia três górgonas: Medusa, Esteno e Euríale. Ao contrário das outras duas, Medusa era mortal e, por isso, foi decapitada por Perseu. Este utilizou a sua cabeça como arma que oferecerida à deusa Atena, motivo pelo que aparece representada no seu escudo. Também por esse mesmo motivo, a imagem da cabeça da Medusa aparece nos amuletos e, certemante, é por essa mesma razão que aqui se faz representar, rodeada de folhas de louro.

Num outro mosaico tardio de Idanha-a-Velha, Justino Maciel dá-nos conta na sua publicação «A propósito de um mosaico egitaniense, dionisismo, geometrismo e cristianismo» que:«dois filetes ondulados, linhas sinusóides ou espirais enquadram a figura de (uma) silhueta humana. E um pequeno ramo com frutos de oliveira, hera ou loureiro torna presente a simbologia vegetalista já sugerida pela ambiguidade dos hexafólios»
http://iha.fcsh.unl.pt/uploads/RHA-6-16.pdf

E citemos novamente Virgílio «Antes de mais nada, direi que a natureza varia quanto ao modo por que cria as árvores. Na verdade umas, sem a intervenção humana, nascem espontaneamente, e cobrem ao longe os campos e as margens sinuosas dos rios, como o vime flexível, a branda giesta, o choupo, e os salgueiros brancos, coroados de verde folhagem; outros brotam de semente colocada pela mão do homem, como os altos castanheiros, o roble, que, sobranceiro às mais árvores, se veste de folhas em honra de Júpiter, e as carvalheiras que serviam de oráculo aos Gregos; as outras rebenta da raiz densa mata de Pôlas, como sucede ás gingeiras e aos ulmeiros, e também ao loureiro do Parnaso, que, pequeno ainda, de despega da vasta sombra da mãe».
(As Geórgicas Virgílio Sá da Costa 1948: 15).


O louro também é referido pelo gastrónomo Apício. Usava-se, entre outras receitas para condimentar o liquamen - uma pasta feita com base de vísceras de peixe que se usava para temperar os alimentos - quando "estiver com cheiro ruim" (Livro I - VIII) http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1 www.lume.ufrgs.br


5 Prado

Aparece associado a Ceres, Marte e Adónis
Ver: As Geórgicas Virgílio 47
Adónis é frequentemente associado à vegetação, simbolizando a sua morte o repouso invernal das plantas, dando-se a sua ressurreição na Primavera, numa renovação incessante de ciclos.
Cíbele, a divindade importada do Próximo Oriente Antigo e da Grécia para Roma, personifica sob o epíteto «Grande Mãe» a força da natureza. Personifica com Zeus o poder da reprodução de plantas e animais. Ao que diz a mitologia, Cíbele terá desenvolvido amores com Átis.
Pela sua força anímica e genésica, aparece também associada à fundação das cidades, motivo prelo que surge representada a suster muralhas, essas cinturas entre o Sagrado e o Profano que no Mundo Antigo não é senão a continuação um do outro. N' O Rapto de Prosérpina de Claudiano pode ler-se: «Ó caríssimo pai da Primavera, que sempre reinas através dos meus prados com sopro folgazão e refrescas a estação com o teu contínuo hálito, observa a reunião das ninfas, a excelsa descendência do Tonante, pelos nossos campos dignando divertir-se (...) E o Zéfiro sacode as asas de um novo néctar impregnadas e fecunda as terras com um febril rocio. Para onde quer que voe segue-o rubor primaveril. Toda a terra rebenta em ervas, e a abóbada celeste descobre-se num sereno céu aberto. Pinta as rosas em sanguíneo esplendor, veste de negro os mirtilos e pinta as violetas com uma aprazível cor escura».


6 Vinha

«Musgosas fontes, vós, e tu, ó relva mais repousante que o melhor dos sonos, e tu, ó verde arbusto que proteges, que a vós protege com a breve sombra, defendei o meu gado do calor pois chega o Verão, tórrido tempo, e já nas vinhas, nas tão tenras vinhas incham rebentos». Bucólicas, Virgílio   Ver ainda: Virgílio, As Geórgicas; Estrabão, Geografia; Plínio, N.H., XIV, 29-30, 41, 71, 91, 97 127; XV, 25; XVII, 170 ; XVIII, 336; XXXVII, 203 Espasa-Calpe. S.A., Madrid, 1947; Catão, De Agricultura; As Geórgicas, Sá da Costa, Lisboa, 1948. As Geórgicas, 47 65; 67; 73; 77; 79; 81; 85; 89; 95.


Ver: Ovídio, Metamorfoses, Livro IV

Festa dies Veneremque vocat cantusque merumque. [Ovídio, Amores 3.10.47]
O dia de festa convida Vénus, o canto e o vinho.

Mas não aceita Alcítoe, a filha de Mínias, as orgias do deus, e obstina-se em negar que Baco vem de Jove, e as irmãs se aliam nesta impiedade. Ordena o sacerdote festa celebrar, e as mulheres, livres do trabalho, 5 cubram de pele o seio, soltem o cabelo e com coroa adornem e os tirsos nas mãos tomem, vaticinando a ira atroz do deus, se for lesado. Mães e noras obedecem e guardam roca, cestos e fios intactos, 10 com incensos proclamam Baco, Brômio, Líeo, rebento único de duas mães ignígenas; Somam a estes Níseo, o intonso Tiôneo, Lêneo, semeador da uva dos festins, Nictélio, o pai Eléleo, Iaco, Euã, 15 e muitos outros nomes que tu tens, ó Líber, entre os gregos. Eterna é tua juventude, ó criança divina, tu és formosíssimo e admirado no céu. Quando estás sem os chifres, tens virgínea cabeça. Venceste o Oriente 20 até onde o Ganges a tisnada Índia banha. Tu, venerando, matas Penteu e Licurgo sacrílegos, e lanças os corpos no mar Tirreno. Tu enfreias ambas as cervizes ajaezadas dos linces. Bacantes e Sátiros 25 e um velho ébrio, que se apóia num bastão e mal sustenta-se no lombo do asno, seguem-te. Por onde vais, ressoam clamor juvenil, voz de mulheres, cavos tambores e címbalos de bronze e em longos tubos a flauta de buxo. 30 “Vem bom e amigo!” rogam mulheres beócias, 114 e freqüentam os ritos; só as Miniêides perturbam os festins na lida de Minerva, cardam a lã, torcem o fio ao polegar, ou, curvadas na roca, à faina as servas urgem. 35

 Associada a Liber Pater e sua divina esposa Libera, gradualmente estas duas divindades relacionadas com a fertilidade e o vinho foram assimiladas por Dionysus/Bacus. Mas a vinha também aparece associada a Saturno; Priapo. Saturno parece ter sido o responsável por ter ensinado aos habitantes da Itália a cultura da vinha. Saturno era deus das Sementeiras e dos Grãos, por vezes mesmo da Vinha. É representado com a foice do ceifeiro e a podoa do vinhateiro. Os Antigos viam na vinha e em Dionísio - deus do vinho, rodeado por um conjunto de divindades alegres e ébrias - a imagem simbólica da força da natureza cheia de seiva. Baco é a divindade romana do Vinho e da Vinha, do Deboche e da Licenciosidade. Segundo informação de Plínio-o-Velho, o pintor grego Zeuxis ou Zeuxippos (464 a.C. - 398 a.C) , natural de Heráclea, mas que viveu grande parte da sua vida em Atenas, considerado um dos principais pintores da Grécia Antiga terá disputado com outro pintor, Parraso. «Para a disputa, Zeuxis pintou um cacho de uvas. Quando mostrou o quadro, dois passarinhos imediatamente tentaram bicar as frutas. Zeuxis então pediu que Parraso desembrulhasse seu quadro. Este então revelou que na verdade era a pintura que simulava a embalagem do quadro. Zeuxis imediatamente reconheceu a superioridade de Parraso, pois se tinha enganado os olhos dos passarinhos, este tinha enganado os olhos de um artista». (Plínio, o Velho, História Natural, Livro XXXV, IV).
No Museu Nacional de Arqueologia existem vários bustos de Dióniso ou Baco com o cabelo ornado de uma grinalda de cachos de uvas e parras, provenientes respectivamente da uilla de Milreu, datável do século II, e de Mértola (MATOS, 1995: 5659). No «sarcófago da vindima» , proveniente de Castanheira do Ribatejo, que tem forma de cuba de vinificação, o retrato de uma jovem inscrito num medalhão centra-se na peça. O medalhão está assente sobre um vaso com duas asas, donde saiem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas e, entre as ramagens, aparecem pequenos cupidos, cestas de vidima, aves e animais campestres, como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos (MATOS, 1995:100). No Sarcófago da Vindima de «pequeno tamanho, com as extremidades arredondadas e a forma geral de uma cuba de vinificação (lenós) mostrando a face principal o retrato de uma jovem no interior de um medalhão assente sobre um vaso biansado, donde saem ramos de oliveira, parras e cachos de uvas que vão preencher todo o espaço da face principal e principalmente das laterais. A peça foi concebida para ficar encostada a uma parede, razão pela qual a face oposta ao frontal não mostra qualquer escultura. O busto representa uma menina vestida de um "colobium", uma túnica pregueada, sem mangas, presa aos ombros por duas fíbulas, cabelos em bandós e atados na nuca, olhos com marca da pupila, estando o busto e a pequena peanha em que assenta inseridos num medalhão côncavo que lhe serve de moldura. Entre as ramagens que saem do vaso, ornado de parras, aparecem pequenos cupidos, cestas de vindimas, aves e animais campestres como coelhos, cobras, escorpiões, lagartos, caracóis e gafanhotos. Por cima do medalhão corre uma fieira de pérolas sobrepujada por uma outra de ovas. É evidente o significado báquico ou dionisíaco de toda a composição, relacionado com a felicidade da vida além-túmulo. O sarcófago, um trabalho cuidadoso feito talvez em oficinas do oriente mediterrânico, foi certamente importado com o medalhão por acabar tendo-se no termo da viagem esculpido a efígie da menina depositada no túmulo, o que explicaria também que o retrato se apresente esteticamente menos conseguido que o belo conjunto escultórico envolvente. O penteado da menina e os elementos decorativos, permitem, do ponto de vista técnico e temático, datar de meados do século III d.C. o fabrico da peça». (Segundo ficha do Catálogo de Escultura Romana do MNA, da autoria de José Luís de Matos).
"...Tradicionalmente considerado como uma produção escultórica do oriente mediterrânico, tende-se hoje a procurar a sua filiação numa oficina ocidental, provavelmente itálica". (Segundo ficha de Catálogo da Exposição "Religiões da Lusitânia", da autoria de José Cardim Ribeiro). Museu Nacional de Arqueologia proveniência: Castanheira do Ribatejo. Vila Franca de Xira. Lisboa cronologia: Época Romana. Séc. III d.C. tipologia: Sarcófago em mármore

Os temas báquicos eram muito comuns na decoração das lucernas, como se pode verificar, apenas a título de exemplo, nos exemplares provenientes de Balsa (NOLEN, 40, 94, lu. 2 , 4 e 8), datáveis dos séculos I e II e em Santa Bárbara (MAIA, 1997: 45). Deste último local provêm duas lucernas com a representação de Sileno (MAIA, 1997:77). «Mas, antes de tudo, venera os deuses e oferece à magna Ceres os sacrifícios anuais devidos, celebrando-os nos prados ridentes, quando o inverno chegou ao seu termo e a primavera serena já se anuncia. Nessa ocasião estão nédios os cordeiros e os vinhos têm o melhor sabor». Virgílio, 47. 
Recordo ainda o trabalho publicado por Justino Maciel já aqui citado «A propósito de um mosaico egitaniense, dionisismo, geometrismo e cristianismo» que:«dois filetes ondulados, linhas sinusóides ou espirais enquadram a figura de (uma) silhueta humana. E um pequeno ramo com frutos de oliveira, hera ou loureiro torna presente a simbologia vegetalista já sugerida pela ambiguidade dos hexafólios», bem como outros mosaicos, como o exemplar báquico de Torre de Palma, considerado uma obra de arte de referência entre os mosaicos dionisíacos na Lusitânia (Lancha, 2000, 197-205).
Segundo Estrabão, grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvoredo : oliveira, vinha, figueira e que a região entre o Tejo e o Cantábrico «era rica em frutos e gado» (3,3,5). Plínio, por sua vez, informa-nos sobre a qualidade da vide «coccolobis» na Hispânia, cujo vinho «sobe à cabeça» e que existem duas variedades, uma de bago alargado e outra de bago redondo. «Dizem que beber vinho destas uvas uvas é um bom remédio para as "ddolencias de vejida"» (Plínio, XIV, 29-30).

Informa ainda que quando da vitória de César sobre a Hispânia «consta que pela primeira vez se beberam quatro qualidades de vinho» Plínio, XIV, 97 Estrb. III, 2, 612 Azeite. Paz; fecundidade; Força; Vitória; Glória; Purific.Virgílio, pp.51; 91; 95; Plínio, XV, 1; XVIII, 306; Estrab. III, 2, 6.; III, 3, 1; III, 3, 6; III, 3, 7; III, 3, 7; III, 4, 16 Sá da Costa, Lisboa 1948 Ver oliveira. Ver : Plínio XV, 1; XVIII, 306; XXXIV, 95; XXXVII, 203.
Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável», bem como cera, mel, pez .....Estrabão III, 2, 613. São estas as palavras de Virgílio n' «As Geórgicas»: "Deitai-vos pois ao trabalho, ó lavradores, e aprendei a arte de cultivar de modo apropriado, amansando à fora do engenho, os frutos bravios. Não deixeis as terras maninhas: é obra deleitosa plantar vinhas no Ismaro e vestir de oliveiras o grande Taburno». (Sá da Costa: p. 63). E ainda mais: "As oliveiras respondem melhor à esperança do agricultor quando provêm de tanchoeiras, as vinhas quando procedem de alporques, a murta de Pafos quando se planta um tronco inteiro". Segundo este autor latino «Terra que exala um vapor ténue e neblinas fugazes, que absorve a humidade, mas, quando quer, a lança para fora de si; terra que sempre verdejante, se reveste de ervagem que ela própria cria, que não ataca o ferro com sal ou ferrugem, eis a que te convém para entretecer com os olmos as ridentes videiras; será, também fértil para a oliveira: amanha-a bem, e verás como é propícia para os gados, e como é dócil para a curva relha» (Sá da Costa, 1948: 75). «A árvore que nasceu de sementeira cresce lentamente; não dará sombra senão aos nossos netos remotos. Os frutos degeneram, esquecem os primitivos sucos; a vinha, essa acaba por só dar míseros cachos que se deixam ás aves. Assim, a todas as árvores se tem que dispensar cuidados; todas se tem de alinhar em valas e de tratar sem fugir a despesas. As oliveiras respondem melhor à esperança do agricultor quando provêm de tanchoeiras, as vinhas quando se planta um tronco inteiro»(Sá da Costa, 1948: 75, ver ainda pp: 67; 73, 79; 81)». Citando Hernâni Matos, num belíssimo artigo «O Vinho na mitologia Greco-Latina », em http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2010/07/o-vinho-na-mitologia-grego-latina.html




Portadora de oferendas com cacho de uvas na mão. S. Miguel da Mota, Terena. Século I - II. MNA

«Dioniso ou Baco, filho de Zeus e da princesa Semele, era o deus grego das festas, do vinho, da fecundidade, do lazer e do prazer, símbolo do desencadeamento ilimitado dos desejos e da libertação de qualquer inibição. É representado geralmente como um jovem imberbe, risonho e de ar festivo, de longa cabeleira, pegando um cacho de uvas ou uma taça numa das mãos e empunhando na outra um tirso (bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha). Tem sido sugerido o carácter fálico do tirso, no qual a pinha seria o símbolo do sémen. Dioniso é por vezes figurado com o corpo coberto por um manto de pele de leão ou de leopardo, com uma coroa de pâmpanos na cabeça e conduzindo um carro puxado por leões. Pode igualmente ser apresentado sentado num tonel, segurando numa das mais uma taça donde absorve a embriaguez que o faz cambalear. Dioniso é normalmente representado na companhia de outros bebedos.


                                          Sileno reclinado. Teatro Romano de Lisboa. Museu Nacional de Arqueologia


 - Sileno – Tutor de Dioniso, companheiro fiel e o mais velho, sábio e beberrão dos seus seguidores, que embriagado tinha o poder da profecia. Representado quase sempre bêbado, amparado por sátiros ou carregado por um burro. 
- Sátiros - divindades menores da natureza com aspecto humano, cabelos eriçados, com grande cauda e orelhas bicudas de bode, pequenos cornos na testa, narizes achatados, lábios grossos, barbas longas e órgãos sexuais de proporções sobre-humanas, frequentemente mostrados em estado de erecção. Viviam nos campos e nos bosques, onde tinham relações sexuais frequentes com as Ninfas e as Ménades, que a eles se juntavam no cortejo de Dioniso, além de copularem com mulheres e rapazes humanos, cabras e ovelhas. A embriaguês era a fonte inesgotável da sua perpétua jovialidade e lubricidade.

                                                                  Jaspe negro com representação de Sátiro. 
Século I a.C.. 
Fundação Calouste Gulbenkian.
Agradecemos a Graça Cravinho a fotografia e legenda.



- Ménades (ou Bacantes) - mulheres apaixonadas por Dioniso e entregues com fervor ao seu culto. Levadas à loucura pelo deus do vinho, que provocava nelas um estado de êxtase absoluto, entregavam-se a desmedida violência, derramamento de sangue, sexo, embriaguez e auto-flagelação. Representadas nuas ou vestidas com véus ligeiros, coroadas de hera e segurando um tirso ou um cântaro, por vezes tocavam flauta de dois tubos ou tamboril e entregavam-se a uma dança livre e lasciva (orgia ou menadismo), em total concordância com as forças mais primitivas da natureza. Vagueavam por montanhas e campinas e entregavam-se aos sátiros que também integravam o cortejo de Dioniso. 
- Ninfas – jovens mulheres que povoavam o campo, os bosques e as águas. São os espíritos dos campos e da natureza em geral, de que personificam a fecundidade e a graça. Apesar de serem consideradas divindades secundárias, a elas se dirigiam orações e por elas se nutria temor. Eram frequentemente alvo da luxúria dos sátiros (...) Os festivais realizados em homenagem do deus eram basicamente festas da Primavera e do vinho. As danças frenéticas a que se entregavam as mulheres, davam-lhes uma sensação de liberdade e força, sendo-lhes atribuídos actos impressionantes como desenraizar árvores (...) Os Gregos consideraram este culto nocivo e muitos governantes das cidades-estado procuraram proscrevê-lo. Em 370 a.C., o culto a Dioniso (Baco) penetrou em Roma e tinha sacerdotisas conhecidas por bacantes. As festas, de natureza ritual, em homenagem ao deus Baco, conhecidas por bacanais eram nocturnas, secretas e frequentadas exclusivamente por mulheres durante três dias no ano (...). Ao invadirem as ruas de Roma, dançando, soltando gritos estridentes e atraindo adeptos do sexo oposto em número crescente, os bacanais tornaram-se factor de desordem e de escândalo, o que levou à publicação de um decreto por parte do Senado, em 186 a.C., proibindo as bacanais em toda a Itália. Contudo, mesmo com a proibição, o culto não desapareceu naquele tempo». 
Proveniente da Villa Romana de Vale de Mouro é um mosaico de Baco, um tema com pouco exemplares em território nacional, que foi encontrado num pequeno compartimento de planta quadrangular com cerca de9 metros quadrados. «O mosaico é composto por um quadro figurativo centrado numa composição ortogonal de círculos e quadrados emoldurados com linhas de grandes redentes, ornada de elementos geométricos tais como nó de Salomão, linha de espinhas, círculos com secções policromáticas, discos e, nos espaços residuais, florões longiformes estilizados. Num fundo branco de tesselas dispostas em escama, o quadro central da figura. Dionísio (o romano Baco), ostentando os seus atributos clássicos: um triso (thyrsus) na mão esquerda, um Kantharusna mão direita, uma coroa de cachos de uva na cabeça. Conduz um carro de duas rodas, parcialmente conservado no mosaico, puxado por dois leopardos, dos quais apenas se conserva parte de um. À esquerda do Deus, uma figura feminina, uma ménade ou bacante, completa a representação iconográfica». CM Meda: http://www.cm-meda.pt/turismo/Paginas/SitioArqueologicodeValeMouros.aspx
Imagem: Mosaico do Outono, Villa romana do Rabaçal, Penela 



Mosaico romano com representação de Baco. Cherchell Museum . Argélia

A 23 de Abril comemoravam-se as  vinalia, festa dedicada ao vinho sob a protecção de Vénus (Abril é o mês dedicado a esta divindade) que concedeu aos humanos o vinho corrente vinum spurcum. A Júpiter, como deus que regulava o clima, eram-lhe oferecidas libações com vinho benzido pelo  sumo sacerdote.
Por sua vez, no templo de Venus Ericina, jovens e prostitutas prostitutas reuniam-se procurando relacionamentos e ofereciam à deusa mirto, menta e juncos entre ramos de rosas, pedindo beleza.
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1 Por sua vez, no templo de Assim, o calendário romano antigo, havia três festividades ligadas à vinha e do vinho: o Vinalia Rustica ou Altera (19 de Agosto), quando a safra começava; o Meditrinalia (11 de Outubro), quando a primeira libação era derramada; o Vinalia Urbana ou Priora (23 de Abril), quando o novo vinho era provado. Tanto o Vinalia Rustica como a Vinalia Urbana estavam ligados a rituais para proteger as vinhas. No dia do Vinalia Urbana, o Flamen Dialis oferece uma libação a Júpiter com os primeiros frascos de vinho; só então pode o vinho ser recolhidos por homens. Vénus também é homenageada neste dia como a protectora das dançarinas e prostitutas. Myrtle (mirto), como acima dissemos , hortelã, e incenso são queimados nos altares do templo de Erycinna na parte nordeste da cidade, construída para abrigar a imagem que Marcus Claudius Marcellus recolheu de Eryx na Sicília em 212 aC.  Ramos de rosas e juncos eram-lhe oferecidas.
Já Hipócrates (460-370 a.C.), o pai da Medicina, assim se lhe refere: "O vinho é bebida excelente para o homem, tanto sadio como doente, desde que usado adequadamente, de maneira moderada e conforme seu temperamento." Hipócrates incorporou o vinho no tratamento da maioria das doenças agudas e crónicas, recomendando-o como suplemento dietético, como diurético, como purgativo, como antitérmico, como antisséptico em emplastos para prevenir a supuração de ferimentos e ainda na convalescença quando havia depressão. 
Refere um preparado que ficaria conhecido como vinho hipocrático (vinho doce com canela, gengibre ou outra especiaria, passado por um passador), com qualidades estimulantes e reconfortantes.


7 Zambujeiro

Em Virgílio, n'As Geórgicas, refere-se o zambujeiro do seguinte modo: «As colinas ingratas, as terras difíceis, em que a argila escasseia e a pedra abunda, e que o o mato reveste de moitas, são propícias à silva, grata a Palas, da longeva oliveira; é o que denunciam os zambujeiros crescendo em grande número, e as bagas silvestres espalhadas pelo chão» (Sá da Costa, 1948: 73)


8 Trigo

 Aparece associado a Ceres, Deméter . Deméter, filha de Crono e de Reia, parece ter dado os primeiros grãos de trigo a Céleo de Elêusis.
É a deusa do trigo, ao qual facilita a germinação, e das colheitas, de que assegura o amadurecimento.
No Museu Nacional de Arqueologia há uma pedra de anel da colecção Bustorff Silva, de proveniência desconhecida, que apresenta gravada um busto de mulher com diadema (Ceres?) voltado à esquerda, que é sublinhado por uma espiga estilizada (ver «Um gosto privado - um olhar público», p. 130.
Há inúmeras referências ao trigo quer em Virgílio, As Geórgicas (29; 31; 39; 45; 47; 73; 75; 95), Sá da Costa, 1948, Lisboa.

Diz-nos Virgílio, «Terras anegradas, onde a relha escorrega quase sem esforço, mas que se esfarelam - para isso serve o charruar - são as melhores para o trigo» , As Geórgicas, 73.
Plínio informa-nos que na Hispânia o trigo se guarda em silos e que «assim, se não penetra qualquer ar no trigo, é seguro que não haverá qualquer dano» Plínio, XVIII, 306-307.
Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável» Estrb. III,2, 65

Ver: Plínio, NH, XVIII,


Placa alusiva ao Verão. Museo Nacional de Arte Romano. Mérida.
Fotografia José Manuel Jérez Linde

Para além de Júpiter, e de  Deméter- Ceres aparece ainda associado a Ísis  (ver Las Religiones mistéricas en la España Romana Bendala Gálan) Sub dirección General de Arqueologia del Ministerio Madrid 1981.
O Verão aparece normalmente associado às espigas.
Ver Mosaicos de Chipre. Revista de Arqueologia, nº 233, Madrid.
São estas as palavras de Virgílio n'As Geórgicas «Terras anegradas, onde a relha escorrega quase sem esforço, mas que se esfarelam - para isso serve o charruar - são as melhores para o trigo; de nenhumas outras empostas verás recolher ao celeiro mais carros puxados por vagarosos bois».


Selo de padeiro com representação de Júpiter.
Proveniência desconhecida.
Século II d. C.
Museo Nacional de Arte Romano, Mérida.
Fotografia de José Manuel Jerez Linde.
Embora lhe tenha sido atribuída a função de selo, admite-se hoje que pudesse ter funções votivas.

Zeus segura o cetro com uma mão e noutra parece agarrar o feixe de raios.

Na parte superior da peça estão representados elementos fitomórficos, como que espigas.


9. Carvalho


«Mas, antes de tudo, venera os deuses e oferece à magna Ceres os sacrifícios anuais devidos, celebrando-os nos prados ridentes, quando o inverno chegou ao ser termo e a primavera serena já se anuncia. Nessa ocasião estão nédios os cordeiros e os vinhos têm o melhor sabor; o sono é aprazível, e são densas as sombras nos montes. Adore Ceres, por tua intenção, toda a mocidade dos campos; diluam-se, em honra de Ceres, favos de mel em leite e doce vinho; que a vítima propiciadora dê três voltas aos trigos novos, e todo o alegre cortejo a acompanhe, invocando com clamores, para a tua casa, a protecção de Ceres; e que ninguém meta foice nos trigos maduros antes de, com a fonte cingida por uma grinalda de folhas de carvalho, ter honrado a deusa com singelas danças e com cânticos»
As Geórgicas de Vergílio, Ed. Sá da Costa, 1948. (vv 335-355)
Ver também Geórgicas pp. 47 79; 121.


O Carvalho aparece associado às Ninfas Dríades; Zeus/Júpiter
Zeus permanece nos carvalhos de Dodona e anima, com o seu sopro, a folhagem que manifesta os seus oráculos. O carvalho fornecia a Zeus a sua coroa. As Dríades são as ninfas que povoam as florestas de carvalhos, particularmente sagrados na religião grega e que a protegem. As Dríades têm a forma e o tamanho de um tronco com raízes. Filémon foi também transformado em carvalho. O carvalho era protegido pelas Dríades, a mais célebre das quais Eurídice casou com Orfeu. Milão ao tentar abater uma destas árvores ficou com as mãos trilhadas entre as duas partes da árvore que se voltaram a unir. Em Santa Bárbara foram identificadas inúmeras lucernas com a representação de coroas de carvalho (MAIA, Manuel e MAIA, Maria, 1997, Lucernas de Santa Bárbara, Castro Verde, Cortiçol)., 112 e 113). 
As sete colinas de Roma também estavam cobertas de bosques de carvalhos dedicados a Júpiter e o fogo sagrado de Roma era mantido pelas Vestais e só podia ser alimentado com madeira de carvalho.

Relativamente à profundidade das valas em que devem ser plantados os carvalhos, diz-nos Virgílio que se tem que "aferrar à terra mais profundamente (do que a videira). É o que sucede com o carvalho, que eleva nos ares o seu cimo tanto quanto mergulha a raíz para o Tártaro; por isso nem as inverais, nem os vendavais, nem as chuvas o desarreigam; permanece inabalável, vendo as gerações a suceder-se; lança ao longe os ramos vigorosos, deita por vários lados as pernadas, e, no meio delas, sustenta a copa que espalha vasta sombra» (Edição Sá da Costa, 1948: 79).



10. Pinheiro

A pinha, símbolo do renascimento e do sol,  associa-se, desde a Antiguidade à Fertilidade, à Abundância, representando o poder da regeneração, tal como o pinheiro, motivo pelo que foi tão usada em motivos arquitectónicos, ao longo dos tempos, e, ainda nos nossos dias, há festas dedicadas à mesma, sagrando a Primavera, a exemplo das Festas de Estói. («MANIFESTAÇÃO CULTURAL – ALTERAÇÕES AO LONGO DO TEMPO Estudo de Caso – Festa da Pinha». Laura Neves Carlos.  Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Gestão Cultura, 2013, Universidade do Algarve pp:40 ). ……….. 


Pinha, pormenor decorativo de um dos capitéis do templo romano de Évora
Fotografias Esmeralda Gomes





O tirso de baco, bastão encimado por uma pinha ou cacho de uvas entrelaçado com hera e folhas de videira, simboliza exactamente a energia fertilizante.
https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt/2010/07/o-vinho-na-mitologia-grego-latina.html
Por seu lado, o pinheiro, representava,  já na Antiga Grécia,  a fertilidade e a masculinidade, relacionando-se  com a sua fisionomia erecta e a abundância. Os Gregos considerava-no sagrado para o deus Neptuno. 
O pinheiro simboliza  a regeneração e a imortalidade , motivo pelo que se associa também a Átis e Cíbele (Plínio, NH, XIV, 127 ). Segundo o mito, Cíbele apaixonou-se por Átis e não  sendo devidamente correspondida,  pois o jovem amante, traiu-a com uma ninfa,   Cibele vingou-se, tendo-o endoidecido e provocado  um tal frenesi, ao ponto de ter cortado os próprios testículos com uma faca, acabando por morrer sob um pinheiro. Posteriormente, com remorsos, a deusa acabou o o trazer novamente à vida. Este vínculo ou paixão demonstra a forte ligação entre fertilidade e virilidade. Simbolicamente o sacrifício/morte do Deus da Vegetação para sua ressurreição posterior,  representa a morte e ressurreição que a Natureza encena todos os anos.
Cibele não teria motivos para endoidecer Atis por este estar enamorado por uma ninfa [ou estar se casando com a filha do rei], pois estas personagens podem muito bem ser manifestações da Deusa, senão uma filha ou uma sacerdotisa Dela. O mito é um recurso que nossos antepassados usaram para explicar o mistério, tanto da natureza quanto do ser humano, desse ciclo de nascimento, crescimento, morte e ressurreição e vincular isto com a fertilidade/fecundidade dos campos, dos rebanhos e de nós mesmos, dando uma dimensão sagrada e mística ao amor, ao desejo e ao prazer.

O pinheiro simboliza, pois, a regeneração e a imortalidade, situação que se verifica nos países nórdicos e que origina a ideia da Árvore de Natal.

Em Virgílio, há variadíssimas referências aos pinheiros, passando a citar uma delas:
«Entretanto, carregam-se também de frutos as matas, e os incultos cerrados que servem de refúgio às aves avermelham-se com as bagas cor-de-sangue; o cítiso ministra pasto ao armentio; os pinheiros dão-nos archotes em que se acendem os lumes que trazem claridade às noites. E ainda os homens hesitarão em plantar arvoredo, e em lhe dispensar cuidados?» (Virgílio, Geórgicas, Ed. Sá da Costa, 1948: 89).

11Aipo 

Adivinhas Suetónio: Vespasiano; Montero Herrero A vida dos doze Césares 1994149.

12Palma 


As folhas de palmeira relacionam-se com a Vitória e com a Fortuna. Eram atribuídas aos vencedores.
A Palma simboliza a vitória, a ascensão, a imortalidade ou o renascer.
As folhas de palmeira na mitologia romana relacionam-se com a Vitória que se faz sempre representar como uma mulher alada, tendo como atributos a palma e a coroa que traz na mão, e com a Fortuna de que já aqui falámos. Eram atribuídas aos vencedores.
Em Santa Bárbara, Castro verde, foram identificadas inúmeras lucernas com a representação de palmas (MAIA, 1997, 119 e 120).
De Torre de Ares provém ainda uma lucerna de finais dos imperadores flávios, onde no disco aparece representado um altar ladeado por duas palmeiras com duas cobras enroladas nelas (NOLEN, 1994, 43, lu.40).
O Baixo relevo ornamental proveniente da Sé de Lisboa é um exemplo, entre tantos outros, da representação da videira e da palma na iconografia paleocristã e mocárabe («Lisboa Subterrânea, p. 233). Mas podemos ainda referir entre tantos exemplos, a decoração tardia de S. Gião da Nazaré e ainda representada em motivos decorativos de inscrições funerárias, a exemplo do que se apresenta, pertencente ao acervo do MNA.
Este exemplar de Mérida é particularmente interessante pela sua inscrição.
Endovélico também se fazia representar com a palma ou coroa de louros.

Na imagem: Lucerna com cavalo vencedor junto a uma palmeira. Sobre o cavalo aparece incisa a palabra VICTOR e o número CCCCX, refirinndo-se ao número de vitórias obtidas por este cavalo. Museo Nacional de Arte Romano (Mérida).
Fotografia: José Manuel Jerez Linde







13Frutos 

«E, sobretudo, tu, que ainda não sabemos a que companhia divina irás pertencer: se chamarás a ti, César, a protecção das cidades e dos campos, e o vasto Mundo te receberá como dador dos frutos e árbitro das estações, cingindo a fronte com a murta materna; se te tornarás deus do imenso mar, os navegantes te saudarão como seu único patrono (...) Seja qual for o teu destino (...) facilita o meu comedimento, favorece o meu propósito ousado, e, apiedando-te comigo dos agricultores que não acertam com o bom caminho, vem até mim, e acostuma-te, desde já, a ser invocado pelos mortais»

«É a primavera quem traz maior mercê à folhagem dos bosques e matas (...) O solo criador dá à luz os seus frutos; os campos oferecem o seu seio ao bafo tépido do Zéfiro; as moles seivas refluem de todas as plantas, e as ervas ousam, confiantemente, entregar-se a novos sóis (...). » 330.


As Geórgicas de Vergílio, Livro I. Ed. Ruy Mayer, Sá da Costa 1948


Ver ainda: Estrabão, III, 3. 5




Na fotografia: Friso com representação de frutos. Museo Nacional de ArteRomano, Mérida.
Fotografia de José Manuel Jérez Linde


14. Mirto 


Aparece associado a Afrodite e, em Roma, a Vénus que recebia o epíteto Murcia, relacionado com esta planta. Os Gregos usavam-na para adornar as grinaldas das noivas, hábito que se manteve até praticamente os nosso dias. A sua madeira (Mirra) era também utilizada como incenso em cerimónias religiosas na Grécia Antiga., motivo pelo que o Cristianismo a deve ter incluído no presente de um dos reis magos. Mas diz ainda a mitologia clássica a que Fauna (a mulher de Fauno) foi esquartejada pelo marido até à morte com varas de mirto por ter bebido vinho, proibido às mulheres por uma lei arcaica decretada por Numa. Curiosamente, existe uma estreita vinculação entre o vinho e as práticas proféticas (Montero Herrero, p. 21). Nos processos de adivinhação oníricos, sonhar com mirto pode simbolizar a mulher corrupta (MONTERO HERRERO, Santiago, 1994,203). Mas os ramos de Mirto também coroam a Amizade. No dia 1 de Abril, início do mês de Vénus - «Abril» deriva de «Aprire» - , mês em que a terra «abre», - celebra-se a Veneralia, consagrada, como o próprio nome indica, a Vénus, Deusa da Fertilidade e do Amor. Por essa altura, as mulheres tomavam banho nos locais públicos, adornando-se com grinaldas de mirto, aproveitando para pedir à Deusa ajuda nas suas vidas amorosas. (ver: As Geórgicas, 1948, Lisboa, Sá da Costa. NH; Diosas y adivinas Virgílio; Montero Herrero, Santiago Sá da Costa; Editorial Trotta Valladolid 1948; 1994: 20; 21 Diosas y adivinas ).



15 Silva 

«As colinas ingratas, as terras difíceis, em que a argila escasseia e a pedra abunda, e que o mato reveste de moitas, são propícias à silva, grata a Palas, da longeva oliveira; é o que denunciam os zambujeiros crescendo em grande número, e as bagas silvestres espalhadas pelo chão».

As Geórgicas Virgílio, 180

Ver a associação com Silvano.

Por sua vez, as silvas também estão associadas na Antiguidade ao amor de Afrodite/Vénus com Adónis.
Ares/Marte, o deus da Guerra e amante de Vénus não suportou ser atraiçoado e, por esse decide atacá-lo enviando um javali que lhe desferiu um golpe mortal. Afrodite, que corria por entre as silvas para socorrer o amante, feriu-se e o sangue que corria das suas feridas transformou-se em rosas vermelhas. 



16 Choupo   

Ao saberem da morte do irmão, as Helíades choraram durante quatro meses, e compadecidos com a sua dor os deuses transformaram-nas nestas árvores.

17 Tília 

Pela doçura da sua hospitalidade, Báucis após a sua morte foi transformada pelos deuses em tília.

18 Azinheira 
Virgílio 1948:91


19. Sobreiro


  
 Ilustração de Pedro Salgado.

Detalhe da orla de folhas de sobreiro e bolotas que rodeia um dos clípeos da coleção do Museu. Pertenceria à decoração arquitectónica do conhecido como pórtico do Forum. Mérida.
Fotografia Museo Nacional de Arte Romano, Mérida

Ver: Plínio, Naturalis Historia ; Estrabão, Geografia, III, 3, 7 Ver também Estrabão, III, 3, 7. 
Segundo Plínio, «É coisa certa que mesmo hoje em dia a bolota constitui uma riqueza para muitos povos, mesmo em tempo de paz. Havendo escassez de cereais secam-se as bolotas, monda-se e amassa-se a farinha em forma de pão. Actualmente, mesmo nas Hispanias, a bolota figura entre as sobremesas». Plínio, NH. XVI, 15.Segundo Estrabão, a principal base alimentar dos povos do N. e NO peninsular era a bolota, com cuja farinha faziam pão. Estrabão, III, 3, 7. «Em três quartas partes do ano os montanheses não se alimentam de outra coisa senão de bolotas, que, secas e trituradas, servem para fazer pão». O sobreiro era consagrado a Júpiter pelos Gregos e para os Romanos era símbolo de valor (da liberdade e da honra).O sobreiro era designado em Latim SUBER e foi essa a denominação que originou o actual nome. O uso da cortiça para selar contentores já era do conhecimento de Gregos e Romanos.
A exemplo, pode ver-se nas ânforas utilizadas em Pisa.
Dioscórides cita as bolotas como úteis na cura de chagas, contra inflamações e mordeduras venenosas, tendo um efeito diurético.




20. Linho

Ver: Plínio, NH, XIX, 9, 10; XXIV, 65; Estrabão, III, 3, 6 Plínio. Espasa-Calpe Madrid, 1947 Estrabão informa-nos que os Lusitanos na sua «maioria usam couraças de linho e poucos cota de malha» Estrabão, III, 3,6.

21. Esparto

Ver: Plínio, NH, XIX, 26, 27; Estrabão, III, 4, 9.Plínio Espasa-Calpe, S.A., 1947, Madrid.

22. Romã

Terra sigillata em forma de romã. 
«Esta será de origem africana mas as produções hispânicas (TSH) deste tipo de cerâmica seriam as mais comuns. Não existe, no entanto, um claro testemunho de que a produção de TSH fosse originária da província da Lusitânia, conhecendo-se antes concentrações de oleiros nas províncias Tarraconense e Bética.
Em termos de forma, conhecem-se até à data apenas 2 peças em "terra sigillata" em forma de romã e uma outra peça de paredes finas, o que faz deste exemplar um objecto único. Foi encontrado em Mérida, num enterramento de inumação, podendo ter contido unguentos propiciatórios de uma boa viagem para a outra vida»
Fotografia e comentário: Lusitânia Romana, Museu Nacional de Arqueologia.

Aparece associada a Afrodite (Vénus), Hera e Perséfone
A romã já era conhecida dos hebreus nos tempos bíblicos, sendo referida uma pintura dessa fruta nos pilares do templo de Salomão. De acordo com as Sagradas Escrituras, o Rei Salomão falava de um pomar de árvores de romã, e quando os filhos de Israel vagueavam pelo deserto, recordavam-se das refrescantes romãs do Egipto. A sua simbologia tem analogias com o figo em termos místicos e bíblicos.
Entre os Muçulmanos Maomé incitava que esta fruta fosse comida para protecção contra o ódio e a inveja.
Na Mitologia Grega foi usada para simbolizar a alegoria das estações do ano e do ciclo anual das colheitas. A fertilidade está simultaneamente ligada à morte, uma vez que incontáveis ‘mãe-deusas’ também foram adoradas como governantes do mundo dos mortos e senhoras da guerra. 
Ainda segundo a mitologia, Perséfone passava forçadamente quatro meses de cada ano com Hades, porque tinha comido algumas sementes de romã durante o tempo em que vivera com ele no mundo dos infernos, quando fora raptada pelo deus. O acordo que Zeus havia feito com Hades pressupunha que Perséfone/Properpina regressasse sem nada ter comido. Assim, Perséfone passava metade do ano junto dos pais, assumindo-se como Koré, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando representava a Perséfone das profundezas.
Também Hera, esposa de Zeus, ostentava na sua mão uma romã, simbolizando aqui a fertilidade, o sangue e morte.
O seu sumo é considerado o sangue do deus Dionísio e segundo a mitologia Afrodite, a deusa do amor, havia-a plantado na terra, como acima mencionámos.
Mas a Romã simboliza ainda a ideia de união e da solidariedade na individualidade de cada grão e é enquanto tal que é usada em muitos rituais mistéricos e iniciáticos. No fundo, o "Unir o disperso".
A romã era já conhecida de sírios e fenícios, mas é na mitologia grega que passa a ser considerada um símbolo de fertilidade e, por isso a sua associação a Demeter, Perséfone, Afrodite, Atena.
Ao que diz a Mitologia, Afrodite tê-la-á plantado em Chipre e Odisseu encontrou-a no palácio de um rei fenício. A fertilidade está curiosamente associada à sua antítese, a morte, pois são inúmeras as ‘deusas-mãe’ também adoradas como senhoras do mundo dos mortos e da guerra.
«Uma história sobre a romã emana de um grupo de divindades orientais, Dionísio e Cibele, que fala sobre Agdistis, uma criatura com traços de ambos os sexos. Dionísio castrou Agdistis, que adormeceu bêbedo. Uma árvore de romã cresceu de seu sangue e o seu fruto provocou a gravidez de Nana e Átis. Os romanos importaram a romã principalmente a partir duma colónia fenícia de Cartago, no norte de África e, é por isso que eles a chamam de maçã fenícia (punicum Malum), ou de maçã semente (granatum Malum), a partir das sementes dentro do fruto. O adjectivo ‘punicus’ refere-se normalmente aos fenícios da Ásia Menor, mas também era usado pelos romanos para identificar os fenícios na colónia de Cartago, no norte de África. O nome botânico de uma espécie ‘punica’ é uma forma feminina desse adjectivo. O adjectivo latino ‘puniceus’ significa rosa. Em Roma, o fruto da romã na mão da deusa Juno foi um símbolo de união. Esta árvore, por causa das suas flamejantes flores vermelhas, representava o amor, o casamento e a fertilidade. As noivas usavam guirlandas feitas com galhos de romã em flor. Os persas, depois seguidores de uma religião iraniana do fundador Zaratustra, construiram vassouras sagradas feitas de galhos de árvores da romã. Este fruto também era importante no nascimento e na morte. Os recém-nascidos eram agraciados com um cordão para acompanhá-los durante toda a vida. Durante esta cerimónia, as sementes de romã eram atiradas ao ar. E, no leito de morte, sumo de romã era dado de beber aos moribundos persas. Ardvi Sura Anahita, a deusa iraniana de todas as águas e da fertilidade, é apresentada com uma flor de romã sobre os seios. Também no Budismo, a romã é considerada como um dos frutos sagrados. Na alquimia, ela foi considerada como uma fruta que prolonga a vida. Para os representantes da alquimia chinesa, este sumo avermelhado brilhante era ‘alma concentrada’ e trouxe longevidade e até mesmo imortalidade».
Assim nos esclarece Beatriz Montoito «Muitas coisas a acrescentar sobre a Romã tal é a sua simbologia e importância para o povo judeu. Mas vou fazer apenas um comentário dela na história. É sobre o ponto limite que levou os judeus ao levante e que culminou na Primeira Rebelião. E dos romanos me diga se eu estiver errada a cerca dos detalhes. Pois bem, a rebelião foi contra os residentes gregos de Cesaréia. Nela os romanos perdem o controle de grande parte de zonas rurais e da cidade de Jerusalém. A indiginação na Judéia, após aquela trégua do reinado de Agrípa, recomeçou pq Calígula queria profanar o Templo de Jerusalém. Depois Pilatos mandou cunhar uma moeda com o símbolo pagão do bastão arqueado, o que foi tb estopim para a rebelião, pois representava o emblema do áugure romano. Mas e ai onde entra a romã? Já chego lá, mas não antes da outra humilhação que provocaram romanos aos judeus cunhando a "moeda do triunfo" sobre a Judéia. Nela Roma era representada por um romano de pé, simbolizando a vitória, e a Judéia por um judeu em posição inferior para demonstrar a derrota. E a romã? Bem...a romã é uma das 12 frutas especiais para o povo judeu. Ela faz parte da mesa do sêder em datas tb especiais porque ela possui 613 sementes lembrando que "uma pessoa tem falhas mas tb tem méritos". No contexto da Primeira Rebelião, a Romã representa a Santidade da Terra. Aparece cunhada num belo siclo de prata um ramo com três Romãs (um nº significativo Filomena) numa face e na outra um cálice. Nele estão as palavras "Jerusalém é Santa". Assim a Romã é de importância na refeição entre os judeus e oferecida num sêder de uma data festiva. Um outro simbolismo é o de que o homem ao degustar os frutos de uma árvore deve aprender com ela, pq sempre há espaço para crescer e sempre é hora de amadurecer».


23 Freixo 

Árvore eleita como habitação das Melíades.

24. Madeira 

(várias) As Geórgicas Virgílio Sá da Costa 1948:91


25Alecrim, rosmaninho e alfazema 

O alecrim, Rosmarinus officinalis L, já considerado na Grécia antiga um presente de Afrodite aos humanos, sendo utilizado como substituto do incenso como perfumador. Esta erva aromática e condimentar, foi mencionada por Dioscórides, que o indica contra icterícia, e por Galeno. As suas virtudes foram também descritas por Plínio. Por causa do seu aroma característico, os romanos designavam-no como rosmarinus, que significa em latim "orvalho do mar". 
Para os Romanos o alecrim simbolizava o amor e a morte, e por isso era plantada na soleira das portas, hábito que durou até à Idade Média..
As suas virtudes medicinais foram também descritas pelo escritor Plínio. Por causa do seu aroma característico, os romanos designavam-no como rosmarinus, que significa "orvalho do mar". 
Para os Romanos o alecrim simbolizava o amor e a morte, e por isso era plantada na soleira das portas, hábito que durou até à Idade Média. 
A alfazema é associada à franqueza e à seneridade. Pelo seu perfume e qualidades tranquilizantes, era considerado o aditivo de banho preferido dos gregos e romanos, e o seu nome (Lavandula) deriva do latim lavare (lavar).


As Geórgicas Virgílio 1948:75







 

26. Hera

Esta planta envolve as lanças das Bacantes e, juntamente com as parras, forma a coroa de Diónisio.
Aparece igualmente na coroa de Silvano deus da selva, das floresta(no latim silva – donde vem-lhe o nome) que mais tarde passou a ser identificado com o deus Fauno ou o deus de origem grega Pã. Também a Musa Tália (uma das nove musas, a da comédia) , filha de Zeus e de Mnemósine, musa da comédia, era representada com uma máscara cómica na mão e por vezes com uma coroa de hera.



                               Fresco com representação de pássaros. Triclinium da Villa di Livia Drusill

27 Papoila 


As papoilas eram atributo de Hipno, a personificação do sono, da sonolência e irmão gémeo da morte a que Romanos fizeram equivaler a Somnus.
Segundo o escritor Ovídio, poeta latino do século I d.C. (17 ou 18 d.C.), autor de uma vasta obra, mas de que destaco o poema mitológico «Metaformoses», o deus Mercúrio carregou os sonhos de Morfeu do Vale dos de Somnus aos seres humanos dormentes. Já muitas centúrias antes, Hesíodo, no século VIII, também ele poeta, dizia que a divindade era filho sem pai de Nix (Νύξ, "noite"), a escuridão, Géia, a deusa das Trevas Primordiais ou da Terra no momento da criação. Teve Somnus muitos irmãos, entre os quais o mais importante é seu irmão gêmeo Tánato, (Θάνατος, "morte") a personificação da morte sem violência.


Mas a papoila bailante dos nossos campos aparece também associada a Deméter, a deusa da fertilidade e do trigo, considerado símbolo da Civilização, enquanto capacidade dos humanos moldarem a Natureza e das Estações do ano. A papoila era, sem dúvida, a sua flor.


Teve Deméter uma filha do seu irmão Zeus chamada Perséfone que vivia meio ano nas profundezas da Terra e outra metade vinha ajudar a sua mãe. Com o seu regresso inaugurava-se a Primavera, marcado pelo Equinócio da Primavera.


 Mas das suas mãos surgiu também o trigo, considerado o símbolo da Civilização, essa capacidade de os Humanos moldarem a Natureza. Como era a deusa da agricultura, fez muitas viagens em companhia de Dionísio, deus da vinha e do vinho, para ensinar os homens a cultivarem a terra e a cultivá-la. Teve uma filha com seu irmão Zeus chamada Perséfone que vivia meio ano nas profundezas da Terra e outra metade vinha ajudar a sua mãe. Com o seu regresso inaugurava-se a Primavera, marcado pelo Equinócio da Primavera.
    

28 Amoreira 

Segundo Ovídio a cor do fruto das amoras deriva do sangue derramado por dois amantes - Píramo e Tisbe

29. Castanheiro   

Associado simbolicamente à Previdência, pois o seu fruto serve de alimento para o Inverno, o uso das castanhas é conhecido já desde a Pré-História, expandido entre Gregos e Romanos que a conservavam com mel e a usavam nos seus alimentos e recheios, tendo viabilizado a melhor doçaria medieval com farinha feita de castanhas.









Fotografia obtida a partir de Wikipédia.
Lembro que Marvão, onde ainda há soberanos castanheiros, costuma, em Novembro, fazer homenagem à castanha.

30. Figueira



                                               Figos-Mosaico-da-Villa-Romana-del-Casale

Do ponto de vista simbólico representa, como a oliveira e a videira, a abundância, repleto que o fruto é de miríades de sementes. A figueira é a primeira planta biblíca. As suas folhas são usadas por Adão que com elas se veste ao verificar que está nu (Génesis 3,7). O Novo Testamento a ela se refere várias vezes, chegando a ser amaldiçoada por Jesus (Mateus, 21; Marcos, 2, 12s).
Segundo a lenda romana, Rómulo e remo teriam nascido debaixo de uma figueira e «durante muito tempo, os divinos gémeos foram venerados no Comicium sob uma figueira que nascera da primeira por estaca», segundo o Geógrafo do século II d. C. Pausânias.(Pausânias, 7, 44; 8, 23, 4, 9, 22, 2).
Simboliza a abundância, a par da oliveira e da videira e entre os Gregos aparece associada a ritos mistéricos de fecundidade.
Os Romanos alimentavam os porcos com figos de molde à sua carne ficar aromatizada.
Também Apício refere o seu uso na alimentação de gansos, para que se pudesse fazer com o seu fígado o célebre "foie gras".
Embora sendo conhecido o seu uso deste época anterior, o «foie gras» não era mencionado como iguaria, até que os romanos lhe deram o nome iecur ficatum, cujo significado literal é "fígado de figueira".
Plínio o Velho recomenda a Apício, autor de tratado gastronómico e que consta ter-se morto com veneno por não ter suportado as dívidas contraídas com a alimentação, no século I, a alimentação dos gansos com esse fruto para aumentar os seus fígados, e por isso o termo iecur ficatum, "fígado estufado de figo". A palavra ficatum ficou deste modo associada ao fígado do animal que se tornou a raiz etimológica de fígado em português e noutras línguas.
Ver: Convivium: el arte de comer en Roma, Asociacion de Amigos del Museo, Merida, 1993.
O gastrónomo Apicio recomendava também para que o figo fresco, maçã, pera e aneixa se conservem mais «colhe todas com o pecíolo cuidadosamente, e coloca no mel para que não se toquem».
Livro I - XXI (cit. a partir de: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1)



 Fresco da luxuosa villa de Popea, mulher de Nero, em Oplontis, perto de Nápoles.

31 - Macieira 

A maçã Associa-se a Afrodite (Vénus). Não podemos esquecer o papel que a maçã assume na Bíblia. Através da Bíblia, a tradição cristã e judaica é herdeira da ideia de que a maçã é o símbolo do pecado original pois foi com ela que Adão foi tentado por Eva, pese o aviso divino de que não deveria ingerir o fruto da Árvore do Conhecimento e, por isso, eles foram expulsos do Jardim do Éden, caindo em desgraça. Para os gregos, a macieira é símbolo de discórdia, reflectido no mito da Maçã Dourada, pois, Páris deveria oferecer uma maça à deusa mais graciosa e, tendo escolhido Afrodite, enfureceu as outras deusas, dando início a Guerra de Tróia.   Ver Virgílio ....


32 - Rosa 

" Era o primero a colher a rosa na Primavera e no Outono as frutas. E quando o Inverno frio fazia estalar de frio as rochas e parava com o gelo o curso das águas, ele já estava recortando as folhas do jacinto, maldizendo o atrazo  do Verão e  a deora dos céfiros. (Virg. Georg. IV)

(para continuar) 

A rosa é uma das flores de maior simbolismo na cultura ocidental.   O seu nome tem origem latina, havendo quem defenda que procede do grego rhodon numa referência a Rodes, ilha coberta de rosas. Considerada "a rainha das flores" pela poetisa Safo no século VI a.C., ela teria sido criada, segundo a mitologia grega, por Clóris, deusa das flores (Flora entre os romanos), com o corpo inanimado de uma ninfa.   Foi consagrada a Afrodite, deusa do amor, a Vénus, da época romana. Dioniso, segundo a tradição mais difundida, ofereceu-lhe seu perfume inebriante, e as Três Graças lhe deram-lhe o encanto e o brilho que ela oferecia aos que a contemplavam. Cupido, filho de Marte, deus da guerra, e de Vénus, usava uma coroa de rosas, bem como Príapo, deus dos jardins e da fecundidade. Ao que se sabe, um milénio antes da nossa era, a rosa-de-damasco, uma das mais antigas que se conhece, era cultivada na ilha de Samos, no Mediterrâneo, em honra de Afrodite.   http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/as_rosas_nao_falam__mas_contam_a_historia_.html   Consagrada a muitas deusas da mitologia, é símbolo de Afrodite e de Vénus (deusa grega e romana do amor), tendo sido adoptada pelo cristianismo que tornou a Rosa como o símbolo de Maria.   De acordo com a mitologia grega, Afrodite quando nasceu das espumas do mar, a espuma tomou forma de uma rosa branca. A rosa branca representa, portanto, a pureza e a inocência.   Também a Mitologia nos diz que que quando Afrodite viu Adónis ferido, pairando sobre a morte, a deusa foi socorrê-lo, tendo-se picado num espinho e seu sangue coloriu as rosas que lhe eram consagradas. Assim, na Antiguidade as rosas eram usadas sobre os túmulos, símbolo de luto, existindo um festival em honra de Flora e Vénus chamado “Rosália”, e todos os anos, no mês de Maio, as sepulturas eram adornadas com essas flores.   http://www.slideshare.net/professorfabio/as-festas-da-antiguidade   Na Roma Antiga, as rosas eram invenção da deusa Flora (deusa da primavera e das flores), que as criou quando uma das ninfas da deusa morreu.   Perante a sua tristeza, cada deus contribuiu com um elemento para tornar a rosa a mais bela e desejada das flores; Apolo insuflou-lhe a vida; Baco deu o néctar; Pomona os frutos. Cupido deu-lhe os espinhos ao tentar espantar abelhas que se apaixonaram por ela. O mito explica assim o aparecimento da rosa: as abelhas eram atraídas pela flor e quando Cupido atirou suas flechas para as afujentar, elas foram transformadas em espinhos. A 23 de Abril comemoravam-se as  vinalia, festa dedicada ao vinho sob a protecção de Vénus (Abril é o mês dedicado a esta divindade) que concedeu aos humanos o vinho corrente vinum spurcum. A Júpiter, como deus que regulava o clima, eram-lhe oferecidas libações com vinho benzido pelo  sumo sacerdote. Por sua vez, no templo de Venus Ericina, jovens e prostitutas prostitutas reuniam-se procurando relacionamentos e ofereciam à deusa mirto, menta e juncos entre ramos de rosas, pedindo beleza. A Rosa é, igualmente, consagrada à deusa Isís que é apresentada com uma coroa de rosas. Em muitas religiões mistéricas ou iniciáticas, a rosa fechada simboliza o segredo. O valor das rosas é também muito poderoso na Alquimia: uma rosa branca com um lírio era o símbolo da “Pequena Obra” ; as rosas vermelhas eram ligadas à “Pedra Filosofal”, o objectivo máximo de um alquimista; a “Grande Obra”.   http://estudiamossimbologias.blogspot.pt/2011/09/notas-para-una-simbologia-de-la-rosa.html — com Luis Bras e 14 outras pessoas.
A abóbora, pelas suas inúmeras sementes, é, como a cidra, a laranja, a melancia, um símbolo de abundância e fecundidade, mas também aparece associada à Sabedoria. A origem da abóbora não é totalmente clara, havendo quem defenda que a sua origem é asiática. Contudo, o seu nome aparece entre os vegetais nomeados por egípcios e existem provas de que também eram utilizadas pelos romanos, que as misturavam com mel, funcionando como digestivo para as grandes quantidades de carne que ingeriam nas sua grandes festas.
A origem do Halloween parece ser de tradição céltica e a utilização da abóbora é já recôndita. A festa de Samhain, que cultuava os mortos era celebrada muito possivelmente entre os dias 5 e 7 de Novembro (a meio caminho entre o equinócio de verão e o solstício de inverno), havendo várias lendas a oropósito da utilização das abóboras com uma vela dentro. Samhain parece significar noite de todos os santos e à noite os espíritos dos mortos tinham que ser apaziguados, motivo pelo que parece que se faziam grandes fogueiras para afugentar os espíritos maus e aplacar os poderes sobrenaturais que controlavam os processos da natureza. Contudo há que veja nessa prática uma origem bem mais pragmática, pois seriam usadas com as velas dentro para afugentar possíveis estranhos aos territórios. Em Roma a abóbora era muito consumida e só em Apício encontramos nove receitas.





34 - Couve

Na Antiguidade Clássica a couve era usada com fins digestivos.     Quer na Grécia Antiga, quer em Roma era usual comer couve antes de uma refeição farta, para prevenir doenças do estômago ou alguma indisposição.   Mas sabe-se que as couves são consumidas desde tempos pré-históricos, já há 4000 a.C. Na Roma antiga, consumia-se também muita couve a seguir ao estado de embriaguês, tendo-se confirmado mais tarde que a couve tem, de facto, um efeito desintoxicante sobre o fígado. 

     

Também no Egipto havia o hábito de ingerir algumas folhas de Couve em vinagre antes de um grande banquete ou festa, obviando a eventuais ressacas.   Durante a Idade Média, quando este vegetal se torna muito popular na Europa, surge o termo “médico do povo” associado à couve, sendo usada para a cura das mais diversas enfermidades, e ainda como profilaxia de doenças.   As suas qualidades foram confirmadas pela medicina recente, sabendo-se que é realmente eficaz, devido à sua composição nutricional e por ser um anti-inflamatório, antibiótico e anti-irritante natural.

35 - Feijão  

É um nome comum para uma grande variedade de sementes de plantas de vários géneros da família Fabaceae. Sabe-se que o seu cultivo é bastante antigo, sendo um símbolo da vida para os Egípcios e existindo referências ao mesmo na Grécia Antiga e no Império romano, onde feijões eram utilizados para votar (um feijão branco significava sim, e um feijão preto não), a exemplo do que se faz com as pedras ou bolas negras e brancas.


36 - Alface 

Existem referências à alface desde os antigos persas. Hipocrates e Dioscorides citam-na na antiga Grécia. 
Na mitologia grega, a alface é referida quando a deusa Vênus esconde o belo e jovem Adónis, filho de Mirra, num pé de alface. Assim, entre os Gregos, a alface ficou simbolicamente relacionada com a morte, pois segundo a lenda, o amor entre a deusa Afrodite e o jovem Adonis teve um fim trágico, quando este último foi morto por um porco selvagem no jardim das alfaces, onde se escondia. Para os Romanos a alface era consagrada a Vénus e não era comum, até uma certa altura, ingeri-la por ser considerado uma profanação. No entanto há várias referências relativas ao seu uso: Macer Floridus,obra dedicada a plantas utilizadas pelos antigos romanos, falava das virtudes desta planta, sendo a principal a de evitar a embriaguez. Desde essa altura passou a haver o costume de comer a salada no fim da refeição, e Virgilio diz-nos que que esta erva deliciosa finalizava os jantares dos nobres. Também se sabe que desde a época do Imperador Domiciano, era costume as elites servirem alface como entrada, antes do prato principal, com rabanetes e outros legumes crus. Segundo Plónio e Columella, os Romanos no início da era cristã cultivavam também alfaces de pomo e frisadas. Os Romanos só consumiam as jovens alfaces cruas; por vezes, cozinhavam-nas com um molho com óleo e vinagre quente diretamente sobre as folhas. Eles elogiavam o gosto da alface com um tempero de rúcula. Numa carta de Plínio a Septicius, o primeiro queixa-se que o amigo prometera vir jantar e lhe preparara um banquete de honra. para cada convidado tinha previsto uma alface, três caracóis, dois ovos ...
Também o gastrónomo Apício tem para a mesma várias receitas, a exemplo desta.



37 - Alcachofra 

Do ponto de vista simbólico, a alcachofra está associada à ideia da regeneração, do renascimento, da ressurreição e do eterno retorno, uma vez que volta a florir mesmo depois de queimada. Por esse motivo é usada nas fogueiras de São João, esperando-se, como bom augúrio, que volte a renascer. Embora a etimologia seja de origem árabe que a denominavam como al-Kharsaf , era já usada na Antiguidade para fins medicinais e para coalhar o leite para o fabrico do queijo.
Ver Plínio, NH, XIX, 152

Nos mosaicos do Rabaçal aparece-nos  «uma alcachofra do tipo Cynara scolymus ou Cynara cardunculus. Exibe folhas em rebentos de escamas, rebentos esses bem marcados a amarelo, cinza, verde e castanho. Este legume apresenta-se contornado a preto e exibe caule robusto e verde, ao qual se liga uma folha lateral vista de perfil, cortado obliquamente. A alcachofra está representada com grande realismo, como que pronta a ser consumida». (in «Retratos ou alegorias nos mosaicos das estações do ano da Villa Romana do Rabaçal, Penela, Portugal? Miguel Pessoa: http://iha.fcsh.unl.pt/uploads/RHA-5-2.pdf)
Lembramos também que Villa romana do Rabaçal, há indícios de fabrico de queijo da Época Romana. 

Ver: Imagens obtidas a partir de: Villa Romana do Rabaçal - Um objecto perdido na paisagem. Câmara Municipal de  Penela



Por sua vez, sobre os cardos, Apício dá-nos algumas receitas para cardos:



38 - Lírio

Ver Virg. Georg. IV)


Foi colhendo um lírio (ou um narciso) que Perséfone foi arrastada por Hades, que se havia enamorado dela, através de uma abertura repentina do solo, para seu reino subterrâneo. E ali passou a viver metade do ano.

39 - Favas


«Na primavera é ocasião de semear favas. Nessa altura a terra está bem ensejada (...).
Se cultivares ervilhas ou humildes feijões, e não desdenhares de cuidar da lentilha da Pelúsia, o Boeiro, ao baixar, dar-te-á sinais bem claros; enceta então a sementeira, e continua-a até meio da estação das geadas.»
Virgílio, Geórgicas: 215 e 220.

A farinha de fava já era referida no gastrónomo romano Apício.
Uma das receitas de vinho para o transformar de "preto" em "branco" levava sabão de farinha de fava (Livro I - VII). Podia também levar clara de ovo. http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1
http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1
www.lume.ufrgs.br

40 - Ameixas


A ameixa já era conhecida pelos Romanos e até muito antes deles.
«Considera-se a ameixa oriunda das terras do baixo Danúbio, da Pérsia, da Arménia e do Cáucaso.
As cultivações sírias, em volta de Damasco, alcançaram grande fama. Através dos gregos e dos romanos, também as ameixas chegaram até nós, embora os romanos só as cultivassem mais tarde. Segundo se diz na «Capitulare de Villís», Carlos Magno, em 812, mandou plantar ameixeiras, de diversas espécies, nas suas propriedades imperiais. Hoje, as ameixas desfrutam de uma popularidade gera»l.
http://elizabethprovidasaudavel.blogspot.pt/2012/02/ameixa.html
Há referências antigas que dizem que à época romana já haveria mais do que 300 variedades, sabendo-se que também já eram usadas secas.
Os Gregos, acreditando que esta fruta era nativa da Arménia, chamaram-na de "ameixa da Arménia". Os romanos, impressionados com sua maturação precoce, apelidaram-na de "praecocium", do qual deriva o nome "apricot" (damasco, em inglês), segundo a enciclopédia "The Penguin Companion to Food", de Alan Davidson.
Apício refere uma receita de um prato delicado ou sobremesa, o TVCETVm feito com ameixas.


41 - Hortelã/Menta 

Em Apício há inúmeras referências à menta, designadamente para misturar no molho de cominhos para ostras e mariscos (Livro I - XXXI). Refere-a ainda no uso de outros molhos. (XXXIII).



42. Os Coentros

As sementes de coentro eram, ao que parece, usadas no Maná, segundo o Êxodo. O Maná, (ןm מman, em Hebraico), é descrito no Êxodo como «um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo hebreu, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto rumo à terra prometida. Segundo o Êxodo, após a evaporação do orvalho formado durante a madrugada, aparecia uma coisa miúda, flocosa, como a geada, branco, descrito como uma semente de coentro, e como o bdélio, que lembrava pequenas pérolas. Geralmente era moído, cozido, e assado, sendo transformado em bolos. Os coentros mencionados na Bíblia, como referimos, eram originários da Europa e do Médio Oriente. Utilizados pelos Sumérios e pelos Egípcios, não como tempero, mas sim como planta medicinal, eram-lhes atribuídas propriedades digestivas, calmantes e, quando usados externamente, serviam para o alívio de dores das articulações e reumatismos, além de possuirem, ao que dizem, efeitos anafrodisíacos, como refere o médico de origem grega Dióscorides, no século I d.C. Já Hipócrates (460 a.C. - 377 a.C) lhe dedicara um tratado completo, conhecido por "Korion". Sabe-se que, em Época Romana, as folhas de coentros eram usadas quando se coziam legumes e cevada, e o poeta Virgílio (70-19 a.C.) refere um molho feito com sementes de coentros, arruda, segurelha, hortelã, aipo selvagem, cebola, tomilho, alhos e poejos. Em Inglaterra foram introduzidos pelos romanos, que o utilizavam moído com cominhos e vinagre para conservar a carne. Diz-se que na Idade Média as “bruxas” o utilizavam nas poções chamadas de" filtros de amor". Ver: Virgílio, Geórgicas. e: http://www.dulcerodrigues.info/plantas/pt/coentros_pt.html

43. Salsa


A Salsa era muito considerada pelos Gregos, que a utilizavam para coroar as vitórias nos Jogos Ístmicos e ainda para a decoração dos túmulos, em ligação com Arquémoro ou Ofeltes, o arauto da morte que fora vítima de uma terrível serpente.

Embora os Gregos a usassem em Medicina e Homero diga que os guerreiros a davam a comer aos seus cavalos, parece que os Romanos foram os primeiros a usá-la na alimentação.

N'"As mulheres que celebram as Tesmofórias" (melhor ainda: As Tesmoforiantes), apresentada por Aristófanes nas Grandes Dionísias de 411a.C. ensinava-se às mulheres presentes no Festival de que a mesma poderia ser usada com efeitos abortivos, quando consumida em grandes quantidades, "mezinha" que, aliás, foi usada praticamente até aos nossos dias (confirmar a referència)
Refiro que nesse grande festival as mulheres reunidas no templo de Deméter interditavam a presença masculina, sendo aliás o vingança que planeavam fazer a Eurípides por nele se ter introduzido o tema central desta comédia.

Ver: http://interclassica.um.es/var/plain/storage/original/application/008618e7466ad321e2576b5ec06d587e.pdf


44. Os espargos

Do que reza a História, os espargos teriam sigo muito apreciados pelo imperador Octávio Augusto. Em Apício há referência ao seu uso e o naturalista Plínio, o Velho, denominava-os como a «planta de Deus», pois eram conhecidas as suas virtudes medicinais, designadamente contra as dores de dentes e reumatismo. O gastrónomo Apicio indica receitas para o mesmo, designadamente no seu capítulo LXXII.

45. Os Alhos

Os Romanos já usavam o alho, quer para fins medicinais, quer para temperar os alimentos. Na obra do gastrónomo Apicius há várias receitas de alho (alium; allium sativum), bem como de um molho de alho, ALLIATVM, consistindo num puré dos mesmos amassados e misturados em óleo.Com o mesmo nome eram designados os alimentos temperados com alho ou alho-porro.(Ver:http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1


46- Os poejos




O Poejo já era utilizado na Antiguidade no fabrico de coroas religiosas, sendo utilizado em todo o Mundo Mediterrânico.

Simbolicamente é uma planta que representa saúde e alegria, sendo um excelente amuleto e era conhecido desde épocas remotas pelas suas qualidades medicinais, designadamente as relaxantes.
Tal como os coentros, a arruda, a segurelha, a hortelã, o aipo selvagem, a cebola, o tomilho, os alhos, os poejos também são referidos pelo gastrónomo romano Apicius.
Numa das suas receitas,
SALA CATTABIA, assim é referido por Apicius:
“pimenta, hortelã, aipo, poejo seco, queijo, pinhões, mel, vinagre, liquamen, gemas de ovo, água fresca. Escorra o pão demolhado em água avinagrada, ponha numa panela com queijo de vaca e pepinos, alternando com pinhões. Deite alcaparras bem cortadinhas com fígados de galinha. Regue com o molho, coloque sobre um recipiente com água fria e sirva assim”


47 - A arruda 



Sabe-se que a arruda na Grécia antiga era usada para fins medicinais, mas era já reconhecida a sua importância contra as forças maléficas. Era costume as mulheres romanas usarem um ramo de arruda na mão para se defenderem de doenças contagiosas mas, claro está, tinha também um carácter apotropaico, para afastar todos os males, como feitiçarias ou mau-olhado.

Conhecida desde sempre como uma planta medicinal, a que, muito provavelmente pelo seu cheiro, se atribui a característica de afugentar bruxas e usada na magia, a arruda foi também utilizada na alimentação.
Conhecem-se as suas características para reforçar os vasos capilares e os problemas circulatórios, mas tem também propriedades digestivas, podendo usar-se em chá.
Tal como os coentros, a arruda, a segurelha, a hortelã, o aipo selvagem, a cebola, o tomilho, os alhos, os poejos também são referidos pelo gastrónomo romano Apicius.
Numa das ruas receitas, SALA CATTABIA, assim é referido por Apicius:
“pimenta, hortelã, aipo, poejo seco, queijo, pinhões, mel, vinagre, liquamen, gemas de ovo, água fresca. Escorra o pão demolhado em água avinagrada, ponha numa panela com queijo de vaca e pepinos, alternando com pinhões. Deite alcaparras bem cortadinhas com fígados de galinha. Regue com o molho, coloque sobre um recipiente com água fria e sirva assim”.

É referida pelo gastrónomo latino Apício em usos culinários, designadamente em molhos onde se mistura com pimenta, liquamen, mel, coentros, pimenta e um pouco de óleo. Livro I - XXXV.
Também a menciona no uso de Moretária - tudo o que é misturado no almofariz (lat. mortarium), conjuntamente com menta, coentro, funcho, todos frescos, com pimenta, mel e liquamen. Poderia ainda acrescentar-se vinagre. (Livro I - XLI).






Usada em excesso era tóxica, motivo pelo que as Romanas a usavam como planta abortiva.





48 - Cenouras 

Apesar de as cenouras não serem um vegetal popular na Europa até o Renascimento, elas já eram do conhecimento dos povos da Antiguidade.
Denominada em latim carotas parece que eram cultivadas desde há 4.000 anos atrás.
As cenouras conhecidas nessa altura eram roxas e bastante amargas.
Com o tempo, foram derivadas variedades mais doces e com raiz menos dura.
No século I d.C apareceram variedades de cenouras vermelhas, e, séculos maos tarde, por volta do século XII, amarelas e brancas e, a partir do século XVII, na Holanda começaram a surgir cor de laranja da família real.Do período romano ão conhecidas receitas com cenoura do gastrónomo romano Apício.A partir de:http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1



49. Os Morangos 

" Vós que olheis flores e morangueiro
procurais pelo chão, cuidado moço,
que entre as ervas se oculta fria serpe". 
(Virgílio, Bucólicas.)

O morango era, na Época romana, valorizado pelas suas propriedades terapêuticas e praticamente servia para todos os tipos de doenças.
Na verdade, para além de muito saboroso, sabe-se que tem poucas calorias, e é uma excelente fonte de vitamina C e potássio, além de possuir muitas fibras e poder ter efeitos preventivos em alguns tipos de câncroAo que se sabe, é uma das frutas que mais tem propriedades medicinais, em toda a planta: fruto, raiz e folhas
Ao que se sabe, é uma das frutas que mais tem propriedades medicinais, em toda a planta: fruto, raiz e folhas. A raiz , em cozimento, é diurética e adstringente. As folhas em cozimento, combatem a diarréia crônica. Os frutoscombatem cálculos , tem propriedades anti-úricas e são aconselháveis para diversos males dos rins, contra catarros pulmonares, afecções hepáticas, para os cálculos biliários , artritismo e a ictericia, além de ter o poder de expulsar vários tipos de vermes ( inclusive a solitária ). O Morango é poderoso na cura de doenças como a gota 
Era a fruta da deusa Vénus, e símbolo de fertilidade, tentação e paixão, fruto dos amores perdidos da mesma deusa por Adónis.Os Festivais anuais dedicados a Adónis decorriam em cidades egípcias e gregas.
Durante os rituais fúnebres, as mulheres plantavam sementes de flores e regavam com água morna, para que crescessem mais depressa. Isso fazia com que as roseiras florescessem rapidamente, mas também morriam num ápice. Eram os denominados Jardins de Adónis .http://eventosmitologiagrega.blogspot.pt/2011/02/afrodite-e-adonis.html
Na Mitologia romana os morangos eram chamados de "Lágrimas de Vénus" e do que reza a lenda, quando o mais belo dos homens morreu (Adónis), as lágrimas de Vénus transformaram-se em pequenos corações vermelhos, embora a mesma lenda nos apareça associada a outras plantas, flores, a exemplo da rosa, e animais, designadamente o javali que investiu contra Adónis e a anémona, ou flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de seu nascimento como de sua morte.


Mas a utilização do morango para poções de amor relaciona-se, muito certamente, com este mito.
O morango era, na Época romana, valorizado pelas suas propriedades terapêuticas e praticamente servia para todos os tipos de doenças.

Ver: Revista Curas Naturais - Editora Escala

Cit. in:http://br.dir.groups.yahoo.com/group/clubedejardinagem/message/653

50 - Cravo 

Derivando da palavra latina flos (flores), Flora era uma ninfa romana das flores, intimamente ligada à Primavera. Porque um novo ciclo começa com a entrada dessa estação, Flora surge ainda mencionada como deusa da fertilidade. Durante os festejos que lhe eram dedicados em Roma, atiravam-se sementes sobre a multidão para atrair a fertilidade e a abundância, situação em que podemos encontrar algum paralelismo no hábito de deitar arroz aos recém-casados. Eram também sacrificadas ovelhas e ofertado mel e sementes de flores. O mel era exactamente considerado um dos presentes que Flora tinha dado aos seres humanos, simbolizando a abelha a força feminina da natureza. Flora foi inúmeras vezes associada a Deméter, Ártemis e Perséfone e o poeta Ovídio chega mesmo a relacioná-la com a mitologia grega, identificando-a com a ninfa grega Cloris, embora a origem da divindade seja itálica. Segundo a versão do Mito de Ovídio, um certo dia de primavera, Zéfiro, o vento oeste, avistou a ninfa Cloris, apaixonou-se por ela e transformou-a em Flora. Como prova de seu amor, Zéfiro nomeou a sua amada como rainha das flores das árvores frutíferas e concedeu-lhe o poder de germinar as sementes das flores de cultivo e ornamentais, entre elas o cravo. Por isso o cravo aparece representado na célebre «Primavera» de Sandro Botticelli.

51. A urtiga

A raiz latina de Urtica é uro, que significa “Eu queimo", designação apropriada para os pequenos pêlos que as folhas têm, que picam e dão uma sensação de ardor na pele.
Se durante a Idade Média os monges a usavam para se fustigarem, ao que se sabe, os soldados romanos utilizavam-nas para criar uma sensação de calor em períodos mais frios pela reacção que provoca.

Para Plínio-o-Velho, a urtiga, Urtica dioica, «era a mais odiada das plantas».
Em contrapartida para os Celtas «aparece frequentemente representada em amuletos que protegem do mau-olhado. A urtiga fazia era componente habitual dos diversos filtros de amor, possivelmente nos casos em que já havia essa propensão.Dioscorides, no séc.I, que viajou como médico militar pela Europa celta, registou a planta na sua obra De matéria medica. Indica-a para mordeduras de cão, feridas, epistaxis, doenças pulmonares, alterações da menstruação e tratamento do cancro. Também a indicava como afrodisíaco e diurético. Estas indicações estão correctas, à luz do conhecimento farmacológico actual da planta. Extractos da planta são actualmente utilizados nas afecções prostáticas».cit.: http://revista.triplov.com/Salao_do_Folhetim/Maria_do_Sameiro_Barroso/plantas.htm

A Urtiga tem, portanto, uma longa história na História do Homem. As fibras resistentes do caule foram utilizadas para fazer tecidos e as folhas cozidas eram comidas como vegetais.Desde a antiga Grécia (até à actualidade, aliás), foi ingerida como tratamento para a tosse e tuberculose, para o crescimento do cabelo e tratamento da artrite.A propósito da urtiga, assim refere Dioscórides (40 - 90 d.C.) , físico, farmacologista e botânico de origem grega, autor de De Materia Medica — uma enciclopédia em 5 volumes sobre ervas medicinais:«La ortiga
Unos la llaman knide; hay dos especies de ortiga: una
es más agreste, más áspera, más ancha y más negra en sus hojas; el fruto es semejante al de la linaza, pero menor. La otra especie es de semilla menuda y no es igual de áspera.
Las hojas de ambas, aplicadas en cataplasma con sal, curan mordeduras de perro, llagas gangrenosas, malignas, cancerosas y sucias, dislocaciones, diviesos, inflamaciones de parótidas, lamparones y apostemas. Se aplica con cerato a los enfermos del bazo. Las hojas majadas con su jugo y metidas dentro de las narices, son eficaces contra las hemorragias. Si se majan con mirra y se aplican, provocan también los mensúuos, y las hojas recientes puestas junto a la matiz restablecen sus prolapsos.
La semilla bebida con vino dulce estimula el coito y
desopila la matiz. En electuario con miel es útil contra la ortopnea, contra el dolor de costado y contra la pleuritis.
Hace también expectorar los humores del pecho. Se mezclan también con las medicinas sépticas. Sus hojas cocidas con caracoles ablandan el vientre, resuelven las flatulencias, provocan la orina; cocidas en tisana hacen expectorar; la decocción de éstas, bebida con un poco de mirra, provoca los menstruos. El zumo, gargarizado, reprime la inflamación de la campanilla»'" En gr. akaldpht?, «ortiga» en general, género Urtica L. Las dos especies de Dioscbrides son probablemente: una, Urtica dioica L., llamada también ((ortiga silvestre»; otra, la ortiga pequeña, en lat. urtica mollis Urtica urens L.; cf. TEOFRASTO, Historia de las plantas VI1 7, 2; PLINIO,
M 92; MI 31; GALENO, XI 817.

Ver: PLANTAS Y REMEDIOS MEDICINALES in: PLANTAS Y REMEDIOS
MEDICINALES
(DE MATERIA MEDICA)
LIBROS IV-V
PSEUDO DIOSCÓRIDES
TRADUCCIÓN Y NOTAS DE
MANUELA GARCÍA VALDÉS
EDITORIAL CREDOS



52 - Giestas-Maias 

Para os Gregos, Maia era a mais velha das Plêiades, uma das sete filhas de Atlas e Pleione, que, unida a Zeus, foi mãe de Hermes, o mensageiro dos deuses.
Na mitologia romana, Maia é uma antiga divindade itálica, filha de Fauno e esposa de Vulcano. Deusa da Primavera, deu nome ao mês de Maio, que lhe era consagrado. No primeiro dia de Maio, o flâmine de Vulcano sacrificava-lhe uma porca grávida. 
Era essencialmente venerada por mulheres sendo os homens excluídos do perímetro sagrado dos seus templos.
Embora não estando relacionadas originalmente, acabaram por ser identificadas uma com a outra.
Daí provém o hábito de pendurar giestas às portas e janelas em muitas localidades portuguesas, afastamdo o «burro» ou mau agouro, no início do mès de Maio.
As Maias, meninas vestidas de branco coroadas de flores, ou «marafonas» vão sentar-se à porta de casa, na esquina da rua ou na praceta, pedindo “um tostãozinho para a maia”.Associada à Primavera e à Fertilidade é a ninfa de origem latina Flora, derivando da palavra latina flos (flores). Floralia era exactamente o festival romano realizado em honra à deusa Flora, para consagrar as florações da Primavera.
As Florálias são um sincretismo romano de uma celebração anterior, consumado ainda nos nossos dias, no ritual da donzela, das bonecas e das giestas afugentando o «maio», ou o «mau-olhado».
Maia, dando origem ao nome do mês, era na Mitologia Grega a mais velha das Plêiades, uma das sete filhas de Atlas e Pleione, que, unida a Zeus, foi a mãe de Hermes, o mensageiro dos deuses. Na mitologia romana, Maia é uma antiga divindade itálica, filha de Fauno e esposa de Vulcano. Deusa da Primavera, deu nome ao mês de Maio, que lhe era consagrado. No primeiro dia de Maio, o flâmine de Vulcano sacrificava-lhe uma porca grávida. 
Era essencialmente venerada por mulheres sendo os homens excluídos do perímetro sagrado dos seus templos.
Embora não estando relacionadas originalmente, acabaram por ser identificadas uma com a outra.
Daí provém o hábito de pendurar giestas às portas e janelas em muitas localidades portuguesas, afastando o «burro» ou mau agouro, no início do mès de Maio.
As Maias, meninas vestidas de branco coroadas de flores, ou as «marafonas» vão, ainda nos nossos dias, sentar-se à porta de casa, na esquina da rua ou na praceta, pedindo “um tostãozinho para a maia”.
Ainda hoje as Mais se podem considerar um dos rituais mais expressivos do ponto de vista da história religiosa antiga, que permaneceu praticamente imutável desde o século V,  e que se exprime, com variantes, em vários pontos do país, celebrando, tal como acontecia na Roma Antiga  o renascer da Natureza, a fertilidade vegetativa.



MESPILVM (citada por Apício).


54 - Pessegueiro


Prunus persica (L.) Batsch. - sabe-se que os primeiros sinais do seu cultivo datam do 1º milénio a.C., sendo originário da China onde as mais antigas poesias celebram as suas flores, como símbolos de renovação, de juventude ou mesmo de amor fugaz. 
Muito tempo após ter chegado o Médio Oriente pela rota das caravanas, o pessegueiro foi introduzido na Grécia pelos soldados de Alexandre, o Magno. 
As pinturas murais de Pompeia, em Itália, são o testemunho do seu desenvolvimento. 
Dioscórides refere o pêssego em 60 d.C. e Plínio afirma, em 79 d.C., que era importado da Pérsia pelos Romanos e que a árvore foi trazida do Egipto para a ilha de Rhodes e daí para Itália.  Plínio explicita que o epíteto persica vem do rei Perseo que o mandou plantar em Menfis.


55. Nogueira 

 A nogueira (Juglans regia L.) é originária do sudeste da Europa e da Ásia ocidental e central, com uma vasta distribuição desde os Balcãs e Creta ao norte da China.  Foi, de acordo com Plínio, introduzida em Itália vinda da Pérsia, e é também mencionada em Itália por Varro (nascido em 116 a.C.). 
Se bem que pouco reputada, como a maioria dos frutos, na opinião dos médicos da Antiguidade e da Idade Média, a noz teve um papel importante na alimentação da Antiguidade, especialmente através do seu óleo. Segundo Dioscórides, as nozes são úteis, entre outras coisas, contra os venenos, provocando o vómito, contra as gangrenas e as lombriga.
Do ponto de vista simbólico representa a profecia, uma vez que Artemisa - que tinha o dom da clarividência - foi transformada numa nogueira.
Diz-se que, a iconografica cristã acredita que a nogueira seja uma representação de Cristo cuja casca representaria a sua carne, a madeira a cruz em que foi imolado e o seu interior o seu mistério sagrado.






56 - Camélia 

A camélia aparece ssociada à deusa Diana, a par de tantas outras espécies cegetais como artemísia; absinto; lírio; salgueiro; azevinho; erva-cidreira; eucalípto; cânfora; rosa; sândalo e o próprio carvalho.


Na Imagem: Lucerna decorada com a deusa Diana. Villa romana de Freiria.


A partir de «A presença Romana em Cascais: Um território da Lusitânia Ocidental». Museu Nacional de Arqueologia.

Fotografia: Guilherme Cardoso


Foi fundamental para este trabalho a leitura de:
https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1





57 - Melão 


Referidos já nos Textos Bíblicos, os melões e melanciadas são plantas rasteiras, ao que se sabe trazidas do Egito pelo povo de Israel.

Eram consumidos entre os Romanos, sendo referidos numa receita de Apício;
PEPONES ET MELONES (Melões e água com mel)
ingredientes:
————
1/2 melão descascado, em cubos
1/2 melancia em cubos
500ml de Passum ou um pouco de mel
Salsa picada
1/2 colher de chá pimenta
um pouco de Liquamen, ou uma pitada de sal
Poleiminze, Silphium, vinagre, se quiser
instruções:
————-
Cozinhe melões em cubos em uma panela juntamente com especiarias e ervas.
Às vezes Silphium # é adicionado.
Silphium era uma planta muito conhecida na Antiguidade, sendo representada na Época Grega inúmeras vezes.
À sua resina chama-se laserpicium ou lasarpicium
Receita de Apício;
PEPONES ET MELONES (Melões e água com mel)
ingredientes:


Receita para bróculos de Apício:




Ver: http://domus-romana.blogspot.com.es/2013/04/hortus.html

Hortus, hierbas y frutas en el jardín romano

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