terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Touro (?) Esculpido de Miróbriga

«O touro esculpido de Miróbriga»
http://mirobriga.drealentejo.pt/

TOURO ESCULPIDO DE MIRÓBRIGA, SANTIAGO DO CACÉM.


Maria Filomena Santos Barata


O aspecto sacrificial do touro é uma constante no mundo mediterrânico oriental e greco-latino, onde esse sacrifício assume um caracter fundacional. O culto deste animal, enraizado nas religiões do Mediterrâneo e do Próximo Oriente, deve-se ao facto de que, a partir do Neolítico, as populações consideravam o touro, enquanto "pai do rebanho", uma fonte de riqueza de primeiríssima ordem (Blanco, 1961-62, p. 164). Em termos gerais, a sacralidade do touro funda-se na dupla percepção do seu vigor físico e genésico (op. cit., p. 171). Em Portugal, são conhecidas figurações de bucrânios na arte rupestre, pelo menos, desde o Calcolítico (Gomes, 1987, p.35)
" A fecundidade é uma especialização da ... vocação essencial de criadores. (...) Por isso os deuses celestes das religiões indo-mediterrânicas se identificam, desta ou daquela maneira, com o touro". (Eliade, 1992, pp. 114 e 115).

Na "Lenda da Europa" é Zeus, transformado em Touro, que rapta a filha do rei de Sídon. Trata-se não de um touro vulgar, mas do mais belo touro jamais visto: castanho-vivo, com um círculo prateado na testa e belos chifres em forma de quarto crescente . Nesta narrativa o touro não aparece associado ao aspecto sacrificial, mas assume também o papel criador pois, raptando a Europa ao mundo mediterrânico oriental e conduzindo-a para Creta, origina uma geração de "filhos gloriosos cujos ceptros dominarão todos os homens da Terra" (Hamilton, 1983, p.110). Ser em Creta que se afirmar o terrível poder do Minotauro, cuja morte será libertadora.
Ligado a um poder fecundante, a força genésica e a violência cósmica do touro contrapõem-se, de certo modo, à do boi, mais ligado aos cultos agrícolas e, de alguma maneira, à pacificidade e à abnegação do trabalho. Não deixa de ser curioso que nos rituais ligados à fundação de uma cidade romana previamente se faça a marcação do espaço "sagrado" com um boi que puxa um arado, também ele sacralizado.

Os cultos orientais vão ter também durante o império romano particular adesão, quer pelos orientais com domicílio no Ocidente, quer pelos cidadãos romanos, como se verifica com o culto do deus de origem persa, Mitra. No entanto, a penetração dos cultos orientais já se havia feito no Ocidente em período muito anterior ao romano (Padro Parcerisa, 1981, pp. 337-350), alguns dos quais poderão ter prevalecido por um longo período.

Quer na cidade romana de Tróia, Grândola, quer em Beja está comprovado o Culto Mitraico, que se expandiu na Hispânia a partir de finais do século II – inícios do século III d. C., a par de outros cultos orientais, tais como de Serápis, Ísis, Cibele-Magna Mater.
O Sol ou Ormuzd, para os Persas, enquanto fonte de Luz, representava a Vida, a Saúde e a Fertilidade da terra enquanto criadora de todas as coisas necessárias à sobrevivência do Homem.
Mitra surge assim como um terceiro elemento, como uma espécie de divindade mediadora entre duas forças antagónicas (o Sol e a Lua), viabilizando o nascer de um novo dia, ou seja, não permitindo que a Lua ocultasse o Sol.
Mais do que o Sol, Mitra representa a Luz Celestial, ou a essência da Luz, que desponta antes do Astro-Rei raiar e que ainda ilumina depois dele se pôr e, porque dissipa as trevas, é também o deus da Integridade, da Verdade e da Fertilidade, motivo pelo que também surge associado ao Touro primordial que Mitra é incumbido de matar, como de seguida falaremos.
Segundo as lendas de origem persa, Mitra terá recebido uma ordem do deus-Sol, seu pai, através de um seu mensageiro, na figura de um corvo. Deveria matar um touro branco no interior de uma caverna.
O ritual de iniciação nos mistérios de Mitra era o Taurobólio, porque exigia esse sacrifício do touro. É através da sua morte ritual que se dá origem à vida com o seu sangue, à fertilidade, à dádiva das sementes que, recolhidas e purificadas pela Lua, concebem os “frutos” e as espécies animais, pois a sua carne é comida e o seu sangue bebido.
Os candidatos à iniciação dos mistérios mitraicos, praticados quer na Pérsia, quer em Roma, tinham vários graus de iniciação, passando por provas severas, e o iniciado, antes de fazer o seu voto sagrado (sacramentum) prometia não trair o que lhe havia sido revelado. Depois, o iniciado subia os sete degraus, recebendo em cada um deles um nome diferente.
O banquete ritual da morte do touro, o taurobolium, sempre em companhia do Sol, viabiliza ainda aos adeptos do culto mitraico o “nascimento para uma nova vida” ou "Renascimento" que o Cristianismo, que baniu a ideia de sacrifício iniciático, transformou na água do baptismo e, através da Eucaristia, em pão e vinho, substituindo o sangue e a carne do touro divino.
O deus solar Mitra parece ter nascido numa gruta que simboliza o firmamento e, a sua abóbada, o céu de onde sairá a Luz para a Terra. Por isso mesmo os rituais de iniciação mitraicos eram também praticados em gruta.
Geralmente Mitra, que se faz sempre acompanhar do Sol, tem ainda um corvo à sua esquerda – que curiosamente é também o totem do deus solar de origem celta Lug - e no ângulo esquerdo tem a figura do Sol e, à direita, da Lua.

Na Península, os touros são com os leões os animais mais representados na escultura zoomórfica ibérica, quer derivada de uma tradição orientalizante quer de um influxo grego antigo ou de tipo helenístico (Chapa, 1980, p. 251). Entre os animais relacionados com as divindades, o touro foi um dos que teve maior expansão. "Este bovídeo era muito apreciado na Península desde épocas remotas, inserindo-se este culto em raízes comuns a todo o Mediterrâneo. Ao seu inegável valor económico, o touro unia importantes características, como a força, o valor e o poder, sendo amiúde símbolo de deuses guerreiros" (Chapa, p. 261).
A chegada dos invasores romanos, e particularmente dos exércitos, deve ter originado, na Península, um novo surto de cultos orientalizantes.
Com o principado de Augusto assiste-se, por um lado, a um retorno dos valores antigos e, por outro, à oficialização de alguns desses cultos de origem oriental. A "nova ordem" foi assegurada pela "restauração" dos valores ancestrais (Wallace-Hadrill, 1993, p. 12) Muito provavelmente por isso, na iconografia do século I há tal frequência na representações de touros, particularmente os bucrânios descarnados.
"Tendo em conta a extraordinária importância que tinham os sacrifícios e os ritos na vida quotidiana, não surpreende que os signos correspondentes dominassem a nova linguagem das imagens. Praticamente não existe nenhum monumento ou edifício em cuja decoração não figurassem caveiras dos animais sacrificados, mesmo nos que não tinham carácter sagrado. Signos alusivos aos sacrifícios, que no passado serviam apenas como elementos decorativos convencionais, passaram a ser símbolos relevantes da nova pietas" imperial (Zanker, 1992, p. 146). Fundando-se o culto deste animal no seu vigor físico e genésico (Blanco,1961-1962, p. 171) é natural que tenha sido adoptado pela nova iconografia imperial que pretende assumir uma nova energia vital.


Fragmentos de um grande relevo dedicado a Agripa, oficiante num sacrifício, realizado na época de Cláudio. Fazia parte da decoraçáo do pórtico do Forum de Augusta Emerita. 
Fotografia e informação a partir de: La Ciutat Hispano-Romana.

No culto mitraico de que acima falámos, introduzido em Roma no século I d.C., o touro sacrificado, degolado, através do taurobolium, dá origem à vida com o seu sangue. Assume, deste modo, uma feminilidade (/masculinidade?) geradora.
No entanto, neste culto de origem oriental, não era admitida qualquer mulher. Muito provavelmente trazido pelos soldados que fizeram campanha na Arméria, durante o principado de Nero, este culto oriental ganhar uma expansão enorme ao ponto de, durante algum tempo, ter competido com o próprio Cristianismo.

O baixo-relevo de Tróia e uma inscrição de Pax Iulia atestam a sua penetração na Lusitânia. No baixo-relevo citado é clara a representação do taurobolium.


M.N.A. Baixo relevo de Tróia

Os cultos de Cybele, introduzidos em Roma no final da Segunda Guerra Púnica, foram reconhecidos no principado de Cláudio. Estão também eles associados a este aspecto sacrificial do touro, cujo sangue é utilizado na cerimónia do baptismo, com um significado profundo do novo nascimento, renovação e relação mais íntima com a divindade (Maciel, 1988, p.110). Toda a mitologia clássica assenta nesse aspecto sacrificial: Da união de Urano (o C‚u) e de Geia (Terra) foram criadas todas as essencias divinas: Titƒndes, Titãs e Ciclopes. O sangue de Urano decapado é o elemento fecundador da terra.
Com o cristianismo, que tenta banir a ideia de sacrifício iniciático, a água assume definitivamente a ideia de salvação através do baptismo (renascimento) e o vinho substituiu, na Eucaristia, o sangue divino (Maciel, op. cit., loc.cit.).


O touro esculpido de Miróbriga

O forum de Miróbriga desenvolve-se em terraços que vencem a topografia do local e que permitem uma intervenção arquitectónica em patamares, conferindo monumentalidade ao conjunto. No mais alto destes patamares foi edificado, no 3º quartel do século I d.C.(Burgholzer), um templo in antis, muito provavelmente dedicado ao culto imperial, cujo podium coroa a praça pública.
O traçado da praça segue uma orientação Noroeste/Sudeste, sendo ainda desconhecida a função da maioria das edificações que se desenvolvem em seu redor. No declive do lado Sul, e vencendo-o, desenvolve-se um conjunto de construções que têm sido identificadas como tabernae, pelas características arquitect¢nicas que apresentam. Este conjunto obedece à mesma orientação geral da praça, à excepção de algumas construções, ligeiramente desviadas, a Ocidente, e que, muito possivelmente, devem pertencer a um outro momento construtivo. O aspecto geral do forum e da zona comercial apresenta, pois, semelhanças com alguns fora imperiais (Balty, 1993, pp.21-32), em que as actividades comerciais manifestam tendência para ser afastadas do forum, à excepção do comércio oficial. Os aspectos mercantis passaram a agrupar-se em mercados independentes, em alguns dos casos situados nas imediações dos fora (Jim‚nez, 1987, p.173 e Balty, 1993, P.31).
Nesse declive desenvolvem-se construções de diferentes tamanhos, sendo, em algumas delas, bem notória a zona de entrada.
Uma dessas edificações construídas em opus incertum tem um tamanho irregular, pois alarga no sentido da rua. Tem 8,70m de comprimento e 1,88m de largura no topo Norte e 2,58m de largura na zona sul. Situa-se junto a uma zona onde afloram calc rios e onde existiria uma escadaria que ligava a rua das tabernae ao forum (Almeida, 1964, p. 30; Soren et alii, 1992, p.37)
Num silhar aparelhado, de relativamente grandes proporções (Alt.: 38cm; comp.92cm; espes.:43cm), foi esculpida uma cabeça de touro naturalista sem ser descarnado, que se assemelha a algumas imitações dos motivos helenísticos datadas do século I a.C. A cabeça de touro ocupa um campo quadrangular de 22cmx22cm, enquadrando-se no lado esquerdo. O silhar está fragmentado, pelo que é constituído actualmente por duas partes. Deve estar fora do seu contexto (Biers et alii, 1981, p. 34), uma vez que se encontra no nível térreo das construções e não tem qualquer ligante que o una aos    próximos. Nas redondezas, há  outros blocos de grandes dimensões, colocados de uma forma indiscriminada. Muito possivelmente provêm das construções do forum e devem aí ter sido colocados em trabalhos arqueológicos anteriores, mas de que infelizmente não há registo.
Tratando-se de um motivo decorativo com as características que tem, deveria estar implantado num lugar visível da construção a que pertencia. Não existe, no entanto, qualquer referência à sua deslocação para este local*, pelo que só futuras escavações poderão contribuir para um melhor conhecimento dos espaços arquitectónicos no seu conjunto.

Paralelos:

Existem em Portugal várias representações de bucrânios do período romano.

Do distrito de Beja são procedentes três esculturas de mármore, integrando actualmente o acervo do Museu Regional de Beja. Estes exemplares escultóricos foram publicados por Vasco de Souza com os n£meros 18, 19 e 20 não lhes sendo atribuída qualquer cronologia ( Souza, 1990, pp.15 e 16). Deveriam servir como aduelas no fecho de arcos (Trillmich et alii, 1993, p. 365, est. 150 b). Leite de Vasconcelos havia já publicado cinco cabeças de touro provenientes de Beja (Vasconcelos, ed. 1981, 3§ vol. pp. 514-518) e que, segundo este autor, se deveriam tratar de ex-votos.

No Museu de Évora existe um friso dórico de granito, também publicado por Vasco de Souza com o número 75 (Souza, 1990, p.33), originário de Évora, e atribuível ao período alto-imperial. Alguns autores admitiram que o mesmo pertencesse ao Templo de Évora, opinião essa que tem sido contestada nos últimos anos. Este friso é composto por métopas com bucrânios e páteras. Os bucrâneos têm algum paralelismo formal com o exemplar de Mir¢briga.

Um bom paralelo para esta cabeça de touro é também um exemplar esculpido num silhar, encontrado em La Loma, actualmente depositado no Museu Arqueológico de Teruel (Atrian, 1980). Se bem que ladeado por folhas de acanto e relevado de uma forma mais acentuada, parece pertencer também ao período alto-imperial.

Na Península Ibérica o Touro surge em vários motivos decorativos de arae funerárias e votivas romanas (Beltran Fortes, 1984-85, pp. 163-176), como já acontecia no mundo funerário ibérico (Chapa, 1980, p. 265). Símbolo da força fecundadora, aparece ligado a crenças astrais de imortalidade . Não deixa de ser curioso que no silhar de La Loma o touro apareça associado às folhas de acanto, que são, também, símbolos de imortalidade (Blázquez, 1982, p.190). Nas arae alto-imperiais, e particularmente no reinado de Augusto, os bucrânios descarnados aparececem, aliás, comummente associados a grinaldas (Beltran Fortes, 1984-85, p.164) de clara conotação sacrificial.

As arae cilindricas emeritenses, datadas do período de Augusto, e os frisos relevados com cabeças de touro e grinaldas aparecem associados a construções de culto imperial, onde está presente uma iconografia escult¢rica típica dos séculos I-II - os clipei relevados com as Medusas e Zeus Ammon (Barata, 1993, p.2).

Poderemos ainda citar - se bem que com características formais diferentes, pois o bucrânio ‚ aqui muito mais estilizado - um friso de bronze proveniente de Cuenca, que deveria pertencer a um altar, datável dos séculos I-II d.C. (Trillmich et alii, 1993,p. 390, est. 189). Neste friso estão representados um bucranium e um guttus .

Na Bética existem também vários exemplares de arae com representações de bucrânios associados a grinaldas (Beltran Fortes, p. 165).

São conhecidas também várias cunhagens hispânicas do período pré-augustano e augustano com representações de touros no reverso, muito comuns na época de César. Com bucrƒnios foram tamb‚m identificadas algumas moedas, nomeadamente as provenientes de Calagurris, sendo uma anterior a 27 a.C. e uma outra posterior (Villaronga, 1979, p.245 e p.262).




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* ver Arque¢logo Português, nº 8, 1903 (artº de José Leite de Vasconcelos)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Impressões de Miróbriga

Uma amiga minha veio com a idéia de que as mulheres devem fazer algo especial no Facebook para aumentar a conscientização e a visibilidade do mês de Outubro como o mês para combater o câncer de mama.
É uma coisa fácil de fazer e peço a voces para participar todas juntas, para tornar este evento memorável.
No ano passado, a idéia era escrever a cor de seu sutiã, no Facebook. Esta iniciativa mulheres deixaram os homens curiosos por dias, enquanto cada mulher escreveu cores aparentemente aleatórios.O jogo deste ano refere-se a sua bolsa. Tem que escrever o seu lugar onde vc deixa sua bolsa, ao chegar em casa, então "eu gosto ..." e depois o lugar. Por exemplo, "eu gosto no sofá" ou "Eu gosto da cadeira da cozinha" ou "eu gosto na mesa de jantar."Vocês entenderam?Bem, escrever a resposta na pagina principal do face (e não em resposta a esta mensagem) e enviar esta mensagem para as mulheres divertidas do seu Facebook. O jogo de cores de sutiãs saiu ate nos jornais da Europa, ja que essa brincadeira começou la! Procuramos fazer o mesmo com esta nova iniciativa aqui no Brasil e demonstrar como as mulheres são poderosas!LEMBRE-SE - escrever a respostana pagina principal do seu face e não responda a esta mensagem. Copie isso e envie para quanto mais mulheres possiveis..Bjos a todas!!!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dia Mundial da Música em Miróbriga

«No âmbito da Comemoração do Dia Mundial da Música, dia 1 de Outubro, o Sítio Arqueológico de Miróbriga associar-se-á à efeméride proporcionando aos seus visitantes a possibilidade de ouvirem vários excertos musicais de diferentes estilos. Deste modo procuraremos criar uma ocasião em que o visitante possa disfrutar da paisagem de Miróbriga na companhia de uma boa música.
Na parte da tarde, a partir das 14.15h, faremos a projecção de um filme alusivo à data».
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Para mais informações contacte:

Ana Maria Sabino
Técnica Superior
Direcção Regional de Cultura do Alentejo
Ruínas Romanas de Miróbriga
Chãos Salgados
7540-236 Santiago do Cacém
Telf: 269 818460 Fax: 269 818461
E-mail: anasabino@cultura-alentejo.pt

domingo, 26 de setembro de 2010

E Miróbriga estava no mesmo lugar ...




 
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Com uma oliveira de folhas novas a crescer ...
e sempre que houver uma pequena folha verde a nascer entre as pedras, Miróbriga renascerá!

domingo, 19 de setembro de 2010

Vamos ouvir falar do Alentejo, hoje na Rádio Alma Lusa

http://www.radioalmalusa.com

Basta clicar no título desta edição ...

E vamos falar da proposta de tentar fazer uma geminação entre o Redondo das fantásticas cerâmicas do Alentejo ou do vinho mediterrânico que os Romanos aí introduziram e o "Novo Redondo", hoje Sumbe, Angola, pensando no seu Património Cultural e Natural.

Vamos falar da capacidade de continuar a sonhar nesse Atlântico onde se fala Português.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Conheça a historiografia de Miróbriga ...




















Pode conhecer a história da investigação em Miróbriga a partir dos painéis da exposição «Miróbriga, o Tempo ao Longo do Tempo», promovida pelo Museu Municipal de Santiago do Cacém.
Esta exposição encontra-se actualmente no Centro Interpretativo de Miróbriga, tendo sido editado o seu catálogo, como já aqui foi dado conhecimento.

Ao longo do tempo foi aqui tratado, por várias vezes, este Sítio Arqueológico, dando conta da evolução dos trabalhos aí desenvolvidos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Velhos apontamentos ...

 



Miróbriga fez-se representar na Feira Agrícola de Santiago do Cacém (Santiagro), em 1992, com a réplica de uma Taberna Romana.

A Escola Secundária de Santiago do Cacém Manuel da Fonseca, através do seu Clube de Arqueologia, participou na organização, tendo sido com o empenho dos seus alunos que a iniciativa se pôde realizar.

Recordo ainda que, por não ser fácil obter javali, um dos pais de um aluno se ofereceu para assar um leitão num forno que tinha em Ermidas do Sado.

Foi aí que tive conhecimento, pela primeira vez, que, em Ermidas do Sado, cada um dos lados da linha do comboio tinha um nome diferente: Itália e Etiópia.

Serviu-se vinho quente com mel que era guardado em ânforas, também elas réplicas mandadas fazer em olaria de Santiago, tal como os restantes elementos cerâmicos que, apesar de serem ainda hoje de uso corrente, se poderiam dizer "cópias" quase fiéis dos utensílios de cozinha da Época Romana.

Dos frescos existentes em Miróbriga fez-se também cópia que foi aplicada neste lugar.

A todos os meus alunos da altura o meu obrigada. Porque foram eventos desta natureza que permitiram chamar a atenção para um Sítio Romano de importância capital no Sul de Portugal.
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quarta-feira, 14 de julho de 2010

E em Alter do Chão, o mosaico mais fantástico que conheci (reeditado)

Porque hoje se inicia o tratamento de Alter do Chão, nos Alentejanos no Facebook, retomo um texto que já havia publicado neste blogue.

Regressando a Alter do Chão, relembro a sua fundação romana, conhecida através dos vestígios do importante sítio arqueológico de Ferragial d'El Rei, onde associado a um edifício de notáveis dimensões, de que se salienta os seus balneários e respectiva estrutura subterrânea para garantir a circulação de ar e água, bem os compartimentos decorados com mosaicos, apareceu um com temática mitológica que considero um dos mais notáveis exemplares que conheci.

Em Alter do Chão, sobre a cidade romana de Abelterium de que o Sítio de
Ferragial d'el Rei é apenas mostra, construirá a família real residência acastelada, ao que consta, para aí se dedicar a caçadas memoráveis, no espaço de que hoje podemos partilhar, pois em núcleo museológico se tornou.

Mas de Roma fala-nos esse Sítio Arqueológico de Ferragial d'el Rei, que foi objecto de um programa de valorização com fundos comunitários do Programa Operacional da Cultura, e que se encontra visitável, existindo um Centro Interpretativo onde se pode conhecer melhor a ocupação romana do local; a Necrópole Tardo-Antiga, cuja cronologia aponta para os séculos VII-IXd.C.; a Via Romana; a Villa Romana da Quinta do Pão; a Ponte de Vila Formosa;Ponte dos Mendes. Diz uma lenda alterense que o Imperador Adriano se terá deslocado a Abelterium no ano 120 d.C, motivo pelo qual a via romana que conduz à Ponte de Vila Formosa é designada por “Via Adriana”.

Por tudo isto, vale a pena ir até Alter do Chão.





Um mosaico romano, de grandes dimensões e «único» na Península Ibérica, foi descoberto durante os trabalhos de arqueologia que decorrem na cidade romana de Abelterium, em Alter do Chão (Portalegre), revelou este domingo o arqueólogo responsável.Em declarações à agência Lusa, Jorge António, arqueólogo na Câmara Municipal de Alter do Chão, considerou o mosaico «único na Península Ibérica» e garantiu que a descoberta se reveste de «extraordinária importância».Esta peça arqueológica, que remonta ao século IV, foi encontrada há cerca de um ano, mas só agora foi divulgada, mantendo-se durante todo este tempo no «segredos dos deuses».O mosaico foi achado na sequência das escavações efectuadas às termas públicas da cidade romana de Abelterium, também denominada de Estação Arqueológica de Ferragial d`El Rei, naquele concelho do Norte Alentejano.À medida que os trabalhos decorriam nas termas da cidade romana, a equipa de arqueólogos descobriu uma casa de um «aristocrata ou político».«Nós identificámos o mosaico no triclínio da casa», disse o especialista, garantindo que era nesse espaço, onde está inserida a peça de grandes dimensões, que o proprietário recebia «as suas visitas».«É um mosaico figurativo, onde surge a figura da Medusa como figura central. O mosaico é uma representação homérica, da Ilíada [poema épico grego atribuído a Homero], mas ainda existe pela frente um grande trabalho de fundo para conhecer melhor esta peça», salientou o arqueólogo.Jorge António revelou ainda que o mosaico possui «pasta vítrea em tons de azul, verde e bordeaux».«Este mosaico vai trazer, no futuro, vários visitantes a Alter do Chão», assegurou o arqueólogo.«Grande passado romano»Já o presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Joviano Vitorino, afiançou à Lusa que pretende ver aquela peça, assim como toda a cidade romana de Abelterium classificada como «Património Nacional».Alter do Chão tem «um grande passado romano e vamos efectuar todas os esforços necessários para tornar este espaço Património Nacional», defendeu.

citado a partir de:

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lagoa de Santo André


Ainda há tanto tempo e tanta vida na Lagoa de Santo André que o mar lava quando aberta a sua garganta até ao mar.
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Já que o período de férias se aproxima, falemos das «Pousadas de Portugal»: o Alentejo



As Pousadas de Portugal – O Alentejo

Criadas pela Lei 31.259 de 1 de Maio de 1941, por iniciativa de António Ferro, que dirigiu o Secretariado da Propaganda Nacional (SPN)* desde a sua criação, por Salazar, em 1933, até 1949.

As Pousadas foram concebidas para "alojar os visitantes e fornecer-lhes a alimentação no respeito do estilo de cada região", aliás muito dentro da linha de pensamento que caracterizava António Ferro que tentou impor uma "política do espírito", que buscava, por um lado, recuperar como fonte viva o folclore português e, por outro, fazer de algum modo uma pedagogia do moderno em arte.

«Quando um hóspede deixar de ser tratado pelo nome, para ser conhecido pelo número de quarto que ocupa, estaremos completamente desviados do espírito das Pousadas.»
António Ferro, 1942.

Assim surgiram as primeiras Pousadas Regionais, destinadas a alojar os visitantes e fornecer-lhes condições de acolhimento, segundo as tradições de cada região.

A primeira unidade da rede foi inaugurada em 1942, em Elvas, no Alentejo, região que concentra o maior número de pousadas históricas. A pousada de Elvas infelizmente foi fechada enm data recente.
Outras "Pousadas Regionais" foram sendo inauguradas, sempre com um número reduzido de quartos com uma especial atenção à gastronomia regional.

Na década seguinte, o conceito de Pousada foi alargado com o surgimento das "Pousadas Históricas", localizadas em monumentos, muitos deles classificados, e devidamente restaurados para o efeito. Pelas suas características que melhor viabilizam a instalação de infra-estruturas como Pousadas, os imóveis preferencialmente ocupados são antigos conventos, mosteiros e castelos, a exemplo dos castelos de Óbidos, de Alcácer do Sal ou do Alvito, como se pode verificar no mapa da página oficial das Pousadas de Portugal
http://www.pousadas.pt/historicalhotels/PT/.

A primeira pousada a ser criada segundo este novo conceito foi a Pousada do castelo em Óbidos.

Esse tipo de oferta turística diferenciada rapidamente se espalhou pelo país, de Norte a Sul do Portugal, nos Açores e mais recentemente também no Brasil.
As Pousadas de Portugal estiveram, até recentemente, classificadas apenas segundo duas categorias, Históricas e Regionais.
Tendo em vista diferenciar a oferta, foram posteriormente introduzidos novos conceitos temáticos, segundo a vocação específica de cada uma delas, sendo agremiadas nos seguintes grupos:
 Pousadas Históricas
 Pousadas Históricas Design
 Pousadas Natureza
 Pousadas Charme

Desde a origem, em todas as Pousadas de Portugal se fez uma aposta na divulgação da gastronomia regional e nos vinhos portugueses.

Também desde sempre, as Pousadas de Portugal sentiram a necessidade de privilegiar a recuperação do património arquitectónico nacional, assegurando dessa forma a conservação de monumentos e, em paralelo, pois só dessa forma poderiam fomentar a oferta de um produto turístico diferenciado e de maior qualidade, pretendendo ainda ser o reflexo da região ou da zona onde estão inseridas.
Obviamente que a adaptação às novas funções, exigiu que fossem feitas remodelações em muitos deles, pois era necessário criar condições de conforto e bem-estar.
Tentaram ainda adequar o mobiliário e decoração de forma a harmonizarem-se com a região ou simplesmente evocando a ambiência histórica do monumento (móveis de estilo, tapeçarias, quadros, etc.).


O Conceito Pousadas


O termo "Pousada" evoca uma ideia de pausa, tentando reviver a ideia do viajante que faz uma “paragem”, tendo, na sua origem, sido clara a opção pela ciação de infra-estruturas quase de cariz familiar, ou seja, a continuação da casa.

A rede das Pousadas

Até recentemente as Pousadas estavam divididas em Regionais e Históricas.
Actualmente essa divisão foi expandida criando-se quatro conceitos de Pousada:

Pousadas Históricas: o Alentejo
(em edifícios históricos)
1. Alvito - Pousada do Castelo de Alvito
2. Beja - Pousada de São Francisco
3. Estremoz - Pousada da Rainha Santa Isabel
4. Évora - Pousada dos Lóios
5. Vila Viçosa - Pousada de D. João IV


Pousadas Históricas Design
1. Alcácer do Sal - Pousada de D. Afonso II
2. Arraiolos - Pousada de Nossa Senhora da Assunção
3. Crato - Pousada Flor da Rosa
Pousadas Natureza: o Alentejo
(em lugares calmos e relaxantes, propícias ao ecoturismo)
1. Santiago do Cacém - Pousada da Quinta da Ortiga
2. Sousel - Pousada de São Miguel
3. Torrão - Pousada de Vale do Gaio

Pousadas Charme: o Alentejo
(em construções ou lugares típicos)
1. Elvas - Pousada de Santa Luzia (primeira Pousada da rede)
2. Marvão - Pousada de Santa Maria

A problemática da refuncionalização/reuso dos Monumentos em Portugal

Se bem que se continue a privilegiar a manutenção e conservação integral dos imóveis de valor histórico, cuja classificação, em Portugal, pode ter três nomenclaturas: Monumento Nacional; Imóvel de Interesse Público ou Imóvel de Interesse Concelhio, é um facto que a adaptação de alguns imóveis a novas funções conduz necessariamente a que algumas alterações tenham que ser efectuadas, tentando-se, contudo, que o imóvel classificado seja o menos alterado, ou adulterada a sua integridade. Aliás, usando as próprias palavras dos sues responsáveis « (...) as Pousadas de Portugal (...) priveligiaram sempre nas suas decisões de investimento a recuperação de património arquitectónico nacional»  (in Pousada Nª Sra da Assunção, ENATUR, 1996).
Sempre que seja necessário fazer uma ampliação, pois a viabilidade financeira de muitos empreendimentos depende da criação de novas infra-estruturas ou mesmo da ampliação das existentes, dá-se a primazia a uma nova linguagem arquitectónica que não mimetize os monumentos ou os imóveis pré-existentes.
No entanto, as exigências no que se refere a situações em que foram viabilizadas reestruturações no interior de imóveis classificados foram sendo cada vez maiores, nomeadamente no que respeita aos estudos aprofundados dos mesmos, suas tipologias, características construtivas ou mesmo aspectos relacionados com o Património Integrado – pinturas, esculturas, frescos, talhas, ou às eventuais pré-existências arqueológicas, que exigem em zonas de sensibilidade escavações prévias.

O IGESPAR tem como missão tutelar as intervenções e conservar, preservar, salvaguardar e valorizar o património arquitectónico português, incluindo-se neste universo o conjunto de bens imóveis de especial valor histórico, arquitectónico, artístico, científico, social ou técnico subsistentes, através da emissão de pareceres vinculativos que incidam sobre monumentos ou sítios classificados, ou em vias de classificação e respectivas áreas de protecção, a realização de obras de conservação, reabilitação e restauro em imóveis e sítios classificados propriedade do Estado, a classificação de imóveis e sítios arqueológicos e a gestão dos principais monumentos nacionais, bem como acompanhar a elaboração de instrumentos diversos de planeamento urbanístico, de ordenamento do território e de Estudos de Impacte Ambiental..
Aos imóveis classificados deve corresponder promoção o estabelecimento de zonas especiais de protecção ou zonas non aedificandi, que visam a protecção legal dos bens culturais e dos seus contextos.

*A partir de 1944 o Secretariado da Propaganda Nacional passa a designar-se Secretariado Nacional da Informação

http://www.pousadas.pt/historicalhotels/PT/

Informação de base das Pousadas e imagens gentilmente cedidas pelo Turismo de Portugal: Pousada de Santiago do Cacém; Pousada de S.Francisco, Beja.

CHARME E RELAX
Pousada Santa Maria em Marvão http://www.pousadas.pt/historic-hotels-portugal/pt/pousadas/alentejo-hotels/pousada-de-marvao/sta-maria/pages/home.aspx

Quem gosta de história, natureza, relax e degustação, nada melhor que uns dias neste espaço de verdadeiro sonho.
Marvão, foi outrora refúgio de um governador mouro (Maurwan) por algum motivo evidente - a beleza paisagística deste local.
As muralhas da época medieval (séc. XIII) retratam um passado histórico que integram esta pousada dando-lhe um cariz de "conto de fadas). A complementar uma gastronomia regional alentejana de modernidade e requinte.
Destino convidativo a não esquecer.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Em Santiago do Cacém, a partir de hoje ...

Terão lugar as jornadas culturais «Sant'iago, os Caminhos do Património». http://www.cm-santiagocacem.pt/Autarquias/jornadasculturais/programahttp://www.cmsantiagocacem.pt/Autarquias/jornadasculturais/programa/Paginas/default.aspx Pela ocasião será lançado o catálogo da exposição «Miróbriga, o Tempo ao longo do Tempo».

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Hoje o Número de Aderentes do Grupo Alentejanos no Facebook é de 13.000

 



E tem sido exemplar a sua participação.
Há que pensar no futuro a dar aos extraordinários contributos ali deixados, de forma a que deles fique também uma dimensão mais perene.
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ao Alentejo ...


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