Imagens: Migas de espargos e de espinafres
Capitel de origem romana de
Pax Iulia, Museu Distrital Rainha D. Leonor
Aí sim, onde hoje é Beja, parece terem os Romanos encontrado povos anteriores, apesar do nome que tinha a
urbs latina, indiciando orgulhosamente fundação de raiz romana.
Mas não, pequenos fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro Continental parecem comprovar que ali existiu povoamento precedente ao Romano.
No entanto, os capitéis de dimensão colossal, pertencentes a um templo que recentemente foi escavado pela Doutora Conceição Lopes da Universidade de Coimbra vergam qualquer habitante de época anterior ao jugo da Roma Imperial.
Mas dela, esbatido o Império, ficará a memória de um Mediterrâneo uno, sob o olhar do Cristianismo inicial, que no núcleo visigótico da Igreja de Santo Amaro tem os seus melhores testemunhos.
Al-Mu Tamid, nado em Beja e senhor de Sevilha, fará, em período islâmico, da sua cidade motivo de versejar.
Mas, no século XII, Beja verga-se a um novo Senhor, e o Mundo Cristão imperará de novo. Santa Maria (da Feira), entre outos lugares de culto cristão da Reconquista, cantará a vitória sobre o universo "mouro".
D. Dinis proclamará, na torre do castelo, a visibilidade de um novo poder, sobre a seara onde dizem que se consegue imaginar o mar, criando-o sobre os barros que, já outrora, haviam sido o território vital, um novo olhar, um novo mundo do poder.
Nos conventos imperará nova aristocracia e para ela, para a segunda dela, sem herança e sem decisão, porque era universo de mulheres, nascerá o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde Soror Mariana, uns séculos mais tarde, de uma janela olhando o vazio do amor que não retornará, escreverá as cartas imortais da sua paixão por um cavaleiro francês que a esqueceu.
Em S. Francisco que o tempo transformou de convento em pousada, ainda sob o claustro, existe uma sisterna de uma beleza sem par. Ao que se sabe data do século XIII a chegada a Beja dos frades franciscanos.
Gostarei sempre de revisitar Beja, a cidade de todos os tempos, da Rua do Sembrano, onde a Susana me ensinou, um dia, a olhar os vestígios do tempo com outros olhos e os segredos que as pedras sabem contar.