quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Trajes tradicionais: O Alentejo








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Da constância do trabalho, como valor de referência, da exigência da qualidade como uma urgência para o crescimento, não posso deixar de destacar as obras de Cristina Duarte, de que já dei destaque noutro lugar.

Aos CTT, pela belas obras que têm vindo a editar, também os meus parabéns.



No entanto, centro-me agora neste livro : Trajes Tradicionais. Pelo que representa de recolha documental e de imagens, pela análise sociológica que a autora faz ao tema trajar, já recorrente no seu vasto trabalho publicado: «Para além da língua, o ser humano comunica através de toda uma gama de sinais, e cada peça do seu vestuário "serve para", ou "diz qualquer coisa", inserindo-se no complicado mundo da comunicação não verbal», usando as palavras de Cristina Duarte.


Trata-se de um belo livro e de um livro belo, juntando a cor que a diversidade portuguesa e seus particularismos regionais dão ao vestuário, com o preto das palavras bem talhadas, bem drapeadas, tal forma de (re) vestir o que se veste, porque é também a linguagem do sentir, do estar e do trabalhar.


Ao Além-Tejo dedica a autora um capítulo do seu livro: para as mulheres e homens do campo vai a sua homenagem, podendo, de fundo, imaginar-se o cante das planuras!

À festa, como lugar de encontro, de comunhão de rituais e de afectos, traz o traje, também, a sua forma diversa de se expressar.

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Mas ao trajar do Alentejo voltarei, quer o do campo, quer ao dos capotes, samarras ou os "pelicos", esses casacos de pele de borrego de N. Sra. Machede, e às botas de carneira, sejam as de Álcacer, do Vimieiro ou de Alter, como me aconselhou PP.

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Parafraseando Oliveira Martins na sua História de Portugal :

«Quando (...) ouvimos o tilintar alegre das campainhas e guizos nas coleiras dos machos - é o caseiro, que a trote largo, com a cara redonda e alegre, o ventre apertado nos seus calções de briche preto, vai à feira de Vila Viçosa em Maio, ou à de Évora em Junho, tratar dos negócios da lavoura. A distância, vem o areeiro no seu carro toldado, guiando a récua de machos carregados de odres de vinho; logo o pastor com o guarda-mato de pele de cabra, o cajado ao ombro, conduzindo as ovelhas, a vara de porcos, gordos como texugos, ou a boiada loura de longas hastes».

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Estou com saudades de Miróbriga revisitar

 
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Old times II

Quando se faziam mini-filmes em máquinas fotográficas ....

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

São para ti, Mariana, todas as histórias que tenho para contar




Imagens: Museu Municipal de Santiago do Cacém

Setembro de 2007

Em cada baú, em cada gaveta, em cada fotografia há tantas palavras por inventar. De tantos dias sem História mas com milhares de estórias para desvendar.

Se o Homem difere dos animais é exactamente por esta capacidade de de si transmitir, através dos objectos que produziu e espelham as suas necessidades e os seus desejos, memória. E ainda através da sua capacidade de, instrumentalizando as letras, construir histórias que também o vão contar.

http://mirobriga.drealentejo.pt/

Assim, à Mariana, minha filha

aos amigos que restam; aos ausentes, mas vivos na minha pele, conto as histórias que sei narrar.
A eles os meus dias ... e as coisas que descubro por saber encontrar, no silêncio, o sentido de algumas palavras: a crença e a partilha.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Cante Popular Religioso

O Grupa "À capela" constituiu-se em 1998, tendo por objectivo fazer o registo e divulgar modas tradicionais.

Este, disco dedicado ao «Cante Popular Religioso», tem um conjunto de modas de carácter religioso, entre elas o Cântico ao Menino que, a pedido de Michel Giacometti, foi cantada no seu funeral pelo Grupo Coral e Etnográfico de Pedoguarda.

Se conseguirem encontrar o disco, oiçam-no nesta época pré-natalícia, e chorem o mais fundo que há em nós nestas palavras cantadas!

«Entre os portais de Belém
Está a árvore de Jassé
Com três le/trinhas que dizem
Jesus, Maria, José»

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Soror Mariana - Beja

Cortaram os trigos
A minha solidão vê-se melhor


O Nome das Coisas, Sophia de Mello Breyner Andersen

sábado, 22 de novembro de 2008

A Arquitectura Millitar em Elvas






Elvas é candidata a Património Mundial pelas suas múltiplas fortificações que atravessam a nossa história: as cercas islâmicas; o castelo medieval; os fortes e fortins modernos.

Palco das guerras fronteiriças que se seguiram à Restauração, em 1640, as estruturas que se pretendem candidatar à classificação constituem a maior fortaleza abaluartada da Europa (reconhecido pela forma em estrela), sendo formada, para além do castelo de origem anterior, pelas fortalezas secundárias de Santa Luzia, do século XVII, e da Graça do século XVIII.


As fortificações, através das quais se atravessa a Época Islâmica e medieval, bem como as renovações renascentistas e, e da Época Moderna são "um dos mais importantes casos de sobreposição de funções e de evolução das concepções estratégicas e militares ao longo da História".

Sem entrar em considerandos sobre a validade, como mecanismo de valorização dos bens, das classificações a Património Mundial, um facto é induscutível: Elvas tem um conjunto único de fortificações terrestres de cerca de 80 hectares que vale a pena conhecer.

Sabemos e reconhecemos o valor desta candidatura que desejamos possa caminhar!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Fui de novo a Alter do Chão











































































Fui matar saudades daquele castelo/residência de fundação medieval, mandado construir por D. Pedro, que conheci abandonado.
Cumprimento assim o Município, o seu Presidente e do seu antecessor, que em boa hora conseguiram ver aprovada a sua recuperação através de uma candidatura aos Quadros comunitários e, mediante um acordo com a Fundação da Casa de Bragança, proprietária do monumento, levou por diante a valorização do imóvel.

Fui também ver a belíssima Casa do Álamo, mandada construir no século XVII, e seus jardins setecentistas,onde funciona a Biblioteca Municipal.

E pude ver os trabalhos arqueológicos em curso na villa romana de Ferragial d'el Rei, onde apareceram recentemente mosaicos romanos, cuja qualidade se pode considerar ímpar em território nacional, quer pela iconografia, quer pela qualidade de representação e ainda pelo uso de muitas tesselas de pasta vítrea.

Mas da antiga ocupação romana que tornou Abelterium, fundada no século III a.C., um ponto axial na passagem de Lisboa para Mérida, ainda se pode ver ponte de Vila Formosa, e necrópoles tardias da cidade.

A Câmara Municipal tem também um projecto que pretende incluir vários Sítios Arqueológicos num circuito de visita à volta da personagem do Imperador Adriano, que, segundo a lenda alterense, se terá deslocado a Abelterium no ano 120 d.C, motivo pelo qual a via romana é designada por “Via Adriana”.

Ao Jorge António, arqueólogo do Município, o meu enorme agradecimento por me ter autorizado a fotograr os mosaicos e a divulgá-los aqui, bem como por me ter cedido a fotografia do tanque romano e da necrópole tardo-romana.


Logo mais, voltarei a Alter. E sei que muitas vezes regressarei!





«No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, esta região foi ocupada pelas forças de Portugal desde a segunda década do século século XIII: D. Afonso II (1211-1223) ordena o seu repovoamento em 1216. Sob o reinado de D. Sancho II (1223-1248), o castelo já é mencionado, na Carta de Povoamento dada a Alter do Chão pelo bispo da Guarda, Mestre Vicente Hispano (1232). Ainda visando incrementar o seu povoamento, o rei D. Afonso III (1248-1279) outorgou foral à povoação (1249), determinando reedificar o seu castelo.

D. Dinis (1279-1325), visitou esta povoação em diversas ocasiões, outorgando-lhe novo Foral (26 de Agosto de 1292), reformado no ano seguinte, concedendo-lhe entre os privilégios, em particular, o de que nunca teria outro senhor senão o próprio soberano. Não existe informação, entretanto, de que tenha se ocupado da fortificação da vila.

A atual conformação do castelo remonta ao reinado de D. Pedro I (1357-1367), que determinou a sua reconstrução em 22 de Setembro de 1357, de acordo com a placa epigráfica de mármore sobre o portão principal. O soberano reformou o Foral da vila em 1359.


Ao que consta foi aqui que D. Pedro concebeu a ideia de tornar rainha depois de morta a sua amada Inês.

D. Fernando I (1367-1383) fez doação dos domínios da vila a D. Nuno Álvares Pereira, que por sua vez os doou a Gonçalo Eanes de Abreu.

Sob o reinado de D. João I (1385-1433), este monarca confirmou os domínios da vila e seu castelo ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira (1428). Este legou-o, por morte, à sua filha, que o transferiu, por casamento com o duque de Bragança, aos domínios desta Casa. Neste momento de sucessão, registrou-se uma campanha de obras no castelo (1432)» ( in Wikipédia)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Miróbriga


Fot. área 1995
Filomena Barata

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O Rio Mira e Vila Nova de Milfontes

http://mirobrigaeoalentejo.blogspot.com



O rio nasce na Serra do Caldeirão (alt. 470m). Tem um curso de 145km, desaguando junto a Vila Nova de Milfontes.

Fundamental como veículo de transporte dos produtos agrícolas e mineiros da Serra do Cercal, rica em minério, e de Odemira, foi, desde o período romano, também utilizado com grande escoadouro.

Ainda hoje o Mira é navegével até quase trinta quilómetros da foz, podendo fazer-se parte deste percurso em barcos de carácter turístico, viagem que vale a pena levar a cabo em dias como hoje em que o Sol se escondeu.

Em Milfontes é conhecida ocupação deste a época Pré-histórica, motivo porque se denomina uma determinada tipologia de artefactos pré-históricos (do Epipaleolítico) como "machados mirenses", sendo conhecida ocupação neolítica, calcolítica, da Idade do bronze e do Ferro.

Nas margens do Mira são também conhecidos vestígios de ocupação romana, havendo na serra do Cercal sinais de mineração, pelo que o estuário e o respectivo porto já desempenhariam um papel fundamental.

Autores vários defendem que aqui, e não na povoação romana localizada junto a Santiago do Cacém, se situaria a Miróbriga citada por Plínio.

Para melhor conhecer a história de Vila Nova de Milfontes, que foi já foi considerada três vezes mentirosa, porque não era vila, nem nova, nem tinha mil fontes (mas apenas assim se denominava devido à existência de águas abundantes), vale a pena consultar a monografia de António Martins Quaresma «Vila Nova de Milfontes - História».

Vila Nova de Milfontes foi fundada em 1486, por D. João II, se bem que já existisse uma pequena população piscatória, "passando a ser conhecida pela sua actual designação alguns anos depois (...) o primeiro documento onde surge o nome completo de Vila Nova de Milfontes é carta de doação da dízima nova de pescado desta vila e da de Sines a Vasco da gama, datada de 10 de janeiro de 1500" (A.M.Q.).

O Forte foi edificado entre 1599 e 1602, tentando defender a povoação dos constantes ataques de corsários e piratas, tendo-se a vila desenvolvido gradualmente a partir dessa data.

As insígnias da Ordem de Santiago na Igreja Matriz provam que este território (veja-se Palmela, santiago do cacém, Colos, Cercal, Alvalade do Sado, entre tantos outros domínios do actual Alentejo) foi pertença da Ordem dos Espatários, a que tanto deve a formação de Portugal.

Pertence ao concelho de Odemira, onde são também conhecidos vestígios arqueológicos imemoriais, destacando-se os correspendentes à conhecida e ainda indecifrável escrita do Sudoeste, da Idade do Ferro.

Odemira, hoje capital concelhia (outrora o Cercal partilhou o mesmo "território administrativo"), foi conquistada por D. Afonso Henriques em 1166, teve foral outorgado por D. Afonso III, que foi renovado no tempo de D. Manuel.


(Agradeço a António Martins Quaresma o favor de me ter deixado consultar hoje um exemplar pessoal da monografia acima mencionada, uma vez que se encontra infelizmente esgotada).

sábado, 2 de agosto de 2008

Serpa: as minhas arquitecturas afectivas


  • Maria Luisa A Cobra da Quinta do Fidalgo

    Era uma Vez.... uma dama muito linda, fidalga, chamada Ana, que estava encantada e transfigurada em cobra, diferente das outras cobras por apresentar uma cabeça com farta cabeleira e uns olhos de fogo, muito vivos e brilh
    antes. Refugiava-se a Cobra junto de uma frondosa figueira ali, na Quinta do Fidalgo, à entrada da Vila. Esta Cobra aparecia na manhã de S. João, com um tesouro, muito rico de ouro e prata, para dar à pessoa que a desencantasse. Para se dar o desencanto a Cobra dizia: " Eu não engano ninguém e quem for corajoso que venha desencantar-me". Na verdade era precisa muita coragem para se desencantar a cobra da Quinta do Fidalgo, como aqui se conta. Primeiro era preciso gritar o nome da dama encantada: "Ana".
    Ao ouvir este nome a cobra transformava-se em touro que marrava a torto e a direito. Se o homem corajoso que chamasse pela dama "Ana" não mostrasse medo o touro transformava-se em Cão Preto. Se o homem continuasse a não manifestar receio o Cão Preto transfigurava-se em Cobra encantada que se aproximaria dele e se lhe enroscaria à cintura dando-lhe um beijo na face. Se o homem corajoso desse, então, sinais de medo ou repugnância a cobra mordê-lo-ia e o encanto continuaria. Se o homem valente não mostrasse qualquer temor dar-se-ia o desencanto, a cobra transformar-se-ia novamente na linda e nobre Senhora chamada Ana e o homem sem medo ficaria rico para toda a vida com o tesouro de ouro e prata.
    Esta é a lenda da Cobra da Quinta dos Fidalgos e há muitos anos que já se não fala nela. Ninguém sabe se apareceu o homem sem medo que tenha desencantado a dama chamada Ana.


















O reencontro.
O trabalho há que organizar.
No «Nora» pode-se ouvir música e dançar.




Diz a lenda que «a princesa Serpínia, que por desgosto de amor saiu da sua terra, se encantou com as formosas terras que seus belos olhos avistavam. (...) Perto corria o Ana. Por toda a parte se viam oliveiras, a garantir alimento, untura e luz na candeia». João Cabral, Arquivos de Sera, 1971.

As muralhas datam do século XIII, se bem que sejam conhecidos vestígios da Idade do Ferro, ocupação romana, visigótica e islâmica.
Foi conquistada por D. Afonso Henriques aos Mouros, em 1166.
Recebeu três cartas de foral (D. Afonso II, D. Dinis e D. Manuel, demonstrando como Serpa assumiu grande grande importância na idade Média e início da Época Moderna.
O rio e a fronteira tornaram-na uma cidade estratégica no controle militar e comercial.

O azeite, produzido daqueles penteados que as oliveiras fazem nos campos, o pão de Brinches e o queijo ... esse manjar que tem ganho prémios internacionais mas que, fundamentalmente, tanto bem nos faz ao paladar (e mal à linha ...), bem como o vinho são dos grandes patrimónios que Serpa tem e que vamos provar!
Mas ainda há os borregos cujas cabeças se passeiam, em Serpa, como noutros locais do Alentejo, em cima de bandejas (como se fossem a cabeça de S. João) e que dizem ser um pitéu dos céus.







O cante, sim, o cante .... nada direi ... apenas vou ouvir e chorar!

domingo, 20 de julho de 2008

Vale a pena conhecer Serpa: «Lá vem Serpa, lá vem Moura»



Por dois anos consecutivos realizaram-se em Serpa seminários dedicados ao «Parque fluvial do Guadiana», cordenado por Antonio Angelillo e João Nunes.
Um bom pretexto para pensar o território.
Para saber mais pode consultar-se http://www.acmaweb.com/
E já agora, se lá fôr, beba a melhor imperial de Portugal e prove os queijos da região. E passeie, passeie muito pelas ruas de Serpa.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Convento de Bom Jesus de Valverde


Que bom ter hoje podido ler e recordar o Convento de Bom Jesus de Valverde, cuja quinta ainda nos remete à meditação de frades Capuchos.
Relembrar os seus sistemas hidraúlicos, muros, capelas e a bela Igreja do convento, cuja origem remonta à construção do mesmo, mandado edificar pelo Cardeal D. Henrique.

Amanhã, ou seja, mais logo, lhe voltarei que a noite já vai longa.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A labareda imperial





















Susana, que bom ler-te. E que bom reencontar-te assim.
A falar da árvore da Eternidade, como para mim são as pedras daquele lugar.

Uma vez, já há algum tempo, lá plantei uma oliveira.
Não tem crescido bem, porque as ovelhas que estão nas tuas fotografias não a têm deixado medrar. Coisas que só os deuses sabem o que querem dizer!
Mas há dois zambujeiros que, virada ao templo, orando ao Sagrado que por Miróbriga paira no ar, também plantei.
Esses sim, estão lindos e verdes.
Que a tua visita, o teu olhar que tão bem viu o Sítio, lhe tenha trazido também um pouco mais do Tempo que o Tempo dá.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer, Salacia, Filomena Barata













































































Salacia foi sempre um "tampão" ... quem a controlasse tinha na sua mão um rio, o estuário, o mar por perto e a serra por trás de si.

Já de ocupação pré-romana (lembremos o escaravelho que denuncia trânsito orientalizante); as orantes e os guerreiros da Idade do Ferro e as lindíssimas cerâmicas de bandas pintadas), sendo um iimportante Opidum pré-romano ocupado desde, pelo menos, os séculos VII-VI a.C.  Roma tornou-a ainda mais forte e com a chegada dos Romanos assiste-se ao crescimento da Urbs Imperatoria Salacia referida por Plínio.
A Idade Média, quer a islâmica, quer a cristã consumaram a necessidade de assumir aquele território como fonte inesgotável de recursos e como sítio estratégico para qualquer dominação.

As Clarissas, séculos mais tarde, deram-lhe uma feição mais contemplativa, ficando delas rosários e contas, cruzes, linhas de bordar e doces que ainda hoje se podem provar em Álcacer do Sal

Inaugurada a cripta arqueológica do castelo, podem visitar-se as estruturas arqueológicas e os objectos trazidos aos nossos dias pelas escavações aí promovidas nas últimas décadas.

 «Castelo de Alcácer do Sal - Cripta Arqueológica».

Num local privilegiado como o castelo de Alcácer, de ocupação milenar, deseja-se que o aproveitamento turístico (que a Pousada aí construída pode ajudar a consumar) dos vários pólos museológicos de Alcácer possa contribuir para que esta região tenha, de novo, um papel axial.

Citando Esmeralda Gomes, «para a construção da Pousada D. Afonso II aproveitando as ruínas do Convento de Nossa Senhora de Aracaeli, em Alcácer do Sal, o IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico) levou a cabo escavações, que decorreram entre 1993 e 1997. Durante os trabalhos arqueológicos, foi posta a descoberto uma edificação, que, pelas suas características e espólio exumado, foi identificada como um lugar de culto. Nesse santuário, foi exumado um importante conjunto de estatuetas de bronze. Esses pequenos objectos representam figuras humanas e figuras de animais. As figuras humanas representam guerreiros (com escudo redondo numa mão e a provável adaga na outra mão) e orantes (personificação do penitente que pede ou agradece à divindade, tendo os braços erguidos em gesto de oração; a maioria estão nus e de sexo erecto). As imagens de animais representam grandes herbívoros, nomeadamente equídeos (cavalo ou burro), alguns bovinos (vaca, boi ou touro) e, excepcionalmente, uma única representa de cão. Pelas suas características são atribuíveis à II ª Idade do Ferro (V/IV antes de Cristo). No mesmo local, foram também recolhidas estatuetas de terracota e outros objectos correlacionáveis com a actividade religiosa do mesmo período, que se enquadram igualmente neste estudo. No presente trabalho, procura-se realizar uma descrição detalhada das peças votivas provenientes do castelo de Alcácer do Sal, assim como de outras com características semelhantes atribuíveis a Alcácer do Sal ou de proveniência desconhecida, que se encontram em distintas colecções museológicas. Estabelecem-se considerandos de diversa natureza quanto à interpretação e contextualização das peças».

in: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/488

Bibliografia Sumária sobre Salacia


 https://www.academia.edu/537824/Ainda_sobre_o_nome_pre-romano_de_Alcacer_do_Sal
GOMES, ESMERALDA HELENA PIRES, 2008, Os ex-votos proto-históricos do Castelo de Alcácer do Sal. Tese de Mestrado. Faculdade de Letras de Lisboa.
http://repositorio.ul.pt/handle/10451/488

LEITÃO, MartaSalacia Urbs Imperatoria
http://www.academia.edu/3239769/Salacia_Urbs_Imperatoria
Salacia Urbs Imperatoria
by Marta Leitão

"Com a rivalidade entre Roma e Cartago, no decorrer do século III a.C.,dá-se a entrada dos romanos na Península Ibérica, alastrando até esta região o conflito que se prolongava desde a posse do Mediterrâneo. Após a vitória dos romanos sobre os cartagineses, o confronto perdurava em território da Península Ibérica, os habitantes locais ofereceram um grande entrave à ocupação latina.
Os vários partidos que em Roma contraponham-se frente-a-frente, nas suas diferenças, e das guerras civis que ocorriam, irão levar este conflito até à Hispânia. Em particular a enorme oposição de Sertório, que tinha parte da população Ibérica do seu lado. Em 45 a.C. César vence os descendentes de Pompeu, com este panorama os seus delegados criam uma ocupação e pacificação de toda a Península Ibérica e a sua gradual romanização. É neste âmbito que Alcácer, evoluído de uma povoação da Idade do Ferro, passa a ser uma Alcácer romana.
Salacia, que Plínio regista como Salacia Urbs Imperatoria, no ano de 45 ou 44 a.C., prova que o recurso natural que abundava na área geográfica envolvente, o sal, vai dar contributo para o seu nome. Salário, de origem latina, era a palavra usada e que ainda hoje se confirma a sua importância deste recurso natural no mundo romano. Nesta povoação as moedas cunhadas, com idade semelhante acima mencionada, têm gravado “IMP(eratoria) SAL(acia)”. Os seus cidadãos pertencentes à tribo Galéria, devido à povoação ter sido transformada em município ou oppidum de direito latino, vai ganhar uma grande importância no panorama da Lusitânia".

Bibliografia sumária sobre Salacia (em construção)

Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. Fotografia Frederico Tátá Regala.


Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. Fotografia Frederico Tátá Regala.


 https://www.academia.edu/537824/Ainda_sobre_o_nome_pre-romano_de_Alcacer_do_Sal
GOMES, ESMERALDA HELENA PIRES, 2008, Os ex-votos proto-históricos do Castelo de Alcácer do Sal. Tese de Mestrado. Faculdade de Letras de Lisboa.
http://repositorio.ul.pt/handle/10451/488
LEITÃO, MartaSalacia Urbs Imperatoria
http://www.academia.edu/3239769/Salacia_Urbs_Imperatoria
Salacia Urbs Imperatoria
by Marta Leitão
"Com a rivalidade entre Roma e Cartago, no decorrer do século III a.C.,dá-se a entrada dos romanos na Península Ibérica, alastrando até esta região o conflito que se prolongava desde a posse do Mediterrâneo. Após a vitória dos romanos sobre os cartagineses, o confronto perdurava em território da Península Ibérica, os habitantes locais ofereceram um grande entrave à ocupação latina.
Os vários partidos que em Roma contraponham-se frente-a-frente, nas suas diferenças, e das guerras civis que ocorriam, irão levar este conflito até à Hispânia. Em particular a enorme oposição de Sertório, que tinha parte da população Ibérica do seu lado. Em 45 a.C. César vence os descendentes de Pompeu, com este panorama os seus delegados criam uma ocupação e pacificação de toda a Península Ibérica e a sua gradual romanização. É neste âmbito que Alcácer, evoluído de uma povoação da Idade do Ferro, passa a ser uma Alcácer romana.
Salacia, que Plínio regista como Salacia Urbs Imperatoria, no ano de 45 ou 44 a.C., prova que o recurso natural que abundava na área geográfica envolvente, o sal, vai dar contributo para o seu nome. Salário, de origem latina, era a palavra usada e que ainda hoje se confirma a sua importância deste recurso natural no mundo romano. Nesta povoação as moedas cunhadas, com idade semelhante acima mencionada, têm gravado “IMP(eratoria) SAL(acia)”. Os seus cidadãos pertencentes à tribo Galéria, devido à povoação ter sido transformada em município ou oppidum de direito latino, vai ganhar uma grande importância no panorama da Lusitânia".
PEREIRA, Carlos, 2013, Lucernas Romanas de Alcácer do Sal entre a prática e o sagrado. Al-Madan, II Série, 17. Tomo II
https://www.academia.edu/2464397/Lucernas_Romanas_de_Alcacer_do_Sal_entre_a_pratica_e_o_sagrado
Salacia (Alcácer do Sal).
lucerna de Alcácer do Salhttp://www.portugalromano.com/2011/12/imperatoria-salacia-alcacer-do-sal/
http://www.portugalromano.com/2011/12/as-moedas-romanas-de-urb-imperatoria-salacia-alcacer-do-sal/
Roteiro Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal. IGESPAR, 2007.




Miróbriga e o Dia dos Monumentos e Sítios



















Hoje, dia 18 de Abril, dia dos «Monumentos e Sítios», de tarde, poderá ir a Miróbriga ouvir falar do Sagrado em Período Romano.
http://mirobriga.drealentejo.pt

Recomendo a leitura de : La Religion Romana - Historia, política y psicológica, Jean Bayet, Ediciones Cristiandad, 1984.