quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A propósito dos Alentejanos no Facebook e de uma chocolateira (?)

Logo que o tempo me possibilite, dedicar-me-ei a este objecto.
Quis apenas assinalar, com alegria, o início de um novo ciclo do Grupo dos «Alentejanos no Facebook».

Esse território que guardarei sempre no mais fundo da minha pele.

Bem hajam!


Oscar Aires
uma cafeteira de outros tempos, utilizada por muitas familias alentejanas,sei que tem um nome ao qual peço o vosso auxílio.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Pax Iulia e Beja: Já ouviu falar de D. Beatriz, a «Rainha Velha» e das Cartas de Soror Mariana Alcoforado?


  • Avó Zézinha A Lenda de Beja

    «Há muitos, muitos anos atrás, no local onde se encontra hoje a cidade de Beja, vivia um pequeno povo em cabanas de colmo.

    Todos os campos lavrados e semeados que hoje avistamos, em redor da cidade de Beja, eram em tempos longíquos um grande matagal, onde o homem, em alguns sítios, quase não conseguia entrar. Assim, o povo que aqui habitava sobrevivia da caça que fazia na vasta floresta, que albergava um grande número de animais.
    Entre os animais que viviam nesta grande floresta, havia uma serpente monstruosa, maior do que podemos imaginar. Esta serpente gigante percorria todo o matagal que existia em redor da pequena povoação, devorando e destruindo tudo o que encontrava no seu caminho.
    Os habitantes viviam em constante sobressalto, pensando no dia em que poderiam encontrar nas suas caçadas a terrível serpente que, sem dó nem piedade, os devoraria num abrir e fechar de olhos, aliás, o que já acontecera a algumas infortunadas pessoas que saíram para as suas caçadas e nunca mais voltaram.
    Mas certo dia, um dos habitantes desta pequena povoação, conhecido pela sua coragem e mestria na resolução de problemas, teve uma brilhante ideia: envenenar um toiro e deitá-lo para a floresta onde existia a tenebrível serpente.
    Este valente homem reuniu o povo e explicou a sua ideia de envenenar um toiro e levá-lo para a floresta, onde seria certamente devorado pela serpente, que morreria envenenada ao comer o pobre animal. Depois de um longo debate, todos concordaram com esta arriscada ideia.
    Então, envenenaram um robusto toiro, que era visto esperançosamente como o salvador desta amedrontada gente, e partiram para a arriscada tarefa de colocá-lo na grande e perigosa floresta, onde a monstruosa serpente costumava fazer as suas vítimas.
    Com muito custo, lá conseguiram deixar o toiro na floresta. Contou que ouviu que, entre a serpente e o toiro, ainda houve uma tremenda luta, pois o toiro ainda estava vivo quando fora encontrado pela horrenda serpente. Mas o toiro foi vencido pelo efeito do veneno e foi devorado pela gigantesca serpente.
    Passados alguns dias, a serpente foi encontrada morta ao lado dos restos do toiro salvador.
    Diz-se então que a cabeça de toiro que se encontra no brasão da cidade de Beja originou desta lenda e representa também a riqueza da região em cabeças de gado»
Apartir de: «Lendas e Mistérios do Alentejo»




Bom dia amigos,
Na sequência do desafio lançado na passada semana, vamos hoje e até 4ª feira falar de Beja, sede de um dos maiores municípios de Portugal (em área geográfica).
Pax Julia para os Romanos, Paca para os Visigodos, Baja ou Beja para os Árabes
Em Beja nasceu Al-Mutamid, célebre rei-poeta que dedicou muitas das suas obras ao amor a donzelas e também a mancebos homens.
LENDA DE BEJA
Conta a lenda que quando Beja era uma pequena localidade de cabanas rodeada de um compacto matagal, uma serpente assassina era o maior problema da população. A solução para este dilema passou por assassinar a serpente, feito alcançado deixando um touro envenenado na floresta onde habitava a serpente. É devido a esta lenda que existe um touro representado no brasão da cidade.




À Susana Correia
que nuns dias frios, quando Beja já tinha o Natal quase à porta, me mostrou os caminhos, as formas de chegar a uma casa quente.

Mais logo voltarei a Beja, uma das "paisagens de barro e de pedra" que aqui se tratarão ...
Dessa cidade que, quiseram uns, tivesse origem em estacionamento latino, mas que parece ter sido já lugar de escolha de ocupantes da Pro-História, porque uma possível muralha da Idade do Ferro e materiais cerâmicos sidéricos o vieram comprovar.

Dessa cidade Visigótica, Muçulmana e Cristã, da Torre do Lidador.







Sabia que a construção do que hoje se denomina Museu Distrital de Beja se deve a D. Beatriz, conhecida como "Rainha Velha", ao que parece alcunha dada por Gil Vicente ? ...
Neta, mãe e sogra de reis, nunca foi rainha. Mas, mesmo assim, foi mulher de grandes posses e poder, tendo mesmo estado à frente dos destinos do Mestrado da Ordem de Cristo e foi agente directa da Epopeia dos Descobrimentos, tendo colaborado activamente com D. João II.

Para melhor conhecer esta personagem, leia a excelente obra de Fina d'Armada «O Segredo da Rainha Velha».


Fotografia: Janela onde (reza a história) séculos mais tarde Soror Mariana Alcoforado olhava a planície alentejana e onde se inspirava para escrever as suas célebres «Cartas Portuguesas».

















Imagens: Migas de espargos e de espinafres
Capitel de origem romana de Pax Iulia, Museu Distrital Rainha D. Leonor

Aí sim, onde hoje é Beja, parece terem os Romanos encontrado povos anteriores, apesar do nome que tinha a urbs latina, indiciando orgulhosamente fundação de raiz romana.

Mas não, pequenos fragmentos de cerâmica da Idade do Ferro Continental parecem comprovar que ali existiu povoamento precedente ao Romano.

No entanto, os capitéis de dimensão colossal, pertencentes a um templo que recentemente foi escavado pela Doutora Conceição Lopes da Universidade de Coimbra vergam qualquer habitante de época anterior ao jugo da Roma Imperial.





Mas dela, esbatido o Império, ficará a memória de um Mediterrâneo uno, sob o olhar do Cristianismo inicial, que no núcleo visigótico da Igreja de Santo Amaro tem os seus melhores testemunhos.

Al-Mu Tamid, nado em Beja e senhor de Sevilha, fará, em período islâmico, da sua cidade motivo de versejar.

Mas, no século XII, Beja verga-se a um novo Senhor, e o Mundo Cristão imperará de novo. Santa Maria (da Feira), entre outos lugares de culto cristão da Reconquista, cantará a vitória sobre o universo "mouro".

D. Dinis proclamará, na torre do castelo, a visibilidade de um novo poder, sobre a seara onde dizem que se consegue imaginar o mar, criando-o sobre os barros que, já outrora, haviam sido o território vital, um novo olhar, um novo mundo do poder.

Nos conventos imperará nova aristocracia e para ela, para a segunda dela, sem herança e sem decisão, porque era universo de mulheres, nascerá o Convento de Nossa Senhora da Conceição, onde Soror Mariana, uns séculos mais tarde, de uma janela olhando o vazio do amor que não retornará, escreverá as cartas imortais da sua paixão por um cavaleiro francês que a esqueceu.



Em S. Francisco que o tempo transformou de convento em pousada, ainda sob o claustro, existe uma sisterna de uma beleza sem par. Ao que se sabe data do século XIII a chegada a Beja dos frades franciscanos.


Agradeço a autorização para uso da fotografia a Bernardo de Oliveira Nunes.


Gostarei sempre de revisitar Beja, a cidade de todos os tempos, da Rua do Sembrano, onde a Susana me ensinou, um dia, a olhar os vestígios do tempo com outros olhos e os segredos que as pedras sabem contar.

E porque tantas saudades ainda a planura me faz...

Bibliografia sumária sobre Pax Iulia



FARIA, António Marques, 2001, Pax Iulia, Felicitas Iulia, Liberalitas Iulia, Revista Portuguesa da Arqueologia, Volume 4. número 2.
LOPES, M. C. (1996) -O território de Pax Iulia. Arquivo de Beja. Beja. Série 3. 2-3, p. 63-74.
LOPES, M. C. (1997) -L’occupation du sol dans le territoire de Pax Iulia (Beja). In ETIENNE, R.; MAYET, F., eds. -
Itinéraires lusitaniens. Trenteannées de collaboration archéologique luso française. Actes de la réunion tenue à Bordeaux les 7 et 8 avril 1995 à l’occasion du trentième anniversaire de la Mission Archéologique Française au Portugal. Paris: De Boccard, p. 157-178.MACMULLEN, R. (2000).
LOPES, M. C., 2007, A Civitas de Pax Iulia, Mérida, Évora, NOGALES BASARRATE, T. y OLIVEIRA CAETANO, J. (eds.)
https://www.academia.edu/4008686/LOPES_M._Conceicao_A_Civitas_de_Pax_Iulia

LOPES, M. C. (1996) -O território de Pax Iulia. Arquivo de Beja. Beja. Série 3. 2-3, p. 63-74.
LOPES, M. C. (1997) -L’occupation du sol dans le territoire de Pax Iulia (Beja). In ETIENNE, R.; MAYET, F., eds. -
Itinéraires lusitaniens. Trenteannées de collaboration archéologique luso- française. Actes de la réunion tenue à Bordeaux les 7 et 8 avril 1995 à l’occasion du trentième anniversaire de la Mission Archéologique Française au Portugal . Paris: De Boccard, p. 157-178.MACMULLEN, R. (2000) -
Romanization in the Time of Augustus
. New Haven; London: Yale University Press.
MANTAS, V. G. (1996a) -Em torno do problema da fundação e estatuto de Pax Iulia. Arquivo de Beja. Beja. Série 3. 2-3, p. 41-62.
 — em Beja

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Setúbal na Rede, Lembrando a Arqueologia


Maria Filomena Barata
Liga de Amigos de Miróbriga
Estando Caetobriga (Setúbal), a que já tantas vezes aqui nos referimos, incluída na Província romana da Lusitânia, não poderei deixar de registar os encontros que, e boa hora, se estão a desenrolar no Museu Nacional de Arqueologia.
Inserida no programa “Extremadura es Cultura” decorreram já nesse Museu três conferências, sendo a primeira delas, submetida ao tema "Lusitânia romana: um projecto de Portugal e Espanha". O tema foi apresentado por Trinidad Nogales Basarrete, Conselheira de Educação e Cultura do Governo da Extremadura, e António Carvalho, Director do Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa.
Interessante foi tomar conhecimento dos vários projectos de âmbito cultural já corporizados através de candidaturas financiadas pelo Quadro Comunitário, designadamente o INTERREG, e, principalmente, ver apontadas novas linhas de trabalho que se prevê venham a ser desenvolvidas em parceria, designadamente encontros sobre as cidades da Lusitânia e a eventual criação de itinerários entre as mesmas.
Lembramos que, em 2014, se comemora os 2.000 anos da morte de Augusto, esse imperador que pôs fim à guerra, originando a que foi conhecida por Pax Augusta.
Responsável por uma grande reforma administrativa, Augusto criou novas províncias na Iberia, tendo aparecido a Lusitânia, com capital em Mérida.
Citando Amilcar Guerra, “deve, em primeiro lugar, ter-se sempre presente que o termo Lusitani é uma criação romana e que a ideia de um território chamado Lusitania nunca chegou a consolidar-se antes da criação tardia de uma província romana comesse nome».
Data também do seu reinado a subdivisão em conventus, sendo o que abrangia uma vasta área do sul do território actualmente português o Conventus Pacensis, com capital em Pax Iulia (Beja), cuja designação fazia juz à Paz de Augusto. e a criação de outras importantes cidades da Lusitânia e outras províncias.
Assim, pese ser bem pequena a minha crónica de hoje, não posso deixar de referir que também a Associação Portugal Romano deseja juntar-se a essa efeméride através da edição de uma revista, em 2014, dedicada à obra de Augusto e vejo com algum optimismo que as realizações culturais ainda estão na agenda, salientando ainda a importância da conferência do Doutor Carlos Tavares da Silva, dedicada a Caetobriga, no próximo dia 16 de Novembro, na Casa da Cultura (Setúbal), pelas 21h 30m.
Crónica de Novembro de 2013, Setúbal na Rede.
Na fotografia: Pulseira proveniente de Miróbriga, Museu Municipal de Santiago do Cacém.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sabia que Santiago do Cacém muito sofreu com o Terremoto? (reed. de 13 de Agosto 2012)




Acima: No Museu Municipal de Santiago do Cacém. Homenagem a Dr. Cruz e Silva, fundador do Museu
                                                                                                Abaixo: Com António Chinita, GTL. 1992
.....


Ao Gentil Cesário, porque não posso ir ao lançamento do seu livro.
Ao José Matias que tanto me ensinou sobre Santiago do Cacém.
Ao António Chinita que melhor quis conhecer a cidade, enquanto coordenador do seu GTL.
Ao António Bairinhas que tão bem a fotografou.
Ao José Carlos Quaresma e Isabel Inácio pelo seu contributo no estudo que dedicámos à cidade e seu território, parte dele no âmbito do Programa Cultura 2000.
Hoje a todos eles, porque estando febril não os posso visitar, pese tantas serem as saudades!
















Santiago do Cacém tem sido, desde longa data, objecto de inúmeros estudos locais e de trabalhos científicos sistematizados.

A obra de Bernardo Falcão, no século XVIII, e o levantamento feito pelo padre António de Macedo e Silva, no século passado, são exemplos paradigmáticos da historiografia local, indispensáveis a qualquer tentativa de abordagem histórica.
As pesquisas arqueológicas que incentivou Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, no inic¡o do século passado, e as de Cruz e Silva, na década de 50 na centúria passada, e ainda as de

D. Fernando de Almeida, nos anos 70, são também exemplos da investigação que tem tido por objecto esta zona.
O guia toponímico de António Jacinto de Vilhena, de 1938, e fundamentalmente, o livro editado sobre a Toponímia das Ruas de Santiago do Cacém do professor Manuel João da Silva e uma mais recente monografia dedicada à cidade são os principais trabalhos nesse domínio.
Os estudos de João Madeira, Sérgio Bento e Maria Ascenção Beja dos Reis, editados nos Anais da Real Sociedade Arqueológica Lusitana e noutras publicações da especialidade, ou ainda não editados, são representativos da continuidade que a investigação tem tido em Santiago do Cacém, bem como os estudos de José Matias e o que agora editado de Gentil Cesário.

Mas se bem que muita documentação exista sobre a história deste aglomerado, podemos afirmar que ainda há muitas lacunas ao nível da compreensão histórica, fundamentalmente no que diz respeito aos primórdios do núcleo urbano. Para um melhor conhecimento dos per¡odos de ocupação menos conhecidos haveria que incrementar trabalhos arqueológicos no concelho que, recentemente, têm tido apenas intervenções pontuais.


                         O primeiro automóvel - Panhard Levassor - Conde Avilez (Santiago do Cacém) 1895


II - CARACTERÍSTICAS GEO-MORFOLÓGICAS

Santiago do Cacém fica situada no limite de uma faixa acidentada que se desenvolve a Este, constitu¡da pelos contrafortes da Serra de Grândola e do Cercal, de que Santiago se pode considerar a retaguarda.

A altímetria de Santiago varia entre 254m acima do n¡vel do mar, que corresponde ao ponto mais alto da colina onde está implantado o castelo, e os 200m, nas zonas mais baixas, que correspondem aos acessos viários entre o Cercal do Alentejo e Santiago.

A colina da Sra. do Monte, muito possivelmente um dos focos de crescimento urbano a partir do século XVI aproxima-se dos 224m.


A zona do Forum romano de Miróbriga situa-se, curiosamente, a uma cota altimétrica de aproximadamente 246m, numa situação geo-estratégica dominante, muito semelhante à que ocupará, mais tarde, o castelo.

Podemos concluir que existe aqui uma ocupação de "crista" e uma penetração de vale.

A oeste, uma faixa arenosa e plana estende-se praticamente até ao mar. Uma série de lagunas fazem o contacto entre a terra e o oceano, fertilizando as zonas mais interiores.

Não são bem conhecidas nesta zona as modificações das linhas da costa que deverão ter contribuído para alterações nas formações lagunares.

A cartografia desta zona representa, desde o século XVI, uma lagoa, denominada comummente como "da Pera" que se desenvolveria até Santiago do Cacém. Trata-se, muito provavelmente, de um erro de representação cartográfica, uma vez que ela era feita, na maioria dos casos, e até ao século XIX, por repetição de mapas anteriores, sem devida batida de campo.

No entanto, admitimos a exitência de uma lagoa que melhor favorecesse a relação entre o mar e as zonas mais interiores.


2 - RESUMO HISTÓRICO


São conhecidos vest¡gios de ocupação humana no território de Santiago desde o Paleol¡tico. Contudo, os mais marcantes, porque devem ter tido um importante papel como ordenadores do território, são os da cidade de romana adjacente a Santiago do Cacém.

Miróbriga, importante urbe latina, desenvolveu-se assim numa das colinas fronteiras a Santiago do Cacém, denotando a preocupação geo-estratégica dos seus fundadores proto-históricos.
A dominação romana evidencia a estruturação do território, quer sob o ponto de vista pol¡tico-religioso e administrativo, quer comercial. Os eixos de comunicação estabilizam-se com a romanização e, embora não sejam conhecidos vest¡gios de estradas vicinais, a teia de relações entre Miróbriga e Sines (muito provavelmente o porto que servia esta cidade) a Oeste, entre Salacia e Caetobriga e Tróia, a Norte, e entre Miróbriga e o interior deve ter-se afirmado.
A ponte do Cacém, possivelmente constru¡da no século XVI, deve sobrepôr-se a um caminho anterior que ligaria a Sines. Não se conseguiu detectar, no entanto, na construção desta ponte indíc¡os da sua origem romana.
Uma outra estrada uniria Miróbriga a Beja, passando pela zona de Aljustrel (centro mineiro) e, talvez, por Alvalade do Sado ( onde existem vest¡gios de antigas Villae e que deveria ser um grande centro de fornecimento de produtos agr¡colas na região). Para Sul, muito provavelmente se faria a ligação através do Cercal (onde, embora desconhecidos testemunhos de mineração romana, deveria certamente ter havido importante exploração que, na actualidade, mantém o seu vigor) em direcção a Vila Nove de Milfontes. A cartografia que consultámos demonstra estas ligações, ao longo de séculos (o mapa mais antigo que encontrámos data do século XVI).

Segundo Estrabão, as cidades romanas mais importantes do Sul são as que se situam junto dos rios, canais ou do mar, sendo o comércio o grande responsável pelo desenvolvimento do urbanismo.
Miróbriga, situada num cruzamento de eixos onde se interligam várias actividades extractivas e provida, como já anteriormente dissémos, de uma favorável posição geo-estratégica, deve ter-lhe devido o seu crescimento. O rio Sado, relativamente próximo, e o mar eram os ve¡culos de transporte dos bens e das gentes.
Continuam sem ser bem conhecidos o per¡odo de domínio "bárbaro" (visigótico?) e muçulmano, podendo afirmar-se o mesmo em relação aos primórdios da Reconquista Cristã.
Nos arredores de Santiago, apareceram vest¡gios arqueológicos, mais especificamente dois sarcófagos, que indiciam uma população de primitivos cristãos, mas desconhecem-se os povoados que lhes corresponderiam.
O aglomerado urbano foi, nesse per¡odo, esvaziado do seu poder centralizador, dada a fragmentação do Estado romano e do poder, que passa a depender dos grandes proprietários e dos chefes militares."A relação jurídica entre o pólo urbanizado da cidade e o territ¢rio envolvente do seu distrito começam a quebrar-se", utilizando as palavras de Carlos Alberto Ferreira de Almeida.

Muito possivelmente no per¡odo islâmico, a ocupação humana transferiu-se para a colina do castelo.
D. Fernando de Almeida, arqueólogo responsável por algumas campanhas de escavação em Miróbriga, adiantava a hipótese de a¡ ter existido um castellum romano no qual assentaria o castelo. Não existem, no entanto, até à presente data, quaisquer documentos ou dados arqueológicos seguros que o possam assegurar. As escavações arqueológicas dirigidas por Sérgio Bento na tulha do castelo deram alguns materiais que foram classificados como árabes, se bem que numa reduzid¡ssima quantidade.
No "termo" de Santiago a toponímia e o vocabulário, fundamentalmente o ligado às actividades agrícolas que, no passado, como hoje, definiram o carácter económico da região, atestam marcante influência muçulmana.

É sabido que "com a organização do estado cordovês, islâmico, sob os emires, o território português fica dividido, a sul do Tejo, em duas Koras, ditas de Beja e de Ossónoba.
A existência de um governador à cabeça de um território, dotado de um corpo militar, cria a necessidade de um castelo-alcáçova que garanta a segurança. Santiago do Cacém pode ter assumido o controle de um determinado território, mas como já foi referido, nada nos permite afirmá -lo convictamente.

Não obstante, é muito comum na orla do Mediterrâneo, sobretudo no mundo muçulmano, que "os novos detentores do poder (se fixem) nas mesmas cidades do que os romanos, embora com algumas transferências de lugar, e mantêm, portanto o vigor da civilização urbana. O mundo árabe não n¢mada adopta a fixação espacial do poder em centros urbanos e, consequentemente, assegura a continuação das cidades.
Já não acontece assim com o mundo feudal. O poder político fragmenta-se. As funções estatais caem nas mãos dos senhores privados leigos ou religiosos.(...) As cidades só voltam, e, ainda assim lentamente, a recuperar o seu dom¡nio sobre os seus termos, quando nela se fixam, de novo, os princípes e reis, quer façam a¡ a sua residência permanente ou temporária, quer a¡ se apoiem em delegados seus para governarem territórios mais vastos, quer o fa‡am directamente. Ou então, quando os senhores feudais, leigos ou eclesiásticos, acabam por dominar territórios mais vastos , e se tornam assim de recursos sufucientes para concentrarem o poder pol¡tico num ponto, atraindo, então, mesteirais e mercadores (José Mattoso in Cidades e História).

Os primórdios da Reconquista Cristã são também mal conhecidos. Dada a posição geográfica que tem este s¡tio e dados os avanços e recuos dos cristãos no termo de Álcacer, a data da tomada de posse deste território pelos cavaleiros cristãos deve situar-se entre 1218 (quando se reconquistou Alcacer) e 1234, quando é tomada Aljustrel.
Esta zona deveria, então, passado para a mão dos Espatários que, no interior da fortaleza, deveriam albergar alguns elementos da Ordem.

No entanto, para um estudo pormenorizado da Reconquista haveria que conhecer melhor a geo-estratégia utilizada pelos Cristãos e as relações pol¡tico-diplomáticas entre árabes e soldados de Cristo e ainda a autonomia das Ordens Religiosas. Este estudo está nesta área ainda por fazer.
A Reconquista deve, no entanto, ter-se feito ao longo dos vales, penetrando em territ¢rios controlados por praças eminentemente defensivas e que ocupavam terras férteis e economicamente desejadas.
Só as Ordens Religiosas estão capacitadas, dada a sua organização, a responder às necessidades da Reconquista; só elas podem assegurar, nessa época, os recrutamentos e treinos militares sistem ticos, colectar e investir as rendas, angariar povoadores e reconstruir núcleos devastados. A Ordem de Santiago, a mais poderosa a Sul do Tejo e que possui a mais vasta extensão de terras, controla as pricipais povoações e portos, acumula privilégios fiscais, o que contribuir para que se torne autónoma em relação a Castela em finais do século XIII.

Datam do reinado de D. Dinis os primeiros documentos conhecidos sobre privilégios dados a este lugar, que obteve com D. Manuel a confirmação do seu foral.


4 - A FUNDAÇÃO DE SANTIAGO E A EVOLUÇÃO URBANÍSTICA
PERÍODO MEDIEVAL

Em Portugal, a criação de meios urbanos capazes de colonizar as terras conquistadas aos muçulmanos, atraindo colonos com benef¡cios e foros especiais, permitiu o desenvolvimento concelhio, fundamentalmente a partir de D. Afonso III. " No que toca à legislação, o direito municipal estava praticamente terminado com Afonso III" (4 - O Espaço Medieval da Reconquista no Sudoeste da Pen¡nsula Ibérica, p. 19).

O surto económico dos aglomerados urbanos, a partir do século XIII, e a dinâmica dos seus burgueses com o apoio da iniciativa régia, irão dar às cidades um novo papel, muito relevante, na administração regional, tornando-as cabeça de territ¢rios, mais ou menos extensos. Toda a cidade procura ter um "termo", sobre o qual tem direitos judiciais ou outros, tais como o de impor - sempre com a autorização régia, mas de algum modo ainda "senhorialmente" - tributos para as suas obras "públicas", sejam muralhas, calçadas ou novos arruamentos"((5 - Carlos Alberto Ferreira de Almeida in As Cidades e a História, p. 137).
A partir do século XII, concorre, com ela (cidade), a palavra "vila", com sentido novo, de aglomerado cercado, urbanizado, não episcopal.(...) "Fazer vila" significava, nesse tempo, cercar uma povoação com uma obra defensiva" (6 idem, ibidem, p.138)

Em carta de 1285, D. Dinis confirma "ao concelho de Santiago do Cacem" os seus "foros escritos, e seus usos e seus custumes boons, assim como ouveram em tempo de meu padre, e de meus avoos. ( 7 -ANTT, Gaveta 14, Maço 8, Documento 9).
Em chancelaria de D. Afonso IV , este monarca refere-se a um montado da "dita vila de Samtiaguo de seu termo" (8 - ANTT, Livro de Guadiana, Folha 50 verso). Em 1363, o mesmo rei confirma os privilégios da "vila" de Santiago (9 - ANTT, Gaveta 14, Maço 3, Documento 18), acontecendo o mesmo no reinado de D. Fernando:" D. Fernando pela Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves a quantos esta carta virem fa‡o saber que eu querendo fazer graça e mercê ao concelho, e homens bons de Santiago do Cacém outorgo-lhes e confirmo todas as honras e privilégios e liberdades que lhes foram dados e outorgados pelos reis que antes de mim foram, e todos seus bens foros, e usos e costumes que sempre houveram, e mando que os hajam, e usem deles pela quiza que as houverem, e usaram até à morte de El-Rei meu pai a quem Deus perdoe (...) (10 - ANTT Gaveta 14, Maço 3, Documento 28).

Fernão Lopes, na Crónica de D. João I, refere esta vila como um dos "logares que teveram voz por Portugall", confirmando, deste modo o partido que Santiago tomou pela causa do mestre de Avis.


A muralha ou cerca, característica da cidade medieval, define a fronteira entre a vida urbana e a rural , marca a dominação estratégica de um território, veda um espaço, controla as entradas e a cobrança de portagens e dá ao aglomerado um prestígio maior.
No sudoeste peninsular, muitos núcleos urbanos assumem um recúo em relação ao litoral, e possuem, muitas vezes, um canal fluvial de ligação à costa, condições que criam o controlo de uma bacia mais ou menos vasta.

A partir do século XIII, o movimento comercial marítimo aumenta, provocado pela expansão demográfica e urbana e pelo melhoramento dos meios de transporte, principalmente os mar¡timos. Os núcleos populacionais situados perto do mar reflectem, portanto, essa expansão, que se manifesta através do aparecimento de novos bairros burgueses que crescem, em muitos casos, fora das muralhas. Nestes novos burgos com arruamentos artesanalmente e especializados, como a Rua dos Açougues, Rua dos Couros, Rua da Sapataria, da Ferraria, etc."( 9 - p.140), passa a haver uma nova dinâmica urbana e uma população que tende a aumentar, organizando-se em confrarias, corporações, vizinhanças."É, tendencialmente, junto destes mesteres e nestes novos burgos que, por todos os motivos, até institucionais, se começam a estabelecer as novas ordens mendicantes, os franciscanos e os dominicanos" (...) Este tipo de expansão da cidade, fazendo-se na direcção dos principais acessos, e servindo as diferentes direcções, deu azo a um urbanismo tendencialmente radioconcentrico, tão t¡pico da Idade Média(10 - idem, ibidem, p.140).

O castelo de Santiago, de fundação templária, passou às mãos da Ordem de Santiago em 1186.


Em Santiago do Cacém, as ruas escorrem pelo declive da colina, não acontecendo o desenvolvimento radioconcentrico comum às cidades medievais, mas um crescimento mais radial.
A topografia, as condições climatéricas e estratégicas definem, deste modo, um outro modelo urban¡stico: bem abrigada dos ventos marítimos, a povoação vai crescer usando apenas a vertente nordeste da colina, protegida pela fortificação que a encima. O castelo e a igreja funcionam como o poder atractivo dessas vielas, onde se vão definindo especializações profissionais e que, gradualmente, se vão interligando entre si.

A toponímia de Santiago é clara quando atribui a ruas antigas os nomes de Rua dos Mercadores, Rua do Açougue.

A Rua da Carreira deve, possivelmente, o seu nome ao facto de ser a¡ a principal via de acesso à vila, do lado poente, para quem vinha de Sines, Relvas Verdes, Valverde .

Na sequência de uma troca havida entre a Ordem de Santiago, em 1314, parece ter-se fixado na vila D. Bataça, que herdara grandes dom¡nios por morte de D. Dinis. José António Falcão atribui à fixação da sua corte senhorial no paço do castelo e de mercadores, como Estevão Anes e sua fam¡lia, que, por esse motivo, a¡ se instalaram, o grande incremento urbano que se sentiu nessa época. O mesmo autor afirma ter-se devido a D. Bataça a edificação de um hospital-hospício, sob a invocação do Espírito Santo e a reconstrução da Igreja Matriz.
A povoação terá regressado ao controle da Ordem de Santiago após a morte de tão poderosa donatária, em 1336.

Em 1477, a vila ‚ doada ao comendador Pero Pantoja pela Ordem de Santiago.

O novo poder municipal parece ter-se sediado, em Santiago do Cacém, num dos pólos extra-muralhas - O Campo de Santa Maria, hoje denominado Largo do Conde do Bracial, onde se vão edificar os Paços do Concelho, O Hospital do Espírito Santo e a Misericórdia, com a respectiva igreja, onde se encontra um belo portal manuelino.


Assim, pode dizer-se que a partir de meados do século XV se encontrava formado o núcleo essencial da localidade, estruturado ao longo de cinco pólos de dinamização urbana: O Rossio, isto é, o Campo de Santa Maria, que coincide sensivelmente com a actual Praça do Conde do Bracial, a Carreira - Rua dos Condes de Avilez -, as ruas Direita - Dr. Francisco Beja da Costa -, Quente - Fonseca Achaiolli - e dos mercadores - Padre António de Macedo.
Símbolo do poder municipal por excelência, o pelourinho actual foi reconstruído em 1845, substituindo o antigo, muito degradado, datado do século XVIII, que havia sido construído com uma coluna proveniente de Miróbriga.
O pelourinho original, muito possivelmente da época dos Forais Novos de D. manuel, havia sido destruído com o terramoto de 1755. Localiza-se, portanto, nessa praça denominada Conde do Bracial, onde também funcionavam as Casas da Câmara e onde se instalarão também, mais tarde, palácios da nova nobreza oitocentista.


Maria José Ferro cita a existência de uma judiaria em Santiago do Cacém, atestada pelo topónimo da Rua da Judiaria - actual Travessa da Central Eléctrica.

O século XIX e o acelerado crescimento urbano que o assiste vão originar grandes alterações urbanísticas, tendo sido construído o Antigo Passeio Público, aberto em 1840. Em inícios do século XX, possuía coreto e foi local de convívio até 1920.

O Passeio Público conhecido por "Passeio das Romeirinhas" circunda toda a meia encosta da colina do castelo, sendo um miradouro da área envolvente, até ao mar, de eleição.


Mas a merecer nota são ainda em Santiago do Cacém os seus chafarizes, os moinhos e pequenas ermidas que, como atalaias ocupam as zonas de crista, para não falar dos belos exemplares que, no século XX, a arquitectura modernista conseguiu construir na cidade.









Sintetizando, poderíamos referir como grandes marcos da evolução urbana:


•OCUPAÇÃO ISLÂMICA – ÁREA DO ACTUAL CASTELO
•CONQUISTA CRISTÃ – ORDEM DE SANTIAGO DE ESPADA E REINADO DE D. DINIS (FORAL, DOAÇÃO A D. VATAÇA, MUNICÍPIO)
•SÉCULO XVI – INCREMENTO EM SERVIÇOS PÚBLICOS (MISERICÓRDIA, ENRIQUECIMENTO DOS EDIFÍCIOS EXISTENTES)
•TERRAMOTO DE 1755 – DESTRUÍÇÃO E RECONSTRUÇÃO DA VILA
•SÉCULO XIX – FONTISMO – (EXTINÇÃO DAS ORDENS MILITARES – CRIAÇÃO DE UMA BURGUESIA RICA, E CRESCIMENTO URBANISTICO)
•IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA – REMODELAÇÃO DE ESPAÇOS RELIGIOSO





Fotografias a cores: António Bairinhas
Fotografias a preto e branco: Autor desconhecido (meados do século XX) e Revista Panorama, 1843.



Cartografia: Serviços de Engenharia Militar do Exército.


Nas duas primeiras gravuras, publicadas nos Annais do Município de Santiago do Cacém, em 1866 representando o mesmo pano de muralha do castelo (Este).
À esquerda representa o que se imaginava ser o castelo na sua fase inicial – século XIII.


A gravura da direita representa o castelo, em avançado estado de ruína em 1850, onde se destaca a presença da Igreja Matriz já com a sua fachada em estilo barroco tardio.

Sobre os efeitos do Terramoto, recomendo a leitura da obra de Gentil Cesário:


sexta-feira, 24 de maio de 2013

[Setúbal na Rede] - Patrimónios de Maio

[Setúbal na Rede] - Patrimónios de Maio


Filomena Barata
Liga de Amigos de Miróbriga

Patrimónios de Maio


Está quase Maio a findar. Esse mês que dizem ser das rosas e de tantas flores mais.
Recordo Miróbriga, Santiago do Cacém, e os visitantes que ali se deslocavam durante este mês de propósito para ver as colinas da cidade romana, repentinamente cobertas de um vermelho dançante das papoilas que a invadiam.
Maio é também o mês dessas flores que eram atributo de Hipno, a personificação do sono, da sonolência e irmão gémeo da morte a que Romanos fizeram equivaler a Somnus.
Segundo o escritor Ovídio, poeta latino do século I d.C. (17 ou 18 d.C.), autor de uma vasta obra, mas de que destaco o poema mitológico «Metaformoses», o deus Mercúrio carregou os sonhos de Morfeu do Vale dos de Somnus aos seres humanos dormentes.  Já muitas centúrias antes, Hesíodo, no século VIII, também ele poeta, dizia que a divindade era filho sem pai de Nix (Νύξ, "noite"), a escuridão, Géia, a deusa das Trevas Primordiais ou da Terra no momento da criação. Teve Somnus muitos irmãos, entre os quais o mais importante é seu irmão gêmeo Tânato, (Θάνατος, "morte") a personificação da morte.
Mas a papoila bailante dos nossos campos aparece também associada a Deméter, a deusa da fertilidade e do trigo, considerado símbolo da Civilização, enquanto capacidade dos humanos moldarem a Natureza e das Estações do ano. A papoila era, sem dúvida, a sua flor. 

Teve Deméter uma filha do seu irmão Zeus chamada Perséfone que vivia meio ano nas profundezas da Terra e outra metade vinha ajudar a sua mãe. Com o seu regresso inaugurava-se a Primavera, marcado pelo Equinócio da Primavera.

Mas regressando a Miróbriga, embora lá não tendo podido ir este ano, foi um dos locais que recomendei para visita no passado dia 18 de Maio, Dia dos Museus, embora não se tratando propriamente de um Museu no sentido tradicional, mas de um Centro Interpretativo.

Ao tema dos Museus não me prenderei muito, pese ter-me dado o destino de nele nascer, uma vez que a anterior crónica da autoria de Joaquina Soares bem chamava já a atenção para a efeméride. Contudo, gostaria de chamar a atenção para alguns acontecimentos ocorridos no mês de Maio: a formalização da Associação Portugal Romano de que já aqui falámos e que desejamos possa vir futuramente a fazer parcerias quer com Museus ou outras entidades que visem a preservação do Património Móvel e imóvel de origem romana e que deve parte da actividade que tem desenvolvido ao apoio de alguns Museus de que não poderemos deixar de omitir o Museu do Carmo e o aMAEDS


Contudo, gostaria de chamar a atenção para alguns acontecimentos ocorridos no mês de Maio: a formalização da Associação Portugal Romano de que já aqui falámos e que desejamos possa vir futuramente a fazer parcerias quer com Museus ou outras entidades que visem a preservação do Património Móvel e imóvel de origem romana e que deve parte da actividade que tem desenvolvido ao apoio de alguns Museus de que não poderemos deixar de omitir o Museu do Carmo e o  MAEDS, O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, bem como o Centro Interpretativo de Miróbriga a que acima me referi,
Mas também Maio pôde ter em simultâneo três exposições dedicadas ao Mundo Romano, desta feita, no Museu Nacional de Arqueologia: A mostra dedicada à olaria romana da Quinta do Rouxinol que, a propósito de ali ter estado aberta ao público durante dois anos, sempre com visitantes, será pretexto para a realização uma “Jornada de Reflexão”, destinada ao público em geral, a docentes, investigadores e estudantes na área da Arqueologia, Museologia, Património, mas, também, da Gestão Cultural e da Sociologia da Cultura, e a todos os outros agentes culturais, no Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia no próximo dia 27 de Maio, a partir das 14h30m.
Uma outra, dedicada ao Monte dos Castelinhos (Castanheira do Ribatejo), inaugurada no passado dia 17 e que, através deste importante sítio arqueológico, nos dá a conhecer um pouco da Conquista Romana do Vale do Tejo, tanto mais que neste local, atravessado por duas das mais importantes vias de comunicação da antiguidade, permitiu conhecer um vasto conjunto urbano, datado do século I a.C. Sobre este importante Sítio Arqueológico foi editado um catálogo, numa parceria entre o Município de Vila Franca de Xira e o seu Museu e a Direcção Geral do Património Cultural, através do MNA, tal como aconteceu com a mostra.
Ainda uma terceira exposição foi inaugurada no dia 18 de Maio, dedicada à Villa Romana do Rabaçal e ao conjunto monumental dessa grande casa agrícola. Também esta exposição é fruto de uma parceria entre as entidades municipais de Penela, designadamente o seu Museu, e da Administração Central.
Bam haja, portanto, o mês de Maio e o Património que, pese todas as dificuldades, se vê ainda, aqui e ali, florir.





quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Ammaia está de parabéns! E hoje lhe regressarei ... (actual. Março 2010)

















A Fundação Gulbenkian atribuiu o prémio «Vasco Vilalva - Para a recuperação e Valorização do Património" à Fundação Cidade de Ammaia.
Este prémio visa distinguir as instituições que se evidenciaram na Salvaguarda do Património, tendo considerado que o trabalho de investigação e de Apresentação ao Público desenvolvido nesta cidade romana - fundada no século I a.C. com ocupação até ao século VII - se bem que gradualmente abandonada a partir do século IV, deveria ser destacado.

Este núcleo urbano cujas estruturas arqueológicas melhor conhecidas são a sua Porta Sul, as termas e o podium de um templo, parece ter tido cerca de 20 hectares, defendendo os arqueólogos a existência de uma basílica, um teatro e de um anfiteatro.

Na mesma altura em que foi homenageado o trabalho aqui desenvolvido, foi apresentado o projecto «Radio-Past» -Radiografia da Cidade Romana de Ammaia», que pretende através de métodos e abordagens integradas e não destrutivas contribuir para "compreeender e valorizar sítios arqueológicos complexos".


Sobre este Sítio Arqueológico, poderá consultar:


http://www.portugalromano.com/20...


.................


Vale a pena, portanto, persistir!
Hoje o dia será dedicado a pensar no seu Museu.


.................
Se puder, aproveite bonita luz do Outono, vá até ao Alto Alentejo e quede-se por Marvão, porque vale mesmo a pena estar e conhecer.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Alentejanos no Facebook, uma nova etapa


Em tempos, havia desejado fazer um trabalho de fundo sobre o Alentejo através dos seus recursos, tendo como pano de fundo os QUATRO ELEMENTOS: TERRA, ÁGUA, FOGO E AR.
Partia do princípio que a todos eles correspondia um conjunto de recursos e de actividades em seu redor.
Acabados de tratar os concelhos do Alentejo na etapa que terminámos, venho assim propor uma nova abordagem temática.
A TERRA será a primeira a ser tratada, pois à volta dos recursos agrícolas, agro-pecuários e da pastorícia se fixaram as gentes, desde a Pré-História, no Alentejo.
A ÁGUA faz do Alentejo uma Mesopotâmia e foram os rios, as represas e barragens que permitiram alagar terras e fertilizá-las e ainda trocar produtos, pois muitos deles eram navegáveis e escoavam os produtos agrícolas e os minérios.
O FOGO permitiu manipular os minérios e produzir carvão. É o FOGO que permite que nos fornos do Alentejo se coza o pão e se faça o Borrego assado e tantos outros pitéus.
O AR, como essência etérea, é aqui o elemento que servirá de base para o tratamento do SAGRADO, pois também desde tempos imemoriais o Homem não só se fixou como se relacionou com o Divino de várias formas e de acordo com todas as culturas e povos que ocuparam este território.
Será também o elemento escolhido para representar a música.

Contudo, gostaria de ter da parte dos aderentes um comentário sobre a proposta de organização do nosso GRUPO, pois implicará de todos nós uma nova forma de partilhar a informação.
Paralelamente, tentaremos ir dando conta dos acontecimentos culturais que considerarmos relevantes.
Fica o repto e a enorme vontade de continuar.

Ao Luís Milhano agradeço ter-me convidado um dia para esta viagem e a confiança que em mim depositou!

Ao João Simas, colega e amigo de longa data, que, doravante, comigo o admnistrará o meu obrigada por ter aceite.