sexta-feira, 24 de maio de 2013

[Setúbal na Rede] - Patrimónios de Maio

[Setúbal na Rede] - Patrimónios de Maio


Filomena Barata
Liga de Amigos de Miróbriga

Patrimónios de Maio


Está quase Maio a findar. Esse mês que dizem ser das rosas e de tantas flores mais.
Recordo Miróbriga, Santiago do Cacém, e os visitantes que ali se deslocavam durante este mês de propósito para ver as colinas da cidade romana, repentinamente cobertas de um vermelho dançante das papoilas que a invadiam.
Maio é também o mês dessas flores que eram atributo de Hipno, a personificação do sono, da sonolência e irmão gémeo da morte a que Romanos fizeram equivaler a Somnus.
Segundo o escritor Ovídio, poeta latino do século I d.C. (17 ou 18 d.C.), autor de uma vasta obra, mas de que destaco o poema mitológico «Metaformoses», o deus Mercúrio carregou os sonhos de Morfeu do Vale dos de Somnus aos seres humanos dormentes.  Já muitas centúrias antes, Hesíodo, no século VIII, também ele poeta, dizia que a divindade era filho sem pai de Nix (Νύξ, "noite"), a escuridão, Géia, a deusa das Trevas Primordiais ou da Terra no momento da criação. Teve Somnus muitos irmãos, entre os quais o mais importante é seu irmão gêmeo Tânato, (Θάνατος, "morte") a personificação da morte.
Mas a papoila bailante dos nossos campos aparece também associada a Deméter, a deusa da fertilidade e do trigo, considerado símbolo da Civilização, enquanto capacidade dos humanos moldarem a Natureza e das Estações do ano. A papoila era, sem dúvida, a sua flor. 

Teve Deméter uma filha do seu irmão Zeus chamada Perséfone que vivia meio ano nas profundezas da Terra e outra metade vinha ajudar a sua mãe. Com o seu regresso inaugurava-se a Primavera, marcado pelo Equinócio da Primavera.

Mas regressando a Miróbriga, embora lá não tendo podido ir este ano, foi um dos locais que recomendei para visita no passado dia 18 de Maio, Dia dos Museus, embora não se tratando propriamente de um Museu no sentido tradicional, mas de um Centro Interpretativo.

Ao tema dos Museus não me prenderei muito, pese ter-me dado o destino de nele nascer, uma vez que a anterior crónica da autoria de Joaquina Soares bem chamava já a atenção para a efeméride. Contudo, gostaria de chamar a atenção para alguns acontecimentos ocorridos no mês de Maio: a formalização da Associação Portugal Romano de que já aqui falámos e que desejamos possa vir futuramente a fazer parcerias quer com Museus ou outras entidades que visem a preservação do Património Móvel e imóvel de origem romana e que deve parte da actividade que tem desenvolvido ao apoio de alguns Museus de que não poderemos deixar de omitir o Museu do Carmo e o aMAEDS


Contudo, gostaria de chamar a atenção para alguns acontecimentos ocorridos no mês de Maio: a formalização da Associação Portugal Romano de que já aqui falámos e que desejamos possa vir futuramente a fazer parcerias quer com Museus ou outras entidades que visem a preservação do Património Móvel e imóvel de origem romana e que deve parte da actividade que tem desenvolvido ao apoio de alguns Museus de que não poderemos deixar de omitir o Museu do Carmo e o  MAEDS, O Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, bem como o Centro Interpretativo de Miróbriga a que acima me referi,
Mas também Maio pôde ter em simultâneo três exposições dedicadas ao Mundo Romano, desta feita, no Museu Nacional de Arqueologia: A mostra dedicada à olaria romana da Quinta do Rouxinol que, a propósito de ali ter estado aberta ao público durante dois anos, sempre com visitantes, será pretexto para a realização uma “Jornada de Reflexão”, destinada ao público em geral, a docentes, investigadores e estudantes na área da Arqueologia, Museologia, Património, mas, também, da Gestão Cultural e da Sociologia da Cultura, e a todos os outros agentes culturais, no Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia no próximo dia 27 de Maio, a partir das 14h30m.
Uma outra, dedicada ao Monte dos Castelinhos (Castanheira do Ribatejo), inaugurada no passado dia 17 e que, através deste importante sítio arqueológico, nos dá a conhecer um pouco da Conquista Romana do Vale do Tejo, tanto mais que neste local, atravessado por duas das mais importantes vias de comunicação da antiguidade, permitiu conhecer um vasto conjunto urbano, datado do século I a.C. Sobre este importante Sítio Arqueológico foi editado um catálogo, numa parceria entre o Município de Vila Franca de Xira e o seu Museu e a Direcção Geral do Património Cultural, através do MNA, tal como aconteceu com a mostra.
Ainda uma terceira exposição foi inaugurada no dia 18 de Maio, dedicada à Villa Romana do Rabaçal e ao conjunto monumental dessa grande casa agrícola. Também esta exposição é fruto de uma parceria entre as entidades municipais de Penela, designadamente o seu Museu, e da Administração Central.
Bam haja, portanto, o mês de Maio e o Património que, pese todas as dificuldades, se vê ainda, aqui e ali, florir.





quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Ammaia está de parabéns! E hoje lhe regressarei ... (actual. Março 2010)

















A Fundação Gulbenkian atribuiu o prémio «Vasco Vilalva - Para a recuperação e Valorização do Património" à Fundação Cidade de Ammaia.
Este prémio visa distinguir as instituições que se evidenciaram na Salvaguarda do Património, tendo considerado que o trabalho de investigação e de Apresentação ao Público desenvolvido nesta cidade romana - fundada no século I a.C. com ocupação até ao século VII - se bem que gradualmente abandonada a partir do século IV, deveria ser destacado.

Este núcleo urbano cujas estruturas arqueológicas melhor conhecidas são a sua Porta Sul, as termas e o podium de um templo, parece ter tido cerca de 20 hectares, defendendo os arqueólogos a existência de uma basílica, um teatro e de um anfiteatro.

Na mesma altura em que foi homenageado o trabalho aqui desenvolvido, foi apresentado o projecto «Radio-Past» -Radiografia da Cidade Romana de Ammaia», que pretende através de métodos e abordagens integradas e não destrutivas contribuir para "compreeender e valorizar sítios arqueológicos complexos".


Sobre este Sítio Arqueológico, poderá consultar:


http://www.portugalromano.com/20...


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Vale a pena, portanto, persistir!
Hoje o dia será dedicado a pensar no seu Museu.


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Se puder, aproveite bonita luz do Outono, vá até ao Alto Alentejo e quede-se por Marvão, porque vale mesmo a pena estar e conhecer.