quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O Homem Romano (em elaboração). Filomena Barata

O HOMEM ROMANO

Por Filomena Barata
Com a colaboração de Manuel Rodrigues
(em elaboração)

Embora não pretendendo ser exaustido e pertencendo já parcialmente à nomenclatura dos termos do Glossário que aqui temos vindo a editar neste mesmo blogue, uma vez que haviamos dedicado um texto às Mulheres em Roma, tentaremos, em síntese, falar do Homem romano.
Salientamos, contudo, que se trata de um texto ainda em elaboração.

Do ponto de vista jurídico, as famílias romanas eram genericamente iguais: a autoridade residia no pater familiais, cabendo-lhe reconhecer ou não os filhos, bem como a adopção.
O filho recebia o nome do pai.
A mulher estava tradicionalmente submetida ao poder do pai e posteriormente do esposo, pese ter conseguido obter gradualmente uma maior independência.
«Durante el imperio se dieron importantes pasos para reconocer derechos a la mujer. La tutela sobre la mujer dejó de ser perpetua y, en determinadas condiciones, quedaba liberada de ella: así la mujer nacida libre que tuviera tres hijos o la liberta que hubiera tenido cuatro, adquirían plena capacidad sobre el uso de sus bienes y podían recibir herencias o legados (ius liberorum)».
Estrutura Social y Económica durante el Alto Imperio Romano,
Ver neste mesmo site: «A Mulher em Roma».
 A família era a estrutura básica social, económica e ideológica: honrar os Lares e outras divindades era uma obrigação doméstica, sendo o pai o responsável  pelo culto.
Genericamente, podemos dizer que o Homem em Roma se distinguia pela sua condição social, a que correspondia um dado comportamento que se espelhava em tudo, até no próprio vestuário.
A toga era usada sobre a túnica, que só podia ser usada pelos Cidadãos dos mesmos, variando de forma, volume e cor de acordo com o estatuto sial. Assim temos vários tipos de Toga
  • Toga pura ou virillis (toga viril) – era um toga lisa, feita de lã branca, usada pelos homens quando atingiam a idade adulta.
  • Toga praetext– era uma toga branca que apresentava uma banda larga de cor púrpura e era usada pelos jovens que ainda não tinham tomado a toga virillis e, até uma certa altura, pelas jovens que ainda não tinham casado, pois em Época Republicana já só as adúlteras ou prostitutas as utilizavam, bem como pelos principais magistrados e sacerdotes.
  • Toga candida – toga de um branco imaculado, era usada pelos candidatos a cargos público, os candidati (sing. Candidatu), de onde deriva a palavra candidato). A brancura desta toga simbolizava a candura das atitudes, pois pressupunha-se que os mesmos tivessem não fossem só vestidos de branco (candidus), mas as suas próprias vidas o fossem também.
  • Toga picta ou purpurea – usada pelos vencedores e, mais tarde, pelo imperador.
  • Toga sordida ou pulla – era a toga dos mais pobres ou dos réus quando se apresentava no tribunal, funcionando nestes casos, para inpirar um sentimento de piedade.
  • Toga trabea – era uma toga toda púrpura ou ornamentada com riscas horizontais de cor púrpura. Era usada pelos áugures e sacerdotes durante os rituais, sendo também os próprios deuses representados com esta toga.
Os Escravos e Plebeus pobres apenas usavam a túnica.
Mas afinal quem era o Ciuis  ou Cidadão?
A cidadania romana era atribuída, na sua fase inicial, apenas a quem vivessem em Roma, tendo-se contudo alargado gradualmente com as conquistas, sendo, obviamente as que mais depressa a adquiriam foram as mais próximas de Regia Roma.
Ao invés, aquelas cuja submissão era forçada e se situavam a uma distância maior apenas possuíam a cidadaniasine suffragio ou parcial, pois não tinham direito a exercer o direito de votar.
Apenas quando terminou a Guerra dos Aliados, no ano 49 a. C., foi concedido o direito de cidadania a todo e qualquer homem livre de Itália, assim como o de “civitas romana” a algumas das cidades conquistadas do Império. Em 212 d. C. o imperador Caracala emitiu um édito no qual se declarava que todo o homem livre que vivesse na extensão do Império Romano era cidadão de Roma.
Os cidadãos tinham direitos como os de ser proprietários de bens e deles poder dispor, participar nos cultos públicos, oferecer sacrifícios, colocar acções judiciais, apelar ao julgamento do povo caso não estivessem de acordo com uma sentença emitida pelo tribunal, contrair uniões legais, serem eleitos magistrados e votarem nos comícios ou assembleias das centúrias e das tribos. O uso da toga era igualmente um direito exclusivo, tal como o uso dos três nomes (o nome próprio, dado nove dias após o nascimento, o nome da gens a que pertencia e o apelido), a transmissão da cidadania aos filhos nascidos do casamento com uma mulher romana e o de efetuar contratos com outros cidadãos sob as regras a aplicar nestes casos.
Cidadania Romana.
A cidadania romana garantia à pessoa direitos especiais e imunidades, outorgados e reconhecidos em todo o império.
Por exemplo, era ilegal torturar ou açoitar um cidadão romano, com o fim de extrair dele uma confissão, formas de punição consideradas muito servis e apenas usadas com os escravos. Ao cidadão, como acima diziamos, era acessível o acesso às magistraturas e ao Exército e sob o privilégio da cidadania romana havia o direito de apelar da decisão dum governador provincial para o imperador de Roma. No caso dum crime capital, o cidadão romano tinha o direito de ser levado a Roma para ser julgado perante o próprio imperador.
A cidadania romana era obtida de diversas formas. Por vezes, os imperadores concediam este favor especial a cidades ou distritos inteiros, ou nominalmente, por serviços prestados. Mas também possível adquirir a cidadania diretamente por uma soma de dinheiro ou por concessão dada pelo proprietário de um escravo que assim se tornava liberto, mas cujos descendentes poderiam aceder à cidadania. Ou seja, para se ser cidadão, era necessário ser filho de um homem livre, de um liberto ou de um cidadão, exercesse o serviço militar dos dezassete aos sessenta anos e pagasse um imposto.
Quinquenalmente era realizado um censo, altura em que os novos cidadãos eram objecto de uma rigorosa avaliação em termos morais e económicos e os antigos aproveitavam para libertar escravos.A Toga era, como acima mencionado, o símbolo que representava o cidadão, independemente de onde se encontrava o mesmo.(Ver Glosário II Servus, Togado).

De salientar que o exercício de uma magistratura outorgava a cidadania a quem a desempenhava, bem como aos seus ascendentes e descendentes. O direito de cidadania compreendia direitos civis, como o uso dos tria nomia, o direito de connubium e de comercium, bem como os direitos políticos como o voto, ius sufragii, ou de aceder às magistraturas, ius honorum, e o privilégio de servir nas legiões. A existência destes funcionários, para além do que representa em termos jurídico-administrativos, implica a existência de receitas autárquicas próprias, as summae honorariae, sobre as quais não há qualquer informação referente às cidades do Portugal Romano. No entanto, estas receitas eram apenas uma parte do rendimento de uma autarquia, que eram refoçadas com os impostos sobre o comércio e indústria, as taxas ou tarifas sobre prédios urbanos ou mesmo algumas propriedades rústicas e ainda sobre alguns edifícios públicos, como as termas.

Recomendo a leitura de:

O CIDADÃO ROMANO NA REPÚBLICA
Maria Luiza Corassin
http://www.pucsp.br/projetohistoria/downloads/volume33/artigo_13.pdf
Estrutura Social y Económica durante el Alto Imperio Romano,

Estátua-de-togado-com-bulla-achada-na-Escusa-Museu-da-Ammaia. Tem sido atribuída a Britânico». Fotografia Portugal Romano
Libertus (latim) – liberto.

Escravo liberto que continuava ligado ao seu patrono, patronus, através da prestação de serviços ou de rendas pecuniárias, ficando obrigado a um respeito quase filial: obsequium.
Ao momento da sua libertação chama-se manumissio, a renúncia do senhor ao poder que tinha sobre o escravo.
Não obstante, não lhes era reconhecido o seu direito a ser ciuis de pleno direito, e apenas na terceira geração da sua descendência podia exercer os direitos políticos em toda a plenitude, igualando-se aos homens livres.Na sociedade romana, a manumissio era uma forma do senhor, dominus, recompensar o seu seruus pelos serviços prestados, passando assim o seruus passava à condição de libertus. Contudo, os libertos eram considerados apenas semi-cidadãos, já que não tinham pleno do direito à cidadania.“ … estes antigos escravos eram mais ricos, e por vezes bastante mais, do que a maioria da população livre, que se sentia espezinhada pela prosperidade de indivíduos que não tinham nascido na liberdade; suportava-se mal uma opulência que se acharia legítima e admirável num senhor.”Paul Veyne
Por vezes assumiam dentro da família, familia urbana, funções importantes, a exemplo de dispensator do seu senhor, uma espécie de intendente das finanças ou mesmo de puer delicatus da domina, como bem satiriza Petrónio.(Ver Petrónio, Satyricon, a história de um liberto)Géza Alfödy, 1989, A História Social de Roma, Editorial Presença«O Homem Romano». Presença Editora«Os Escravos»
http://chironwiki.wikispaces.com/file/view/escravitude_labirinto.pdf
Podemos, sintetizando, dizer que os Libertos são uma parcela da sociedade romana constituída por indivíduos que haviam sido escravos e que haviam adquirido a liberdade, plena ou parcial,
Libertas/servitus era, assim, a distinção básica no desenvolvimento histórico de Roma e ambos os estatutos eram concebidos como naturais. Logo, a manumissio que permite a transição de uma categoria para a sua oposta, é algo de complexo nessa Sociedade.
(Ver: Petrónio, Satyricon, a história de um liberto)
Géza Alfödy, 1989, A História Social de Roma, Editorial Presença
O Homem Romano.
Fábio Duarte Joly, «A dupla face da liberdade: o liberto na sociedade romana».
http://www.revistatopoi.org/numeros_anteriores/topoi27/TOPOI_27_R01.pdf
ANDREAU, J. Et. All. O Homem Romano. s/l: Editora Presença, s/d. pp. 119-124.«A escravidão romana entre os séculos III a.C e I d.C e a sua reflexão pelos pensadores dos séc. XVIII e XIX»
 

Na fotografia: escravos romanos acorrentados. Ashmolean Museum
Imagem a partir de Wikipédia: CC BY-SA 2.0ver termos
Jun – Flick



O ESCRAVO ROMANO

Com o contributo de Manuel Rodrigues


O escravo era um ser humano (homem, mulher, criança) que se considerava como propriedade ou res mobilis, coisa ou bem de alguém, sujeito à dominica potestas, ou seja, ao poder soberano do seu amo, para quem trabalhava e a quem devia completa obediência. Normalmente, caía-se na condição de escravo ao ser aprisionado na guerra ou sequestrado por piratas. Mancipium era a designação dos servos que os militares vendiam, os cativos de guerra, “tomados à mão” dentre os inimigos. Até ao século III a. C., os Romanos podiam tornar-se escravos por dívidas, situação que se altera devido ao forte aumento de escravos prisioneiros de guerra, no século II a.C. Os filhos dos escravos nasciam automaticamente nessa condição.
Os romanos, tal como os outros povos que viviam à roda do Mediterrâneo, olhavam para a escravatura como algo normal e indispensável à vida da sociedade. Com efeito, o trabalho escravo era um elemento fundamental à economia romana, pois constituía o grosso da mão de obra. Estima-se que, no século I a.C., cerca de 30% da população era escrava. Os escravos faziam a maior parte do trabalho manual pesado, mas também participavam em muitos ofícios e ocupações especializadas. Asseguravam o serviço doméstico e as tarefas da vida agrícola, mas trabalhavam também na mineração e em muitas outras atividades, como a de gladiadores e lutadores, actores, músicos, médicos, pedagogos, podendo inclusive ser membros de colégios sacerdotais.
Salienta-se que nos séc. III – I a.C. se verifica uma divisão na utilização da mão de obra livre e escrava nas propriedades agrícolas romanas, através dos escritos coevos de Catão, Varrão e Columella (Ver: Fábio Duarte Joly,«A Escravidão na Roma Antiga: Política, economia e cultura».2005:28).
O escravo doméstico tinha certos benefícios. Se legalmente lhe era negado o direito ao matrimónio legal (conubium), porque os serui não tinham estado civil, o escravo na casa do seu senhor (o dominus) possuía direito ao contubernium, ou seja, poderia fazer um contrato nupcial, com o consentimento dos seus senhores.
«Na casa (domus) o escravo encontrava certos benefícios, os quais lhe eram negados pela lei. Se lhe era negado o direito ao conubium (matrimonio legal), o escravo na casa do seu senhor possuía direito ao contubernium; não possuindo direito a propriedade juridicamente, ele recebia do seu senhor muitas vezes o peculium, podendo ainda a possuir em certos casos, os seus próprios escravos, os quais eram denominados de Uicarii.
Para se tornar um cidadão de Roma, o escravo deveria pertencer eminentemente a um cidadão romano. Notamos no mundo romano, que três são as formas de manumissão: pelo censo, que ocorreria através da inscrição do escravo entre os cidadãos no momento que acontecia o recensseamento; por uindicta, o qual seria o processo de libertação realizado por um magistrado, normalmente seria o pretor; e por testamento, quando o testador explicitava em seus escritos a vontade de ver livres os seus escravos após a sua morte (JOLY,2005:23- 4)».

Não possuindo juridicamente direito a propriedade, ele poderia, contudo, receber do senhor o peculium, com o qual poderia eventualmente comprar a liberdade. Com efeito, nem todos os escravos permaneciam nessa condição durante toda a vida. A liberdade podia ser-lhes concedida pelo seu senhor, fosse a troco de peculium aforrado, seja como recompensa por um bom serviço ou como sinal de respeito e amizade. A liberdade era muitas vezes atribuída após a morte do dominus, por disposição testamentária, embora com algumas restrições: não se podia libertar, por testamento, mais de 100 escravos e não podiam ser libertados escravos com menos de 30 anos.
A alforria de um escravo denominava-se manumissio (acção de libertar da mão) e podia ser realizada de várias maneiras. A mais antiga consistia numa cerimónia em que o senhor, o escravo e uma testemunha compareciam perante um juiz. A testemunha alegava que aquele escravo não pertencia àquele senhor e este não desmentia. Tocando na cabeça do escravo com a sua vara, o juiz declarava-o livre. Mas a manusmissio podia assumir uma forma mais singela, bastando o senhor declarar perante os amigos, em sua casa, que concedia a liberdade ao escravo, ou então, simplesmente convidá-lo para jantar à mesa consigo.
Um escravo que obtivesse a liberdade tornava-se um libertus. Para se poder vir a tornar um liberto o escravo deveria pertencer a um cidadão romano, uma vez que, em certos casos, os escravos podiam possuir os seus próprios escravos, denominados de Vicarii.
Assume-se, assim, em Roma, que a liberdade é pertença do cidadão, Ciuis, apresentando-se o escravo como o seu oposto: desprovido de direitos políticos e de ser proprietário de bens e deles poder dispor; de participar nos cultos públicos; de oferecer sacrifícios, de colocar ações judiciais ou de apelar ao julgamento do povo, caso não estivessem de acordo com uma sentença emitida pelo tribunal; de contrair uniões legais; de ter acesso às magistraturas e ao Exército; de poder votar nos comícios ou assembleias das centúrias e das tribos; de transmitir a cidadania aos filhos nascidos do casamento com uma mulher romana, bem como usar a toga que distinguia os Cidadãos. Apenas estes últimos usavam os tria nomina, os três nomes (o nome próprio, o nome da gens a que pertencia e o apelido).
A cidadania romana era atribuída, na sua fase inicial, apenas a quem vivesse em Roma, tendo-se alargado gradualmente com as conquistas. Era obtida de diversas formas. Por vezes, os imperadores concediam este favor especial a cidades ou distritos inteiros, ou nominalmente, por serviços prestados. Mas também era possível adquirir a cidadania diretamente por uma soma de dinheiro ou por concessão dada pelo proprietário de um escravo, que assim se tornava liberto, podendo os seus descendentes aceder à cidadania. Nos últimos tempos da República a libertação de escravos atingiu grandes proporções, chegando o próprio Estado a concedê-la como forma de recompensa.
Um escravo liberto não possuía ainda muitos dos direitos e privilégios dos cidadãos romanos e a sua liberdade só se fazia sentir nos descendentes. Como liberto, ficava-lhe assegurado o direito de conubium (matrimonio legal), de ter filhos legítimos, de fazer contratos, de ter e transmitir propriedades por testamento. Contudo, não se podia candidatar a um cargo político ou tornar-se um oficial graduado do exército. Além disso, tinha de manter laços com o seu ex-senhor, agora transformado em patrono, patronus, a quem continuava ligado, através da prestação de serviços ou de rendas pecuniárias, sendo obrigado a um respeito quase filial: obsequium. O liberto não era, portanto, reconhecido como ciuis de pleno direito e apenas na terceira geração os seus descendentes podiam exercer os direitos políticos em toda a plenitude. Tais restrições não obstavam, contudo, a que um liberto desse o seu próprio rumo à sua vida, podendo tornar-se um membro importante na sociedade. Não faltaram em Roma casos de libertos que se tornaram homens extremamente ricos e influentes.
Sobre a escravatura feminina, sabe-se das múltiplas atividades desenvolvidas pelas seruae, designadamante como reprodutoras, não se podendo esquecer a forte componente doméstica do seu trabalho. Mas foram também identificados muitos casos de escravas medicae, obstetrices, nutrices, bem como de paedagogae, educatrices, lectrices et librariae, dedicando-se, portanto, a actividades relacionadas quer com a saúde, quer com a educação. Uma escrava a quem fosse dada a alforria tornava-se uma liberta. As libertas ganhavam a sua vida recorrendo às competências adquiridas quando eram escravas, podendo exercer os ofícios de cabeleireiras, costureiras, enfermeiras, ou tornar-se empregadas de lojas, artesãs ou mesmo agiotas. Algumas casavam com o seu antigo senhor.
Na Hispânia a incidência das atividades dos escravos tem similitudes com o resto do Império e encontramos escravos nas atividades agrárias, em atividades artesanais e nas explorações mineiras, mas também na própria Administração. 





Mosaico com representação de Escravos servindo um banquete. Proveniente de Cartago. Século III.
A partir de:



«Por conseguinte, há duas coisas que ficam claras. Em primeiro lugar, um escravo é um escravo, ou seja, fundamentalmente, alguém que não é senhor do seu destino e cuja situação, embora agradável em certas circunstâncias, pode sempre ser radicalmente reposta em causa pela simples vontade do senhor».
(ANDREAU, J. Et. All. O Homem Romano. s/l: Editora Presença, s/d. pp. 119-124.)

M. Porcio Catão regula, de algum modo, a alimentação dos escravos, tal como o fazia para os animais. Contudo é sabido que a condição escrava englobava uma enorme disparidade de condições.

Sobre a escravatura feminina, recentes estudos, designadamente de Rosa María Cid López, que se dedica à análise do fenómeno em meio urbano e rural, apontam para a existência das múltiplas actividades desenvolvidas pelas seruae, designadamante como reprodutoras, não esquecendo a forte componente doméstica do seu trabalho.

Contudo, conhecem-se escravas medicae, obstetrices, nutrices, bem como foram identificados muitos casos de paedagogae, educatrices, lectrices et librariae, ou seja, dedicando-se a actividades relacionadas quer com a saúde, quer com a educação.
O Soldado – Parafraseando Carlos Fabião diria que “Marte era o deus da guerra na complexa religiosidade romana, onde assumia também outras funções. Usualmente aparece representado com os atributos militares e, pode dizer-se, foi sob a égide desta divindade que se construiu o domínio romano na Península Ibérica».É no fundo sob a égide de Marte que os Romanos chegam até longas paragens.Mas afinal que força é essa, a de um exército que ficou na História e que levou longe os estandartes de Roma e que a tornou um dos maiores impérios do mundo?Como se compunha afinal este exército?A divisão básica do exército romano é a Legião, a unidade onde reside o grande sucesso das campanhas militares. Era composta basicamente por soldados chamados Legionários e Auxiliares. Cada legião era designada por um número e um epíteto (por exemplo, Legio VII Gemina Pia Fidlis). Inicialmente, as forças auxiliares eram atribuídas às legiões, mas gradualmente acabaram por se tornar em unidades independentes.O Procônsul de cada província comandava as legiões aí estacionadas e o chefe de cada legião era um representante do imperador, por ele nomeado e destituído: o legatus legionis, que pertencia à ordem senatorial e que a comandava por um período de cinco anos.No Império Romano, os legionários estavam organizados em pequenos grupos de 10. Os soldados eram voluntários vindos de todas as partes do Império, comprometendo-se a 25 anos de serviço exaustivo. Inicialmente, apenas eram integrados proprietários de terras e bens. Mas no século I a.C. qualquer pessoa se poderia alistar, tornando-se os cidadãos legionários e os não-cidadãos soldados auxiliares.As legiões podiam variar em número de efectivos, mas a sua maioria tinha 4.800 homens, podendo  ter 6.000 efectivos. As cohortes eram subdivisões das legiões, que, em número de dez, podiam ter aproximadamente 600 homens.Mas o elemento mais significativo da estrutura militar romana, tal como a legião, é a centúria, sendo o seu responsável o centurião. Como o nome indica, o centurião tinha a seu cargo 100 homens (chamo a atenção que algumas fontes referem 80 homens em vez dos 100) que compunham a centúria, ou seja cada Coorte tinha 6 centúrias. As cohortes urbanae, criadas por Augusto em número de três, eram uma espécie de força policial urbana, que tinham como finalidade zelar pela segurança das cidades, sendo apenas em casos muito excepcionais levadas para o campo de batalha e, ao que se sabe, o seu número elevado para quatro na dinastia flaviana.
A partir de Augusto o exército romano torna-se uma profissão, chamando-se “milites mei” o laço que unia o soldado ao imperador e que estabelece as suas obrigações e privilégios.
O legionário romano era normalmente um cidadão com a idade inferior a 27 anos, era alistado para servir 25 anos, sendo os seus últimos anos, como veteranos, mais leves, altura em que lhes eram atribuídas terras depois das reformas agrárias do século I d.C. e sendo-lhe outorgados outros privilégios.
Durante a época imperial, os requisitos para converter-se em legionário eram os seguintes: ser magro, mas musculoso; ter boa visão e audição. Era necessário saber ler e escrever e, acima de tudo, ser cidadão romano. Ao soldado (militia) era atribuído um soldo (stipendium) e ainda tinha vários tipos de benefícios intermédios, financeiros ou jurídicos. As armas mais comuns que utilizava e transportava consigo eram:gladius – espada curta , de dois gumes, de mais ou menos 60cm, mais larga na extremidade. era a espada utilizada pelas legiões romanas. Era muito mais uma arma de perfuração do que de corte, ou seja, devia ser manipulada como um punhal, ou uma adaga, no combate corpo-a-corpo.
pugio – pequena adaga usada pelos romanos como uma arma auxiliar ou reserva. Era também uma arma comummente usada para assassinatos e suicídios, sendo reconhecido o seu uso na more de Julio César.cingulum– Um cinto de onde pendiam várias tiras de couro com discos metálicoslorica segmentata – armadura
scutum – escudo rectangular, curvado, de madeira forrado a couro e com reforços metálicos nas bordas e no centro, visando proteger a mão.
galae – capacete de ferro.
pilum – dardo que tinha quase três metros de comprimento, com uma flecha de metal que se torcia com o impacto, e que não era recuperada. Era composta, assim, de uma parte de ferro, mais fina e pontiaguda, e outra de madeira, maior e mais pesada
Consigo levava ainda uma bolsa de carga sarcina com alimentos que deveriam permitir-lhe sobreviver quase quinze dias, utensíliios de cozinha e de construção, como estacas, sudes murales, e as sandálias – caligae.Como era altamente disciplinado e preparado fisicamente, fazia marchas longas com esse equipamento que poderia pesar entre 20 e 50 quilos.
Mas existiam também soldados especializados em actividades secundárias, tais como a engenharia, a carpintaria e a medicina e, embora fossem poupados a algumas das tarefas mais duras, podiam ser também colocados em campo de batalha.Os recrutas não tinham preparação prévia quando se alistavam e eram enviados para um acampamento onde havia soldados experimentados e esperava-os uma vida dura, mesmo quando não combatiam, levantando-se antes do alvorecer e desfilavam mal se fardavam.
Era nesse momento que era passada revista às tropas e eram dadas instruções do dia.Os soldados rasos eram os miles gregarius.
A unidade mais pequena da legião era conhecida por contubernium, agrupando oito soldados que viviam na mesma tenda.No aquartelamento dedicavam-se ao exercício militar e faziam manobras simulando o campo de batalha para se manterem em forma, e superavam obstáculos carregados com as suas armas, ensaiando o seu uso. Marchavam em linhas paralelas, formavam círculos e cerravam ou afastavam as fileiras.Todos os meses realizavam marchas de cerca de 30km carregando uma mochila com cerca de 30 km, o peso que teria a sua roupa, os víveres e os utensílios que podiam usar na construção, pois a isso se dedicavam, apoiando os engenheiros. Eram os próprios soldados que colaboravam na construção das pontes, calçadas, aquedutos.
O pão era um alimento fundamental no Exército de tal forma que muitos eram conhecidos pela suas associações militares: Panis militaris – pão de soldado. É comumente feito em duas variedades.
Casternsis: Pão de acampamento
Mundus: Pão de marcha
Panis nauticus – Muito parecido com pão soldado. Conhecido como biscoitos navio. (XXII-Plinio. N.H. 138).
Em terra o Exército era composto por três ramos: a Infantaria, o mais numeroso que era dividida em três categorias distintas de soldados, com posição fixa de batalha, ou seja, combatiam em três filas.• Hastati (os homens dos dardos) – os soldados mais novos e menos experientes. Cada um estava armado com duas lanças de arremesso – a hasta (dardo pesado) ou o pilum.• Princípes – soldados mais velhos e experientes usavam armas semelhantes aos hastatis, e tomavam apoiavam os hastatis, caso a linha inimiga aguentasse firme.• Triarii – veteranos da guerra, que criavam uma parede defensiva por onde escapuliam os princípes caso, o seu ataque, também falhasse.
A Cavalaria era considerada o ramo mais nobre e na Artilharia pontuavam as catapultas, os aríetes e as torres de guerra.As formações romanas tinham formatos rectangulares, constituídos pelos legionários. Cada coluna possuía um determinado número de linhas que se diferenciavam por estarem mais próximas do inimigo, na vanguarda, ou mais afastados destes, na rectaguarda.Os legionários que se localizam na primeira linha começavam o ataque ao inimigo através de uma poderosa e destrutiva investida a curta distância com a lança Pillum já acima referida e as fileiras imediatamente anteriores realizavam utilizavam lanças mais leves. No final da formação localizava-se um corneteiro e no meio um porta-estandarte. Na lateral direita de cada formação ficava o centurião.
Os Decuriões encarregavam-se de organizar as fileiras. Após as primeiras cargas, os legionários travavam um combate mais corpo-a-corpo, utilizando a espada mais curta e muito afiada, a gladius. A formação era compacta e dava espaço à realização de outras tácticas, a exemplo da formação Tartaruga (Testudo).
A águia era um símbolo da Roma Antiga, sendo usada pelo exército romano como insígnia das legiões romanas. No tempo de Gaio Júlio César era feita de prata e ouro. A partir da reforma de Augusto passou a ser feita só de ouro. A águia era custódia da primeira coorte e só saía do acampamento romano em ocasiões raras, quando toda a legião se movimentava. Para garantir a sua segurança havia um legionário, denominado “aquilifer”.Ver Soldado, no Glossário (de M a S).

O Camponês - Podemos dizer que a Antiga Roma era fundamentalmente agrícola. Os grandes proprietários de terra que serviam o exército como oficiais e não como simples soldados como os camponeses tinham escravos, o que não os prejudicava quando iam para a guerra, bem como encarregados a quem deixavam o controlo das mesmas.
“A propriedade não é uma condição necessária para se ser camponês: a par dos camponeses livres, que cultivam a sua própria terra, existem grupos muito consistentes de indivíduos que trabalham terras pertencentes a outros, a quem estão ligados por relações mais ou menos estáveis, ou a quem emprestam eventualmente a sua força de trabalho”. Jerzy Kolendo.
O historiador  acima mencionado, refere  a terminologia romana para “camponês”: «o termo fundamental era rusticus (derivado de rus – “campo”), porém também podia ser utilizado como conotação de “simples”, “modesto”, e até mesmo no sentido de “grosseiro”, “incivilizado”; todavia, existiam mais dois termos: agricola (“agricultor”), que designa o camponês que trabalha a sua parcela de terra e o rico proprietário; e colonus (“colono”), que, além de ser sinônimo de agrícola, aplica-se ao pequeno agricultor, ao habitante de uma colônia que recebe terras para cultivar, e ao camponês arrendatário94. Ou seja, os três termos diferenciavam-se apenas no contexto em que eram empregados, pois todos significavam “lavrador”, “cultivador”.Esse grupo de camponeses, homens livres, não pertencentes à ordem senatorial ou à ordem eqüestre, formava a plebs rustica (“plebe rural”)».in  Alex Martire, 2008, Vida e Trabalho, p.22 http://www.academia.edu/395078/Alex_Martire_-_
A maioria da população vivia da exploração de pequenas parcelas de terra, havendo, contudo os ricos proprietários de latifúndios, que contribuíram para fazer aumentar os proletários que se deslocalizavam para os centros urbanos, especialmente para cidade de Roma.
Em Roma, de início, os lavradores formavam a vanguarda do patriciado: só proprietários de terras podiam comandar a defesa da pátria. Casos como o de Cincinato, que deixou uma chefia no exército para retornar à charrua, não foram raros.
A agricultura romana progrediu até a época dos Antoninos. O poder central, em seus avanços imperialistas, assenhoreou-se das terras conquistadas, escravizando os habitantes, e distribuiu-as entre os patrícios. A agricultura tornou-se assim atividade servil. Mas suas bases foram minadas pela crescente concentração urbana de escravos fugidos e pequenos proprietários arruinados. Ante a nova situação,
 Plínio o Antigo declarou: “Latifundia perdidere Italiam” (“Os latifúndios arruinaram a Itália”). Apenas seis aristocratas chegaram a possuir a maior parte dos domínios romanos no norte da África; Nero mandou assassiná-los e apoderou-se de suas terras. Com o gradativo declínio da força inicial do campo e o colapso econômico-social de Roma, preparou-se o terreno para o advento de uma nova estrutura agrícola nas partes mais ativas da Europa.
A Expansão e a guerra originaram esse abandono das terras, beneficiando a aquisição por parte dos grandes senhores.
Aliás, a própria origem do termo proletário espelha a realidade: o que somente tem a sua prole, a sua família.
«A agricultura reergueu-se na epoca de Augusto {44a.C. -14 d.C.}. durante o chamado período da paz  para declinar novamente durante o 111 e o IV seculo d.C. Neste período os campos foram sendo abandonados permanecendo incultos. proliferando as ervas daninhas. Os camponeses. apavorados, fugi am do terror -bãrbaro” e da sanha impiedosa do fisco imperial. Como denominador comum por toda a parte imperava a insegurança, a fome, incompatíveis a continuação do trabalho agrícola» (…)
Plínio-o-Velho  (23 d.C. – 79 d.C.  na erupção do Vesúvio) é testemunha da inércia de que parece sair a agricultura nos primeiros tempos do Império.
«A dialetica pioneira de Catão. Varrão e Columela, parece que  conseguiu ser ouvida; os instrumentos aratórios foram aperfeiçoados, ao mesmo tempo que se estabeleceu a prãtica da irrigação tão antiga no Egito e Mesopotâmia. O uso de adubos tambem se generalizou.
Pergunta-se então: porque teria havido essa verdadeira revolução agrícola? Uma explicação poderia ser encontrada na diminuição da mão-de-obra escrava, pois que as guerras de conquistas vão terminar: o Império entra de manutenção do status quo, cai na defensiva no limes. A melhoria tecnica foi a unica resposta possível a diminuição do braço escravo. Outra consequência; o aparecimento de um outro tipo de exploração agrícola — o colonato».
PAULA, Eurípedes Simões de. A técnica e a evolução da agricultura em Roma. In: SIMPÓSIO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE HISTÓRIA, 9., 1977, Florianópolis. Anais do IX Simpósio Nacional da Associação dos Professores Universitários de História. O homem e a técnica. São Paulo: [ANPUH], 1979. v. 1, p. 275-276.
«Era costume dar porções de terra a legionários que terminavam seus serviços. Augusto acrescentou a prática de gratificações monetárias. Quando um grande número de soldados era liberado na mesma área e simultaneamente, cidades chamadas coloniae eram fundadas, assim como de tempos em tempos como atos da política imperial. Eram concedidas uma porção do terreno da cidade e outro no territorium – o campo ao redor da mesma –, sendo correspondentes à posição que do soldado na hierarquia militar. As principais intenções com isso era de que os legionários formassem famílias e que provessem futuros recrutas para as legiões, além de representarem uma força de reserva veterana em caso de necessidade, como mostrou-se no caso da Revolta de Boudicca, e também como elemento de disseminação da cultura romana na região. A população de uma colonia era essencialmente de cidadãos romanos, porém o elemento não-romano, chamado incolae, estava às vezes presente também. Em 49 d.C., a primeira colonia na Britânia foi estabelecida em Camulodunum (Colchester) para veteranos de uma (ou talvez mais) das legiões que serviam na província (DAVIDSON, 2004)».

Nos primeros tempos de Roma cultivavam-se principalmente cereais, leguminosas e hortalizas, mas a partir da Época de  expansão republicana e imperial a agricultura passou a incluir o trigo em grande escala, visando o fabrico do pão, bem como a vinha e a oliveira, tendo-se desenvolvido as prensas de azeite e o regadio, enxertia e a poda.
As técnicas agrícolas baseavam-se no uso do arado romano, puxado habitualmente por bois.
Estudos recentes demonstraram que  «debe ser reducida a sus justos límites la afirmación de Plinio de que los latifundios perdieron a Italia. Pues salvo regiones situadas al norte del Po, Etruria y el sur de la península, el régimen de latifundio (tal como se entiende hoy en español) no era el dominante. Predominaban las pequeñas y medianas propiedades. Otro problema distinto lo constituían los grandes propietarios: miembros de orden senatorial y del ecuestre que poseían varias fincas de extensión media en Italia y en las provincias dando así un importante sector de absentistas. Los modelos de fincas rústicas,villa, contemplados por los tratadistas de agricultura pueden servir para entender la organización de este tipo de explotaciones».
cit. in. Estrutura Social y Económica durante el Alto Imperio Romano,
Relativamente aos colonos, “coloni” também referenciados em Columella (I, 7, 6), como camponeses que trabalham um lote de terra  que não era sua propriedade, mas arrendado,  ou explorado em parceria, valerá a pena ler o notável trabalho datado de 2000, Algunas cuestiones sobre la familia campesina en el Alto Imperio: el ejemplo del Sureste peninsular de , Gérion, nº 18.
A realidade agrícola era, portanto, bastante complexa em Roma, salientando as palavras da autora acima mencionada no que se  refere aos estudos dsenvolvidos para a Península Ibérica:
«Hemos visto cómo los estudios arqueológicos para época romana en la Península se han interesado principalmente por las grandes ciudades, las ciudades modelo romanas desde el punto de vista urbanístico. Estamisma idea de monumentalidad también ha incidido en un primer mo-mento en el análisis de las construcciones rurales. Así pues, la preocupa-ción de la arqueología en este sentido ha sido el hallazgo de grandes es-tructuras que se pueden identificar como villae, generalmente se trata deconstrucciones que superan 1 Ha. Igualmenete, dentro de éstas, la exca-vación se ha centrado en su pars urbana o residencial, puesto que es laparte más espectacular; en ésta suelen aparecer restos ornamentales condependencias más lujosas decoradas con estucos pintados o mosaicos.Actualmente esta visión tiende a ser superada, y cada vez están cobran-do más importancia los análisis de las partes dedicadas a las funcioneseconómicas de la villa, es decir, a la pars rustica y a la pars fructuaria.
Como ya hemos indicado, nuestro estudio se basa cronológicamenteen el Alto Imperio, de ahí que la construcción de gran tamaño que vamosa describir sea la villa republicana y altoimperial, y que conocemos a través de los agrónomos latinos (Catón, Varrón, Columella). Ésta está ín-timamente relacionada con la explotación agrícola del territorio circundante, o sea, del fundus
(Catón V, 2; Varrón III, 2, 5 y 2, 9) o en su de-fecto con actividades ganaderas o artesanales, aunque también es ciertoque algunos autores como Marcial (I, 55, 1-4) la relacionan directamente con lugares de descanso, ensalzando su parte residencial. Estas villae están vinculadas generalmente a la mediana y gran propiedad, tal y comoponen de manifiesto los agrónomos latinos. Así para Catón (I, 7, 1) la fin-ca ideal es de 100 iugera, aproximadamente unas 25 Ha. Se caracterizanpor destinar su producción al mercado, como demuestra la preocupaciónde estos agrónomos por situarlas junto a buenas vías de comunicación,para poder vender rápidamente sus productos (L. Capogrossi Colognesi,1981, pp. 445-446). A juicio de D. Vera (1995a, p. 190) sus característi-cas principales, según se desprende de los autores latinos, son: gran in-versión, destino comercial de gran parte de la producción, gran númerode esclavos y empleo de mano de obra eventual. Por lo tanto, estamos ante la villa esclavista, siendo ésta un elemento fundamental de la organización socio-económica del mundo romano. Pero no todas las construcciones rurales se pueden asimilar al térmi-no villa como afirma Varrón (I, 17). Generalmente en el espacio ruralexiste una yuxtaposición de habitats que responden a sistemas políticos,culturales y económicos diferentes, como afirma Ph. Leveau (1983, p.931). Por lo tanto, junto a las villae nos vamos a encontrar otros asentamientos de menor tamaño ligados a extensiones de cultivo más pequeñas,a los que vamos a denominar «pequeños asentamientos rurales».
Sobre o mundo agrícola encontramos muitas referências latinas, quer seja de Columela (Lucius Junio Moderatus Columela, nascido em Cádis em 3 a.C. , com sua obra  Sobre a agricultura, que o tornou o mais célebre especialista de Roma, mas também Públio Catão fez o louvor da classe agrária e garantiu por escrito, 200 anos antes de Cristo, que a agricultura é a profissão “que menos expõe os homens a maus pensamentos”.
Mas ainda Virgílio nos canta as vitudes da Agricultura nas suas notáveis obras «Geórgicas» e «Bucólicas».
Sobre este tema, para além dos trabalhos mencionados ao longo do testo, sugerimos ainda a leitura da obra «Repensando o Império Romano».
http://books.google.pt/books?id=w_5gHChXRHwC&pg=PA67&lpg=PA67&dq=o+campon%C3%AAs+romano&source=bl&ots=njsK23AiDe&sig=BhWn7EFa9UXs_mGVNKgGGB6Pb8Q&hl=en&sa=X&ei=-PjMU-26AcbG0QXAjYCYCw&redir_esc=y#v=onepage&q=o%20campon%C3%AAs%20romano&f=false
http://books.google.pt/books?id=w_5gHChXRHwC&pg=PA67&lpg=PA67&dq=o+campon%C3%AAs+romano&source=bl&ots=njsK23AiDe&sig=BhWn7EFa9UXs_mGVNKgGGB6Pb8Q&hl=en&sa=X&ei=-PjMU-26AcbG0QXAjYCYCw&redir_esc=y#v=onepage&q=o%20campon%C3%AAs%20romano&f=false

Gladiador – Os gladiadores eram lutadores que participavam de torneios de luta na Roma Antiga. De origem escrava, estes homens eram treinados para estes combates, que serviam de entretenimento para os habitantes de Roma e das províncias.
Os Gladiadores


 Vidro romano com representação de gladiadores. Museu gallo romano de Lyon


Gladiador – «A Morte e o Triunfo», Exposição do Museu e Parque Kalkriese (Alemania). «Caneleiras de gladiador procedentes de Pompeia, decoradas com relievos de Júpiter (esquerda) e Neptuno» (direita). Fotografia de Carole Raddato.
A partir de: Traianvs. Ingeniería Romana.
https://www.facebook.com/pages/Traianvs-Ingenier%C3%ADa-Romana/151487124895824
Os gladiadores eram escolhidos entre os prisioneiros de guerra e escravos, podendo tornar-se quase como heróis populares com a fama obtida. Os mais bem sucedidos ganhavam, além da popularidade, muito dinheiro e, com o tempo, podiam largar a carreira de forma honrosa. Os seus combates na arena atraíam milhares de fãs e era através da sua fama e número de vitórias obtidas que poderiam alcançar ou comprar a liberdade. 
Estes privilegiados obtinham uma pensão do império e um gládio (espada de madeira simbólica). Aliás o gládio,  uma espada curta de dois gumes utilizada por esses lutadores, está na origem do seu nome.
Esses escravos eram geralmente melhor tratados do que os restantes escravos de Roma, porque recebiam uma boa alimentação – vale ressaltar que sua dieta era basicamente vegetariana e a carne era muito cara na época -, cuidados com sua saúde, além de outros cuidados para garantir sua integridade física, podendo até obter a sua liberdade.
Tudo isso porque os gladiadores eram escravos que viabilizavam muitos rendimentos aos seus senhores, uma espécie de empresários especializados em alugar esses lutadores para os espectáculos. Designava-se lanista o proprietário e empresário de gladiadores.
Nas arenas (claro que a mais famosa era o Coliseu de Roma), os gladiadores podiam lutar entre si até que um deles morresse, usando vário tipo de armamento como as espadas, escudos, redes, tridentes, lanças, etc.
Participavam também em lutas, montados em cavalos ou usando bigas, carros romanos puxados por dois cavalos.
Muitas vezes estes gladiadores eram colocados na arena para lutar com feras, a exemplo de leões, onças e outros animais selvagens.
O combate entre gladiadores terminava quando um deles morria ou ficava ferido com impossibilidade de continuar a luta.
Na sua maioria eram homens, mas são conhecidos casos de mulheres que também lutaram na arena até à morte. Embora proibidas em 325 por Constantino, continuaram a ocorrer por mais de um século de forma clandestina.
Havia vário tipo de gladiadores em Roma, seis pelo menos, e outros dois que lutavam a cavalo.


luta de gladiadores. Séculos II-III d.C. Necrópole de Kibyra. Museu de Burdur.
Fotografia a partir de: Following Hadrian https://www.facebook.com/photo.php?fbid=538943486231933&set=a.260113100781641.61354.178897115569907&type=1&theater

«TRÁCIO
Os trácios eram os únicos a lutar com a sica, uma espada curva. Como usavam um escudo pequeno, eles tinham também chapas de metal para proteger as pernas. O capacete com plumas era outra marca registrada
SECUTOR
Treinado para encarar o retiarius, era um “tanque de guerra” bem protegido. Tinha um grande escudo retangular e capacete mais liso (para não prender na rede do retiarius) e com pequenos buracos para os olhos (para evitar as pontas do tridente). Sua arma era uma espada.
DIMACHAERI
Há poucos registros sobre este tipo de gladiador – os historiadores não sabem ao certo nem quem ele enfrentava nas arenas. Mas, pelo fato de usar só duas espadas, alguns especialistas acreditam que o dimachaeri era um dos gladiadores mais bem treinados.
RETIARIUS
Era o tipo mais ágil e veloz, mas também o mais indefeso, pois tinha pouca proteção – nem sequer usava capacete. Encarava gladiadores “pesados”,como o secutor, usando só uma rede e um tridente. Para finalizar a luta, contava ainda com uma adaga
MURMILLO
Tinha o apelido de “homem-peixe” por usar um capacete com o desenho de um peixe na lateral. As armas e proteções eram similares às do secutor, podendo variar o escudo. As lutas entre trácios, murmillos e retiarius eram consideradas os verdadeiros clássicos das arenas
HOPLOMACHUS
Homenageava os guerreiros das falanges gregas, por isso portava uma lança, que podia ser usada junto com uma adaga ou com uma espada. Tinha boas proteções para o corpo, como o secutor, mas precisava se virar apenas com um pequeno escudo circular
ANDABATI
A cavalo, os andabatis se enfrentavam com um capacete com o visor tampado. É isso mesmo, um combate às cegas, sem escudo e portando apenas uma espada! Eles não eram do mesmo nível dos outros gladiadores e serviam mais como um “alívio cômico” durante os jogos
EQUITES
Gladiadores montados bem mais sérios que os andabati, combatiam entre si com uma lança e um escudo circular médio. Em alguns duelos, trocavam a lança por uma espada. Os equites podiam lutar em pares ou em grupos – atuando como uma cavalaria MULHERADA DE PEITO  Pode acreditar: no Império Romano rolava também combates entre mulheres. Aliás, esses duelos eram eventos especiais na programação dos jogos. Alguns pesquisadores acreditam que, para “animar a torcida”, as gladiadoras não usavam capacetes e lutavam com pelo menos um seio aparecendo»
cit in : Quais eram os principais tipos de gladiador?». Danilo Cezar Cabral


Representação de luta de Gladiadores. Mosaico romano proveniente de Gerona. Museo Arqueológico de Barcelona

Mosaico romano representando uma luta entre gladiadores. O mosaico apresenta a particularidade de referir os nomes dos gladiadores facto que aponta a importância dos mesmos na sociedade romana.


Mosaico com representação de cena de luta de gladiadores. o secutor Astyanax e o retiarius Kalendio Na cena superior mostra-se o vencedor Astyanax em atitude de dar o golpe mortal com a espada a Kalendio.
O latista incentiva-os a combater.

 

O lanista, que comprava os gladiadores e que os ensinava a combater, proprietário de vários gladiadores e que os fornecia aos espetáculos, era também o mestre de armas e professor da companhia. Usava um bastão, como marca de sua autoridade.dos gladiadores e anima-os a combater. 

Existiam ainda os bestiarii que eram auxiliares da arena, não tendo, portanto, a função de gladiadores e os que caçavam ou defrontavam os animais denominados venatores, mas que também não eram gladiadores.
Sobre a Família, consulte-se:
A BIBLIOGRAPHY ON WOMEN AND THE FAMILY IN LATE ANTIQUITY AND THE EARLY MIDDLE AGES
(2ND TO 7TH CENTURY AD).


Sobre o Camponês, leia-se:

PAULA, Eurípedes Simões de. A técnica e a evolução da agricultura em Roma. In: SIMPÓSIO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO DOS PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE HISTÓRIA, 9., 1977, Florianópolis. Anais do IX Simpósio Nacional da Associação dos Professores Universitários de História. O homem e a técnica. São Paulo: [ANPUH], 1979. v. 1, p. 275-276

Enrique de Ahumada, Tipos de esclavitud en la Roma Antiguahttp://revistadehistoria.es/tipos-de-esclavitud-en-la-roma-antigua/?utm_source=MadMimi&utm_medium=email&utm_content=Esclavos+alquilados+o+jornalizados+en+procura+de+liberaci%C3%B3n&utm_campaign=20151201_m128522932_Esclavos+alquilados+o+jornalizados+en+procura+de+liberaci%C3%B3n&utm_term=Tipos+de+esclavitud+en+la+Roma+Antigua


Carla Rubiera Cancelas, La Esclavitud Felinina en la Roma Antigua:
FAMVLAE, ANCILLAE ET SERVAE, 2014

Poderá fazer o download, através deste link:


Sobre os Gladiadores ver:
José María Blazquéz, Representaciones de gladiadores en el Museo Arqueológico Nacional 
Zephyrus (Ediciones Universidad de Salamanca) 9, 1958, 79-94
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-eram-os-principais-tipos-de-gladiador
«Gladiadores Romanos»
http://gladiadoresromanos.blogspot.pt/

Vidro romano com representação de gladiadores. Museu gallo-romano de Fouvière. A partir de Following Hadrian

Ver: «Taça de vidro pintado. Museu de Vindolanda. Importado da Renânia, é uma taça de vidro  caro, que oferece uma cena de combate de gladiadores. Inclui um retiarius e um secutor». Legenda e imagem  a partir de: https://www.facebook.com/pages/Traianvs-Ingenier%C3%ADa-Romana/151487124895824


 Copo de vidro pintado com cenas de gladiadores (s. I d C.). Tesouro de Begram, (Kapiça, Afghanistan). Musée Guimet, Paris.
Fotografia e legenda José Manuel Jerez Linde.