quarta-feira, 30 de março de 2016

Miróbriga, um testemunho

Uma cidade do Passado é como uma outra cidade qualquer.

Miróbriga fala dela própria, através da sua topografia, adaptando-se em anéis ou “circunvalações” ao terreno onde se implanta.

A cidade tem uma imagem de si própria, centrando no lugar mais alto os locais de culto e de decisão política e administrativa; espraiando nas encostas as estruturas comerciais e outros serviços, os balneários e o casario.

A cidade espreita ao longe o Oceano, Sines esse porto de mar já romanizado, abastecedor e escoador dos produtos píscicolas que, nas lagunas que se formam em seu redor, se multiplicam como que em viveiro extraordinário.

Espreita ainda a Serra do Cercal, fornecedora de minério e de alimento.

Mas Miróbriga, como qualquer outra cidade, conta histórias, através de cada estrutura, de cada construção ou objecto que, ao virar da esquina, se encontra.

As calçadas, de lajes fortes, serpenteiam as colinas, organizando os bairros, o casario; as soleiras das portas indiciam as habitações ainda escondidas.

Sobre Miróbriga, como de cada cidade, se contam e contaram tantas histórias, diferentes, ao longo dos séculos. De acordo com o que souberam e puderam ver os vários investigadores, passeantes ou contadores de estórias que por lá estiveram, pelo menos desde o século XVI, data que o nosso Humanista André de Resende dá a conhecer a cidade.

É também dessas histórias dentro da História de um lugar mágico como Miróbriga que nos fala o sítio: do tempo de vida da cidade e o tempo de quem por lá passou.

Este vídeo sintetiza parcialmente o trabalho de recolha gráfica, fotográfica e documental efectuado para a Tese de Mestrado «Miróbriga: Arquitectura e Urbanismo», consultável em:

https://www.google.pt/webhp?sourceid=...
Pode ainda consultar sobre a Historiografia de Miróbriga:
http://mirobrigaealusitania.blogspot....

segunda-feira, 21 de março de 2016

Vamos abraçar a Primavera pela voz dos autores latinos no Museu Nacional de Arqueologia

22 de Março de 2016
MNA, Lisboa.





Logotipo do Museu Nacional de Arqueologia












Com o Equinócio da Primavera rememoravam o regresso de Prosérpina à terra, para junto de sua mãe Deméter, a deusa mãe da Agricultura, Ceres para os Romanos, honrando-a esse regresso do Mundo Subterrâneo onde vivia uma metade do ano – representava-se assim o Inverno - com Hades, seu esposo, com festivais.

Através de um percurso em torno  de algumas das peças da mostra «Lustânia Romana, Origem de Dois Povos» daremos voz a alguns escritores latinos, homenageando assim a Poesia e o Equinócio da Pimavera. E conosco estará Horácio, Virgílio, Apuleio, Epicteto, Claudiano ...

Filomena Barata


«Esta cabeça evanescente e aguda,
tão doce no seu ar decapitado,
do Império portentoso nada tem:
nos seus olhos vazios não se cruzam línguas,
na sua boca as legiões não marcham,
na curva do nariz não há povos
que foram massacrados e traídos.
É uma doçura que contempla a vida,
sabendo como, se possível, deve
ao pensamento dar certa loucura,
perdendo um pouco, e por instantes só,
a firme frieza da razão tranquila.
É uma virtude sonhadora: o escravo
que a possuía às horas da tristeza
de haver um corpo, a penetrou jamais
além de onde atingia; e quanto ao esposo,
se acaso a fecundou, não pensou nunca
em desviar sobre el' tão longo olhar.
Viveu, morreu, entre colunas, homens,
prados e rios, sombras e colheitas,
e teatros e vindimas, como deusa.
Apenas o não era: o vasto império
que os deuses todos tornou seus, não tinha
um rosto para os deuses. E os humanos,
para que os deuses fossem, emprestavam
o próprio rosto que perdiam. Esta
cabeça evanescente resistiu:
nem deusa, nem mulher, apenas ciência
de que nada nos livra de nós mesmos."
Jorge de Sena»









«Quando se procura semear a dúvida, que importa que esta seja sobre Zeus, Atena ou sobre o Amor! O deus Amor é uma personagem importante! Não é só de hoje que ele goza de altares e sacrifícios! Também não é um recém-chegado, nem um deus estrangeiro introduzido no nosso país por andróginos ou mulheres, criado pela superstição bárbaras como os Atis e outros Adónis (1)».
(1) Átis era um pastor da Frígia, Ásia Menor, de uma rara beleza, pela qual Cibele se apaixonou. Adónis era uma divindade de origem fenícia, também de extraordinária beleza, de tal forma que a deusa Afrodite se enamorou por ele loucamente. Numa ocasião em que Adónis andava à caça foi tolhido por um javali selvagem.
Plutarco (Nasc.c. 46 - 50 Queronea, Beócia - Fal. c. 120
Delfos, Fócida), Erotika, Fim de Século, edição de 2000.


«Assim como evitas pisar um prego, e tens todo o cuidado em não torcer o pé, assim também evita pôr em causa os teus princípios.
Se, nesta ou naquela tarefa, tivermos este cuidado, mais seguros nos sentiremos na execução da mesma».
XXXVIII; Manual de Epitecto.



«Acordando quase perto da primeira vigília da noite, vejo o orbe da Lua cheia resplandecente de admirável brilho, emergindo então das ondas do mar. E, aproveitando a silenciosa solidáo da opaca noite, estando também certo que esta suprema Deusa possuía transcendente majestade, e que todas as coisas humanas se regiam por sua providência; que não somente o gado e as bestas feras, mas também as inanimadas, vegetavam pelo divino influxo de sua luz e divindade; que igualmente os mesmos corpos na terra, céu e mar, já cresciam conforme o seu crescimento e já diminuíam obedecendo ao seu decrescimento, determinei deprecar a augusta imagem da Deusa presente, sendo certo que o Fado estava já saciado de minhas tão grandes e táo numerosas calamidades, e que me dava a esperança, ainda que tarde, da minha salvação. E, imediatamente sacudindo o preguiçoso sono, levanto-me pronto, e, com o desejo de purificar-me, meto-me no banho marinho e, mergulhando a cabeça nas ondas sete vezes, número que o divino Pitágoras declara ser especialmente adaptadíssimo à Religião, alegre e animado assim supliquei à poderosa deusa, com o rosto banhado de lágrimas:
" Rainha dos céus, ou tu sejas Ceres criadora, primeira mão dos frutos, que alegre com o achado da filha removeste o alimento da antiga bolota própria das feras, e ensinaste uma comida mais suave, e agora habitas o terreno de Elêusis;
ou tu sejas a celeste Vénus, que na primeira origem das cousas ajuntaste os diferentes sexos gerando amor, e propagaste a espécie humana de eterna descedência, e agora és adorada no templo de Pafos que ‚ rodeado de mar; ou sejas a irmã de Febo que, favorecendo o parto das mulheres com brandos remédios, tens dado à luz tantos povos, e agora és venerada nos sumptuosos templos de Éfeso; ou tu sejas Prosérpina, horrível pelos uivos nocturnos, que reprimes com a triforme face os ímpetos dos espectros, e encerras os
arcanos da terra e, vagueando por diversos bosques, és aplacada com diferentes modos de culto: tu que alumias os muros de todas as cidades com a tua feminina luz, que crias as alegres sementes com teu húmido fogo e esparges uma luz incerta segundo as revoluções do Sol: por qualquer nome, quaisquer ritos e debaixo de qualquer forma que ‚ lícito invocar-te, tu me socorre agora em minha extrema calamidade, tu consolida minha forma desbaratada, tu dá-me paz e repouso depois de tão cruéis desgraças sofridas. Basta de trabalhos, basta de perigos"».
(Apuleio, Asno de Ouro, LIVRO XI, Editorial Estampa, 2 edição).


LIVRO I

«Facilitam, também a aproximação os banquetes, à mesa;
há qualquer coisa mais, além do vinho, que aí deves buscar.
Muitas vezes, braços delicados, os lançou o Amor, de rosto afoguedada,
sobre os chifres apertados de Baco, bem bebido;
e quando o vinho se espalhou sobre as asas esponjosas de Cupido,
ali fica e permanece prostrado do peso no lugar onde estava;
e logo sacode, à pressa, as penas encharcadas,
mas as próprias gotas sacudidas pelo amor são danosas ao coração.
O vinho põe o coração a jeito e torna-o pronto para a fogueira;
os cuidados desvanecem-se e diluem-se numa boa dose de vinho puro;
chega, então, o riso, então o pobre ganha coragem,
então a dor e os cuidados e as rugas desaparecem do rosto,
então a simplicidade, tão rara no nosso tempo, abre os
corações, sacudidos que foram os artifícios pelo deus.
Ali, muitas vezes as moças arrebataram os corações dos rapazes,
e Vénus, no vinho, tornou-se fogo no fogo.
Aqui, não te fies tu em demasia nas luzes enganadoras;
na apreciação da formosura, são danosos a noite e o vinho.
Foi à luz do dia e com céu desanuviado que Páris contemplou as deusas,
quando disse a Vénus: “és tu quem leva de vencida as outras duas”.
De noite, ficam disfarçados os defeitos e desculpam-se todos os vícios;
essa é a hora que torna famosa qualquer uma;
consulta, antes, a luz do dia a respeito das gemas, da lã tingida de púrpura,
consulta-a a respeito do rosto e do corpo».



Que chegue plena a Primavera!
E sossegue Júpiter com o poema.
«CANTAREI, doravante, o que leva a abundância às terras lavradias; sob que astro convém, ó Mecenas, revirar a terra e casar a vinha com o ulmeiro; que cuidados cumpre dipensar aos bois; que tarefas requer a formação de um rebanho; e que saber exige a criação das industriosas abelhas. Vós, ó brilhantes luminares do Mundo, que guiais nos céus a marcha do ano; vós Baco e alma Cres, por cuja mercê à lande Caónia sucedeu a pingue espiga e se misturou o sumo das uvas com a água Aquelóia; vós também Faunos, protectores sempre vigilantes da grei rural, avançai, e convosco as virgens Dríades: eu canto os vossos dons! E tu, Neptuno, a cuja ordem a terra, golpeada pela vez primeira com o teu magno tridente, lançou do seio o fremente corcel! E tu, habitante dos bosques, em honra de uem trezentos novilhos brancis como a neve tosam as fartas devezas de Ceos! E tu, Pan, guardião dos rebanhos, que com tanto carinho olhas para o teu Ménalo, favorece-me, ó Tegeu! Tu, Minerva, que nos deste a oliveira; tu, moço inventor do curvo arado; tu Silvano, que usas em guisa de cajado um tenro cipreste arrancado com as raízes! E vós todos, deuses e deusas a quem cabe o cuidado de proteger os campos, que alimentais as plantas que o homem não semeou, e derramais do céu, sobre as que ele cultiva, a chuva benfazeja.
(...) Quando renasce a Primavera, e frios regatos correm das montanhas cobertas de neve, e o Zéfiro desagrega as leivas, é chegada a ocasião dos bois começarem a gemer sob o peso do arado tanchando a fundo, e de rebrilhar ao sol a elha desgastada pelo roçar nos sulcos. (...)
Mãos à obra, portanto! Comecem os teus robustos bois, desde o primeiro dia do mês, a revolver a terra feraz, para que o poeirento Verão recoza com rais ardentos de sol as glebas que se lhe oferecem..
(...) o pai dos deuses, o próprio Jove, determinou que fosse árduo o cultivo das terras,pela primeira vez as mandou fabricar obedecendo a uma arte, e aguilhoou com preocupações o coração dos mortais, não consentindo que os seus domínios entorpecessem numa pesada modorra. Antes do reinado de Júpiter não havia agricultores em luta com os campos; não era permitido dividir a terra, e assinalar extremas; os homens buscavam o proveito para o bem comum, e o próprio solo produzia mais liberalmente, sem nada se lhe solicitar. Foi Júpiter que deu às negras serpentes o veneno maléfico, quem mandou que os lobos fossem depredadores, quem ordenou que o mar se agitasse, quem, sacudindo as folhas, fez cair delas o mel; quem retirou aos homens o fogo, e estancou os vinhos que corriam. Tudo para que o homem, à força de experiência e constante exercício, forjasse pouco a pouco as várias artes, alcançasse, abrindi sulcos, as messes de trigo, e fizesse brotar das veias da pedra o fogo que se lhe havia ocultado.
(...) Foi Ceres quem primeiro ensinou os mortais a revirar a terra com o ferro, quando já lhes faltava as landes, e Dodona recusava o alimento fácil».
Virgílio, Livro I, ed. Sá da Costa, 1948: «As Geórgicas»).
«CANTEI!, até aqui, o amanho dos campos e os astros do céu; cantar-te-ei a ti, Baco, e contigo as árvores silvestres e a prole da oliveira, lenta no crescer. Vem, ó pae Leneu! Tudo aqui está cheio dos teus dons; em tua honra floresce o campo, carregado de pâmpanos outonais, e a vindima espuma nos lagares atestados. Vem ó pae Leneu! Descalça os conturnos e tinge comigo as pernas nuas no mosto novo! Antes de mais nada, direi que a natureza varia quanto modo por que cria as árvores. Na verdade, umas, sem intervenção humana, nascem expontaneamente, e cobrem ao longe os campos e as margens sinuosas dos rios, como o fime flexível, a branda giesta, o choupo, e os salgueiros brancos, coroados de verde folhagem; outros brotam da semente colocada pela mão do homem, como os altos castanheiros, o roble, que, sobraceiro às mais árvores, se veste de folhas em honra de Júpiter, e as carvalheiras que serviam de oráculos aos Gregos; a outras rebenta da raiz densa mata de pôlas, como sucede às gingeiras e aos ulmeiros, e também ao loureiro do Parnaso, que, pequeno ainda, se desapega da vasta sombra da mãe. Tais são os meios por que a natureza forma primitivamente as árvores: destarte verdeja toda a raça que povoa as florestas, os matagais de arbustos e os sagrados bosques» (Virgílio, Livro II, ed. Sá da Costa, 1948: «As Geórgicas»).
Na fotografia: Ceres sentada. Museo Nacional de Arte Romano.
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quarta-feira, 16 de março de 2016

Religiões Mistéricas

http://www.incomunidade.com/v9/art_bl.php?art=21

http://www.incomunidade.com/v9/art_bl.php?art=21
      EDIÇÃO 8 - FEVEREIRO 2013                                                                                                                                                          INÍCIO                SOBRE                CONTACTOS                     
Filomena Barata

Religiões Mistéricas
Estranha-se a pedra porque está ali onde a olhamos e ela vê-nos à sua maneira com indiferença máxima pelo nosso olhar. Andamos-lhe em volta e não a ignoramos nem a conhecemos nem a podemos domesticar: só podemos admirá-la. Virá-la para dentro. Para o tempo. Que ela mostra. É um relógio de um ponteiro que marca os séculos se os contarmos e tudo o que neles acontece. Um soldado morto vive numa pedra e só nasce debaixo do travesseiro. É um sonho de pedra pequena e muita guerra vista em volta. Com muito tempo. Ninguém as retirava do seu moledro lá por Sagres.
Álvaro Lapa, Impressões da Lusitânia

Se do Oriente nos vem a Luz, dele nos vieram tantas e tantas religiões que o Mediterrâneo adoptou.

Vieram de muitas vias, das memórias da Herança de Roma que conviveu e disseminou pelas suas províncias muitas das religiões provindas do Oriente, e, mais tarde, da influência árabe, que, embora monoteísta, viabilizou que muitas religiões pudessem conviver.

Mas quiseram, um dia, os Cruzados deste Ocidente Cristão - convertido quase em massa após a queda do Império Romano - resgatar violentamente com a espada a Terra Santa, quem sabe um pouco ciosos desse caldo do saber. Mancharam de sangue os lugares sagrados, durante dois séculos.

Mas o Templo de Salomão, edificado vinte séculos antes pelo filho de David, cujo nome significa Paz, e levado a cabo por Hirã ou Hiram Abiff, que por várias vezes foi saqueado e destruído várias vezes, e reedificado, acabou por sucumbir definitivamente às mãos de romanos no século I d.C., mas ficou espiritualmente resguardada a Arca da Aliança, já não na câmara do Santo dos Santos, mas na memória de quem soube guardar em segredo, e para a Eternidade, a sua herança espiritual.

E nem Roma nem a Cristandade conseguiu fazer esquecer a riqueza espiritual que o Templo representava, nem quando o Papa Clemente, em 1312, dissolveu a Ordem do Templo, fundada no rescaldo da primeira Cruzada de 1096 no intuito de proteger os cristãos que desejassem voltar a fazer peregrinação a Jerusalém, esmagando os seus descendentes.

Consta que através da iniciação, estes Cavaleiros adquiriam o Conhecimento e a Sabedoria, motivo que fez com que muitos dos que restavam da Ordem fossem queimados publicamente, vencendo a Intolerância e aparentemente a Escuridão, pois o Conhecimento não desapareceu.

Mas já essa intolerância havia justificado as Cruzadas, pois, ao contrário do que acontecia antes, com a tolerância que até ao século XI em que a dominação árabe do local permitia o acesso dos lugares sagrados a cristãos, a tomada de Jerusalém pelos turcos seldjúcidas, no final dessa centúria deixou de o permitir, servindo esse facto como justificação para uma guerra sangrenta, a que os Cristãos chamaram «Santa».

E partiram do Ocidente os «Cruzados» quando o papa Urbano II, em 1095, convocou expedições que, até pela duração e enorme mortandade, marcaram uma fissura ente o Ocidente e o Oriente que ainda hoje há que reparar.

Mas nem enlutado o Oriente deixaram de chegar a Oeste a reminiscência das velhas religiões.

E ainda hoje o judaico Aleph, que Jorge Luís Borges tão bem homenageou, e todas as outras letras hebraicas se semeiam pelos templos que há em cada um de nós.


Os antigos rabinos e cabalistas explicavam a ordem, a harmonia e as influências dos céus sobre o mundo e a própria História através das 22 letras do alfabeto hebraico, pois da sua combinatória surgiam as Palavras e da sua ligação, casuística aos olhos dos Humanos mas sagrada para a Divindade, nasceu a História. Os "acontecimentos" não são mais do que fruto da aliança das letras e das palavras.

E as letras mistéricas são também algarismos, ou seja a sua grafia é tecida de símbolos, como se fosse cada uma dotada de personalidade própria, como um indivíduo, dotado de força própria e desempenhando um papel determinado.

Deus criou todas as coisas com números, medida e peso. Por isso os cabalistas dizem que cada número contém um mistério e um atributo que se refere à Divindade ou a alguma inteligência.

Tudo que existe na natureza forma uma Unidade pelo encadeamento de causas e efeitos, que se multiplicam ao infinito; e cada uma destas causas refere-se a um número determinado.Tudo que existe na natureza forma uma Unidade pelo encadeamento de causas e efeitos, que se multiplicam ao infinito; e cada uma destas causas refere-se a um número determinado.

Fazem como que um bordado entre elas para bordar e rebordar o nome do Eterno, unindo-se em danças misteriosas.

"1 - ALEPH - AHIH (Aheieh), "Sou o que sou" - essência divina invisível a todos os seres" e com ela iniciou a construção do Mundo”., é o símbolo do universo inteiro. É a letra que, pela sua grafia, representa a ligação entre o mundo superior e o mundo inferior.

ALEPH, a simples, a modesta, foi recompensada por Deus por ter esses atributos, pois foi a escolhida para ser a primeira letra, sendo por isso conotada como o princípio de unidade, após terem desfilado, uma a uma as restantes, perante o Divino.

Beth, a penúltima letra, foi, por sua vez, a de que Deus se serviu para a criação do Mundo, pois é a inicial da palavrabarukh que significa “bendito seja Ele”.

Esta matriz do pensamento, sedimentado na palavra e no ritual que o Estudo da Tora, ou “Lei” introduz, marcou em todo o mundo o pensamento mistérico ou iniciático, em suma o “conhecimento secreto”, pois para aproximação à Palavra Sagrada através da Cabala, cuja literatura esotérica é amplamente difundida a partir dos séculos III e IV, existiam pressupostos de qualidade que só se podiam garantir através da análise do candidato a iniciado. Para garantia das qualidades do iniciado que deveria ter acesso numa iniciação em sete etapas constituídas por “Palácios” recorria-se ao apoio de todas as ciências esotéricas conhecidas: a quiromancia; a astrologia; a numerologia.

 A interpretação dos sonhos era para os cabalistas fundamental, pois consideravam-nos como premonições dadas pelo Céu, pelo que tentar desvelar o seu sentido era atributo de um oniromante, ou interprete dos sonhos.

Curiosamente, em Roma, vemos os sacerdotes do Deus da Saúde, Esculápio induzir o sono aos doentes, através da incubacio, e tendo como veículo a interpretação dos sonhos assim se poderem tratar.

Embora os processos divinatórios não sejam o tema desta reflexão, lembraremos outras divindades que através da profecia e da adivinhação, a exemplo de Carmenta, faziam vaticínios inspirados, neste caso chamados carmina, pois a divindade fazia os seus vaticínios através da palavra, em poema ou canto.

Vemos ainda, para além de centenas de outras divindades, como é o caso de Fauno – protector dos rebanhos e pastores – ser consultado nos seus oráculos, de forma a, através das suas palavras proféticas, se predizer o futuro.

Ao que se sabe, a sua esposa, Fauna tinha também poderes premonitórios.

Mas Fortuna foi das divindades mais reconhecidas pelas suas capacidades divinatórias de tal forma que Cícero, filósofo e escritor dos séculos II- I a.C. , lhes dedica uma obra «De divinatione».

 A adivinhação e a consulta dos oráculos, bem como a interpretação do voo das aves ou das vísceras de animais sacrificados era um dos métodos mais recorrentes em Roma, sendo subjacente à tomada de medidas do quotidiano, ou mesmo decisões governamentais e mesmo imperiais.

E muitos imperadores, a exemplo do próprio augusto, se socorriam de outras artes divinatórias, havendo mesmo astrólogos particular de origem oriental de que não prescindia para tomar as suas decisões.

Do que nos refere Ovídio, também um poeta latino do século I, autor, entre tantas mais, da célebre obra «Metaformoses», também a deusa Juno era consultada nos seus oráculos, e deixava ouvir as suas palavras através do movimento das folhas de árvores.

aqui, pois, segundo o próprio, teria sido iniciado em diversos cultos mistéricos. São estas as suas palavras: «Na Grécia fiz parte de iniciações na maior parte dos cultos mistéricos. Conservei ainda, com grande carinho, certos símbolos e recordações destes cultos, que me foram entregues por sacerdotes. Não estou dizendo nada insólito, nem desconhecido». (APULEIO, Apologia, LV, 8). E, diz-nos ainda: Pois bem, eu também, como já disse, conheci, por meu amor à verdade e minha piedade aos deuses, cultos de toda classe, ritos numerosos e cerimônias variadas. E não estou inventando esta explicação para acomodar-me às circunstâncias [...] (APULEIO, Apologia, LV, 9-19).


Em Roma, a expressão “religiões de mistérios” refere-se, normalmente, ao culto de Ísis, Mater Magna ou particularmente Mitra, de Dioniso Baco, e, igualmente, ao culto de Elêusis, representante dos mistérios propriamente ditos, os mistérios de Elêusis, ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Deméter e Perséfone e que se realizavam na cidade grega, nas proximidades de Atenas, considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na Antiguidade.

Estes mistérios foram adoptados pelo Império Romano, os ritos eram guardados em segredo, só transmitidos aos novos iniciados.

Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e Proserpina entre os Romanos) presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios, mas a elas voltaremos numa II parte desta reflexão.

Os mistérios eleusinos celebravam o regresso de Perséfone, visto que era também o regresso das plantas e da vida à terra, depois do inverno, e as sementes que a deusa trazia significavam o renascimento de toda a vida vegetal na primavera.

Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe e a deusa da agricultura, os iniciados viam nela a luz celeste, mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos deuses cosmogônicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina esotérica que lhes veio do Egipto.

Ao que diz a lenda, o ritual dos Mistérios de Elêusis reporta ao facto de a deusa Perséfone, filha de Deméter, ter raptada por Hades (Plutão), rei do Mundo Inferior, quando colhia flores com suas amigas, as Oceânidas.

Deméter, ao tomar conhecimento do rapto, ficou tão amargurada que deixou de cuidar das plantações dos homens aos quais havia ensinado a agricultura, originando a fome. Os homens morriam de fome, até que Zeus (Júpiter), que havia permitido que o seu irmão Hades, o deus dos mortos e das profundezas, raptasse Perséfone fazendo-a sua esposa e vivendo com ela nas entranhas da Terra, resolveu reparar o mal cometido. Decidiu, então, que Perséfone deveria voltar à superfície da Terra durante seis meses para visitar sua mãe e outros seis meses passaria com Hades, originando o ciclo das colheitas e da Natureza.

Assim no-la descreve, Claudiano (Séculos IV e V), no seu «O Bordado de Prosérpina»

«Com maviosos cantos deleitava
estes sítios a terna Prosérpina:
e para a mãe, que em vão saudosa espera,
um presente tecia, primor d'arte.
Co'a destra agulha desenhava, astura
o trono de seu Pai, celeste assento.
Engenhosa na tela figurava
dos Elementos a constante série;
a Natureza o caos arranjado,
e em seu justo lugar as cousas pondo;
fixando onde compete o que é mais leve;
fazendo gravitar o que mais pesa;
encandilando o éter; e obrigando
sobre um ponto a girar o céu c'os astros;
fica fluido o mar; sólida a terra,
suspendida no espaço ilimitado.
Tinge os raios da luz com várias cores
e acende as estrelas num céu d'ouro.
Sobre um leito azulado as ondas brincam;
as preciosas pérolas que alvejam
crescem nas paias, e por arte os fios
se levantam, fingindo crespas ondas.
Parece que nas rochas s'espedaçam
as marítimas plantas, verdes algas;
que se ouve o som das águas, murmurando,
quando serpeiam pela solta areia.
Ali bordou também as cinco Zonas;
e c'um rio de púrpura assinala
o sítio onde o calor mais permanece.

Roma - Claudiano (c. 370 - 404).(a partir de Tradução de Marquesa de Alorna)

No Livro XI da Metamorfoses, Apuleio, que parece ter sido também iniciado nos mistérios de Liber, uma das denominações de Baco, faz uma minuciosa descrição de um ritual de iniciação aos mistérios de Ísis, essa deusa de origem egípcia, cultuada em todas as partes do mundo greco e romano onde lhe foram erigidos templos e obeliscos em toda a Península Itálica e nas províncias, cujos maiores atributos eram ser mãe e esposa ideais, protectora da natureza e da magia, amiga dos escravos, artesãos, pescadores e oprimidos, e a deusa da maternidade e da fertilidade, cujas habilidades mágicas devolveram a vida a seu irmão Osíris, pois reuniu as diferentes partes do seu corpo que tinham sido despedaçadas e espalhadas sobre a Terra por Seth, deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes, dizia-se, pela pormenorização de Ovídio só poderia ser obra de alguém que conhecesse bem tal culto.

Segundo alguns autores, a exemplo de Walter Burkert, estas religiões ficaram conhecidas como fazendo uma alteração básica na atitude propriamente religiosa, pois transcendiam a perspectiva realista e pragmática da religião romana e possuíam uma espiritualidade mais elevada, sendo consideradas, portanto, religiões de salvação.


E por isso, para Apuleio considerava também na sua obra Apologia a necessidade de associar o conhecimento das práticas mágicas à sua filosofia. (Apologia, XV, 9).

Curiosamente, Apuleio, no Asno de Ouro, um dos livros mais profundamente iniciáticos que conheço, faz eco de uma devoção lunar atribuindo ao burro que, em estado de desespero, faz uma oração dedicada a uma divindade de fortes conotações lunares, à "Lua cheia resplandecente de admirável brilho" a quem confere uma "transcendente majestade, e que todas as coisas humanas se regiam por sua providência; que não somente o gado e as bestas feras, mas também as inanimadas, vegetavam pelo divino influxo de sua luz e divindade (...)".

E suplica-lhe, então, apelando a atributos que lhe foram conferidos ao longo dos tempos:

“Rainha dos céus, ou tu sejas Ceres criadora, primeira mão dos frutos, que alegre com o achado da filha removeste o alimento da antiga bolota própria das feras, e ensinaste uma comida mais suave, e agora habitas o terreno de Elêusis; ou tu sejas a celeste Vénus, que na primeira origem das cousas ajuntaste os diferentes sexos gerando amor, e propagaste a espécie humana de eterna descendência, e agora és adorada no templo de Pafos que ‚ rodeado de mar; ou sejas a irmã de Febo que, favorecendo o parto das mulheres com brandos remédios, tens dado à luz tantos povos, e agora és venerada nos sumptuosos templos de Éfeso; ou tu sejas Prosérpina, horrível pelos uivos nocturnos, que reprimes com a triforme face os ímpetos dos espectros, e encerras os arcanos da terra e, vagueando por diversos bosques, és aplacada com diferentes modos de culto: tu que alumias os muros de todas as cidades com a tua feminina luz, que crias as alegres sementes com teu húmido fogo e esparges uma luz incerta segundo as revoluções do Sol: por qualquer nome, quaisquer ritos e debaixo de qualquer forma que ‚ lícito invocar-te, tu me socorre agora em minha extrema calamidade, tu consolida minha forma desbaratada, tu dá-me paz e repouso depois de tão cruéis desgraças sofridas.” ( Asno de Ouro).

Não querendo prolongar-nos na análise simbólico/ religiosa desta prece, gostaríamos, no entanto, de mencionar o facto de Apuleio conferir a esta divindade atributos que serão comuns à iconografia cristã das Virgens e Santas: "Uma coroa multiforme de diversas flores lhe cingia o alto da cabeça e, no meio dela sobre a fronte, um disco plano, à maneira de espelho (...); dos lados direito e esquerdo, víboras entonadas a cingem com suas roscas, e por cima se estendem também espigas de cereais. Seu vestido era de muitas cores e tecido do mais fino linho (...). Pela orla bordada do manto e por toda a sua superfície cintilavam estrelas dispersas, e no meio delas a Lua dardejava seus chamantes fogos. Também por toda a borda deste insigne manto corria, aplicada com inseparável união, uma grinalda construída de todas as flores e de todos os frutos".


Podemos pois considerar que, para Apuleio há efectivamente uma diferença entre magia e religião oficial, mas que segundo esse autor latino a sua prática não deveria ser punida, tanto mais que não vivem separadas.

Estamos capazes de concluir assim que, em termos gerais, o que diferencia a magia da religião é a própria característica do poder que é atribuído ao mago. Enquanto para a religião oficial, o religioso tem uma devoção aos seres sobrenaturais referenciados pela sociedade em votos, ritos e preces individuais ou colectivas, já o sistema mágico tem como finalidade uma espécie de auxílio divino através de ritos que obrigam os deuses a fazerem a vontade do mago, socorrendo-se, para o efeito de esconjuros, orações e sacrifícios. (adap. Julio Caro Baroja).

Em reflexão subsequente daremos conta, mais em pormenor, dos cultos mistéricos de Baco e de Mitra, bem como do culto de outra divindade de origem oriental, Serápis, que foi cultuada, em Período romano, no Santuário de Panóias, Vila Real.




















Nasceu em Luanda, Angola, 18 de Maio de 1957. É Licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa e concluiu o Mestrado de Arqueologia na Faculdade de Letras do Porto, em 1997. Fez a profissionalização em exercício do ensino secundário, no ano lectivo de 1990/91, pela Universidade Aberta. É actualmente, desde 2011, técnica Superior da Direcção Geral dos Bens Culturais da Secretaria de Estado da Cultura. Foi, em 1998, Chefe de Divisão de Salvaguarda da Direcção Regional de Évora do IPPAR, em regime de Comissão de Serviços, tendo sido, em 2002, nomeada Directora Regional da DRE do IPPAR, lugar que ocupou até 2007. Em 2008, é Assessora da Direcção do IGESPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico) e, em 2010, Assessora da Direcção do IMC (Instituto Português de Museus). Leccionou na Universidade de Évora, nos anos de 2005-2006, como Assistente convidada, as disciplinas de Epigrafia e Arqueologia da Romanização. Tem participado de inúmeros colóquios e congressos sobre Património Histórico-Arqueológico e Artístico, bem como sido responsável por várias mostras museológicas. Foi Co-responsável pelo Programa «Itinerários Arqueológicos do Alentejo e do Algarve», um programa em colaboração entre a Secretaria de Estado da Cultura e do Turismo. Foi Responsável pelas Ruínas de Miróbriga e pelo seu programa de Valorização até 2009. Fez parte do Conselho Editorial do Consórcio da Cidade Histórico-Artística e Arqueológica de Mérida e foi correspondente portuguesa da Revista de Arqueologia, Madrid. É cronista, desde 20010, da revista Setúbal na Rede, na área do Património Cultural. É responsável científica da «Revista Portugal Romano» e colaboradora assídua do seu site. É Vice-Presidente da Associação para a Lusofonia Vitriol e pertence aos Corpos Gerentes da Liga de Amigos de Miróbriga.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Visitas temáticas à Exposição Lusitânia Romana: Origem de dois povos





Visitas Guiadas 12 de março, às 11h00 e às 15h30

Visitas temáticas à Exposição Lusitânia Romana: Origem de dois povos

No dia 12 de março, o Museu Nacional de Arqueologia, organiza duas Visitas temáticas à exposição Lusitânia Romana: Origem de dois povos

A cidade romana
 às 11h00, por Mariana Morgado

A fundação de uma cidade romana era também um ato religioso, que cumpria rituais próprios, alguns deles, de origens arcaicas. Augusta Emerita, erguida à imagem e semelhança de Roma, é o convite para conhecermos a vida na cidade. 
A Lusitânia no Feminino às 15h30, por Filomena Barata

Por ocasião da celebração do Dia Internacional da Mulher, aproveite para conhecer a condição da mulher em época romana.
Embora a generalidade das meninas romanas recebesse apenas uma instrução básica, pois a sua função primordial era prepararem-se para ser esposas, mães e donas da casa (domina), é um facto que vemos muitas mulheres romanas assumir grande relevância social e houve muitos exemplos de mulheres que exerceram influentes profissões e que dirigiram negócios lucrativos. Assim, poderemos afirmar que as Mulheres protagonizaram um papel mais preponderante do que se poderia imaginar, quer na vida doméstica, religiosa e influenciando decisões políticas, quer ainda na literatura ou mesmo em profissões como a de médico que são conhecidos epigraficamente. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Sabia que Irisalva Moita foi percursora na Arqueologia de Lisboa?





Irisalva Constância de Nóbrega Nunes Moita, nascida em Sá da Bandeira (Lubango) a 21.05.1924 e falecida a 13.06.2009, foi uma ilustre Museóloga e Olisipógrafa, Directora durante muitos anos dos Museus Municipais de Lisboa ainda se desdobrou em múltiplas actividades, tendo colaboradorado com os CTT . 

Foi-lhe outorgada a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa a 18 de Maio de 2008, Dia Internacional dos Museus. 

Reconhecida internacionalmente como uma das maiores autoridades em Conservação Municipal, manteve já devois de reformada, a causa da protecção do património da cidade de Lisboa, que, mesmo já ajudada por uma bengala,  percorria a pé , denunciando qualqueir destruições ou atentados ao acervo da Cidade.


Parafraseando Cristina Horta:


«Faleceu a 13 de Junho mas por seu pedido expresso só foi noticiado a 23 do mesmo mês. Soube também que existiu um obituário de Luís Miguel Queirós, um texto de Pedro Picoito, bem como uma referência do Centro Nacional de Cultura.

Fiquei à espera de mais notícias, de artigos de fundo e até de uma homenagem. Estive atenta à imprensa, mas em vão.
Pela profunda admiração e amizade que sempre devotei a Irisalva,  não podia deixar de a recordar através de uma breve referência  que depois possa ser retomada e continuada por aqueles que com ela privaram e que sintam o mesmo desejo de fazer justiça a quem muito fez e de forma tão generosa.
Irisalva Moita foi Directora dos Museus da Cidade de Lisboa, uma grande investigadora da Olisipografia  e, muito em especial, de Rafael Bordalo Pinheiro. Deixou-nos mais de cem artigos, alguns acessíveis na net, nomeadamente sobre Rafael e a Caricatura, (texto de uma conferência que proferiu no Museu de José Malhoa, em 1987)  e sobre Rafael Bordalo Pinheiro e as personagens do seu tempo.
Coordenou importantes exposições, ainda hoje de referência, «O Culto de Sto. António, na região de Lisboa», «Lisboa e o Marquês de Pombal» e «Lisboa Quinhentista. A imagem e a vida na cidade»  Azulejos de Lisboa ( 1984) e «Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro» (1985)».

As inúmeras publicações, como «O Livro de Lisboa», ou as escavações arqueológicas, de que é pioneira em contexto urbano, realizadas no Teatro Romano de Lisboa, Hospital Real de Todos-os-Santos e Necrópole Romana na Praça da Figueira, entre outras, constituem alguns dos seus muitos contributos para o estabelecimento da História de Lisboa.





Trabalhou empenhadamente pelo Património, com sentido de missão e com muito amor. Irisalva tinha largos horizontes e todo o tempo era pouco para estudar e acautelar  os azulejos, os edifícios, a memória. Desenvolveu um trabalho de grande seriedade intelectual e destacou-se por um carácter forte e de grande verticalidade. Foi um exemplo e não deve ser esquecida».

A partir de: Archport, July 10, 2009 2:44 PM


A 18 de Maio de 2008, Dia Internacional dos Museus, foi-lhe outorgada a Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.

Deixou vasta obra publicada, de que destacamos:


MOITA, Irisalva. "O teatro romano de Lisboa ", Revista Municipal, Lisboa, vol. 124/125, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa, 1970, p.7- 37 .


 Imagem


Coordenação e organização de Irisalva Moita)




IRISALVA MOITA
[JOSÉ MECO]


Lisboa, 1985

Palácio Galveias – Câmara Municipal de Lisboa
1.ª edição [única]
29,6 cm x 21 cm
250 págs.
na capa, RBP desenhado por António Carneiro
obra profusamente ilustrada
exemplar como novo; miolo limpo
catálogo de referência para o estudo da cerâmica de RBP 
110,00 eur

Acervo magnificamente apresentado pela Autora, onde se reúnem imagens de 579 espécimes e XXXVII marcas e assinaturas identificadas.