terça-feira, 21 de março de 2017

A Poesia do Transcendente, no Museu Nacional de Arqueologia

Hoje, celebra-se o  Dia Mundial da Poesia.

No próximo dia 25, pelas 15h 30m, no Museu Nacional de Arqueologia, dar-se-á voz à Poesia clássica, através de um percurso em torno  de algumas das peças da mostra «Religiões da Lusitânia» e «Lusitânia dos Flávios»,  com a colaboração da Associação Clenardus.



Prece às Musas

Belas filhas de Mnemósine e de Zeus Olímpico,
            Musas Piérides, escutai a minha prece.
Concedei-me da parte dos deuses bem-aventurados a felicidade
            e, perante os homens, ter sempre boa fama,
ser doce aos amigos, amargo aos inimigos,
            respeitado por aqueles, temível para estes.
(..........................................................................................................)

                                                                      Sólon (séc. VII-VI a. C.)



segunda-feira, 20 de março de 2017

A LUZ, lembrando hoje o Equiócio da Primavera.

Filomena Barata

A LUZ

http://www.incomunidade.com/v32/art_bl.php?art=232

O despojamento, um exercício fundamental e desejável, não é sinónimo de ausência de complexidade.Porque até a luz contém todas as cores!
Talvez, de há uns tempos para cá, seja dos temas que tratarei com mais dificuldade. Talvez por um motivo apenas, porque é um dos que mais me fascinam.

E porque a Luz, no Presente geográfico de onde escrevo neste momento, Angola, é, como em todas as sociedades um elemento fundamental.

Mas a Luz aqui, que se transforma ao nascer e pôr do Sol num mundo com todas as tonalidades de uma grandeza que náo se consegue descrever, num elogio das cores que a compõem, é, durante o dia, quase sempre filtrada como que por uma névoa que a evaporação causada pelo calor provoca.

É uma Luz coada que poucas vezes permite ver o Céu do azul que conhecemos no Ocidente Peninsular.
 E inicio este texto quando o Céu resolveu estalar, trovejando, sem, contudo me ter dado conta de os Deuses se terem zangado, nem tão pouco os Humanos estarem de costas viradas para eles.

Zeus, certamente, resolveu accionar os poderes conferidos ao domínio do Olimpo, e acionar os seus atributos de rapidez, enviando raios até este ponto do Atlântico Sul.

Para os Egípcios, o deus egípcio da tempestade, dos trovões e do caos era Set (ou Seth). Sabemos através de uma lenda, que esse ser rude, bestial, assassinou o seu irmão Osíris.

Ísis, esposa de Osíris, desesperada com a sua morte procura e encontra o corpo do marido, conseguindo engravidar mesmo com ele já morto. Dessa união, nasce Hórus que Ísis esconde de forma a que Seth não saiba de sua existência, nem atente contra sua vida. Conta com a protecçáo de outras divindades, designadamente Rá, seguido de Toth, deus da sabedoria.

Numa outra lenda, ao invés, Set usa o seu poder para proteger Ra, o deus do Sol.

Na mitologia grega antiga, Zeus atirava flechas do céu quando fica enfurecido, a mesma arma que manejara com destreza para derrotar os inimigos, os Titãs, que o permitiu tornar-se o deus dos deuses. Era ele, Zeus, que tinha poder sobre os fenómenos atmosféricos, lançando a chuva com a sua mão direita e usando a sua força de forma destruidora, mas também para que fosse benfazeja com as plantações. Por isso, Zeus é representado na própria estatuária grega com os seus atributos: o relâmpago ou raio na mão direita, sendo também seus atributos a águia, o touro e o carvalho, que simbolizam reciprocamente a rapidez, a força, a energia e o poder do comando.

As flechas de Zeus brilhando por entre as nuvens fazem um barulho ensurdecedor, como descreviam os Antigos, povoando as suas mentes de medo, mas também de fascínio por táo grande poder.
 Do mesmo modo, os Gregos criam que os Cíclopes, os gigantes de um só olho (chamados Arges, Brontes e Estéropes,32), forjavam raios para Zeus, pai dos deuses do Olimpo, para lançá-los sobre os mortais.

Tal como Zeus e seu equivalente romano, Júpiter, o deus indiano das tempestades, Indra, é também o soberano dos deuses. Essa divindade vermelha e dourada usa também a sua flecha tanto para liquidar os inimigos como para fazer reviver aliados desfalecidos. Destrói demónios e serpentes, mas também é criador de vida, trazendo luz e água para o mundo.

O simbolismo associado à LUZ, à saída das trevas, encontra-se presente em quase todas as culturas e civilizações e religiões, desde épocas remotas.

Já na célebre «Alegoria da Caverna», parte constituinte do livro VI de «A República» de Platão, a Luz associa-se à ideia Libertação do Homem acorrentado que vive num mundo de Sombras. É através do conhecimento e da Razão, ou, numa palavra, da Luz, que o Homem se aproxima da realidade que, num primeiro momento, o ofusca.

Mas é quando toma contacto com o Sol, como fonte de Luz, da qual provém toda a Vida, os seus ciclos, o Tempo, e a energia que se apercebe como vivera destituído do conhecimento real.

Em muitas religiões ou mesmo ritos iniciáticos, a LUZ associa-se a esse mesmo conhecimento, mas ainda a uma força renovadora e plena de energia. Afinal é o dia que se sucede à noite como nos dá conta Mozart na sua «Flauta Mágica».

A Luz está, portanto, associada ao conhecimento, assumindo em muitas religiões um carácter de força celeste, a Luz divina ou Luz espiritual de que o culto do Espírito Santo é, claramente, uma manifestação. O despertar da Luz interior é, por sua vez, uma constante em rituais iniciáticos, tendo aqui como clara conotação o Conhecimento e o Crescimento Interior.

Lembro ainda Lúcifer, o Deus-astro dos Romanos, sucedâneo do Fósforo dos Gregos.

Lúcifer é a divindade que anuncia a Aurora de quem é filho, tendo outras designações como a Estrela da Manhã ou Estrela d’Alva; Héspero, Heósforo.

É este deus que em hebraico significa brilho e que os textos bíblicos de Isaías referem como representando o Mal, numa alegoria ao rei da Babiónia: "Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você que dizia no seu coração: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembleia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo’" (Isaías 14:12-14).

Lúcifer assume ainda nos Textos Sagrados, em Ezequiel, desta feita numa alusão ao rei de Tiro, os males a que o Homem e os tiranos se converteram: «Por meio do seu amplo comércio, você encheu-se de violência e pecou. Por isso eu o lancei em desgraça para longe do monte de Deus, e eu o expulsei, ó querubim guardião, do meio das pedras fulgurantes. Seu coração tornou-se orgulhoso por causa da sua beleza, e você corrompeu a sua sabedoria por causa do seu esplendor. Por isso eu o atirei à terra; fiz de você um espetáculo para os reis. Por meio dos seus muitos pecados e do seu comércio desonesto você profanou os seus santuários. Por isso fiz sair de você um fogo, que o consumiu, e eu reduzi você a cinzas no chão, à vista de todos os que estavam observando. Todas as nações que o conheciam ficaram chocadas ao vê-la; chegou o seu terrível fim, você não mais existirá" (Ezequiel 28:11-19)».
É assim que a Luz de que Lúcifer era o patrono se transforma numa energia maléfica, ou seja na sua própria antítese, pois é através dos seus poderes e planos que reis e governantes terrenos tomam para si honras que só a Deus pertencem.

Mas subjacente à mesma ideia, esse castigo infligido aos deuses ou Humanos que pretendem alcançar aquilo que à Divindade Suprema pertence é também o mito Grego do Gigante Prometeu de quem Zeus temia o poder e que, segundo o mito, criou, a partir de um bloco de argila misturada com água, o primeiro Homem.

É Prometeu que vai roubar do Carro do Sol uma faísca e vem oferecer aos Homens o Fogo divino.

Desta e outras afrontas feitas ao Pai dos Deuses, Zeus enfurecido oferece aos Humanos Pandora, criada pelo deus Hefesto, e que, segundo o mito, abre uma Caixa e espalha sobre a Terra todos os males.

A Prometeu restou-lhe ser acorrentado no cume do Monte do Cáucaso, onde o seu fígado era devorado por uma águia, até ter sido libertado por Héracles desse flagelo.

Temos assim, em muitos mitos e religiões, um claro confronto entre a Luz e as Trevas que espelham a luta titânica que o Homem trava na sua caminhada para a Luz, enquanto Conhecimento e Saber, tantas vezes fustigado e castigado por desejar ser também detentor de algo que para elas deveria estar apenas consignado ao Divino.
Mas, ainda assim, o Homem, enquanto ser de Conhecimento e de Razão, prosseguirá a sua Viagem no sentido da LUZ, libertando-se de todas as forças que o desejem acorrentar!

terça-feira, 7 de março de 2017

OS DEUSES ESCONDEM-SE ATRÁS DAS ÁRVORES

http://www.incomunidade.com/v45/index.php



ANO 4EDIÇÃO 45 - ABRIL 2016
Filomena Barata

OS DEUSES ESCONDEM-SE ATRÁS DAS ÁRVORES


«Foi ela que deu o germe das plantas e das árvores, foi ela que reuniu nos laços da sociedade os primeiros homens, espíritos ferozes e bárbaros, foi ela que ensinou a cada ser a unir-se a uma companheira. Foi ela que nos proporcionou as inúmeras espécies de aves e a multiplicação dos rebanhos. O carneiro furioso luta, às chifradas, com o carneiro. Mas teme ferir a ovelha. O touro cujos longos mugidos faziam ecoar os vales e os bosques abandona a ferocidade, quando vê a novilha. O mesmo poder sustenta tudo quanto vive sob os amplos mares e povoa as águas de peixes sem conta. Vénus foi a primeira em despojar os homens do aspecto feroz que lhes era peculiar. Dela foi que nos vieram o atavio e o cuidado do próprio corpo».

Ovídio, Metamorfoses

Iniciara eu este trabalho, há muitos anos atrás, dando sequência a um levantamento efectuado sobre as espécies vegetais e animais das Ruínas de Miróbriga, Santiago do Cacém, bem como aos diversos estudos publicados, relativos a determinados  testemunhos florísticos e faunísticos desse sítio arqueológico, desejando fazer um elenco das referências existentes na literatura latina às mesmas e tentar ainda encontrar as suas associações com as divindades romanas. 


Estava também profundamente crente que um Sítio Arqueológico como a cidade romana de Miróbriga, para além do seu intrínseco valor científico e patrimonial, como testemunho do Passado, deveria assumir, no Presente, uma estreita relação com o meio e o ambiente onde se insere, pois a paisagem que ainda o envolve remonta a tempos milenares, com a sua zona de montado, mas onde, também na periferia, crescem tantas espécies de origens remotas, comuns ao Mediterrâneo.

Dispunha-me a fazer um trabalho infinito que nem uma vida inteira me deixará terminar.

Mas como Abril é o mês dos cravos e das rosas, o mês de Vénus, cujo culto está, em Miróbriga, atestado epigraficamente, através de duas inscrições dedicadas à divindade, e arqueologicamente, pois existe um templo de planta absidial que, muito possivelmente, lhe era dedicado - essa construção tem uma planta que se relaciona com o “templo de abside” dedicado a Venus Genetrix que foi construído em posição dominante do Forum Iulium para homenagear a origem mítica dos Iulii -,não quis deixar de partilhar um pequeno apontamento desse trabalho que nos permite percepcionar como, de facto, para os Romanos, não há Natureza, Divivindade e Humanidade separadas, pois são todos eles um TODO relacionável.


Templo de planta absidial de Miróbriga, Santiago do Cacém (lado esquerdo)

Abril deriva, ao que é comum aceitar-se, do latim «aprilis» que, por sua vez, se filia no verbo «aperire», que significa abrir, lembrando a estação do ano e o abrir das flores na Primavera.

Há quem defenda também que Abril derive de Aprus, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão.

Outra versão é que se relaciona com Afrodite, nome grego da deusa Vénus, que teria nascido da espuma do mar que, em grego antigo, se dizia "abril". E por isso a crença ainda actual de que os amores nascidos em Abril se eternizam, sob os auspícios da divindade.

Este mês era, por isso, consagrado pelos romanos à deusa Vénus chamando-se também por isso «mensis veneris», o mês de Vénus.

Também Ceres, a deusa da agricultura, e Baco, o deus do vinho, eram festejados neste mês pelos romanos.

Ceres continuava assim a honrar a fertilização da terra, que se abre nesta época do ano para receber a sementeira que, mais tarde, produzirá os frutos.

Baco, que corresponde ao Dionísio dos gregos, era também homenageado provando-se, pela primeira vez e com grande solenidade, o vinho da colheita anterior.

O mês era de Abril era representado por Cupido com uma coroa de rosas na cabeça.

Mas também a rosa era o atributo de Vénus, que com ele se fazia representar.

Assim se refere o poeta Virgílio, no século I

"Era o primero a colher a rosa na Primavera e no Outono as frutas. E quando o Inverno frio fazia estalar de frio as rochas e parava com o gelo o curso das águas, ele já estava recortando as folhas do jacinto, maldizendo o atrazo do Verão e  a deora dos céfiros. (Virg. Georg. IV)

Lembremos pois a rosa, uma das flores de maior simbolismo na cultura ocidental.

O seu nome tem origem latina, havendo, contudo, quem defenda que procede do grego «rhodon» numa referência a Rodes, ilha coberta de rosas.

Considerada "a rainha das flores" pela poetisa Safo no século VI a. C., ela teria sido criada, segundo a mitologia grega, por Clóris, deusa das flores (Flora entre os romanos), com o corpo inanimado de uma ninfa.

Era consagrada a Afrodite, deusa do amor, a Vénus da época romana.

Fotografia: Clara Pimenta do Vale

Dioniso, segundo a tradição mais difundida do mito, ofereceu-lhe seu perfume inebriante, e as Três Graças deram-lhe o encanto e o brilho que ela oferecia aos que a contemplavam.


Também Cupido, filho de Marte, deus da guerra, e de Vénus, usava uma coroa de rosas, bem como Príapo, deus dos jardins e da fecundidade.

Ao que se sabe, um milénio antes da nossa era, a rosa-de-damasco, uma das mais antigas que se conhece, era cultivada na ilha de Samos, no Mediterrâneo, exactamente em honra de Afrodite.

Consagrada a muitas outras divindades da mitologia, é símbolo de Afrodite e de Vénus, tendo sido adoptada pelo cristianismo que tornou a Rosa como o símbolo de Maria.

Mas regressemos ainda à Mitologia grega, que narra que Afrodite, quando nasceu nas espumas do mar, a espuma tomou forma de uma rosa branca, simbolizando a pureza e a inocência.

O Mito diz-nos ainda que, quando Afrodite viu Adónis ferido, pairando sobre a morte, a deusa foi socorrê-lo, tendo-se picado num espinho e seu sangue acabou por colorir as rosas que lhe eram consagradas.

Também na Antiguidade as rosas eram usadas sobre os túmulos, símbolo de luto, existindo um festival em honra de Flora e de Vénus chamado “Rosália”, e todos os anos, no mês de Maio, as sepulturas eram adornadas com essas flores.

Na Antiga Roma, cria-se que as rosas eram invenção da deusa Flora (deusa da primavera e das flores), que as criou quando uma das ninfas da deusa morreu. Perante a sua tristeza, cada deus contribuiu com um elemento para tornar a rosa a mais bela e desejada das flores; Apolo insuflou-lhe a vida; Baco deu o néctar; Pomona os frutos. Cupido deu-lhe os espinhos ao tentar espantar abelhas que se apaixonaram por ela.

O mito explica assim o aparecimento da rosa: as abelhas eram atraídas pela flor e quando Cupido atirou suas flechas para as afugentar, elas foram transformadas em espinhos.

A 23 de Abril comemoravam-se ainda as vinalia, festa dedicada ao vinho sob a protecção de Vénus que concedeu aos humanos o vinho corrente vinum spurcum. A Júpiter, como deus que regulava o clima, eram-lhe oferecidas libações com vinho benzido pelo  sumo sacerdote. Por sua vez, no templo de Venus Ericina, jovens e prostitutas reuniam-se procurando relacionamentos e ofereciam à deusa mirto, menta e juncos entre ramos de rosas, pedindo beleza.

A Rosa é, igualmente, consagrada à deusa Isís que é apresentada com uma coroa de rosas. Em muitas religiões mistéricas ou iniciáticas, a rosa fechada simboliza o segredo. Mas valor das rosas é também muito presente na Alquimia: uma rosa branca com um lírio era o símbolo da “Pequena Obra”; e as rosas vermelhas estavam associadas à “Pedra Filosofal”, o objectivo máximo de um alquimista, a “Grande Obra”.

Durante os Festivais anuais dedicados a Adónis que decorriam em cidades gregas, em cerimónias fúnebres, as mulheres plantavam sementes de flores e regavam-nas com água morna, para que crescessem mais depressa, fazendo com que as roseiras florescessem rapidamente. Mas também morriam num ápice: eram os denominados Jardins de Adónis.

Adónis, ao que  diz a Mitologia, havia nascido da casca da árvore da Mirra em que se tinha metamorfoseado Smirna ou Mirra para fugir ao castigo do seu irado pai, Téias, com quem manteve relações incestuosas.

Maravilhada com a extraordinária beleza de Adónis, Afrodite tomou-o sob sua protecção e entregou-o a Perséfone, filha de Ceres e de Zeus, que havia  sido raptada por Hades para o submundo,  para que ela o criasse.

À medida que Adónis cresceu, as deusas passaram a disputar a sua companhia, e Zeus, para resolver a situação, estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas. Contudo, Adónis preferia Afrodite e permanecia sempre com ela.

Mas a sua natureza altiva, não escutando os conselhos de Afrodite, foi a perdição de Adónis que,  um dia que foi à caça, acabou por sucumbir ao ataque de um javali ferido que lhe cravou os dentes, deixando-o moribundo.

Tal como Ceres e Perséfone, a Proserpina romana, o mito de Adónis está relacionado com os ritos simbólicos associados à Natureza, representando-se assim a morte da vegetação nas profundezas da terra. Adónis personifica a semente que morre e ressuscita, num outro ciclo, com a germinação a vida. 

Derivando da palavra latina flos (flores),Flora era, por sua vez, uma ninfa romana das flores, intimamente ligada à Primavera.  
Porque um novo ciclo se anuncia com a entrada dessa estação, Flora aparece-nos referida como deusa da fertilidade.

Durante os festejos que lhe eram dedicados em Roma, atiravam-se sementes sobre a multidão para atrair a fertilidade e a abundância, situação em que podemos encontrar algum paralelismo no hábito de, nos nossos dias, deitar arroz sobre os recém-casados. 
Eram também sacrificadas ovelhas e ofertado mel.

O mel era exactamente considerado um dos presentes que Flora tinha dado aos seres humanos, simbolizando a abelha a força feminina da natureza.

Flora foi inúmeras vezes associada a Deméter/Ceres, Ártemis e Perséfone/Prosérpina e o poeta Ovídio chega mesmo a relacioná-la com a mitologia grega, identificando-a com a ninfa grega Cloris, embora a origem da divindade seja claramente itálica.

Nessa versão do Mito de Ovídio, um certo dia de Primavera, Zéfiro, o vento oeste, avistou a ninfa Cloris, apaixonou-se por ela e transformou-a em Flora. Como prova de seu amor, Zéfiro nomeou a sua amada como rainha das flores, das árvores frutíferas e concedeu-lhe o poder de germinar as sementes das flores de cultivo e ornamentais, entre elas, o cravo.


Mas também o morango era a fruta da deusa Vénus, e símbolo de fertilidade, tentação e paixão, símbolo dos amores perdidos da mesma deusa por Adónis.

Na Mitologia romana os morangos eram chamados de "Lágrimas de Vénus" e do que reza a lenda, quando o mais belo dos homens morreu (Adónis), as lágrimas de Vénus transformaram-se em pequenos corações vermelhos, embora a mesma lenda nos apareça associada a outras plantas, flores, a exemplo da rosa, e animais, designadamente o javali que investiu contra Adónis e a anémona, ou flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de seu nascimento como de sua morte.

Muito possivelmente a utilização do morango para poções mágicas de amor relaciona-se, com este mito.

Já eram conhecidas as suas caracterísicas mediciais em época romana, pois o fruto tem grandes propriedades em toda a planta: fruto, raiz e folhas.


E retomo as palavras do autor latino do século I que heroiciza,  nas suas Geórgicas, o prestígio da vida agrícola, como um dos pilares da época de Augusto,  :

«(...) Quando renasce a Primavera, e frios regatos correm das montanhas cobertas de neve, e o Zéfiro desagrega as leivas, é chegada a ocasião dos bois começarem a gemer sob o peso do arado tanchando a fundo, e de rebrilhar ao sol a relha desgastada pelo roçar nos sulcos. (...)
Mãos à obra, portanto! Comecem os teus robustos bois, desde o primeiro dia do mês, a revolver a terra feraz, para que o poeirento Verão recoza com rais ardentos de sol as glebas que se lhe oferecem.

(...) o pai dos deuses, o próprio Jove, determinou que fosse árduo o cultivo das terras, pela primeira vez as mandou fabricar obedecendo a uma arte, e aguilhoou com preocupações o coração dos mortais, não consentindo que os seus domínios entorpecessem numa pesada modorra. Antes do reinado de Júpiter não havia agricultores em luta com os campos; não era permitido dividir a terra, e assinalar extremas; os homens buscavam o proveito para o bem comum, e o próprio solo produzia mais liberalmente, sem nada se lhe solicitar. Foi Júpiter que deu às negras serpentes o veneno maléfico, quem mandou que os lobos fossem depredadores, quem ordenou que o mar se agitasse, quem, sacudindo as folhas, fez cair delas o mel; quem retirou aos homens o fogo, e estancou os vinhos que corriam. Tudo para que o homem, à força de experiência e constante exercício, forjasse pouco a pouco as várias artes, alcançasse, abrindo sulcos, as messes de trigo, e fizesse brotar das veias da pedra o fogo que se lhe havia ocultado.

(...) Foi Ceres quem primeiro ensinou os mortais a revirar a terra com o ferro, quando já lhes faltava as landes, e Dodona recusava o alimento fácil».

«Tu, Minerva, que nos deste a oliveira; tu moço inventor do curvo arado; tu, Silvano, que usas em guisa de cajado um tenro cipreste arrancado com as raízes! E vós todos, deuses e deusas a quem cabe o cuidado de proteger os campos, que alimentais as plantas que o homem não semeou, e derramais do céu, sobre as que ele cultiva, a chuva benfazeja!» Também o geógrafo Estrabão se refere à riqueza agrícola e mineira da Turdetania do seguinte modo: «trigo, muito vinho e azeite; este de grande quantidade, e de qualidade insuperável» e adianta ainda que grande parte da costa atlântica e mediterrânica estava coberta de arvoredo: oliveira, vinha, figueira e outras árvores semelhantes e que a região entre o tejo e o Cantábrico "era naturalmente rica e frutos e gado" (3, 3, 5).

Virgílio, Livro I, ed. Sá da Costa, 1948: «As Geórgicas».


Fotografia: Clara Pimenta do Vale

Associada a Atena, (Minerva) e a Júpiter, encontramos neste autor, ao longo da sua obra, várias referências à oliveira, Associada a Atena, (Minerva) e a Júpiter, encontramos neste autor, ao longo da sua obra, várias referências à oliveira, bem como em Catão, Plínio e Estrabão.


Era considerada a árvore da civilização, da fecundidade, da paz e da vitória sobre as forças obscuras, esterilizantes e injustas. 
Do que nos diz a Mitologia, a deusa Atena, que zela pelo Estado e pela prosperidade do mesmo, fez brotar a oliveira por detrás do Erectéion, como o mais belo presente que podia oferecer aos Atenienses.

Mas também a deusa velava pela agricultura.
Segundo Plínio, «Há também azeitonas muito doces que se secam por si, mais doces que uvas passas; são bastante raras e produzem-se na África e próximo de Emérita, na Lusitânia» Plínio, NH, XV, 17.

Este autor latino refere ainda que a Bética obtinha as suas mais ricas colheitas das oliveiras e que o solo cascalhoso era muito apto para plantar olivais.

É sabido que a oliveira, a par da videira, foi uma das primeiras árvores a ser cultivada, há mais de 5.000 anos, no Mediterrâneo Oriental e Ásia Menor, sendo os Fenícios, Sírios e Arménios os primeiros a consumir azeite.

Era utilizado na alimentação, higiene e beleza e ainda com fins medicinais.

Durante o Período Romano, foi muito utilizado para tratamentos capilares, sendo também aproveitado para a iluminação, designadamente nas lucernas, ou candeias, como lubrificante de ferramentas e alfaias agrícolas, impermeabilizante e ainda em rituais religiosos, tendo mantido, contudo, o seu tradicional uso na alimentação e para efeitos medicinais.

Mas também todas as outras plantas, árvores e flores beneficiavam dessa íntima relação com as divindades.

Os cereais, criados por Ceres, e, mais especificamente, o trigo, aparecem associados pois a Ceres e Deméter, filha de Crono e de Reia, que parece ter dado os primeiros grãos de trigo a Céleo de Elêusis.

É a deusa do trigo, facilitando-lhe a germinação, e as colheitas, de que assegura o amadurecimento.

Também na obra de Virgílio há inúmeras referências ao trigo  que aconselha «Terras anegradas, onde a relha escorrega quase sem esforço, mas que se esfarelam - para isso serve o charruar - são as melhores para o trigo»,

As Geórgicas, Ed. Sá da Costa, 1948, Lisboa. Plínio, NH, XVIII,

Por sua vez, Plínio informa-nos, na sua História Natural, que na Hispânia o trigo se guardava em silos e que «assim, se não penetra qualquer ar no trigo, é seguro que não haverá qualquer dano» Plínio, XVIII, 306-307.

Por sua vez, Plínio informa-nos, na sua História Natural, que na Hispânia o trigo se guardava em silos e que «assim, se não penetra qualquer ar no trigo, é seguro que não haverá qualquer dano» Plínio, XVIII, 306-307.

Segundo informação de Estrabão, «Da Turdetânia exporta-se trigo, muito vinho e azeite; este, para mais, não só em quantidade, como de qualidade insuperável» Estrb. III,2, 65.

Assim das mãos de Deméter/Ceres surgiu o trigo, considerado também o símbolo da Civilização, essa capacidade de os Humanos moldarem a Natureza.

Sendo a deusa da agricultura, fez muitas viagens em companhia de Dionísio, deus da vinha e do vinho, para ensinar os homens a cultivarem a terra e a cultivá-la.



Teve uma filha com seu irmão Zeus chamada Perséfone, de que já falámos nesta revista, que vivia meio ano nas profundezas da Terra e outra metade vinha ajudar a sua mãe. Com o seu regresso inaugurava-se a Primavera, marcado pelo Equinócio da Primavera.

Cantemos, pois, a Primavera e os campos que encherão de papoilas, honrando também Deméter, deusa da fertilidade e das estações do ano e de que a flor é atributo.

Poderá consultar-se:

Filomena Barata,

Espécies vegetais de Miróbriga e as suas referências mitológicas e Bibliográficas


Filomena Barata
Mestrado em Arqueologia
Colaboradora do CIDHEUS, Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades. Universidade de Évora

quinta-feira, 2 de março de 2017

Dia Internacional da Mulher no Museu Nacional de Arqueologia


O Museu Nacional de Arqueologia associa-se às iniciativas do Dia Internacional da Mulher, lembrando as Mulheres de todos os tempos.
Assim, pelas 10h 30m de dia 8 de Março, irá realizar uma visita guiada à exposição «As Religiões da Lusitânia», observando o testemunho que o tempo nos deixou, escrito ou lavrado no feminino.
Junte-se a nós!

Na fotografia: Busto Cabeça-retrato de uma jovem mulher, proveniente da Villa Romana de Milreu. Publicada em:
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=110198

© Arquivo de Documentação Fotográfica, DGPC. MNA




"Esta cabeça evanescente e aguda,
tão doce no seu ar decapitado,
do Império portentoso nada tem:
nos seus olhos vazios não se cruzam línguas,
na sua boca as legiões não marcham,
na curva do nariz não há povos
que foram massacrados e traídos.
É uma doçura que contempla a vida,
sabendo como, se possível, deve
ao pensamento dar certa loucura,
perdendo um pouco, e por instantes só,
a firme frieza da razão tranquila.
É uma virtude sonhadora: o escravo
que a possuía às horas da tristeza
de haver um corpo, a penetrou jamais
além de onde atingia; e quanto ao esposo,
se acaso a fecundou, não pensou nunca
em desviar sobre el' tão longo olhar.
Viveu, morreu, entre colunas, homens,
prados e rios, sombras e colheitas,
e teatros e vindimas, como deusa.
Apenas o não era: o vasto império
que os deuses todos tornou seus, não tinha
um rosto para os deuses. E os humanos,
para que os deuses fossem, emprestavam
o próprio rosto que perdiam. Esta
cabeça evanescente resistiu:
nem deusa, nem mulher, apenas ciência
de que nada nos livra de nós mesmos."

Jorge de Sena



quarta-feira, 1 de março de 2017

Glossário de termos latinos (A a L)


















Queria oferecer a todos os meus alunos de Grândola, de Alvalade do Sado, de Santiago do Cacém e da Universidade de Évora o trabalho que agora vou iniciar.


























À Luísa Amaral, minha colega e amiga desses anos idos de Grândola, que me viu desenhar neste caderno e que tive a sorte de reencontrar, mando um abraço especial.


Será uma recolha, uma espécie de glossário de termos latinos, feita a partir da bibliografia consultada, nos anos em que fui obrigada a fazer o estágio do ensino, em Alvalade do Sado e em Santiago do Cacém, para não perder o vínculo à função pública, pois só isso me permitia poder regressar ao meu local de trabalho no Instituto Português do Património Cultural de que tanto gostava.
Para não perder o contacto com o Mundo Romano, fui fazendo inúmeras leituras nos meus tempos livres, fundamentalmente de autores latinos, e criaram-se nas Escolas onde leccionei Clubes do Património e de  Arqueologia.

Aos alunos do «Clube Europeu de Arqueologia» de Santiago do Cacém o meu abraço especial, por tudo o que conseguimos fazer juntos a bem de Miróbriga.






Tentativa de réplica de Termopolium de Miróbriga.

Feira Agrícola de Santiago do Cacém, 1991. 
Com a participação dos alunos da Escola Secundária Manuel da Fonseca., Santiago do Cacém.

Também o dedico a todos os arqueólogos que comigo fizeram as suas escavações e que hoje seguem as suas carreiras profissionais, bem como a todos os meus colegas, a quem peço toda a tolerância, pois apenas agora vou reiniciar este trabalho, tendo plena consciência que está muito incompleto e lacunar, porque se trata apenas de uma primeira abordagem aproveitando velhas recolhas e as leituras efectuadas nos anos acima referidos e que tem que ser revista e completada, mas fica aqui o meu compromisso de que o irei actualizando sempre que possa, funcionando, entretanto, como apoio a estudantes e ainda ao trabalho que neste blogue se edita.



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Glossário:

ÁbacoParte superior do capitel. Peça quadrangular posta sobre o capitel que assenta sobre a corbelha.

Abóbada - Vulgarizada no Período Romano, é uma construção em forma de arco que cobre espaços compreendidos entre muros, pilares ou colunas. É composta por peças lavradas de pedra, designadas aduelas ou de tijolo.

Ábside zona arredondada duma basílica romana, na extremidade oposta à porta principal,  ou de um compartimento da arquitectura doméstica.

Abrasão - Técnica que consistia em desgastar as zonas de decoração encostando a superfície do vidro contra uma roda de torno.

Acanto - Planta cujas folhas são utilizadas em elementos decorativos,  caracterizando os capitéis coríntios. 

Actus - dimensões utilizadas no urbanismo romano = 35,52m

Actus quadratus - dimensões utilizadas no urbanismo romano = 1261,44 m2

Acus crinalis (pl.aci crinalis) - alfinete com que as mulheres romanas prendiam os cabelos.Era um adorno feminino muito apreciado e de uso corrente. Utilizavam-se para segurar os complicados penteados, bem como os toucados tocados que como o demontram algumas esculturas femininas.

Aditus maximus - entrada principal do teatro romano.

Adiutor Tabularius - Adjuntos ou ajudantes de guarda-livros, aqruivistas ou notários (Tabularium pl. tabularii).

Adoratio - beijo da mão direita usada para saudar uma divindade [Plinius, Historia Naturalis, 28,25]).

Aduela - Pedra cortada em ângulo, que entra no aparelho dum arco ou duma platibanda.

Aedes - É o lugar onde habita a divindade, enquanto o templum é o espaço – plataforma ou terraço onde se elevava o altar ao ar livre – definido por um ritual. Mas como a aedes também era constituída por esse ritual, considerava-se igualmente templum. Os dois termos são, portanto, usados com frequência como sinónimos.

Aedilis (lat.) Edil - O nome deriva de Aedes ou templo. É o Magistrado romano,cuja função primordial é garantir o aprovisionamento das cidades, estava-lhes cometida a responsabilidade municipal de construção de edifícios e infra-estruturas,  policiar os mercados, tratar da manutenção das ruas e edifícios públicos e dos lugares sagrados. Estavam também encarregues da organização e do policiamento de certos jogos públicos e de vigiar os pesos e medidas. Os edis participavam ainda da proposta de criação de leis referentes ao urbanismo. Na maioria dos casos, o exercício da edilidade era um «trampolim» para a ascensão ao cargo de duúnviro, como parece ter acontecido com o cidadão de Miróbriga. A existência destes magistrados em Miróbriga confirma a sua organização municipal, em termos jurídico-administrativos, e implica a existência de receitas autárquicas próprias. De salientar que o exercício de uma magistratura outorgava a cidadania a quem a desempenhava, bem como aos seus ascendentes e descendentes. O direito de cidadania compreendia os direitos civis e os direitos políticos como o voto e o privilégio de servir nas legiões.

Aeneum spiculum - utensílio (forceps) usado para extracção dos fetos.

AE. "Aes/aeis" - cobre ou bronze em latim. Em numismática utiliza-se para referir-se a qualquer moeda que tenha alto teor de cobre; terminologicamente utiliza-se a expressão com o formato "AE xx", e xx indica o diâmetro da moeda expresso em milímetros. O conceito é válido para moedas cartaginesas, gregas e romanas. Para o Baixo Império se utiliza a denominacão AE 1, AE 2, AE 3 y AE 4 para expressar os tamanhos aproximados das mesmas, dada a variedade e dificuldade para controlar a sua morfometria exacta.

Ager publicus - expressão latina que significa terreno público, propriedade do Estado, em contraposição ao  ager romanus, objecto de propriedade privada (dominium ex iure Quiritium).

Agitadores ou aurigas - eram os profissionais mais valorizados nos ludi circenses, ou seja, nas corridas do circo. Os vencedores recebiam uma recompensa e eram coroados com uma coroa de louros.

Agricultura/Mundo Rural
(Ver: José María Blázquez, «Urbanismo y Sociedad en Hispania», p: 83.
idem, Agricultura y Minería Romanas».
«O Camponês» in O Homem Romano.
Silio Itálico
Justino
Virgílilio, Geórgicas
Plínio
Estrabão.
Ver ainda:
M.G. BRUNO, Il Lessico Agricolo Latino, 2ª ed., A. M. Hakkert, Amsterdam, 1969
K. D. WHITE, Agricultural Implements of the Roman World,  Cambridge Univ. Press, Cambridge, 1967/2010
Roman Farming (Aspects of Greek and Roman Life). Thames and Hudson, London, 1970
Farm Equipment of the Roman World, Cambridge Univ. Press, Cambridge, 1975/2010

Estrabão afirma que, do ponto de vista agrícola a região mais rica era a Turdetania, que também tinha uma fabulosa riqueza mineira, referindo “trigo, muito vinho e azeite, este em grande quantidade, e de qualidade insuperável” para exportação.
Segundo esse autor, na Bética as terras “estavam cultivadas com grande esmero, tanto as ribeirinhas, como as das ilhas”. Refere ainda que os canais (de água) serviam para o tráfico e para a rega. Informa também que grande parte da costa mediterrânica e atlântica estava coberta de arvoredo, de arboleda.
Sobre as divindades relacionadas com os bosques e campos, recomendo a leitura de: «Os bosques e os campos e seus deuses no âmbito da Província da Lusitânia», in Religiões da Lusitânia - Loquuntur Saxa, MNA. 2002.

Acus - utensílio metálico ou de osso para coser. Podem também ser utilizadas para coser redes, a exemplo da que apresentamos abaixo.






Agulha de bronze para coser redes, proveniente da Abicada, Mexilhoeira Grande, Portimão. Museu Regional de Lagos.



Agulhas e alfinetes de cabeça em osso, Sepultura de Galla, Ruínas Romanas de Tróia.


Prosérpina « (…) lavrava com a agulha a série dos elementos e o trono paterno, bordava com que regra a mãe natureza ordenou a antiga confusão e como os elementos se dispuseram nos lugares próprios: o que é leve para o alto é conduzido, no meio caiem as coisas mais pesadas, tornou-se o ar incandescente, o fogo ergueu-se para o céu, ondeou o mar, ficou suspensa a terra. E não havia apenas uma cor: com o ouro iluminou as estrelas, derramou as águas com púrpura. Com as pedras preciosas ergue um litoral, fios em relevo dão engenhosamente fora a fingidas ondas».
Claudiano, «O Rapto de Prosérpina».

Allae - Zonas geralmente porticadas que lateralizam um templo.

Alto- Império - Teve início com a aclamação do primeiro imperador romano, Augusto, em 27 a. C.

Busto de Augusto, proveniente de Mértola.



Alvenaria - construção em pedra ou tijolos com argamassa.




Alvenaria de pedra. Ruínas Romanas de Miróbriga, Santiago do Cacém.

Alveus (pl. alvei) - Piscinas localizadas na zona aquecida das termas, sendo o topo absidiado, dada a necessidade de concentrar o vapor e o ar quente necessários.
Muitas vezes era revestida com pequenos degraus, um deles servindo de assento (pulvinus), outro para por os pés. 



                        "Alveus" do caldarium de Miróbriga. Ainda são visíveis as placas que o revestiam ou o                                               negativo das mesmas no "opus signinum". Fotografia de Luis d'el Rey.

Amuleto - Muito utilizados entre os romanos, existiam desde para uso pessoal, até para protecção do ambiente doméstico.





 Objectos de osso provenientes de Tróia , Setúbal, entre eles uma estatueta antropomórfica que poderá ter função apotropaica.





Amuletos fálicos em bronze com carácter apotropaico. 


Museu Monográfico de Conimbriga.



Aparelho - Corte e agrupamento de pedras na alvenaria.

Aparelho isódomo - Qualquer construção em que as pedras são aparelhadas e que todas as fiadas têm a mesma altura (como o opus quadratum). Distingue-se do aparelho pseudo-isódomo, em que as pedras são aparelhadas e têm igual tamanho,  mas na mesma fiada. O aparelho isódomo permitia que as pedras fossem cortadas numa pedreira e aplicadas no estaleiro de construção, enquanto o pseudo-isódomo já obrigava a que o canteiro e o pedreiro trabalhassem em simultâneo no local de construção.

Apodyterium - Sala das termas, próxima da entrada que tinha como função ser vestiário, onde os utilizadores se despiam e guardavam as roupas.

Apotropaico - Carácter religioso dado a determinados elementos, normalmente esculturas fantásticas ou animalísticas, que colocadas junto às sepulturas protegiam o defundo e seus bens.

                                               Estatueta antropomórfica da Rua de Sembrano. Beja.


Aqua pluviae - água proveniente das chuvas que era recolhida pelos sistemas urbanos de saneamento ou por estruturas de armazenagem de água como por exemplo, as cisternas.

Aquae caducae - águas sobrantes ou remanescentes, que transbordam dos tanques, fontes, fontanários e iam para locais onde não era necessária água potável, como por exemplo, as foricae e as latrinae (Ver: Mário Fortes, 2008, Anexo I: 4).

Aquae ductu - aqueduto; construção destinada a dar passagem à água que corria sobre arcadas ou sob o solo (Ver: Mário Fortes, 2008: 4).

Aquilex - vidente, especialista encarregado de localizar os lençóis de águas subterrâneas. Também pode designar o engenheiro hidráulico com uma atividade comparável ao arquiteto na construção de aquedutos (Ver: González Tascón, I. e Velásquez, I. (2004). Ingeniería romana en Hispania. Historia e técnicas constructivas, Fundación Juanelo Turriano, Madrid). 

Aquilifer - Legionário que garantia a segurança da águia que acompanhava a legião.
«A águia romana era um símbolo da Roma Antiga, sendo usada pelo exército romano como insígnia das legiões romanas. No tempo de Gaio Júlio César era feita de prata e ouro. A partir da reforma de Augusto passou a ser feita só de ouro. A águia era custódia da primeira coorte e só saía do acampamento romano em ocasiões raras, quando toda a legião se movimentava».


Estatueta representando águia. Museu de Évora. Fotografia Portugal Romano.

Alabastron - Pequeno recipiente de corpo cilíndrico, fabricado sobre núcleo de areia, com base hemisferica ou apontada, com bordo acusado e horizontal, por vezes possuindo duas asas opostas.

Amphoriskos - Recipiente em forma de ânfora, fabricado sobre núcleo de areia, com corpo globular, base apontada, pescoço alto e estreito, possuindo duas asas opostas.

Alimentare  (latim) - alimentar





                                              Mosaico do Triclinium da villa  de Adriano, Aventino

Iniciarei com as referências do Satyricon de Petrónio, no lauto banquete que descreve em casa do liberto Trimalquião. Gradualmente aditarei outras informações. Nessa obra, são nomeadas:
- lebres e aves de capoeira (p: 39)
- empadas, bolos armados (p. 41)
- Galo guisado (p: 51)
- Várias especiarias (pimenta e cominhos), p: 53
- Porcos, p: 53
- Presunto, p: 60
- Bolos e frutos vários, p: 65
- Vinho e água, p: 70
- Porco coroado de morcela; miúdos de ave; pão integral; mel quente; gão de bico; tremoços; avelãs; maçãs (p: 72)
- Passas  de uvas e nozes; marmelos, p: 76
- Ostras e conchas, p: 77
- Vinho, p: 116
Ver ainda em Suetónio são referidos:
- Queijo de vaca prensado à mão; figos; mão molhado em água fresca; pepino, p: 108
O alimento base no mundo romano é o cereal transformado em pão. Os próprios soldados eram, muitas vezes, recompensados em trigo. O arroz era somente usado para engrossar os molhos. Em contrapartida, os legumes eram utilizados nos pratos vulgares, tal como as couves. En grande parte eram cultivadas nos jardins, sendo apenas minoritariamente adquiridas nos mercados. A cenoura não era muito apreciada. Da beterraba era mais comum a utilização das folhas. O uso do alho e a cebola era vulgar, bem como das saladas frescas, temperadas com Garum, azeite e vinagre.
«Os ricos também podiam comprar carnes vermelhas, ricas em gorduras, e mais pão branco do que os pobres, cuja dieta era constituída essencialmente por pão de má qualidade (pane sordidus) e azeite». in O Homem Romano; p. 235.
São conhecidas também inúmeras referências ao ganso nas fontes clássicas, designadamente em Plínio, HN, V, 27; Marcial, XIII, 58. Juvenal, Sátira, V, 114, mais especificamente à utilização do seu fígado para fabricar foie gras.



Passaremos a citar a partir de:

http://derecoquinaria-sagunt.blogspot.com.es/2013/02/anser-iii-usos-culinarios-y-medicos.html
«Son muchos los autores que hacen referencia al hígado como Marcial, XIII, 58:
” ¡Fíjate cómo de hinchado está el hígado, m...ayor que un ganso grande! Admirado, dirás: “Esto, pregunto, ¿dónde ha crecido?”. Y Juvenal, Sátira, V 114:
”Ante él el hígado de un ganso grande, un capón tan cebado como un ganso…”
Plinio X, 27 nos explica cosas muy curiosas, como por ejemplo, quién inventó la manera de hacer engordar el hígado del ganso, quién cocinaba al ganso de una manera peculiar, etc.: “Nuestro pueblo es muy sabio, porque estima el ganso por la bondad de su hígado. Cuando están bien cebados, éste crece hasta un tamaño muy grande, y se hace todavía más grande al ser empapado en leche con miel. Y, de hecho, no sin razón, es materia de debate quién fue el que descubrió por primera vez tan gran delicadeza. Era Metelo Escipión, un hombre de dignidad consular, o Seius M., un contemporáneo suyo, un romano de rango ecuestre. Sin embargo, una cosa sobre la que no hay disputa, era Messalinus Cotta, hijo del orador Messala, quien descubrió el arte de asar las patas palmeadas del ganso…Es un hecho maravilloso, en relación con esta ave, que viene a pie todo el camino desde el país de los Morini a Roma, y los que están cansados se colocan en la primera fila, mientras que el resto, movidos por un instinto natural para se muevan como un bloque conjunto, los llevan adelante. Una segunda fuente de ingresos, también, es que también se deriva de las plumas del ganso blanco. En algunos lugares, a este animal se le arrancan las plumas dos veces al año, en los que las plumas crecen rápidamente de nuevo. Esos son los más suaves que se encuentran más cerca al cuerpo, y los que vienen de Alemania son los más estimados: los gansos allí son blancos, pero de tamaño pequeño, y se llaman gantœ. El precio pagado por su plumaje es de cinco denarios por libra. Es a partir de esta fuente fructífera que hemos repetido los cargos formulados contra los comandantes de las tropas auxiliares, que están en el hábito de separar cohortes enteras de los puestos donde deben estar en guardia, en la búsqueda de estas aves: en efecto, hemos llegado a tal grado de afeminamiento, que ahora en día, ni siquiera los hombres pueden pensar en acostarse sin la ayuda de las plumas del ganso, a modo de almohada”».

Recomendo ainda a leitura de À Table avec Cesar, Paris, 1984 e ainda sobre Apicius o seguinte trabalho, dotado de um belíssimo glossário: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/29146/000775928.pdf?sequence=1
Sobre alguns dos tipos e vícios em Roma, pode ainda consultar: http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3907/1/ulfl080840_tm.pdf






Receita de abóboras segundo Apício



Anfiteatrum (latim) - Anfiteatro. Trata-se de um dos mais característicos edifícios lúdicos da arquitectura romana. De forma circular ou elíptica é constituído por uma arena e uma área para espectadores. A elipse é a forma que os distingue mais, se bem que existam exemplares quase circulares, com arquibancadas, destinado a festas públicas e espectáculos. Localizavam-se geralmente junto das portas principais das cidades para facilitar o acesso ao mesmo. Tinham vários andares (geralmente três ou quatro), elevados através de complexos sistemas de abóbadas radiais e concêntricas, que suportavam as galerias sob as bancadas e a própria arena. 

Ver: LVDI ROMANI (referência abaixo).





Anfiteatro de Bobadela



Amphora - Ânfora 
Recipiente cerâmico romano de dimensões consideráveis, geralmente em forma ovóide, com duas asas e pé estreito, servia para o transporte de variados produtos alimentares, entre os quais vinho, azeite, preparados piscícolas ou cereais.
(s. f.)
 –
do lg
Podiam ser, pontualmente, também utilizadas como urnas, a exemplo do que aconteceu nas Ruínas de Tróia.
Sobre as ânforas oleárias, recomendo a consulta a bibliografia e a leitura de: O Azeite da Baetica na Lusitania, Carlos Fabião. 


https://www.academia.edu/5292474/O_AZEITE_DA_BAETICA_NA_LUSITANIA



COELHO SOARES. A.e SILVA,C.T.1978, Ânforas Romanas da Área Urbana de Setúbal, SetúbalArqueológica ,4.p. 171·201.


DIOGO,A.M.D.1984, O Material Romano da Campanha de Escavações na Alcáçova de Santarém, Conimbriga ,23, p.111·141.Conimbríga, 32·33 1993-1994).219-245


DIOGO.A.M.D.,FARIA e FERREIRA.M.A.,1987, Ânforas de Alcácer do Sal. Conimbriga .26.p.
DIOGO A. M. D.e ALVES.F.1989 (só editado em 1993),  Ânforas provenientes do meio fluvial, O ArqueólogoPortuguês .SérieIV. p.217-139


FABIÃO.C.,1989, Sobre as Ânforas do Acampamento Romano da Lomba do Canho, Arganil. Cadernos da Uniarq. U. Lisboa




Ânforas do MNA


Ver: Frederico Coelho Pimenta, “Subsídios para o estudo do material anfórico conservado no Museu Regional de Sintra”, Sintria. Revista de Estudos de Arqueologia, Arte e Etnografia, vols. 1-2, t. I, 1982-83; Alexandre Gonçalves, A Necrópole Romana do Casal do Rebolo (Almargem do Bispo, Sintra), Lisboa, 2011; Marco Oliveira Borges, “A Defesa Costeira do Litoral de Sintra-Cascais durante o Garb al-Ândalus. I – Em torno do Porto de Colares”, História. Revista da FLUP, IV sér., vol. 2, Porto, Faculdade de Letras do Porto, 2012).

Annona - Taxa ou tributo pago em bens que contribuía para suster o exército. Imposto pago em géneros que ajudava a suster os exércitos ou ainda se dava o mesmo nome à repartição do trigo entre os pobres.
Durante a maior parte do Período republicano , o fornecimento de cereais (cura annonae) era garantido pelo edil. A annona foi personificada por uma deusa e era distribuído a partir do templo de Ceres. Ao que parece, já em 440 a.C, o Senado Romano terá nomeado um oficial especial chamado annone praefectus com poderes muito alargados.
Segundo Denis van Berchen (La annona y el Itinerario Antonino (1937), anexos de El Miliario Extravagante, 4, ed. Gonzalo Arias, Ronda 2002), A. H. M. Jones (idem) e outros autores, este sistema fiscal terá tido iniciado por Séptimo Severo e teve o seu apogeu no Baixo-Império, após as reformas de Diocleciano (284-305 d.C.).
Luis Fraga da Silva defende que o Sítio Arquológico do Cerro da Vila possa ter desempenhado essas funções. 
http://imprompto.blogspot.pt/2005/11/quarteira.html


Sarcófago da Annona, pormenor. Fotografia-de-Raul-Villanueva.



Sarcófago da Annona. Via Latina. (270 - 280 d. C).
Museu Nacional de Poma - Palazzo Massimo alle Terme.
Fotografia Wikimedia Commons, Usuário: Folegendros (2010)

Aparelho - sistema construtivo.

«Chama-se isódomo, quando todas as fiadas são assentes com a mesma espessura; chama-se pseudo-isódomo, quando a disposição das fiadas é desigual e desalinhada. Ambos são resistentes, em primeiro lugar, porque as próprias pedras têm as características de serem densas e maciças e, por isso, não podem absorver a água da argamassa; pelo contrário, mantêm-na húmida durante muito tempo; também as próprias juntas horizontais, aplanadas e niveladas de antemão, não permitem que a argamassa se desintegre; pelo contrário, mantêm-se uniformemente ligadas ao longo da espessura da parede durante muito tempo».
Vitrúvio, De Architectura, 2.8.6.


Aparelho almofadado - sistema construtivo com silhares que têm a sua parte central da sua superfície em ressalto, assemelhando-se a uma almofada.

Apodyterium (pl. apodyteria) - Instalações que serviam para vestiários nos balenários ou balnea, próxima da entrada.


Argamassa - mistura de cal e areia podendo também ser usada a puzzolana, também conhecida como cinza pozolânica.
A propósito das Argamassas, relembro as palavras de Vitrúvio:
«Depois de a cal ter sido apagada, então far-se-á em seguida a mistura da argamassa, de forma a que se deite três partes de areia, se esta for fóssil, para uma de cal; se for fluvial ou marinha, junte-se duas partes de areia a uma de cal. Desta forma ter-se-á a relação correcta da mistura da composição. [1]
(…)
Na verdade, as areias fósseis secam rapidamente nas estruturas, mantêm-se nos revestimentos e sustêm as abóbadas; mas só aquelas que tenham sido extraídas recentemente dos areeiros. Se forem retiradas e ficarem expostas durante muito tempo, consumidas pelo sol, pela lua e pela geada, ficarão desfeitas e terrosas. Quando são aplicadas assim na estrutura, não poderão manter as pedras unidas; estas desfazem-se e
desabam, não podendo suportar as cargas nem as paredes. Ainda que as areias extraídas há pouco tempo tenham tais qualidades para a construção da estrutura, elas não são tão vantajosas para os revestimentos, porque a força da cal misturada com estas areias tão
grossas não é suficiente para secar sem abrir fissuras. Pelo contrário, a areia fluvial, por causa de ser mais fina como a do «opus signinum», pode ser consolidada se forem usados liáculos». [2] e [3]
[1] Vitrúvio, De Architectura, 2.5.1.
[2] Vitrúvio, De Architectura, 2.4.3.
[3] Os “liáculos” eram instrumentos que visavam polir os revestimentos semelhantes às modernas espátulas

Aquae - termo que, tal como o nome indica, se refere a uma localidade onde há águas termais ou curativas.





Ver: Pátera de prata de Otañes-Cantabria.-Veículo-cisterna-para-transportar-as-águas-salutíferas.
Imagem obtida a partir de:
https://www.facebook.com/pages/Traianvs-Ingenier%C3%ADa-Romana/151487124895824[/caption]

Aqueduto - Sistema de engenharia que permite transportar água a grandes distâncias.
http://www.tarraconensis.com/Merida/acueductosyembalses.html

Ara ou Arus - altar destinado a sacrifícios; pedra em forma de altar onde poderia existir uma inscrição votiva ou funerária.
Arcus arco. Aparelho de alvenaria curvilíneo, destinado a reunir dois pontos de apoio.

Arco de Triunfo - Arco honorífico, comemorando vitórias ou momentos de notória relevância.





Arco de Triunfo de Aosta. Fotografia Filomena Barata

Aríbalo - é um vaso de origem grega, de corpo globular, alça pequena e gargalo estreito. É normalmente utilizado para óleos de higiene e de cuidados com o corpo, sendo comum o seu uso entre os atletas.


Ver Aríbalo proveniente de Villa Cardílio e Aríbalo do Museu Municipal Santos Rocha, Figueira da Foz

Armas - Ver Soldado (Glossário de M a Z)

Pode considerar-se que o legionário romano era um soldado muito bem equipado, sendo o armamento principal composto por:  elmo de bronze (cassis), capacete metálico (galea), couraça de metal que protegia o peito (lorica ou lorica segmentata - armadura), escudo de madeira ou couro (scutum), espada curta (gladio, lat. gladius), lança de metal (hasta), dardo de madeira com ponta de metal (pilo lat. pilum) e pugio - adaga.



Capacete romano.-séculos II-III-d.C. Musée-dart-classique-de-Mougins.




Glandes de chumbo. Cabeça de Vaiamonte. Fotografia: Catálogo da exposição Lusitânia Romana. p. 87

Para lançar esta peça de arma utilizava-se uma funda ou fundíbulo. Uma arma de arremesso constituída por uma correia ou corda dobrada, em cujo centro é colocado o objecto que se deseja lançar.
O escritor romano Vegécio registou:
"Os recrutas serão ensinados na arte de lançar pedras com ambas as mãos e com a funda. Dizem que os habitantes das Ilhas Baleares são os inventores da funda, e de as administrar com surpreendente destreza, o que se deve à forma como educam suas crianças. As crianças não eram permitidas ter a comida antes que a tivessem golpeado com a funda. Os soldados, mesmo usando suas armaduras defensivas, são mais duramente afectados com as pedras redondas lançadas pelas fundas que por todas as setas do inimigo. As pedras matam, sem mutilar o corpo, provocando uma mortal contusão em que não há perda de sangue. É universalmente sabido que os antigos usavam fundíbulos em todas as suas batalhas. É imprescindível instruir todas as tropas, sem excepção, neste exercício, pois a funda não pode ser tida como algo difícil, e é de grande utilidade, especialmente quando devem ocupar lugares pedregosos, ou defender uma montanha ou elevação, e ainda proceder à defesa de um castelo ou cidade."
Proveniência: Alvor
As peças provenientes de Alvor em depósito no Museu Nacional de Arqueologia faziam parte do então denominado Museu do Algarve, tendo sido recolhidas por Estácio da Veiga no ano de 1878. Segundo Estácio da Veiga a freguesia de Alvor era denominada por alguns autores como Portus Annibalis e é uma área com abundantes registos arqueológicos.
Em zonas circundantes a esta vila, nomeadamente junto a zonas ribeirinhas próximas o autor descobriu tanques de salga e numerosos vestígios de Época Romana.

Guerra, Amílcar, "Acerca dos projécteis para funda da Lomba do Canho (Arganil)" O Arqueólogo Português. Lisboa. 4.ª série, 5 1987, p. 161-177;


Luis Fraga da Silva Três exemplares inéditos de Balsa. Projécteis de funda em chumbohttp://arkeotavira.com/alg-romano/geral/funda-glandes-balsa-10.1.jpg



arkeotavira.c


Ver Ponta de dardo de época romana
Proveniente de Torre de Palma, actualmente no Museu Nacional de Arqueologia
Esta peça do armamento romano poderia ser utilizada no Escorpião - uma catapulta romana de tiro rápido.
As Legiões romanas foram equipados com estas pequenas catapultas que poderia ser desmontado e transportado com muita facilidade.
Muitas reproduções modernas do Escorpião são baseados em exemplares que foram encontrados durante as escavações arqueológicas perto Ampurias, Espanha, em 1912

Armamento procedende da villa romana de São Cucufate. Casa do Arco, Vila de Frades,Vidigueira.
Fotografia José Manuel Jérez Linde

Ver: Bainha de adaga de época romana.

Formada por duas folhas: a superior, de bronze dourado, é dividida em quatro painéis (dois lisos e dois com decoração vasada); a inferior é uma placa de ferro liso. As duas placas são fixas por doze botões de bronze que prendem ao mesmo tempo quatro presilhas para as correias de suspensão da arma.
Conímbriga - recolhida nas Escavações Luso - Francesas (1964-1971)
Museu Nacional de Arqueologia





http://www.portugalromano.com/2011/02/acampamento-militar-romano-de-vaiamonte/



Onagro - máquina de guerra, evolução da baladeira ou catapulta, armas de arremesso da engenharia militar romana. É como que um «aperfeiçoamento da antiga catapulta de torção, através de adaptações sucessivas quer de um grande arco ou de uma grande funda de bronze na ponta ou mira, para lançar flechas, dardos, balas ou projéteis. Ao onagro podia-se acoplar também uma colher ou recipiente de bronze para lançar chumbo derretido ou fogo grego (petróleo fervendo, pelotas ou bolas de tecido embebidas em óleo e incendiadas no momento do lançamento)». Wikipédia.

Pila catapultaria - catapulta que lançava pontas de projécteis de ferro, a exemplo dos que foram encontrados na Lomba do Canhamo, Arganil. Ver pilum.

Ver «Soldado» in o Homem Romano
Ver ainda Apiano, «Guerras da Ibéria», pp: 51 e 52. Sobre táctica romana ver Apiano, p: 56 e Vitrúvio, Capítulo Terceiro. Artigo Sétimo p. 56.
http://diariodeuminfante.files.wordpress.com/2007/08/roma-antiga-full.pdf

Ver: Armamento de las Legiones Romanas ... Lanzas, Armas arrojadizas, Escudos y Armaduras  
http://aracelirlunpocodehistoria.blogspot.com.es/2016/01/armamento-de-las-legiones.html


Pontas de seta, de pillum, conto de arma e asa de suspensão do elmo. Villa romana do Rabaçal



Ponta de lança proveninente de Miróbriga





Armatura (pl. ae) - armaduras

Armela de sítula - argola para suporte de asa.



 «Armela figurativa de asa de sítula de espelho triangular, de vértices arredondados mostrando um mascarão. Rosto toscamente modelado, inserido num espaço rebaixado e oval: olhos arredondados, com pupilas marcadas por um ponto inciso, nariz esguio, boca inexistente. Bigode assinalado por molduras enviesadas, com engrossamento nas extremidades junto da barba. Esta e as molduras da testa envolvem a face, com alguns sulcos irregulares. O anel de suspensão está bastante desgastado, partido na zona de fricção. Achado avulso em Escarigo (Fundão)».
http://www.matriznet.dgpc.pt/…/Obje…/ObjectosConsultar.aspx…


Arquitrave - Trave horizontal que se apoia em duas ou mais colunas, melhor, nos capitéis que as encimam. Viga de pedra horizontal que reúne dois apoios, colunas ou pilares.




 Colunas, capitéis e arquitrave. Templo dedicado ao culto imperial, Évora.

Arrugae - Método de extracção dos minérios que utilizava a água represada. (Ver Ruina Montium).

Ars (latim) - artesanato; técnica; arte
scutarius; lanternarius; vascularius; gladiarius; cultrarius; tonsor; copo; cucus; sagarius; pellicarius (recordo o altar funerário “dedicado pelo liberto P. Iulius Senna ao seu senhor P. Iulius Macedo, cuja actividade mercantil vem explicitada: negociator sagarius e pellicarius, ou seja , negociava em vestimentas de lã (o sagum [saio] era, como se sabe, feito de lã grosseira) e de coiro”, que mereceu publicação em catálogo cuja referência indicamos de seguida e que foi objecto de recensão crítica de José d’Encarnação, cujas palavras foram aqui citadas e que foi publicada em SEBarc viii, 2010, pp. 201-236.

Rossi, Alessandro Rovetta (eds.), Pinacoteca Ambrosiana. Tomo quinto:  Raccolte archeologiche – Sculture, Milano, Mondadori Electa, 2009, isbn: 978-88-370-2876-3 .
Recomendo ainda a leitura de:
«Artesão» in Homen Romano
Artesanato y Comércio durante El Alto Imperio, José Maria Blázquez
e l’Economia Romana de J.H. Jones.

Plínio refere as lãs de Salacia – ver

Ars Topiaria - jardinaria em forma de arte. Quando se usava a poda em arbustos ou árvores para os embelezar com formas caprichosas, denominava-se nemora tonsilia.
Ver Garcia Bellido, Arte Romano, p- 45.

Ascia - enxó usada para desbastar madeira.

Astrágalo - osso de tarso utilizado como dado para jogar.

Atramentarium - tinta negra usada para escrever em pergaminho e papiro.

Atrium - Átrio ou espaço central da casa romana, para onde abriam os principais compartimentos, tais como salas,  quartos, escritório, sala de jantar, biblioteca. Rodeado por colunas com um tanque ao centro (impluvium), que aproveitava as águas da chuva, provenientes do telhado. O Atrium permitia ainda o arejamento e iluminação.

Augures - personagens que,  na Antiguidade, através da observacão de certos elementos naturais  estabeleciam a comunicação entre as divinidades e os homens. A observacão das entranhas de uma ave utilizava-se muito frequentemente para a criação de novos povoados,  já que as referidas entranhas indicavam se o lugar era ou não próprio para a nova fundacão. Este sistema tem uma base empírica, já que as aves com vísceras em más condições permiten identificar se o lugar de proveniência da mesma não tem um ar ou águas de qualidade, viabilizando o aparecimento de certas enfermidades que afectando os animais também podem prejudicar os humanos.

Augustalis - Augustal (pl. augustales) - Sacerdotes de Augusto.
O culto imperial foi frequentemente um meio de promoção dos libertos.
Na sede dos Sacerdotes Augustais, um colégio sacerdotal, professava-se o culto ao imperador Augusto. Havia muitos  sacerdotes que eram libertos que ao tornarem-se sacerdotes era-lhes viabilizada uma ascenção social.  Poderiam sê-lo do culto imperial ou outro. Pagavam uma importância à comunidade, mas podiam dessa forma   demonstrar a sua lealdade a Roma e incrementar o seu estatuto social.

Aulaeum - Pano de cena quer corria à frente do palco no teatro. Este pano ou véu descia e subia no início e no fim da representação. Conhece-se a sua utilização a partir de 56 a.C..

Aula - edifício de culto. Em Portugal valerá pena conhecer com algum detalhe o exemplar de Milreu.
Ver:  «A arquitectura e os mosaicos do “edifício de culto” ou “aula”da villa romana de milreu Theodor Hauschild, Instituto Arqueológico Alemão.
http://iha.fcsh.unl.pt/uploads/RHA-6-1.pdf

Aulos - Instrumento de sopro. Flauta de origem grega geralmente com quatro ou cinco orifícios para os dedos.

Auctoritas - "Autoridade Espiritual". O sentido da função social de alguém, construída através de experiência, Pietas e Industria.

Balança - 




Balança romana Museu Monográfico de Conimbriga

«Trata-se de um dos dois exemplares de pequenas balanças romanas, que demonstram o mecanismo das alavancas interfixas de braços desiguais. O braço maior mede 39 cm. Um peso cursor deslocava-se ao longo desse braço a fim de equilibrar a balança. Este braço é de forma quadrangular e contém duas escalas diferentes que estão gravadas ao longo de duas das suas faces opostas. Uma das escalas apresenta 112 divisões, não numeradas, com traços maiores de 4 em 4 e traços mais pequenos a meio destes intervalos. As marcações intermédias são compostas de traços ainda menores. A outra graduação apresenta 128 divisões, também não numeradas, com traços maiores de 4 em 4, e traços mais pequenos para todas as outras graduações. Estão presentes duas graduações independentes devido ao facto de a balança poder ser suspensa de dois ganchos de suspensão. Consoante a escolha feita, assim teremos diferentes relações de comprimentos entre o braço maior e o braço menor da alavanca, o que corresponde a diferentes escalas de pesagem.
O facto de cada divisão principal estar subdividida em quatro partes, leva a pensar que a unidade de peso escolhida era a libra, correspondendo a cada quarto de divisão quatro onças, já que 1 libra equivale a 16 onças. No que diz respeito ao peso cursor não é possível determinar qual dos pesos existentes no Gabinete de Física fazia parte originalmente desta balança».
Balança -
http://museu.fis.uc.pt/18.htm

Baixo-Império - Inicia-se a 284 d.C. ano em que foi aclamado Diocleciano.

Balnea - Balneários  (Ver Thermae) era o nome usado pelos romanos para designar os banhos públicos. Estas construções tinham zonas aquecidas - caldarium - , tépidas - tepidarium, sendo a água e ar aquecido obtido a partir de uma fornalha - praefurniume frias - frigidarium. Esse compartimento frio do balneário inclui frequentemente a natatio. Também timham zonas para vestiátios - apodyterium - e outros anexos a exemplo de ginásios. Embora a tipologia dos balnaários tenha mudado ao longo dos tempos, geralmente tinham uma estrutura simétrica, desenvolvendo-se as dependências lateralmente a um eixo central. É comum encontrarem-se as latrinas destes edifícios.
As zonas aquecidas eram providas de um pavimento que acentava sobre pilares ou arcarias de sustentação que viabilizavam a circulação do ar quente das termas ou balneários. Genericamente eram construídos com tijolos, que conservam o calor, se bem que também existam casos em pedra, em pilares. O Hipocaustum era o espaço aquecido pelas suspensurae
Ver: Thermae et Balnea
Ver ainda: Baths and Bathing in Classical Antiquity, Frkret Yegul, The Mit Press, Cambridge, Massachusetts an London, England. 1992.





Balneum de Alange (Badajoz)
Fotografia a partir de:

«La ilustración Arqueológica: análisis de DIVERSAS INTERPRETACIONES DEL Balneum de Alange (Badajoz)»

Juan Diego Carmona Barrero

Actas de las V e VI Jornadas de humanidades Clásicas, Mérida. 2008.




http://archaeology.org/issues/90-1305/trenches/742-ancient-roman-bath-drain-artifacts


Latrinas de Miróbriga, aproveitando a água que era escoada através de um cano do tanque do Frigidarium.
Fotografia de Luis d'el Rey



Fornalha dos balneários das Ruínas de Tróia. Nas salas onde há sistema de aquecimento, 

o chão assenta em pequenos pilares ou arcos (pilae, suspensurae).

Balsamário - Recipiente utilizado para bálsamos e perfumes







 Jarro ou balsamário antropomórfico. Proveniente de Monte Molião. Museu Regional de Lagos

Barragens - eram construídas na sua maioria opus incertum, através de cofragem, onde no interior era depositada uma espécie de “cimento” de areia pedras e argamassa.
Ver «Portugal Romano, Aproveitamento dos Recursos Naturais» António e António de Carvalho Quintela; João Luís Cardoso e José Manuel Mascarenhas, «Aproveitamentos Hidráulicos a Sul do Tejo», Ministério do Plano e da Administração do Território.

Base de coluna - parte inferior da coluna sobre a qual se apoia o fuste.
Base de coluna e fuste.
Desenho Ivone Tavares


Basílica - edifício com colunas e pórticos onde se reuniam homens de leis e comerciantes. Era onde se resolviam as questões judiciais, ou seja a sede dos tribunais e lugar de reunião.
Dotada ou não de uma esplanada a rodeá-la, a balísica apresenta uma planta rectangular que lhe é característica, dividida em várias naves por colunatas.

Bestiarius - gladiador destinado às feras.

Bilha/Jarro - recipiente para conter líquidos.




 Jarro de cerâmica, proveniente de Lameira Larga (?). MNA


Bojo -  forma convexa muito comum em certos recipientes, particularmente os cerâmicos, mas também usada nos metálicos e vítreos.


Bombeiros - Instituídos por Augusto
Ver: «O Homem Romano», p: 245
«Vida Quotodiana em Roma»
« A Vida em Roma», P. Grimal.
Ver ainda «Les Romains et L’eau».

Bothros - Depósito votivo. Geralmente estes depósitos encontram-se em grupos, junto de santuários, formando estruturas – por vezes escavadas na rocha – que permitiam recolher, sem serem profanados, oferendas e ex-votos.

Braccaes - calças típicas dos soldados romanos, confeccionadas em lã. 

Brunido - termo usado para uma superfície alisada ou polida.

Bucrânio - Crânio de boi esculpido ou pintado usado na ornamentação de edifícios.

Bubilia - Estábulos dos bois, nas uillae rusticae.

Bulla - Entre os romanos, era muito normal o uso de talismãs. A  “bulla”  era uma espécie de medalhão, uma caxinha redonda ou ovalada,  constituída por duas partes unidas. No seu  interior era colocado um amuleto contra o mau-olhado.

Ver: http://www.bloganavazquez.com/2011/06/30/la-bulla-infantil-amuleto-romano/
Ver ainda: http://grupobonadea.blogspot.pt/2011/06/las-gentes-de-roma.html


Menino romano com "bulla".

A partir de: http://www.bloganavazquez.com/2011/06/30/la-bulla-infantil-amuleto-romano/


Caballu (latim) - cavalo de carga. O cavalo para montar era equus.

Cadinho - Recipiente de argila refractária ou de metal que era utilizado para a fundição de minérios ou metais.


Caixa de selo  -



Caixas de selo de Correio Museu e centro interpretativo da Villa Romana do Cerro da Vila (Vilamoura, Loulé)

O sistema de Correio romano foi desenvolvido pelo imperador Augusto, permitia aos soberanos governar a enorme extensão de territórios do império a partir de Roma. Os romanos denominavam cursus publicus, o sistema que garantia a transmissão de notícias, a viagem dos funcionários e o transporte de bens em nome do Estado. Os mensageiros eram chamados tabellarii pelo fato de conduzirem as tabellae - pranchetas de madeira, que transportavam em bolsas de couro. Além dos mensageiros, o Estado utilizava o cisium – espécie de biga puxada por cavalos velozes para despachos rápidos. As clabulas e birotas - puxadas por bois e mulas, eram usadas para serviços de menor urgência. O correio romano era regulamentado por lei. O Estado mantinha as mutationes (postos de troca de animais) e as mansiones ou stationes (paragens com estalagens e instalações para viajantes). As estradas eram marcadas pelos miliarium, marcos colocados em intervalos de cerca de mil passos (1480 metros). Fotografia e descrição a partir de «Portugal Romano».




Comentário Luis Fraga da Silva: A designação desses pequenos objectos em diversas línguas é: “boîtes à sceau”, “seal boxes”, “cajas para sello”, “Siegelkapseln”.

Parece-me assim menos correcta a tradução por “caixa de selo de correio” por levar imediatamente à falsa analogia com os 
modernos “selos de correio”, como se de um dispositivo legal de franquia postal se tratasse ou como se o seu uso estivesse regulado ou limitado pelo “correio estatal”, como de resto se dá erradamente a entender no texto ao ligar sem mais as referidas caixas ao “cursus publicus”.

Tratam-se na realidade de caixas metálicas para selos (de cera, segundo Colin Andrews, ver abaixo) destinados ao fecho de dípticos de tabuinhas com textos escritos. 

O fecho realizava-se pela selagem de cordéis que atavam as tabuinhas e que de algum modo entravam na caixa pelos orifícios existentes na sua face traseira. 
É um dispositivo para assegurar a inviolabilidade de correspondência através da integridade do selo, pois a abertura do volume formado pelo par de tabuinhas implica: ou a abertura da caixa e destruição do selo; ou o corte dos cordéis.

Tinha portanto uma função semelhante à posterior selagem por lacre, que se mantém até aos nossos dias.

Sobre os diferentes contextos de uso e lugares de achamento assim como sobre o modo de operação e os tipos formais principais e a respectiva cronologia, ver a bibliografia abaixo.

A figura é extraída do artigo de Holmes (1995).

BIBLIOGRAFIA RECENTE NA NET

Colin J. Andrews, “Roman Seal Boxes”, UK detector finds database. 
Autor do livro "Roman Seal-Boxes in Britain", BAR (BS 567), 2012
http://www.ukdfd.co.uk/pages/roman-seal-boxes.html



T. Boucher & M. Feugère, “Les boîtes à sceau romaines du Musée de Montagnac (Hérault, F)”. Instrumentum n°29, juin 2009, 9-12.
http://www.academia.edu/.../Les_boites_a_sceau_romaines...

https://www.academia.edu/1211109/Les_bo%C3%AEtes_%C3%A0_sceau_romaines_du_Mus%C3%A9e_de_Montagnac_H%C3%A9rault_F_


A. R. Furger & M. Wartmann & E. Riha, "Die römischen Siegelkapseln aus Augusta Raurica". Forschungen in Augst 44, 2009
(resumo em inglês)
http://www.augustaraurica.ch/publ/sum-fo/sum_fo-044e.htm


BEBINA MILOVANOVI], Institute of Archaeology, Belgrade ANGELINA RAI^KOVI] SAVI], Institute of Archaeology, Belgrade
SEAL BOXES FROM THE VIMINACIUM SITE 
http://www.doiserbia.nb.rs/img/doi/0350-0241/2013/0350-02411363219M.pdf
STARINAR LXIII/2013

S. Holmes, "Seal boxes from Roman London", The London Archaeologist 7.15, - 391-395, 1995
http://archaeologydataservice.ac.uk/.../archiveDownload...


Ver ainda: 
Javiel Alonso (Academia.edu)


Calçada - descrever as técnicas construtivas-
Lateralmente as calçadas poderiam ter meias canas revestidas em opus signinum ou em pedra, de forma a inibir a entrada da água para o interior das habitações.





Calçada de Miróbriga. A construção estava protegida da infiltração de águas pluviais através de blocos pétreos de forma semi-circular, revestidos a Opus Signinum.



Calcei - Sapatos de cidadão romano com cordões. O Calceus era fechado, normalmente usado com toga.



Calendário - «Os romanos dividiam o mês em três partes: as calendas, que iam do dia 1 ao dia 6 de qualquer mês; as nonas, que começavam a 7 e iam até aos dias 14; e os idos, que iam dos dias 14 até aos fins de cada mês do ano. Por exemplo, o dia 3 de Maio era para o calendário romano o terceiro dia das calendas desse mês; ou o quarto dia antes das nonas desse mesmo mês; ou o 11.º dia antes dos idos ainda do mesmo mês».


http://romaparati.blogs.sapo.pt/8477.html
http://www.infoescola.com/historia/calendarios-romanos/


Baseámo-nos em vários trabalhos publicados sobre o tema, de que, desde já se salienta "Calendários romanos" e "Calendário romano División de los años", cuja leitura recomendamos. (1)

O calendário deve a sua denominação às "calendas" que, no antigo calendário romano, era o primeiro dia de cada mês, quando ocorria a Lua Nova. Daí provém a expressão para "as calendas gregas" que, afinal, nada mais quer dizer do que "nunca mais", pois os gregos não tinham "calendas" nos seus calendários.

Ao que se sabe, os primeiros calendários conhecidos são o hebreu e o egípcio, tendo ambos um ano com 360. Cerca de 5.000 a.C. após muitas reformas, os Egípcios optaram por um ano de 365 dias, havendo já consciência de que existia um desacerto em relação ao Tempo real.

Em Roma conhece-se a existência de calendários desde a fundação da cidade de Roma, em 753 a.C., atribuindo-se a Rómulo, o seu fundador mítico, a introdução do primeiro calendário que dividia o ano em 304 dias, distribuídos por dez meses, tendo os quatro primeiros os nomes de divindades mitológicas, ou seja Martivs; Aprilis; Maivs; Ivnivs e os outros eram designados por números decimais.

Martivs, em honra de Marte, pai, segundo a Mitologia, dos fundadores de Roma, Rómulo e Remo.

Aprilis, possivelmente consagrado a Vénus, a quem alguns alegam relação com Apru em etrusco.

Maivs, que se parece relacionar com a deusa Maia, mas que alguns estudiosos atribuem ao culto dos antepassados, os "Maiores".

Ivnivs, consagrado ao deus Juno.

Qvintilis, por ser o quinto mês. Passou a ser designado Ivlivs (Julho) após a morte de Júlio César, por ser o mês do seu nascimento, como veremos de seguida.

Sextilis, o mês sexto que, mais tarde, se passou a chamar Avgvstvs, em honra de Octávio Augusto.

September, o sétimo mês

October, o oitavo mês.

November, o nono mês.

December, o décimo mês.

Numa Pompílio, o segundo rei de Roma (715-673 a.C.), por sua vez, adoptou um calendário adaptado ao ciclo lunar, composto por 355 dias, distribuídos por doze meses, tendo-se assim formado dois novos meses, Janvarivs, dedicado ao deus Ianvs, e Febrvarivs, que passou a ser o último mês do ano dedicado em honra de Febrvo, mais conhecido por Plutão, deus da purificação dos mortos a quem se ofereciam sacrifícios. Esses dois meses foram obtidos porque, ao que reza a História, o rei considerava que os meses com dias pares eram azarados, tendo diminuído um dia a cada um dos seis meses de trinta dias a que juntou mais 50.

No entanto, nem assim se conseguiu obter um acerto definitivo, após várias reformas acabou-se por acrescentar de 4 em 4 anos mais dois meses ao ano, denominados Mercedonios ou Intercalares, mas cuja marcação móvel ao critério dos colégios sacerdotais originava enormes confusões na sociedade.

Assim, para colmatar essas dificuldades e inconvenientes, Júlio César decidiu proceder a um novo ajuste do calendário, pois estava 67 dias adiantado em relação ao ciclo das estações, tendo-se socorrido do astrónomo Sosígenes para que estudasse a situação e o tentasse acertar.

Após uma experiência no ano de 46 a.C. cuja reforma não resultou, em 45 a.C., Júlio César adoptou um novo calendário solar, conhecido por Juliano, e fixou-se a duração do ano em 365 dias, 5 horas e 52 minutos, num sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença. Como homenagem, após a sua morte, o mês Quintilis passou a se chamar Julius.

É a partir do imperador Augusto que o Senado romano decreta que o oitavao mês, Sextilis, se passasse a chamar Augustus, hoje Agosto, mês em que pôs fim à Guerra Civil (e que também foi o da sua morte, de que este corrente ano se comemora o bilimileário), passando a ter também 31 dias, para que não fosse inferior ao mês dedicado a Júlio César, tendo sido esse dia retirado de Februarius que passou a ter, como ainda agora acontece, 28 dias nos anos comuns e 29 nos bissextos. Para que não houvesse tantos meses seguidos com 31 dias, os meses de Setembro e Novembro passaram a ter 30 dias e Outubro e Dezembro 31.




Calendário romano. Fotografia a partir de: Calendario romano
División de los añoshttp://www.imperioromano.com/62/el-calendario-romano.html


Calculi - pequenas pedras usadas para a aprendizagem do cálculo.

Caldarium - Sala aquecida das Termas, onde se situavam os tanques de água quente.

Caliga (ae) - calçado militar. Eram o calçado mais utilizado pelos legionários romanos, tanto na República, como no Império. Executados em couro, tinham a sola reforçada com uma espécie de tachas.  Eram atadas com corrigia. 
Em Conímbriga foi encontrado um pé de dimensões colossais, devendo pertencer a uma estátua representando o imperador.





Fragmento de pé calçado com sandália de couraçado em mármore.

ID da Imagem: 825579 caligae.  (1852)

Imagem obtida a partir de : http://ancienthistory.about.com/od/AncientRomeClothing/ss/051911-Caligae.htm. Recomendo leitura do texto.


Camafeu - Jóia talhada em rocha semipreciosa , de distintos tons, madrepérola, coral ou vidro, de modo a fazer contrastar figura e fundo.


Camafeu de Augusto com representação da Medusa. British Museam


Candela (ae) - vela de cera de abelha ou sebo para iluminação.

Candidatus - Candidato a um cargo. O nome deriva do facto de se vestir com a «toga candida» representando pureza nas intenções.

Refira-se também já havia um sistema de «incompatibilidades» que inibia o acesso a alguns cargos e que se tinham que renunciar previamente à candidatura.

Recomenda-se a leitura de: BRAVO BOSCH,  María José, La publicidad electoral en la Antigua Roma. Revue Internationale des droits de l’Antiquité LVII (2010). (Université de Vigo).
http://local.droit.ulg.ac.be/sa/rida/file/2010/09.BravoBosch.pdf

Canelura sulco em forma de meia-cana

Cantharus - Taça com duas asas, cuja forma é oriunda da Grécia. Taça com duas asas, cuja forma é oriunda da Grécia, considerada apropriada para serem feitas libações junto dos defuntos.



Representação de Cantharus. Basílica das Ruínas de Tróia.



Mosaico com representação de Cantharus e golfinhos. Villa romana do Rabaçal

Capitel -  extremidade superior de uma coluna, de um pilar ou de uma pilastra. Transmite os esforços para o fuste. É formado por ábaco e cesto. A sua decoração é realizada de acordo com a ordem arquitectónica a que pertence, sendo no Império Romano a jónica e a coríntia as mais communmente utilizadas.




Capitel de Miróbriga, de coluna adossada. Desenho de Ivone Tavares.





Colunas, capitéis coríntios e arquitrave. Templo dedicado ao culto imperial. Évora. 


Nos capitéis coríntios a decoração assemelha-se a um cesto de plantas (acantos) cujas folhas, em número de oito, se elevam da sua base. Por detrás destas, outras se apresentam em igual número. A parte superior apresenta um ábaco quadrado.
http://www2.cm-evora.pt/arqueologia/biblio_roma.htm
Ordem Compósita, compósito – ordem arquitectónica com grandes semelhanças com a ordem Coríntia, residindo a principal diferença no capitel da coluna, reforçando-se a decoração coríntia (cesto de acantos) com volumétricas volutas e um friso de óvulos.
Ordem Jónica, jónico – uma das três ordens arquitectónicas da arquitectura clássica; caracteriza-se principalmente pela coluna apresentar fuste estriado assente sobre base ática e ábaco rectangular com volutas a ladear o coxim.
Ordem Toscana, toscano – ordem arquitectónica de origem romana que deriva da clássica ordem Dórica grega; as colunas apresentam o fuste liso e base com duplo toro assente em plinto.






Parte de capitel jónico com coluna canelada ligados de óvulos. «Museu Monográfico de Conimbriga»

Capite velato - A descrição refere-se ao ato de cobrir a cabeça em situações de devotio.





Um exemplo disso é o baixo-relevo com presentação do sacrifício de um touro que decora Templo de Vespasiano em Pompeu. «O sacrificador está de pé cinctu Gabino (com a cabeça coberta - Capite velato - com uma dobra da toga praetexta), colocando as oferendas no fogo com uma mão, enquanto a outra mão está livre segurando a toga».
Comentário e fotografia a partir de: http://www.novaroma.org/religio_romana/posture.html

Carbelhas -

Carceres - Locais reservados às cavalariças e onde se recolhiam os carros de corrida.

Cardo - também designado por cardus maximus , era a via ou eixo principal cidade romana, orientado Norte-Sul. O centro da cidade localizava-se no ponto de intersecção deste eixo com a decumanus maximus orientado a este – oeste).


Carnifex - carniceiro; talhante. A mesma raiz  de muitas palavras relacionadas com a carne, designadamente algumas que nos recordam algo menos belo da natureza humana, a carnificida.




Relevo encontrado em Óstia datado do século II d.C. Representa a loja de um carniceiro.

Casae - habitações de classes baixas, construídas com meios muito precários, motivo pelo que se conservaram com maior dificultade.

Castellum - Castelo, fortaleza ou praça-forte, mas que também podia designar um lugarejo nas montanhas. Ao que parece no Noroeste peninsular designou «uma organização supra-familiar (e administrativa) correspondente aos pequenos povoados fortificados de origem pré-romana (conhecidos por castros)». (J.Alarcão).

Castellum aquae - Mãe de água

Caudicarius - Embarcação. Pode ainda querer significar  armador de navios.

Cathedra - cadeira com encosto, mas sem braços, que servia mais para as mulheres.

Caupo (latim) - taberneiro.

Cavea - Estrutura do teatro romano, mas tambémdos anfiteatros e circos, composta por bancadas e destinada aos espectadores. A raiz da palavra parece ter origem no facto de, geralmente, construirem os degraus escavados na rocha.


Cella - Despensa


Cella - A cella ou naos é a parte interior fechada e central de um templo, podendo também significar uma loja fronteira à rua na arquitectura doméstica romana . É o local onde ficava a estátua da divindade.


Cenaculum - Sala de jantar.

Centuria - era uma unidade básica da infantaría do exército romano, formando a espinha dorsal das legiões. Constava de 80 homens distribuídos em 10 contubernia de 8 homens cada um. Cada contubérnio alojava-se numa tenda ou cubículo.


Cerealia -  Os Cerealia era uma festa em honra de Ceres, deusa das colheitas, que os romanos enquadravam no período da regeneração do equinócio da Primavera, simbolizando o renascer da Natureza e a chegada período de fertilidade. A sua importância ao longo do tempo tornou-se bastante visível, acabando por esta festividade ser adoptada pelos cristãos, coincidindo com o período da Páscoa.

Ao que diz a Mitologia, Proserpina, filha de Ceres e de Júpiter, era uma das mais belas deusas de Roma e, enquanto Prosérpina apanhava flores no campo, surgiu Plutão que a rapta e a leva para as profundezas da Terra, tornando-a
sua esposa.
Ceres, sua mãe, procura-a desesperadamente, mas, no entanto, porque ela havia comido sementes de romã, acabou por ficar definitivamente cativa, e foi mantida debaixo
de terra durante seis meses, até à primavera, época de fertilidade e colheita, quando ela renasce e regressa para junto da mãe até ao fim do verão.
Durante os Cerealia, eram famosos os jogos de Ceres (ludi cereales), que consistiam na procura de Prosérpina e eram representados por mulheres de branco que corriam com tochas acesas. Os jogos apresentavam actividades variadas nas quais os cidadãos poderiam participar.

Cetariae - Tanques ou reservatórios revestidos a opus signinum usados para conservar e armazenar preparados de peixe nas unidades fabris. Existem de várias dimensões de acordo com os vários tipos de pescado.
Ver:
Ismael Estevens Medeiros (Outubro, 2014) «Transformação e conservas de peixe. O quadro produtivo das cetariae do Algarve Romano.
Ver: https://www.academia.edu/8968776/Transforma%C3%A7%C3%A3o_e_conservas_de_peixe._O_quadro_produtivo_das_cetariae_do_Algarve_Romano





Cetárias junto ao Castelo de Sines. Fotografia de Rui Pedroso.


Cetárias de uma unidade fabril de Tróia.
     

Cingulum - o cinturão é um dos elementos fundamentais do vestido de noiva e que é apenas desatado pelo noivo no lectus genialis. Simboliza a virgindade da noiva.
http://hortushesperidum.blogspot.com.es/

Circo - Lugar de espectáculo para corridas de cavalos, ou seja os ludi circenses. Os carros habituais de corridas eram as bigas e as quadrigas, sendo estas últimas as mais apreciadas.
Ver Tertuliano, «Os espectáculos»;
Ver ainda sobre os lugares de espectáculo Suetónio, pp: 222, 244, 246.
Marcial, Epigramas, X 48, 23.
História da Vida Privada: a Vida Quotodiana em Roma.
LVDI ROMANI (ver referência abaixo).

Cisium - espécie de biga puxada por cavalos velozes para despachos rápidos.

Cisternas - Segundo Plínio, as cisternas deviam construir-se «com uma mistura de cinco partes de areia pura de grão grande e duas de de cal viva e com fragmentos de sílice (…)construídas desse modo deve reforçar-se o solo e as paredes com umas barras de ferro» Plínio, N.H., 36, 173. Segundo Torrego, 1988, 170.

Citrarius - carpintero que faz os móveis, realiza as montagens, armaduras de madeira para os edifícios.

Ciuis - Cidadão romano.

Ciuitas (pl. ciuitates) - No fundo, designa a condição de cidadão, mas também o conjunto de indivíduos que têm essa condição e formam a cidade. Pode assim designar-se ainda uma pequena cidade de província sem importância política e que dependia  da “capital de ciuitas“.
Proveniente de Conímbriga que foi capital de ciuitas, é conhecido um tabularium, livro de leis e regras da política romana para a região.
Segundo Vitrúvio, as cidades deviam organizar-se segundo os princípios de firmitas, utilitas e venustas.
Ver: Bibliografia das Cidades Romanas, neste mesmo blogue
José Maria Blázquez, Urbanismo y Sociedad en Hispania, 1991, Madrid.
Juan Manuel Abascal, La Ciudad Hispano Romana, Urbano Espinosa
Carcopino, Vida Quotodiana em Roma.
Jorge de Alarcão, in «As Cidades e a História»
Jorge de Alarcão, ” O Domínio Romano” in Nova História de Portugal.Cidadania Romana (Ciuitas- A cidadania romana garantia à pessoa direitos especiais e imunidades, outorgados e reconhecidos todo o império. Por exemplo, era ilegal torturar ou açoitar um cidadão romano, com o fim de extrair dele uma confissão, formas de punição consideradas muito servis e apenas próprias para escravos.

De salientar que o exercício de uma magistratura outorgava a cidadania a quem a desempenhava, bem como aos seus ascendentes e descendentes. O direito de cidadania compreendia direitos civis, como o uso dos «tria nomia», o direito de «connubium» e de «comercium», bem como os direitos políticos como o voto, «ius sufragii», ou de aceder às magistraturas, «ius honorum», e o privilégio de servir nas legiões. A existência destes funcionários, para além do que representa em termos jurídico-administrativos, implica a existência de receitas autárquicas próprias, as «summae honorariae», sobre as quais não há qualquer informação referente às cidades do Portugal Romano. No entanto, estas receitas eram apenas uma parte do rendimento de uma autarquia, que eram refoçadas com os impostos sobre o comércio e indústria, as taxas ou tarifas sobre prédios urbanos ou mesmo algumas propriedades rústicas e ainda sobre alguns edifícios públicos, como as termas.

Ao cidadão estava, como acima se disse, acessível o acesso às magistraturas e ao Exército e  sob o privilégio da cidadania romana havia o direito de apelar da decisão dum governador provincial para o imperador de Roma. No caso dum crime capital, o cidadão romano tinha o direito de ser enviado a Roma para ser julgado perante o próprio imperador.

A cidadania romana era obtida de diversas formas. Por vezes, os imperadores concediam este favor especial a cidades ou distritos inteiros, ou nominalmente, por serviços prestados. Mas também possível adquirir a cidadania diretamente por uma soma de dinheiro ou por concessão dada pelo proprietário de um escravo que se tornava liberto, mas cujos descendentes poderiam aceder à cidadania.
A Toga era o símbolo que representava o cidadão, independetemente de onde se encontrava o mesmo.










Togado proveniente de Collipo

Ciuitate - subdivisão territorial de um  conventus onde se levou em consideração os factores étnicos dos seus habitantes.

Ciuitates stipendiariae - Povoações que deverão ter-se entregue a Roma, tornando-se os seus habitantes livres, não desfrutando, contudo, os membros destas comunidades de todos os direitos de cidadania romana, pois ficavam submetidos a todo o tipo de imposições e cargas fiscais. Deviam pagar tributo, o vectigal ou stipendium, ao qual se adicionavam outras contribuições de carácter pessoa (v. Oppidum stipendiarium).

Clavis - chave



Chaves romanas romanas. Villa de Borg, Alemanha.



Clientes - eram os plebeus que se colocavam sob a protecção de um patrício.

Cloaca - Conduta de esgoto

Cocus (latim) - cozinheiro

Cognomen - É uma das componentes - a última - do nome do cidadão, que corresponde ao tratamento familiar. Através a sua análise detecta-se, muitas vezes, a origem indígena de alguns cidadãos romanos na província, mas muitos há de raiz grega, normalmente de origem servil.

Collegia (latim) - Associações profissionais romanas.
Colonia - cidade cujos habitantes são cidadãos romanos, sejam porque para aí foram enviados para fundar uma cidade (a exemplo das colóniad de veteranos), ou porque à cidade foi outorgado o estatuto de colonia, passando os seus cidadãos a ser automaticamente civis.

Columbarium Edifício funerário familiar com sepulturas e nichos para urnas assim designado pela similitude com os que recebiam as pombas.



Columbarium das Ruínas Romanas de Tróia.Ver: O Homem Romano, pp: 236-7.

Coluna - 
Elemento de apoio construtivo que se compõe de várias partes: base, fuste, capitel.



Base e fuste de coluna. Miróbriga.





Colunata - sequência ritmada de colunas, suportando um entablamento ou uma série de arcos.

Compluvium - Complúvio. Tanque que recolhia a água das chuvas. Abertura no tecto do átrio - peristylum - que fornecia a luz e ar à domus.

Comitia - Assembleias de cidadãos romanos que são consultadas, ou seja as 35 tribos e as 193 centúrias.  Existia a Comitia Curiata cujo nome deriva  das curiae,  ou local de reunião, e que se reporta aos grupos de parentesco (30) em que as famílias romanas foram divididas e remontam ainda às três tribos do período do primeiro rei, Rómulo. Mas existia ainda a Comitia Centuriata  que elegia os magistrados judiciais conhecidos como pretores, os censores e os cônsules, ou seja todos os que tinham imperum (poder).  

Conclaue - Quarto, compartimento fechado com uma chave. Os restantes têm cortinas no lugar das portas.


Contubernium - era a unidade mínima do exército romano.

Conventus - Circunscrição político-administrativa. Subdivisão de província. Na Lusitânia existiam três conventus: o pacense, o escalabitano e o emeritense. Um conventus era constituído por várias civitates.
A sua função administrativa era fundamental à organização das Províncias e do Império e era por norma na cidade capital de um conventus , cujos habitantes eram genericamente cidadãos romanos de origem itálica, que se sediavam os tribunais. Também eram denominados Conventus Ciuium Romanorum.


Cohors praetoria - era a unidade de elite encarregada de formar uma guarda pessoal ao general em campanha. Os homens que a compunham - desde Cipião, o Africano - estavam isentos das tarefas habituais do campo e recebiam um soldo superior aos restantes soldados. Octávio, depois de Accio, organizou uma guarda pretoriana do mesmo tipo, mas em vez de a integrar numa legião, constituiu-a como unidade autónoma compreendendo nove coortes, cada uma delas com cerca de quinhentos homens. A maior parte era formada por soldados de infantaria, mas havia também cavaleiros (cerca de 90 por coorte). Em princípio, estas coortes privilegiadas só admitiam cidadãos itálicos ou pertencentes regiões há muito romanizadas. Mas, progressivamente, as regiões de recrutamento acabaram por generalizar-se.

Coortes urbanas - a primeira força da polícia citadina, criada por Augusto.

Cores - LATIM -PORTUGUÊS
pratinus, -a, - um. verde
purpureus, -a, -um. púrpura
caeruleus, -a, -um. azul
lividus, -a, -um. azul escuro
niger. preto
atrus, -a, -um. escuro
fuscus, -a, -um. escuro
ravus, -a, -um. cinza
canus, -a, -um. branco acinzentado
albus, -a, -um. branco
flavus, -a, -um. amarelo
fulvus, -a, -um. amarelo ouro
croceus, -a, -um. Açafrão
ruber. vermelho
roseus, -a, -um. rosa
http://latunicadeneso.wordpress.com/2011/09/15/el-rojo-pompeyano-era-en-realidad-un-amarillo-que-cambio-de-color-por-los-gases-de-la-erupcion-del-vesubio/


- Amarelo: ocre e óxidos de ferro;
- Vermelho e ocre -  sulfureto de mercúrio (ver)
- Púrpura: murex, um moluscúlo;
- Negro: marfim, ossos e madeira calcinados
-Verde: vapores de vinagre sobre lâminas de cobre
- Branco: carbonato de cálcio
- Azúl: silicato de cobre e cálcio.








Fotografia a partir deNimbusaeta
:Nimbusaeta,

Ver: 

Os pigmentos naturais utilizados em pintura
António João Cruz
http://ciarte.no.sapo.pt/textos/html/200701.html
e
J. M. P. Cabral, Química, Boletim da Sociedade Portuguesa de Química, 82 (2001) 57.




Cornija - É a designação da parte superior do entablamento. É um elemento arquitectónico que consiste numa faixa horizontal que se destaca da parede ou conjunto de molduras salientes que servem de arremate superior para obras de arquitetura.




Corona Muralis - coroa representando uma muralha, símbolo da cidade.



Cabeça coroada por muralha. Mármore. Proveniente de Mértola. Século I. Museu Nacional de Arqueologia.


Fotografia a partir do livro «Casa Romana. Museu de Mértola».



«Cabeça feminina ornamentada de "corona muralis" representando uma muralha de três andares com duas portas assente sobre os cabelos. Esta cabeça pertenceria a uma estátua marmórea de grande porte que se ergueria num templo ou num espaço público e monumental da cidade romana de Myrtilis, muito possivelmente no respectivo Forum. Comummente é identificada com Cibele, mas o culto da deusa frígia só mais tardiamente se expande de forma explícita na Lusitânia. Parece-nos, pois, preferível classificá-la como a personificação grega da Fortuna, figurando não apenas como deidade tutelar dos indivíduos mas, conforme se pode deduzir das características iconográficas, também de uma divindade protectora ou fundadora de uma cidade ou da representação figurada da própria cidade de Myrtilis onde foi encontrada».José Luís de Matos. (MNA).


A corona muralis, que era concedida aos militares que primeiro entrassem numa muralha inimiga, representava uma cidade amuralhada ou uma torre, ou seja era a metáfora de uma cidade ou país (LIBERATI, 1988: 65).
De referir ainda o exemplar, proveniente de Itálica, publicado em La Ciutat Hispano-Romana, 1993: 20, 21 e 263 e em LÉON, 1995: 46:149».

Um fragmento marmóreo, proveniente de Miróbriga, e que se encontra no Museu Municipal de Santiago do Cacém, poderá ter pertencido a uma estátua da deusa Cibele, com uma torre e respectiva porta. Esta representação de uma Cibele citadina, admitindo que efectivamente se trata de um fragmento da torre que encimava o penteado da deusa, aponta, ao invés, para um símbolo propiciatório de cariz urbano, a alegoria da Cidade.





A Corona Muralis podia ser atribuída ao primeiro homem que escalava o muro de uma cidade sitiada. Era executada em ouro e decorada com torres.






Corona Muralis proveniente de Mértola

A Corona Obsidionalis era a maior e mais rara de todos as condecorações militares, e era concedida aos generais do exército que tinham rompido um cerco. Era feita de ervas daninhas e flores silvestres, retiradas do local do cerco Era também designada por gramineaitalics corona, como um símbolo de vitória. 
Fábio Máximo, Scipio Africanus e Lucius Cornelius Sulla foram homenageados com este prémio.

A Corona Cívica era oferecida a um soldado que tinha salvo a vida de um soldado romano em batalha, fruto de grande coragem. Era executada com três  tipos de carvalho (ilex, aesculus e quercus) e bolotas. Os soldados a quem foi conferida esta grande honra tinham um lugar reservado, ao lado dos senadores, em todos os espectáculos públicos. Também estava garantida para ele e todos os membros do sexo masculino da sua família, a isenção de impostos. A Corona Cívica também foi concedida a figuras públicas que consideradas de grande utilidade para Roma.

A Navalis Corona ou Rostrata foi era atribuída ao primeiro navio romano que conseguia entrar a bordo de um barco inimigo, ou a um comandante que tivesse obtido uma grande vitória naval. Estas coroas eram feitas de ouro e encimadas com os bicos dos navios.

A Castrensis Corona ou Vallaris era atribuída ao primeiro soldado que forçasse uma entrada no campo do inimigo. Era feita de ouro e decorada com paliçadas (Vallaris).


- Corona Triumphalis foi feita com folhas de louro. Esta coroa foi reconhecida como o ápice da glória militar, e foi um objecto ambicionado por cada general romano e exibido durante o desfile, após um triunfo no campo de batalha. O louro tinha um simbolismo próprio: era a planta sagrada do deus Apolo.
http://de.academic.ru/dic.nsf/meyers/26895/


 Ovalis corona, feita de folhas de murta, foi concedida a generais cujas realizações na guerra foram consideradas dignas apenas de uma ovação, como uma conquista sobre escravos ou piratas ou numa guerra não declarada.





Imagens das coroas aqui apresentadas foram retiradas de:

http://www.uni-saarland.de/fak3/fr39/Caeliusstein/dreamkronen.htm


Corvus - Prancha articulada no pé do mastro e presa à sua extremidade superior, possuindo um gancho em forma de bico de corvo. Quando se aproximavam do inimigo a uma razoável distância, os romanos largavam o corvo, que caía sobre a galera inimiga, fazendo-se perder sua mobilidade, uma vez que ficava presa.
Adap. de http://historiamilitar-hotmail.blogspot.pt/2011/11/as-conquistas-romanas.html

Ver ainda:

El Corvus, el arma que dio a Roma la supremacía navalhttp://revistadehistoria.es/corvus-arma-roma-supremacia-naval/?utm_source=MadMimi&utm_medium=email&utm_content=El+Corvus+y+las+Legiones%2C+supremac%C3%ADa+naval+romana&utm_campaign=20170223_m137761507_El+Corvus+y+las+Legiones%2C+supremac%C3%ADa+naval+romana&utm_term=El+Corvus_2C+el+arma+que+dio+a+Roma+la+supremac_C3_ADa+naval





Corvo de galera romana.

Imagem obtida a partir de:
http://historiamilitar-hotmail.blogspot.pt/2011/11/as-conquistas-romanas.html

Criptopórtico - Conjunto de galerias subterrâneas destinadas a criar uma plataforma horizontal onde se erguiam edifícios.





Criptopórtico de Aeminium. Museu Machado de Castro. Coimbra.


Crismon - monograma cristão formado pelas letras regas alfa e ómega; após a conversão de Constantino, torna-se a sua insígnia oficial.




Crismon de Tróia segundo desenho de Marques da Costa.***



Crismon proveniente de Mértola.

Crustae - revestimento (ou capeamento) com placas marmóreas, como se pode encontrar em edifícios ou praças públicas.
A ideia de forrar exterior ou interiormente um edifício foi generalizada em princípios da Época Imperial, quando de “marmorizaram” as cidades e se difundiu a exploração de mármores e do seu corte à serra. Eram também utilizados cálcários, conglomerados ou brechas e é recorrenteencontrá-los em balneários públicos ou privados.

Cubiculum (pl. cubicula) - compartimento que funcionava como quarto de dormir. Quartos de dormir, de reduzidas dimensões. Havia quartos de Inverno e de Verão. Como todos os outros compartimentos, eram vedados por cortinas.


Culina - Cozinha. Dependência pequena, sem chaminé e genericamente com poucas condições.


Cultrarius ou gladiarius (latim) - fabricante de espadas ou facas.

Cupa As cupae (em latim singular cupa, plural cupae) são um tipo de monumento funerário de planta alargadacom coberta cilíndrica, que se utilizaram em algumas regiões do Império Romano entre os séculos I e III.
São muito comuns no território da Lusitânia.sepultura em forma arredondada de tonel ou meio tonel que podem ter inscrições com o nome do defundo.

Veja-se:





Presentación Actas I Coloquio de Arqueología e Historia Antigua de Los Bañales

Poder-se-á ler ainda: «Banquetear-se em vida e no além: os testemunhos epigráficos»
José d'Encarnação
PORTVGALIA, Nova Série, Volume XXXVI. 2015
Departamento de Ciências e Técnicas do Património
Faculdade de Letras daUniversidade do Porto. Homenagem a Fernando Acuña Castroviejo.





Cupa, Museu de Évora. Fotografia José Manuel Jerez Linde.


«Cupa em forma de barrica e provida de soco, para ser colocada sobre o solo, cobrindo a sepultura. Três grupos de três arcos cada, representando as aduelas, localizam-se junto aos extremos e ao centro da superfície convexa, dividindo-a em dois campos: No da direita situa-se a cartela epigráfica delimitada por uma moldura formada por elementos lisos e um cordão, conjunto sob o qual se vê uma larga corola de oito pétalas ao centro, ladeada por dois grupos de dois elementos cilíndricos cada, superiormente rematados por apêndices flamiformes. No campo esquerdo, parcialmente apagado, avulta outra corola de oito pétalas, mas enquadrada num octógono, corola também ladeada por elementos cilíndricos do mesmo modo atrás descrito. Em cada topo surge de novo figurada uma corola de oito pétalas e envolta por tripla coroa de louros rematada por uma fita vertical com cordão.
D(iis) M(anibus) S(acrum) / ET PATRICIAE / VIXIT ANN(is) / XXV MENS(ibus) / (5) VII DIEB(us) VIIII / SIBIRIBS [sic] //.
"Consagrado aos Deuses Manes e a Patrícia. Viveu 25 anos, 7 meses (e) 8 dias (...?...)".».




Fotografia e comentário a partir de:
http://www.museuarqueologia.pt/?a=3&x=3&i=256


CúpulaAbobada em forma de taça invertida.

Cursus publicus - via pública. O "cursus publicus", o sistema que garantia a transmissão de notícias, a viagem dos funcionários e o transporte de bens em nome do Estado.

Curator alimentorum - O funcionário responsável pela distribuição do Alimenta, ou seja dos alimentos às populações carenciadas. Foi esta  dádiva, bem como a oferta de jogos que originou a expressão «pão e circo».

Curator aquarum  - funcionário responsável pelo fornecimento de água à cidade de Roma. Foi um cargo criado por Augusto, sendo o primeiro 

Curator Frumenti -

Curator Morum - Como o nome indica, a sua missão era proteger e salvaguardar os costumes e valores que ancestralmente haviam caracterizado Roma. Em 27 a. C. Augusto foi nomeado para esse cargo, procedendo à reforma de uma quantidade de leis anteriormente aprovadas, a exemplo da Lex Iulia de Maritandis Ordinibus e da Lex Iulia de Adulteriis Coercendis que  «no sólo se limitaba a penar el adulterio, sino que también lo hará con la prostitución, el incesto, la homosexualidad y la violación»

Ver: El Problema de la Moral Matrimonial en Época Imperial: las «Leges Iulae" y el «Ars Amandi» de Ovídio. Judit Benavides Ameijeiras
https://arraonaromana.blogspot.pt/2015/12/el-problema-de-la-moral-matrimonial-en_25.html 


Curatores viarum - funcionários incumbidos pelo Senado, durante a República, da construção das pontes e vias, tais como cônsules, pretores, censores. Com o império incia-se a prática do evergetismo.
Os possessores que tinham propriedades junto das vias , bem como as comunidades que usufruiam da rede viária em determinada região também participavam no financiamento da construção das pontes.

Dado - (ver Talus). Objecto de jogo.
.



Dados de osso.-Museo Nacional de Arte-Romano. Mérida. Fotografia de José Manuel Jerez Linde


Jogadores de dados, Osteria della Via di Mercurio, Pompeia.

Imagem a partir de: http://oridesmjr.blogspot.pt/2011/03/pompeia-uma-cidade-congelada-no-tempo.html


Objectos em osso de proveniência romana, Ao centro um dado.Objetos de hueso. Villa romana de Las Termas, Talavera la Real, Badajoz. Fotografia José Manuel Jerez Linde

Damnatio Memoriae - Proscrição da memória, nomeadamente de alguns imperadores cuja atitude foi considerada indigna. Podiam ser inclusivamente destruídas inscrições ou partes das mesmas em que fossem nomeados em edifícios públicos.

Damnati ad Metalla - Contingentes de criminosos que trabalhavam nas minas. No caso da Lusitânia não está comprovado que a mão de obra das minas fosse escrava, tratando-se maioritariamente de homens livres de baixa condição social os trabalhadores das minas.
Em Vispasca, administradas por um procurador do estado que arrendava os filões mineiros, as célebres «Tábuas» contêm parte da legislação por que se regia o couto mineiro e o regime de exploração das minas, dando conta das várias profissões que ali se exerciam também.
Ver: Portugal Romano, A Exploração dos Recursos Naturais, MNS, 1997.


Decurião - O decurião é o responsável pelo controlo de sua fileira numa centúria romana,  sendo responsável por organizar a sua fileira e executar as formações e alinhamentos militares que são ordenadas pelo líder geral da centúria, o centurião.


Ver: http://legiaoromana.webs.com/hierarquianalegiao.htm

Defrutum (latim) - Mosto. O vinho era bebido quente ou fervido até ficar um concentrado, o defrutum. Era aquecido e adoçado em panelas de chumbo.

Deductio - designa a fundacão de uma Colónia Romana. O termo compõem-se do prefixo de que indica lugar, origem e a raíz do verbo latino  "ducere", conduzir, levar, que se explica pelo facto de na colonia, como fundacão (ex novo)  se estacionavam cidadãos romanos.  


Devotio -
http://www.novaroma.org/religio_romana/posture.html

Diatretum - Vaso evcolvido por uma estrutura vasada fazendo como que uma rede e a ele ligada por pontes quase invisíveis, resultante de um hábil e paciente trabalho de desbaste de uma única matriz.

Diatetrarius - fabricante ou lapidário que fabricava o diatretum

Dies Ferales (ou dies parentales) - dias em que homenageava os mortos. Iniciavam-se a 13 de Fevereiro e iam até dia 21. Também conhecido como morre Parentales e morre ferales ("dias para a comemoração dos mortos" e "dia dos mortos", encontram-se referências em Ovídio. Rápida. Lib. II. 2.548, 2,34), «a Parentalia durou nove dias (13 de fevereiro a 21) dedicados a honrar falecido parentes, e foi o primeiro de dois festivais para os mortos da família».

Dies Natalis - dia de aniversário


Dies Solis - Domingo ou «Dia do Sol» em Latim pagão. Dia destinado ao culto mitraico.
Ver neste blogue «O Culto Mitraico em Portugal».

Digitus e o Palmus - dimensões utilizadas nos tijolos .................................

Dispensator - espécie de intendente das finanças do senhor

Divus; Diva  (Divae) - Divindade masculina e feminina.

Dolium - Grande recipiente cerâmico para armazenamento e transporte de produtos, normalmente ovalado e de grandes dimensões. Utilizava-se para produtos alimentares em grande quantidade, como cereais, frutos, azeite e vinho.

Domus - Habitação que se desenvolve no sentido horizontal (vivenda), constituída pelos seguintes compartimentos fundamentais: uestibulum (corredor) fauces; atrium; alae; triclinium (local das refeições); tablium (compartimento onde se guardavam as recordações familiares ou as insígnias de cargos públicos exercidos pelo proprietário); peristilo (zona com colunata).



Fotografia a http://latiniparla-latiniparla.blogspot.pt/2011/12/la-domus-romana-y-la-insula.html

 LA DOMUS ROMANA Y LA ÍNSULA



No cento do pátio (atrium) ou pátios havia communmente um impluvium, reservatório quadrado pouco profundo que recolhia as águas pluviais. Por vezes era coberto por um toldo.
(Ver Vitrúvio; Jorge de Alarcão, A Casa Romana; A Vida Quotodiana em Roma e la Casa Urbana Hispanoromana, Instituicón Fernando el Catolico.
Sendo uma casa particular das pessoas mais abastadas, este tipo de habitação encontra-se documentado, sobretudo, na cidade de Óstia, juntoà foz do rio Tibre. A partir do séc. II, a. C., depois da conquista da Grécia, a casa romana torna-se  maior e mais confortável. A escassez de aberturas impedia a entrada do calor, do frio e dos imensos ruídos da rua e fechava a casa à devassa dos vizinhos. Era cómoda, ampla, ricamente decorada e ajardinada.

Dormitorium cubiculum - v. cubiculum.


Duodecim Scripta - Jogo Tabula

Duumvir (plural duumviri) - Magistrado a quem competia a gestão pública. Deviam convocar as reuniões do senado local e presidiam, sem voto, às suas sessões, fixando a «ordem do dia» e moderando os debates. Propunham o calendário anual para as actuações administrativas do município, convocavam as eleições e controlavam o escrutínio. Os duunviros nomeavam os «juízes da cidade» e formulavam propostas para os gastos da cidade, se bem que sob o controle dos decuriões. Os duunviros assumiam também algumas funções religiosas, propondo também o calendário das festividades e a nomeação, com carácter anual, dos responsáveis pelos templos, os magistri.

Edicula - Nicho, altar.



Edícula. Placa de la luna (s. VI-VII d C). En la placa se representa una edícula con frontón triangular y luna en cuarto menguante, bajo la inscripción ET ANTE LUNA SEDIS EIUS. Museo Nacional de Arte Romano 



Edícula proveniente de Mérida, onde se associa o retrato e o respectivo altar com uma inscrição. Da figura da mulher conserva-se a “palla” e a túnica coberta pela “stola”. A figura masculina enverga a toga. «Os Retratos de Roma», 2011, Museu Arqueológico Nacional, Espanha.

Editor - responsável pelo circo.

Educare - Educar
Conjunto de Estiletes de Bronze, Ferro e Osso. Mérida . Séculos I-IV d. C.

Museo Nacional de Arte Romano 
A partir de:
ARS SCRIBENDI
La cultura escrita
en la antigua Mérida, 2014

Entre os romanos mais ricos, era usual que uma criança fosse educada pela mãe.  Contudo quem a amamentava e a educava até que atingisse a adolescência era uma outra mulher, chamada de nutriz. Os mais ricos optavam por um nutriz  grega, porque o idioma e cultura grega era muito prestigiado entre os romanos. A nutriz era auxiliada por um homem, chamado pedagogo, ou nutridor. Era com ele que a criança aprendia a ler. Geralmente grego, pedagogus ou litteratus.
São conhecidos em Roma  muitos casos de servae (servas) que desempenharam as funções paedagogae, educatrices, nutrices, lectrices et librariae, ou seja, dedicando-se a actividades relacionadas quer com a saúde, quer com a educação.








Pedagogo e seu discípulo



«Os romanos que não eram ricos, mas tinham recursos suficientes para que seus filhos pudessem estudar, mandavam-nos para uma escola, que em geral tinha de ser paga. Ali depois de aprenderem a ler e a escrever, as crianças passavam a ler as obras dos grandes poetas da época. Com esses textos, conheciam literatura e aprendiam sobre moral.


Essas escolas são de dois graus:


elementares - a escola do litterator onde se aprendia a ler e escrever e calcular médias

grammaticus - a escola onde se ensinava a língua latina e grega, se estudavam, os autores das duas literaturas através das quais se aprendia a cultura helénica em geral.
Um terceiro grau será enfim, constituído mediante as escolas de retórica, uma espécie de institutos universitários, que surgem com uma diferenciação e uma especialização superior da escola de gramática.

A sua finalidade era formar o orador, porquanto a carreira política representava, para o espírito prático romano, o ideal supremo.

E, portanto, o ensino da eloquência abrangia toda a cultura do direito até a filosofia»


Cit. a partir de:

http://www.artigos.com/artigos/humanas/educacao/a-educacao-em-roma-12899/artigo/#.UXZE77XUcvw

«O Programa educativo romano privilegia assim uma aprendizagem sobretudo literária, em detrimento da Ciência, da Educação Musical e do Atletismo.
Porém, é aos romanos que se deve o primeiro sistema de ensino de que há conhecimento: um organismo centralizado que coordena uma série de instituições escolares espalhadas por todas as províncias do Império. O carácter oficial das escolas e a sua estrita dependência relativamente ao estado constituem, não apenas uma diferença acentuada relativamente ao modelo de ensino na Grécia, como também uma novidade importante.
É claro que um tal sistema tende a privilegiar uma minoria que, graças aos estudos superiores, ascende àquilo que os romanos consideram ser a vida adulta simultaneamente activa e digna ou seja, uma elite, com uma elevada formação literária e retórica».
(...) Na aprendizagem da escrita começava-se por se aprender o alfabeto e o nome das letras, de A a X, antes mesmo de lhes conhecer a forma. O nome das letras era seguidamente ensinado ao contrário, de X a A e posteriormente aos pares, primeiro agrupados segundo uma dada ordem e logo após agrupados de forma aleatória. Seguia-se a aprendizagem das sílabas, em todas as combinações possíveis e, por fim, dos nomes isolados. Estes três tipos de aprendizagem constituem as categorias sucessivas do abecedarii, syllabarii e nomirarri. Antes de passar à redacção de textos era ensaiada a escrita de pequenas frases bem como máximas morais de um ou dois versos».
http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/
Ver também: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/
O ensino da escrita é simultâneo ao da leitura. A criança escreve em sua tabuleta as letras, palavras ou textos cuja leitura deverá posteriormente efectuar. Empregam-se a princípio dois métodos alternados: um que remonta às origens da escola grega e que consiste em guiar a mão da criança para lhe ensinar o ductus, e outro mais moderno, talvez originário da escola latina, em que se utilizam letras gravadas em concavidades na tabuleta que a criança retraça usando o estilete de ferro e seguindo o sulco através da cera. Esta é alisada com o polegar logo que tenha terminado a tarefa, para que assim possa reproduzir as letras na tabuleta.
Quando surgem o pergaminho e o papiro a criança passa a escrever com uma cana talhada e molhada em tinta».



Ver: Stilus (caneta). A partir de: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/



Tinteiros. A partir de: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/Tábuas para escrever. A partir de: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/momentos/escola/ensinoroma/
          
«Os livros são feitos com folhas coladas lateralmente e enroladas à volta de uma varinha. Para ler, a varinha é mantida na mão direita e com a outra mão desenrola-se a folha única.
Associada à leitura e à escrita encontra-se a declamação. A criança é incentivada a memorizar pequenos textos à semelhança do que ocorria na Grécia.
Recorre-se frequentemente à emulação e mais ainda à coerção, às reprimendas e aos castigos. O primus magister apoia a sua autoridade na férula, instrumento a que recorre para infringir os castigos nas crianças. “Estender a mão à palmatória”, manum ferulae subducere, é na verdade para os Romanos sinónimo de estudar».


Ver:


"Profesionales de la educación en la Hispania romana", Gerión 33 (2015), 285-310
María Ángeles Alonso
Gerión
2015, Vol. 33, 285-31
Disponível em:
https://www.academia.edu/20158265/_Profesionales_de_la_educaci%C3%B3n_en_la_Hispania_romana_Geri%C3%B3n_33_2015_285-310





Espólio funerário infantil (selecção)
Carretera de la Corchera, Sepultura A3 (Mérida), final do século II-inícios do século III d. C.

Museo Nacional de Arte Romano (Inv. DO2012/3/10-40).

«El ajuar que aquí mostramos se halló en una tumba de incineración formando
parte de un depósito en el que destacaba la presencia de veintidós terracotas
que representaban a hombres y mujeres, así como una serie de elementos de
pequeño formato. En él se incluían igualmente dos estiletes de bronce.
Los estiletes de metal, como los que aquí se muestran, se componen de tres
partes bien diferenciadas: la punta con la cual se podía escribir sobre cera; el
mango/vástago que podía estar decorado y a veces presentaba un engrosamiento
más o menos pronunciado para facilitar su aprehensión, y la cabeza,
que solía terminar en una espátula de diversas formas (trapezoidal, rectangular,
triangular, cóncava o cuadrada) con la que se podía realizar pequeñas correcciones,

como borrar letras o palabras en la cera sobre la cual se escribía».

Fotografia e comentário a partir de:
ARS SCRIBENDI
La cultura escrita
en la antigua Mérida, 2014


Embarcação -

Emblema - Parte central do mosaico, executado em atelier. Era posto num suporte, independentemente das fundações do mosaico e nele inserido.

Entablamento - Coroamento de uma ordem arquitectónica e da construção. Compunha-se por vários elementos, designadamente: arquitrave, friso e cornija.














Ver As Ordens Arquitectónicas
http://sobrearquitetur.blogspot.pt/2012_09_01_archive.html

Eques - cavaleiro.  A partir de Augusto, o cidadão que, no censo, fizesse prova, no censo, de ter uma fortuna que superasse um milhão de sestércios era senador; Por sua vez,  eques seria aquele que possuía 400 mil sestércios. A forma como se vestiam (roupas, jóias) espelhava os 33 lugares cimeiros na escala social, bem como outros atributos de riqueza, como a casa ou o uso da liteira que os transportava.
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3907/1/ulfl080840_tm.pdf (p. 32).

Equilia - Estábulos dos cavalos, nas uillae rusticae.

Equus (latim) - cavalo de montar.

(Ver Mela: 2,68; Marcial: 8,28,6; 12, 86,2).
Segundo Plínio (8, 166) ed. Amílcar Guerra, «Consta que próximo do ópido de Olisipo e do rio Tejo, na Lusitânia, as éguas viradas para a brisa do favónio recebem um sopro fecundante e deste modo se gera uma cria muito veloz, mas que não ultrapassa os três anos de vida».


Euripus - Canal central dos jardins.




Estela - a palavra estela, cuja origem é do termo grego stela, significa "pedra erguida" ou "alçada". Em Arqueologia o termo é genericamente usado para designar objectos em pedra individuais, ou seja, monolíticos, nos quais eram efectuadas esculturas ou textos epigrafados. Tinha como função primordial veicular um determinada mensagem, fosse ela funerária, mágico-religiosa, territorial, política ou propagandística.



Estela funerária. British Museam


Ver: Estela funerária epigrafada. Finais do século II - inícios do III. Proveniente da Quinta do Marim, Olhão.


Search Results


[PDF]A necrópole romana da Quinta de Marim (Olhão).pdf - Estudo Geral

https://estudogeral.sib.uc.pt/.../A%20necrópole%20romana%20da%...

[PDF]Marim Romano - Campo Arqueológico de Tavira

www.arkeotavira.com/alg-romano/marim2/.../resumo-marim.2.pdf - Translate this page
.


Estrigilo -  instrumento utilizado para retirar os óleos do corpo depois das massagens, também teve uma função médica, servindo para aplicar medicamentos líquidos, dada a sua forma côncava. É composto por um cabo, que pode ter várias formas, e uma colher longa com secção transversal côncava e secção longitudinal em forma de nave
(adap. de http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1782/1/22837_ulfl076027_tm.pdf)




Estuque - revestimento das paredes para lhe dar um tratamento homogéneo. Por vezes, para que o mesmo se agarrasse à parede era necessário existir espigões de bronze ou pedras salientes que o ajudavam a fixar. Pode ser decorado, a exemplo dos estuques de Conimbriga.





Fragmentos de estuque Alter do Chão


Ver fotografia do Local onde estava um espigão de bronze para fixação do revestimento em estuque. Balneários das Ruínas de Miróbriga. Ao longo da parede existia uma fiada destes orifícios colocados à mesma altura.






Ver: Espigão em bronze para fixação dos estuques à parede. Balneários das Ruinas de Miróbriga, Santiago do Cacém.






Estuques decorados com representação de bota. Museu Monográfico de Conimbriga.

Evergeta - espécie de mecenas que financiava os espectáculos ou construções públicas . Normalmente a ascensão na carreira política ou administrativa dependia desse financiamento.

Evergetismo - Acto de realizar boas acções em prol dos outros. Durante o Império romano, tornou-se usual que os detentores de cargos públicos demonstrassem o seu empenho pelo bem comum. Deste modo, a elite romana, e não apenas o Imperador, custeava a construções de edifícios públicos ou a oferta de espectáculos à cidade.
Para o financiamento dos jogos concorriam capitais públicos e privados.

Exedra - Sala de recepção e de repouso para o senhor da casa, coberta, com bancos. Nicho, alcova.Local em forma de nicho ou pórtico semicircular


Estruturas Hidráulicas - ver artigo sobre «Aproveitamento da Água em Miróbriga»

Faber - fazer

Faber aerarius - artífice que trabalhava o cobre e o bronze

Faber argentarius - artífice que trabalhava a prata

Faber aurarius - artífice que trabalhava o ouro.

Faber ferrarius - quem se ocupava de trabalhos em ferro e de serralharia



Faber marmorarius – até ao século IV designava-se assim o pedreiro, o marmorista, o escultor e também o lapidador de pedras preciosas.

Faber tignarius - artesão que trabalhava a madeira

Fabri cisarii - artífices que trabalhavam carros.

Fabri navales - artesãos que fabricavam barcos.





facas/foices de vindima provenientes da Villa romana de S. Cucufate.







Facas/foices romanas para os trabalhos agrícolas da vinha (poda, enxerto, vindima). Fotografia cedida por Luis Fraga da Silva

Família urbana

Fascia pectoralis - faixa que ajudava a suster os peitos, própria da indumentária feminina. Da roupa interior contava também uma camisa.


Fascia (ae) crurales - protecções das pernas.




Mosaico de homem com bácoro, regressando da caça.
«O mosaico apresenta um tipo de vestuário comum nos mosaicos do século III, com destaque para as protecções das pernas, "fascies crurares", e túnica curta» J.M. Bairrão Oleiro.
Casa dos Repuxos, Ruínas de Conímbriga.
Foto: Filomena Barata

Fauces - Pequeno corredor de acesso ao peristilo.

Faunalia - No festival da Faunalia, que se celebrava a 5 de Dezembro, as pessoas do campo com grande alegria e banquetes, fazia referência a Fauno como deus da agricultura e do gado.



Fenestra - Janela. Buraco ou postigo numa parede.

Fermentum - fermento/levedura. Os Romanos tinham pão fermentado e pão que não usava levedura.

Ferramentas





Imagem obtida a partir de: Ferramentas de trabalho em pedra - W. Wootton, B. Russell, P. Rockwell
http://www.artofmaking.ac.uk/content/essays/2-stoneworking-tools-and-toolmarks-w-wootton-b-russell-p-rockwell/
Ferramentas de percussão.

A maioria das ferramentas empregadas para esculpir pedra são instrumentos de percussão, ou seja ferramentas que são usadas contra a pedra. Estas incluem picaretas e machados, ferramentas com as quais os escultores atingem a pedra directamente, e cinzéis, que são atingidas com um martelo ou marreta.
As ferramentas de percussão são usados em quase todas as tarefas, à exceção de polimento.

Ferramentas de abrasão


A segunda principal categoria de ferramentas de escultura em pedra refere-se às que se esfregam na pedra. Algumas destas ferramentas de abrasão são usadas para corte, como a de serra, enquanto que outros, como o de raspagem, são usados para alisar ou polir a superfície da pedra.
As brocas são usadas para fazer furos ou canais na pedra e também funcionam por abrasão.
Para alcançar um acabamento muito liso na pedra, usam-se vários tipos de materiais que podem ser esfregados sobre a superfície. Estes variam entre materiais relativamente grosseiros, como o esmeril, e os mais suaves, tal como arenito ou pedra-pomes. Estes materiais são aplicados à superfície da pedra com água que ajuda a remover o pó de pedra criado durante o processo abrasivo.

Mas existem ainda outras ferramentas ou utensílios: os de medição.
Entre os Romanos já eram conhecidos os esquadros, os prumos; os compassos e os groma que permitiam construir de forma geométrica, bem como planear cidades ou mesmo os territórios, através da centuriação.

(Traduzido e adaptado de: 
http://www.artofmaking.ac.uk/content/essays/2-stoneworking-tools-and-toolmarks-w-wootton-b-russell-p-rockwell/).






Ferrei forfices - Tenazes utilizadas para a elevação e movimentação das pedras.


Ferrei forfices (à direita) A partir de Jean-Pierre Adams. La Construction Romaine


Fibula (ae) - espécie de alfinete usado no vestuário
«Estes objectos de adorno, sendo ao mesmo tempo acessórios imprescindíveis para prender as peças de roupa tais como túnicas, togas, e capas, desempenharam uma função que poder-se-á comparar, em termos modernos, à desempenhada pelos alfinetes de dama de tamanho grande. A utilização destes utensílios era já conhecida desde períodos que remontam ao século XI a.C., tendo sido proficuamente usados durante todo o Império Romano», e o seu uso prolongou-se após a sua derrocada.
Normalmente de bronze,  existem distintos tipos segundo a época.



Fíbula anular de bronze. Séculos I a. C - II d. C. Sabugal Velho. Museu do Sabugal




Fíbula anular em bronze. Século I d.C. – primeira metade do século III d.C. Miróbriga.


Ver: Fivelas visigóticas provenientes da Necrópole da pedreira, Rio de Moinhos, Abrantes.


http://www.igespar.pt/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/12_1/12_1artigos/189_196.pdf
http://caleidoscopio.pt/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=649&vmcchk=1&option=com_virtuemart&Itemid=80

Fichas para jogar - Ver em Glossário II Modicus





Fichas para jogo em osso e vidro. Museo Nacional de Arte Romano.
Fotografia:José Manuel Jerez Linde


Fictiliarius - oleiro.

Fide - fé, confiança, crédito ou o que produz confiança.

Firmitas: Tenacidade. Força mental, a habilidade de defender uma proposta.

Fiscates (latim) - gladiadores sustentados pelo imperador.

Fiscina (pl. fiscinae) - ceiras como as que eram usadas para levar a azeitona para os lagares.

Fistula Aquaria - condutas da rede hídrica urbana geralmente em chumbo, mas podendo também ser de terracota.
São conhecidas quer em ambiente doméstico, quer em aquedutos.
Tubo de vários calibres realizado em chumbo. Os artífices destas condutas em chumbo eram designados por plumbarius (Ver: Gonzaléz Tascón e Velásquez, González Tascón, I. e Velásquez, I. (2004). Ingeniería romana en Hispania. Historia e técnicas constructivas, Fundación Juanelo Turriano, Madrid.2005: 396; Mário Fortes, A xestión da auga na paisaxe romana do occidente peninsular. Tese de Doutoramento (policopiada). Facultade de xeografía e Historia da Universidade de Santiago de Compostela, Santiago de Compostela. 2008, Anexo I: 20).


Cano de Chumbo proveniente de Conímbriga


Disponível parcialmente online, recomenda-se a consulta:
BOOKS.GOOGLE.PT

Flamen (pl. flamines) - Sacerdotes que se dedicavam particularmente a uma divindade.

«Los flamines eran sacerdotes dedicados en exclusiva a una única divinidad de tradición itálica y ancestral. Al colegio de los flamines pertenecían quince sacerdotes, divididos en dos grupos, los flamines maiores y los minores. Los flamines maiores -que debían proceder de familias patricias- eran tres: el flamen Dialis(dedicado al culto de Júpiter), el flamen Martialis (Marte) y el flamen Quirinalis (Quirino, nombre que recibe Rómulo tras su apoteosis), que son la triada capitolina original, es decir, los dioses principales del panteón romano, sustituidos después por Júpiter, Juno y Minerva. Los doce flamines minores estaban consagrados a divinidades ancestrales: Volcanus, Vulturnus, Carmenta, Ceres, Falacer, Portunus, Palatua, Flora, Pomona, Furrina y otras dos divinidades desconocidas, y ya en el siglo I aC resultaban enigmáticos para  los propios romanos».
cit a partir de:
https://arraonaromana.blogspot.pt/2016/12/privilegios-y-tabues-del-flamen-y-la.html?view=classic

Foedus - Tratado ou pacto.

Forceps - pinça de hastes separadas com que se extraíam as raízes dos dentes e os quistos, mas que eram usados também nos partos.

Ver: http://www.vergaranunes.com/latim/cultura/medicina.htm



Forceps. Fotografia obtida a partir de:http://www.vergaranunes.com/latim/cultura/medicina.htm



Foricae - latrinas públicas (Gonzaléz Tascón e Velásquez, González Tascón, I. e Velásquez, I. (2004). Ingeniería romana en Hispania. Historia e técnicas constructivas, Fundación Juanelo Turriano, Madrid.). 

Fornax - Forno de uso industrial, para obter cal (f. calcaria) ou para louça.

Fornus - forno para pão.

Forum (pl. fora) - Centro monumental da vida política, comercial, religiosa e mundana de uma cidade.
(Ver Vitrúvio)





A caminho do Forum de Miróbriga. Fotografia Filomena Barata.


Frescos - pintura mural, feita a fresco, que revestia as paredes interiores dos edifícios.
É uma técnica de pintura em paredes ou tectos de gesso ou revestidas com argamassa, ainda fresca que geralmente assumem a forma de mural. Muitas vezes, o termo é utilizado para referir-se a pintura mural em geral.
Uma vez que se aplicam sobre a argamassa se encontra «fresca», os pigmentos precisam ser diluídos apenas em água e, à medida que superfície pintada fôr secando, seca também o desenho, que passa a integrar a superfície, sendo assim a fixação bastante duradoura.




Frescos da Basílica de Tróia.
Fotografia Teresa M. Saraiva



Pese tratar-se de um trabalho escolar, considero que vale a pena consultar:
http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com/2009/03/arte-da-antiguidade-classica-arte_26.html

Frigidarium - compartimento frio do balneário. Inclui frequentemente a natatio.

Friso - zona plana do entablamento, entre a arquitrave e a cornija.

Frons scaenae - Parte da frente de cena do teatro que delimitava o palco, ostentando grande ornamentação. Possuía dois ou três andares de colunas, com respectivos os entablamentos e arquitraves. Era comum o uso de estatuária neste local.


Frons pulpitum - Parte frontal do muro do proscaenium. Essa parede frontal era geralmente decorada.


Frontão - remate ou coroamento de uma estrutura arquitectónica ou decorativa, - porta, janela ou nicho - que pode ter diferentes formas.

Frugalitas:  Forma de ser simples, sem ser miserabilista.


Fullonica e ou officinae lanifricariae - oficinas de preparação de

tecidos.O local onde se realizava a produção de panos, desde a lavagem propriamente dita, até à tinturaria 

(Ver Mário Fortes, (2008). A xestión da auga na paisaxe romana do occidente peninsular. Tese de Doutoramento (policopiada). Facultade de xeografía e Historia da Universidade de Santiago de Compostela, Santiago de Compostela. 2008: 101). Estes estabelecimentos requeriam muita água.


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Fullo (pl. fullones) - pisoeiro que prepara os panos de tecidos.




Fundus - terra ou propriedade fundiária.




Furnus - Forno




Fusaiola - elemento cerâmico ou pétreo  com orifício central que se encaixa na ponta mais delgada do fuso para o manter na posição vertical e prender o fio. Pode ter  uma forma trapezoidal cónica ou bicónica. Era utilizado para trabalhos têxteis domésticos.

Funales (latim) - cavalos que iam atados por uma corda, um de cada lado do carro de triunfo, ao lado dos cavalos de puxar. Nas corridas do circo são os cavalos que se localizam mais à esquerda nas quadrigas, dependendo deles as manobras mais complicadas nas voltas.
(Sobre os cavalos ver Suetónio, pp: 200, 201, 222).

Fundus (latim) - terra

Fuste (lat.) - fuste. Significar pau de madeira, e é, de certo modo, a própria coluna, ou o elemento vertical de apoio) que faz faz a ligação entre a base e o capitel. Pode ser monolítica ou segmentado pela sobreposição de diversos blocos (também designados tambores). Constrói-se de madeira de  pedra ou ainda de segmentos cerâmicos (quadrantes) unidos por argamassa. Quando a coluna só apresenta fuste, o extremo inferior deste designa-se imoscapo e o superior sumoscapo.

Gadir - feitoria fenícia; cidade do Mediterrâneo ocidental fundada pelos Tírios, habitantes da cidade de Tiro na Fenícia, actual Líbano, em 1100 a.C. na foz do Guadalquivir. Constituída por várias ilhas, numa delas localizava-se o famoso templo ou Santuário de Melqart/Herakles, onde estavam depositadas as cinzas deste deus. Deu origem à actual cidade de Cádiz (Espanha).

Galea - capacete de couro.

Galera - Embarcação romana

Ver:  http://historia-maritima.blogspot.pt/2011_08_01_archive.html

http://bertan.gipuzkoakultura.net/23/caste/5.php


Galera romana.
Imagem obtida a partir de: http://bgbholding.com/products/salaverria/galeras/english/galera_romana_full.htm




Galinarium - Galinheiro das uillae rusticae



Garum e liquamen -  preparados líquidos ou pastosos com base nas vísceras, ovas e sangue dos peixes, macerados com aromatizantes, existindo-os de várias qualidades e preços, de acordo com a sua pureza ou fama dos locais de produção. Podia utilizar-se como molho ou condimento essencial na culinária romana.

Ver: Referências ao Garum, Plínio, Livro IX, XXXI.
Apício
Two Industries in Roman Lusitania, Mining and Garum Production, BAR International Series, 1987.
“Garum” et Industries antiques de Salaison dans le Mediterranée Occidentale, Paris, 1965.
M. Ponsich, Aceite de Oliva y Salazones de Pescado, factores geo-económicos de Bética y Tingitana, Madrid, 1988.
A. Moreno – L. Abad, «Aportaciones al estudio de la Pesca en la Antiguidad», Habis, 2.
S. Jiménez Contreras, «La Industria del Pescado en la Antiguidad», Revista de Arqueologia, nº 68. PP: 20-34.


Gemmarum sculptores - gravadores de gemas de anéis.


Gema com representação de Ísis. Fotografia Graça Cravinho

Uma vez gravada pelos gemmarum sculptores (ou gemmarum scalptores), a gema era polida pelo gemmarum politor com pó de grés do Levante, naxium, esmeril (smyris) ou ostracias. Esse polimento era já efectuado pelos artistas Gregos, Etruscos e helenísticos. Mas, neste último caso, e tal como entre os Romanos, o polimento atingiu um alto nível. 
Era um trabalho árduo, o desses gemmarum sculptores, cujos olhos estavam sujeitos a um esforço contínuo que lhes provocava um enorme cansaço. Natter considerava a arte de gravar pedras duras “uma arte penosa e desencorajante” – pela necessidade de dominar bem as técnicas do desenho e de adaptá-las ao método de gravação; pela ausência de perspectiva e pelo pequeno tamanho das gemas. Infelizmente, não temos elementos que nos permitam assegurar que as lentes de cristal-de-rocha polidas, encontradas num túmulo perto de Cnossos, possam estar relacionadas com a gravação de gemas. Pequenas lentes (lentóides), algumas com qualidades ópticas, foram também descobertas em várias estações arqueológicas tardo-helenísticas e romanas. Mas, há também casos de lentes encontradas em oficinas de entalhadores de gemas, nomeadamente em Pompeia, onde lentes em tom verde-claro apareceram entre gemas gravadas, num local que parece ter sido uma oficina. Plínio informa-nos mesmo que, para obviar o cansaço provocado nos olhos, os artistas colocavam sobre eles um vidro tingido de verde ou uma lâmina de plasma (quartzo em tom verde-seco) ou uma esmeralda (smaragdus). Comentário da autoria de Graça Cravino.

Gens (pl. gentis) - conjunto de pessoas com o mesmo nome (nomen gentilicium) que se ligam a um antepassado comum.

Gentes (pl. gentium) - Os Bárbaros (por oposição aos Romanos).

Gentilitas (pl. gentilitatis) - parentesco entre pessoas da mesma gens.

Gladiadores - profissionais do anfiteatro que combatiam na arena. O nome de gladiador provém da curta espada usada por este lutador, o glaudius. Os lutadores pertenciam a grupos diferentes e as lutas eram organizadas de molde a que nenhum ficasse em desvantagem. Os Trácios usavam como protecção um capacete qutoda a cabeça e um escudo quadrado,além de caneleiras. Utilizavam também as espadas curvas, as sicas.

Ver neste mesmo site «O Homem Romano».




Gladiadores en un mosaico romano. Museo Arqueológico de Barcelona

Ver: JOSÉ MARÍA BLÁZQUEZ
Zephyrus (Ediciones Universidad de Salamanca) 9,
1958, 79-94. 

Disposível para download a partir de:

http://www.cervantesvirtual.com/descargaPdf/representaciones-de-gladiadores-en-el-museo-arqueolgico-nacional-de-madrid-0/

Nota: Chamamos a atenção que o mosaico representado na imagem procede de Gerona, encontrando-se no Museo Arqueológico de Barcelona. Apenas serviu para ilustrar.


https://www.facebook.com/pg/Alusitania/photos/?tab=album&album_id=1604288019853039

Górgona - Monstro que tem o poder de transformar em pedra todos aqueles que a olham directamente. Na mitologia grega tardia, havia três górgonas: Medusa, Esteno e Euríale. Ao contrário das outras duas, Medusa era mortal e, por isso, foi decapitada por Perseu. Este utilizou a sua cabeça como arma que ofereceria à deusa Atena, motivo pelo que aparece representada no seu escudo. Também por esse mesmo motivo, a imagem da cabeça da Medusa aparece nos amuletos.


Num mosaico aparecido em Alter do Chão, está representada a "penúltima cena do Canto XII da Eneida, a obra de Virgílio. Contemplamos Eneias com o seu penacho quebrado e um escudo com a figura da Medusa. Aos pés, o rei Turno implora pela vida. As armas do guerreiro Palante estão perto. Frente a frente, guerreiros frígios e rútulos".






Grade de janela em ferro. Santiago da Guarda. Lembramos que também em Conimbriga há fragmentos de grades do mesmo tipo.

Gravitas - Gravidade. Sentido da importância de um assunto; responsabilidade, seriedade e determinação.

Gregarii milites - militares
Ver«O Soldado» in Homem Romano

Groma - instrumento utilizado na construção civil que permitia não só criar linhas rectas horizontais, como verticais, e ângulos rectos, através de prumos colocados na extremidade da cruzeta de madeira que o constituía. Essa cruzeta estava, por sua vez, agarrada a um braço colocado sobre um pé com um pouco mais do que um metro de altura.

Para além da construção, o Groma permitia ainda fazer a centuriação dos terrenos.
O topógrafo fixava-a ao solo confirmando a sua horizontalidade, através de um prumo, olhando depois através dos seus braços em cruzeta para traçar linhas e ângulos.
instrumento de agrimensura para traçar linhas ortogonais no campo. 
Segundo Sextus Pompeius Festus era de metal e constava de uma cruz de quatro braços fixados lateralmente num pé de aproximadamente dois metros; no extremo de cada braço tinha um fio-de-prumo. (Ver González Tascón, I. e Velásquez, I. (2004). Ingeniería romana en Hispania. Historia e técnicas constructivas, Fundación Juanelo Turriano, Madrid).

Para melhor conhecer a forma como se usava, poderá ler:
http://legioneromana.altervista.org/co…/how-use-roman-groma…...


Imagem obtida a partir de: http://www.teinteresasaber.com/2013/12/las-vias-romanas-establecidas-partir-de.html


Gromaticus - agrimensor, topógrafo que utilizava a groma para fazer medições no campo; designa também o autor dos tratados de agrimensura (Ver: González Tascón, I. e Velásquez, I. (2004). Ingeniería romana en Hispania. Historia e técnicas constructivas, Fundación Juanelo Turriano, Madrid)


Honestas -  Respeito. A imagem que se dá como um membro respeitável de uma sociedade.

Humanitas: "Humanidade". Refinamento, civilidade; capacidade de aprender e ter cultura.

Horae - Figuras mitológicas. Só muito tardiamente é que as Horas passaram a personificar as horas do dia.
Na Mitologia Grega constituíam o grupo de deusas que presidiam às estações do ano. Eumónia está relacionada com a representação da divindade da justiça. Témis e Dice representam o lado ético do instinto.
As três horas também são as porteiras do Olimpo.
Existem mais nove Horas que são guardiãs da ordem natural, do ciclo anual de crescimento da vegetação e das estações climáticas anuais. (Talo, Carpo, Auxo, Acme, Anatole, Dice, Diceia, Eupória, Gimnásia)
Segundo alguns autores, Clóris,  deusa da primavera, era também uma das Horas.


Hipocambo - monstro marinho da mitologia grega; cavalo-marinho.

Hipocaustum - Zona inferior da construção dos balneários romanos, criada sob os pavimentos pelas suspensurae, Hypocaustum. É o sistema de aquecimento numa câmara subterrânea onde circula ar quente produzido numa fornalha ou praefurnium.


Hipodromo - É qualquer recinto (especializado ou de uso casual) onde se efectuam corridas de cavalos. É um termo erudito moderno, de origem inglesa ou francesa. O termo popular mais comum é "corredoura", que abrange praças alongadas de povoados importantes onde se realizavam corridas e exercícios mais ou menos militarizados ou atléticos de índole equestre (frequentes a partir de 1400 no sul, possivelmente mais cedo no norte).
Hipódromo em português traduz várias realidades nacionais e civilizacionais específicas, contemporâneas ou antigas. Relativamente a estas últimas e no quadro do Mundo Clássico corresponde ao grego antigo "ἱππόδρομος (hippodromos)" donde deriva etimologicamente ou ao latim "circus". Nestas línguas estes conceitos correspondem a tipos arquitectónicos específicos, bem diferenciados e bem documentados.
Além disso "circo" em português tem dois sentidos como se sabe, um comum, que me abstenho de explicar, e um específico de história da arquitectura da época romana, que corresponde apenas ao "circus" latino.
Deste modo um "circo" romano é um "hipódromo" (romano) em português, do mesmo modo que um ἱππόδρομος é igualmente um hipódromo (grego) em português.
Como se sabe, no ocidente romano, nomeadamente da Hispânia, não existem ἱππόδρομος mas apenas "circus". (Luis Fraga da Silva).


Hiposcaenium - Zona do teatro romano situada por baixo do palco (proscaenium). Poderia ser usado para a colocação de mecanismos que auxiliassem na remoção e troca de cenários ou para guardar elementos utilizados durante a representação cénica.

Hipocaustum - Zona inferior da construção dos balneários romanos, criada sob os pavimentos pelas «suspensurae». É através deste sistema de aquecimento numa câmara subterrânea onde circula ar quente produzido numa fornalha ou «praefurnium» que os balneários, públicos ou privados, podiam ter as zonas tépidas, o «tepidarium» e aquecidas, o «caldaium».

Na imagem: o hipocaustum de Miróbriga, sobre o qual assenta o pavimento. Ao fundo, um dos «alveus», ou pequena piscina aquecida, dos balneários. Fotografia: Luis d'el Rey.




Honestiores (latim) - proprietários, em sentido lato.

Horae - Figuras mitológicas. Só muito tardiamente começaram a representar as horas do dia.
Na Mitologia grega eram um grupo de divindades que presidiam às estações do ano. Eumônia está relacionada com a representação da divindade da justiça. Têmis e Dice elucidam o lado ético do instinto. As três horas também são as porteiras do Olimpo.
Existem mais nove Horas que são guardiãs do ciclo anual de crescimento da vegetação e das estações do ano. (Talo, Carpo, Auxo, Acme, Anatole, Dice, Diceia, Eupória, Gimnásia). Para alguns autores Clóris, deusa da primavera, correspondendo entre os Romanos à Flora,  era também uma das Horas, esposa de Zéfiro (o vento), protegendo as flores e presidindo  a “tudo que floresce”.


Segundo a mitologia, o mel é considerado como um dos presentes que Flora ofertou aos homens, tal como as sementes das flores.
Contudo, os romanos já conheceram os Relógios de Sol que se foram tornando usuais a partir dos séculos I e II e, ao que parece em Egitânia teria existido um Horologium, como parece comprovar uma inscrição.


Ver:  «Relógio de Sol ou Clepsidra?» , Fernando Correia de Oliveira
http://espiraldotempo.blogspot.pt/2010/09/relogio-de-sol-ou-clepsidra.html




Sabe-se ainda que os romanos, herdeiros dos conhecimentos dos gregos (que, por sua vez devem ter conhecido através dos Egípicios), embora não tenham contribuído significativamente para o desenvolvimento da técnica dos relógios de sol, usaram-nos muito.

Um dos primeiros a ser instalado em Roma (263 a.C), foi trazido como troféu de guerra, contra Catania.
Como havia sido construído para a latitude do que hoje é a Sicília, não marcava adequadamente as horas.Um século mais tarde, o censor Marcus Philipus determinou uma aferição dos relógios de sol, então já numerosos.Marcus Vitruvius, arquiteto e engenheiro militar romano no tempo de Júlio Cesar, século I a.C, na sua obra De archictectura, livro IX, refere a 13 tipos de relógios de sol então em uso.
Plínio-o-Velho informa-nos que, no ano 9 a.C, o imperador Augusto mandou construir um relógio de sol no Campo de Marte em Roma, cujo gnomon era um obelisco de 30 metros de altura, trazido do Egito, onde fora erguido no século VI AC.
Este gnomon projetava sua sombra numa área de 100 x 180 metros, e era revestido de mármore travertino, onde estavam aplicadas as linhas de hora (desiguais) e datas, em bronze.
A 21 de setembro, data do aniversário do imperador, a sombra do obelisco apontava para o Altar da Paz (Ara Pacis) que fazia parte do conjunto.Baseado em:
http://relogiosdesol.blogspot.pt/2008/11/um-pouco-de-histria-sculo-l-ao-i-aec.html
e
http://sitibiterralevis.wordpress.com/2010/09/16/paz-en-el-imperio-romano-el-ara-pacis/


ler ainda http://lusitaniaromana.com/language/pt/o-relogio-da-civitas-igaeditanorvm/


Horrea - Celeiros, nas uillae rusticae


Hortus - Jardim no peristilo ou horta nas traseiras da casa.

O escritor Plinio descreveu a horta como o "campo do pobre" porque tinha originalmente a funcão de fornecer a vida familiar com hortaliças e ervas medicinais, e localizava-se geralmente na parte posterior da casa, ou seja da "domus". Gradualmente foi-se transformando num jardim ornamental da "parts urbana", se bem que nas villae rurais o terreno dedicado à horticultura foi aumentando e um cultivo extensivo permitiu vender os excedentes nos mercados próximos e tirar benefício económico da produção.
“Conviene también que pomares y huertos estén cercados por un seto, cercanos a la casería y en sitio adonde puedan ir a parar todas las aguas y desechos del corral y los baños, así como el viscoso alpechín de las olivas prensadas; que hortalizas y árboles se abonan también con nutrientes como éstos.”  (Columela, L.I)
Adaptado a partir: http://domus-romana.blogspot.com.es/2013/04/hortus.html
O mirto e o louro eram essenciais numa horta romana.
Mas também as árvores de fruto, as hortaliças e as ervas aromáticas.
Príapo era uma divindade protectora das hortas e jardins, que guardaba as portas das villas rústicas, vigilaba as tarefas dos campos e participava na fertilidade da tierra e na fefundidade dos homens e animais.
(Ver ainda Políbio; Plínio e Virgílio).


Hospitium - Hospitalidade (dada ou oferecida), podendo tratar-se de um pacto.

Humiliores - Trabalhadores (em geral)


Ianitor - Porteiro


Iannua (ou Ostium) - Porta principal que dava directamente para a rua. Era, frequentemente enquadrada por dois pilares.

Imbrex (Imbrice) -Telha de forma semi-cilíndrica, em forma de meia cana (ou telha de canudo) que cobria ou encaixava nas abas laterais cada das tegulae, ou telhas rectangulares com rebordos laterais. Uma das extremidades era mais estreita para permitir o encaixe. Foi  uma tipologia de telha comum durante a Antiguidade Clássica e Idade Média.




Imbrice proveniente de Abelterium

Imma cavea - Parte inferior das bancadas num teatro romano, conhecida por primeiro anel.

Impluvium Cisterna ou tanque pouco fundo que recebe as águas pluviais do telhado no chão do peristilo. Ver Atrium.

Inauguratio - ritual de marcação do perímetro de uma cidade com um arado puxado por bois, no local escolhido. Esre cerimonil era precedido pela  consulta dos presságios por um augúr. Estabelecia-se depois a delimitação e definiam-se as zonas sagrada, pública e residencial. Depois um sacerdote oficiava a consagração com um sacrifício à tríade capitolina (Júpiter, Juno e Minerva).

In antis - templo cujos pórtico frontal (pronaos) é fechado dos lados pelo prolongamento dos muros da cella, tendo colunas só à frente. (Ver Templo).

Incubatio - Forma de leitura dos sonhos, induzindo-se o sono.

Infula - trança ou faixa usada pelas vestais, pelos sacerdotes e pelos imperadores para prender os cabelos.

Ingales - Cavalos de corrida.

In planta pedis - designa-se assim as marcas de oleiro cuja cartela tinha a forma da planta do pé. São usuais nos reinados de Augusto e de Tibério.

Inscrição -



Sepultura de Tróia, Grândola.

Insula (ae) - Prédio de habitação que se desenvolve no sentido vertical, com vários andares, normalmente arrendados, constituindo um quarteirão.
Uma insula é composta de vários Cenacula (apartamentos). Tratam-se de «edifícios de aluguer, de forma quadrada ou rectangular, com vários andares, paredes interiores em madeira e más condições de higiene onde viviam os mais pobres; encontraram-se insulae em Pompeia, Mérida e Conímbriga. Situavam-se em ruas estreitas e o risco de incêndio, grande. Geralmente, a Insula pertencia a um único proprietário que a tentava alugar ao maior número possível de famílias. Segundo Juvenal, escritor romano satírico, até os ratos fugiam das insulae».



Fotografia a partir de: LA DOMUS ROMANA Y LA ÍNSULA

atiniparla-latiniparla.blogspot.pt/2011/12/la-domus-romana-y-la-insula.html

Instrumentum (latim) - utensílios usados na vida agrícola.

Interpretatio - designa o fenómeno de integração de uma divindade indígena que passa a ser cultuado pelos romanos com uma designação latina, mantendo, muitas vezes, o teónimo original como epípeto.

Intercolunio - intervalo entre as colunas. poderia ser pycnostyle (colunas colocadas com um intervalo e meio de diâmetro); systyle (dois diâmetros de intervalo), eustyle (diâmetros de dois anos e um trimestre de intervalo);diastyle (três diâmetros de distância), ou araeostyle (mais do que três diâmetros de intervalo).

Ver:


http://www.arquiteturarevista.unisinos.br/pdf/64.pdf


Jogos - (ver Ludi) Havia de vários tipos, desde dados a malhas, existindo mesmo tabuleiros de jogar.


Ver: Tabuleiros de jogo em argila e em calcário de ançã com fichas. Museu Monográfico de Conimbriga.


Jogo de dados - O dado tinha seis faces com um número. A melhor jogada, chamada Vénus, era quando cada dado saía com um número diferente. A pior, chamada cão, era quando todos os dados saíam com o mesmo número.
(Ver Suetónio, pp: 111 e 233).

Jóias - No início do Império o ouro era escasso, mas gradualmente com as conquistas, foi-se tornando mais comum e começou a ser muito utilizado no fabrico de jóias e, no século II, Roma conhece muitos bons ourives.
Os anéis são as peças de joalharia mais usadas, mas há pingentes, brincos, fios, pulseiras, diademas.
Os ourives do antigo Império Romano vinham predominantemente do Oriente, concentrando-se nas principais cidades do Império, como Alexandria, Antioquia e a própria Roma.


Ver: Jóias romanas. http://www.joiabr.com.br/artigos/jan05.html[/caption]
http://www.joiabr.com.br/artigos/jan05.html



Jugerum - dimensões utilizadas no mundo agrário =de 2522,88m2 . A Centuria mede 504576m2

Junctura, (pl. ae) - barragem
Ver: «Aproveitamentos Hidráulicos Romanos a Sul do tejo», 1986, António de Carvalho Quintela; João Luís Cardoso; José Manuel Mascarenhas e edição mais recente.
Congresso sobre o Tejo (Alcantara) e respectivos aditamentos.
La Construction Romaine, Pierre Adams.


Lancetas - (pequenas lanças) ou pontas de flecha. Motivos que foram muito utilizados em elementos decorativos. Embora de origem bastante mais antiga, despertaram o gosto do Imperador Adriano que as volta a reempregar na decoração passando, então, a tornar-se novamente "moda" .

Laconicum - Sala circular, destinada a banhos quentes e de vapor, uma espécie de sauna. O laconicum era, portanto, a sala mais aquecida das termas, normalmente de planta circular. Ao centro abria-se um tanque em degraus, onde os utentes se sentavam num ambiente saturado pelo calor. 


Laconicum de Eburobrittium. Fotografia de Luis dél Rey




http://www.igespar.pt/pt/patrimonio/pesquisa/geral/arqueologico-endovelico/sitios/?sid=sitios.resultados&subsid=53561
http://arqueologia.igespar.pt/POC/?sid=sitios.resultados&subsid=53561



Laconicum de Évora.

Lectus genialis - leito de casamento

Lacus (latim) - fontes públicas.

Lagoena - jarro para água ou vinho.


Lanista - Designava-se lanista o proprietário e empresário de gladiadores.


Latrina - Latrina. Na cidade romana de Miróbriga é visível ainda a sua estrutura.

Lanio (latim) - magarefe.

Lanternarius (latim) - fabricante de lanternas.

Latrunculi - jogos do Soldado
 VerLudus latrunculorum ou Latrunculi
http://ablemedia.com/ctcweb/showcase/boardgameslat2.html

Lapidação - Técnica de decoração que provoca no vidro um aspecto muito brilhante, resultante das facetas e relevos da sua superfície. A lapidação obtém-se através do desgaste do vidro, usando-se para o efeito tornos verticais aos quais se fixaram rebolos (discos verticais) com abrasivos (ferro, grês, esmeril). Depois de desbastado, o vidro é polido, primeiro com um rebolo de madeira coberto com uma mistura de óxido de chumbo e de estanho e, finalmente, com um disco de cortiça humedecida com água.
Esta técnica foi usada pelos Romanos e Muçulmanos e, dos séculos XVII ao XX, sobretudo na Boémia, Alemanha e Inglaterra.

Lápide - pedra que contém inscrição para comemorar um acontecimento, celebrar a memória de alguém, cumprir um voto ou invocar uma divindade.

Lapicidinae -  designam as pedreiras 


Lapidinarii, Quadratarii, Servi a lapidinis - canteiro.


Lares - as divindades domésticas. O larário é o altar que alberga as  divindades domésticas, como penates, o genio.
Os Lares eram deuses familiares, mas diferiam dos Penates porque eram espíritos deificados de mortais. No fundo, os lares de uma família eram as almas dos antepassados, que velavam pelos seus descendentes.
Em contrapartida os Penates eram os deuses que cuidavam do bem-estar e prosperidade das familiar. Ao que parece, o seu nome deriva  de Penus, a despensa, que a eles era consagrada. Cada chefe de família (pater familias) era o sacerdote dos Penates de sua casa.
Fotografia: Pompeya:Un sueño bajo el volcán.
https://www.facebook.com/pages/PompeyaUn-sue%C3%B1o-bajo-el-volc%C3%A1n/422282010071

«Detalle del larario que decora el Thermopolium de Vetutius Placidus en Pompeya.






Templo-Lararium com frontão triangular, pintado e com nicho. Pompeia.

Fotografía: Ann Raia. vroma.org

https://www.facebook.com/422282010071/photos/a.422297090071.372979.422282010071/10153965507490072/?type=1&theater

«Como puede verse en este thermopolium se aprecia el lararium (edículo) decorado con estucos y frescos. A ambos lados del Genius del dueño están los lares protectores de la casa, Hermes/Mercurio, dios del comercio y Dioniso/Baco, dios del vino. En la casa contigua a este establecimiento, es interesante el triclinio, decorado en "tercer estilo" tardío».
Fotografía: Gemma de la Cruz.

Lararium - lPequeno altar consagrado aos deuses protectores da família, no átrio.

Ver: Lararium. Casa de Iulius Polybius. Pompeia. Imagem obtida a partir de Google.

Lararium

l

Lararium. Pompeia. Imagem obtida a partir de Google.

Lateres - Tijolo de argila secos ao sol ou cozidos no fogo.

Laterculus - era a designação dos tijolos e ladrilhos de pequenas dimensões, e, por extensão, passou a designar-se assim qualquer objecto de barro que tivesse a mesma forma.
(ver opus latericium)

Lectuli (latim) - leitos de um só lugar.

Lectus genialis (latim) - leito para casal.

Lecti pavonini (latim) - ostentosos leitos com seis lugares, feitos em madeiras exóticas de linhas ondulantes.

Legio - A legião romana era a unidade militar de infantaria básica que existiu durante a República e o Império Romano, sendo constituída por 10 mil legionários e centenas de cavaleiros. Eram diferenciadas por um nome e um número, sendo comum afirmar-se que no auge do Império Romano existissem cerca de 50 legiões. Ver Armas.
http://legiaoromana.webs.com/hierarquianalegiao.htm
(Ver Tácito e Apiano que refere três legiões na Lusitânia).
Legionário - Um legionário é alistado numa legião para um tempo de serviço de 25 anos e deve ter menos de 27 anos de idade quando é alistado.
Normalmente os últimos 5 anos de serviço de um legionário veterano é prestado em serviços mais leves.
Um legionário é um soldado bem treinado e, como tal, é submetido a uma disciplina rigorosa, fundamental para qualquer legião e é obrigado a marchas forçadas com toda a carga que  poderá carregar e em formação de guerra.  

Os legionários são como que  a elite guerreira do império, motivo pelo que quaisquer infracções são severamente castigadas pelos centuriões!
Após os 25 anos de serviço, o legionário recebia um bónus que lhe permitia fixar-se na província onde houvesse servido em  último lugar, comprando um pedaço de terra ou abrindo um negócio, motivo pelo que se tornavam fazendeiros, comerciantes ou artesãos, acasalando-se com mulheres locais, de forma a que os seus filhos pudessem futuramente a tornar-se também legionários. Dessa forma, as Legiões, para além de sua importância militar, foram também um poderoso elemento de difusão da cultura romana.
http://legiaoromana.webs.com/hierarquianalegiao.htm
O Exército era composto pela Infantaria, a Cavalaria e a Artilharia
«A infantaria era o componente principal do exército romano. Era dividida em três categorias
distintas de soldados, com posição fixa de batalha. Combatiam em três filas.
Hastati (os homens dos dardos) – eram os soldados mais novos e menos experientes. Cada um
estava armado com duas lanças de arremesso – a hasta (dardo pesado) ou o tipicamente romano
pílum. Este tinha quase três metros de comprimento, com uma flecha de metal que se torcia com o
impacto, não podendo portanto ser recuperada.
Princípes - soldados mais velhos e experientes usavam armas semelhantes aos hastatis, tomavam a iniciativa após o desaparecimento no meio das suas próprias linhas dos hastatis, caso a linha inimiga aguentasse firme.
Triarii - eram os veteranos da guerra, que criavam uma parede defensiva por onde escapuliam os princípes caso o seu ataque também falhasse».


Lémures - Espíritos dos mortos. Eram sombras ou fantasmas dos mortos que, por erros cometidos durante a vida, vagueiam errantes, podendo ser muito prejudiciais. Regressavam à terra nos dias 9, 11 e 13 de Mayo, para atormentar os vivos. Através de uma cerimónia que é descrita por Ovídio, sabe-se que se afugentavam os espíritos de casa. 

http://mujeresderoma.blogspot.pt/2016/05/ritual-para-conjurar-los-lemures.html


Libertus (latim) - liberto (Ver Servus Glossário II)
Escravo liberto que continuava ligado ao seu patrono, patronus, através da prestação de serviços ou de rendas pecuniárias, ficando obrigado a um respeito quase filial: obsequium. Ao momento da sua libertação chama-se manumissio. Não obstante, não lhes era reconhecido o seu direito a ser ciuis de pleno direito, e apenas na terceira geração da sua descendência podia exercer os direitos políticos em toda a plenitude, igualando-se aos homens livres.
Na sociedade romana, a manumissio era uma forma do senhor, dominus, recompensar o seu seruus pelos serviços prestados, passando assim o seruus passava à condição de libertus. Contudo, os libertos eram considerados apenas semi-cidadãos, já que não tinham pleno do direito à cidadania.
“ … estes antigos escravos eram mais ricos, e por vezes bastante mais, do que a maioria da população livre, que se sentia espezinhada pela prosperidade de indivíduos que não tinham nascido na liberdade; suportava-se mal uma opulência que se acharia legítima e admirável num senhor.”
Paul Veyne
Por vezes assumiam dentro da família, familia urbana, funções importantes, a exemplo de dispensator do seu senhor, uma espécie de intendente das finanças ou mesmo de puer delicatus da domina, como bem satiriza Petrónio.
(Ver Petrónio, Satyricon, a história de um liberto)
Géza Alfödy, 1989, A História Social de Roma, Editorial Presença
O Homem Romano.

“ … estes antigos escravos eram mais ricos, e por vezes bastante mais, do que a maioria da população livre, que se sentia espezinhada pela prosperidade de indivíduos que não tinham nascido na liberdade; suportava-se mal uma opulência que se acharia legítima e admirável num senhor.”

Paul Veyne

Na sociedade romana, o senhor podia recompensar o seu seruus pelos serviços
prestados, dando-lhe a liberdade (manumissio). E o seruus passava à condição de libertus. Os libertos eram considerados semi-cidadãos, uma vez  que não tinham o gozo pleno do direito de cidadania.
A maioria das vezes o liberto devia a sua condição não só à generosidade do seu senhor mas, também, à teia de relações sociais que a sua situação servil lhe viabilizava, como é o caso dos escravos das grandes famílias. Alguns eram instruídos para desempenharem cargos e funções importantes, como serem secretários do seu senhor ou preceptores dos filhos da família a que pertenciam.
A personagem Trimalquião,  da obra Satyricon escrita por Petrónio em tempos de Nero, é um exemplo de um liberto enriquecido.

Libúrnicas - naves ligeiras e muito rápidas, assim chamadas por causa dos líbures, povo da Ilíria.

Ligulae, - colheres que eram eram utilizadas para «medir, misturar, aquecer e aplicar medicamentos, existindo nas mais variadas formas e tamanhos. Uma dessas formas é a cyathus, utilizada para comer marisco e ovos, no entanto, este tipo de colher já foi encontrado entre instrumentos de medicina. Normalmente são de bronze, mas também havia noutros materiais, como a prata.

Ver:

http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/3907/1/ulfl080840_tm.pdf





Lígula ou colher medicinal ou litúrgica de prata. Praia da Luz. Museu Regional de Lagos.






Na fotografia: Lígula constituída por um cabo em espigão de secção circular, com um estrangulamento perto da concha, que é circular. Pode ter servido para uso oftalmológico, para aplicação de colírios. (M.S.P.)

Colecção António Júdice Bustorff Silva, Museu Nacional de Arqueologia





«Mas, na vossa opinião – disse ele – qual é, segundo as letras, a profissão mais difícil? Quanto a mim, afirmo: o médico e o cambista.
O médico, porque sabe o que os pobres humanos têm no ventre e o momento em que chega a febre – […]”


Tarmalquião, O Satíricon

«Os romanos acreditavam que as doenças eram consequência da desobediência aos deuses e que se curavam com práticas de cariz ritual e supersticioso. Na obra de Catão o Censor (234-149 a.C.) – De Medicina domestica (hoje perdida) – podemos encontrar uma medicina de cariz tradicional, sem fundamento científico e onde se mistura superstição e magia (SOUSA, 1981, p. 89-90).
In «Os materiais médico-cirúrgicos de época romana do Museu Nacional de Arqueologia»




Conjunto de objectos de dentista de Época Romana, Museu Nacional de Arqueologia.





Lignarius - lenhador. O seu instrumento típico é o machado (ascia ou dolabra). 

Lintel - Parte superior de uma porta ou arco, também denominada  por “verga”  que podia ser monolítica ou composta por vários elementos (aduelas).

Litterator - Pedagogo pessoal dos Aristocratas ou famílias ricas que ensinava a ler e escrever.

Ver: La Scuola Romana
http://www.romanoimpero.com/2016/04/la-scuola-romana.html

Locus (pl. loci) - Lugar, local, sítio ou região.

Lucernae - lamparinas ou candeias de azeite tendo genericamenteum uso doméstico ou votivo.




Lucerna com representaçãso de Hélio ou Mitra. Centro Histórico de Sines

Se bem que as mais comuns sejam as cerâmicas, também as há metálicas.
O disco onde se localizava o orifício para o azeite e o canal, tinha genericamente uma forma concâva e podia ser ou não ornamentado, sendo mais comum sê-lo.


Ver: Molde para fabrico de lucernas, Olaria da Quinta do Rouxinol.

Pese a vastíssima bibliografia existente sobre lucernas em Portugal, recomendo o estudo de Maria Maia sobre as lucernas de Santa Bárbara  dos Padrões, Castro Verde, pelo grande interesse do conjunto e sua iconografia. Sobre as lucernas de Tróia, por se tratar de um estudo recente referente à Necrópole da Caldeira, partilho a seguinte tese disponível em PDF.
http://lisboa.academia.edu/joaoalmeida/Papers/935311/A_necropole_romana_da_Caldeira_Troia_de_Setubal_Escavacoes_de_Manuel_Heleno_nas_decadas_de_40-60_do_seculo_XX
http://algarvivo.com/arqueo/romano/lucernas-romanas.html

Ludi - Jogos
De forma muito sintética, podemos dizer que, em Roma, os lugares de espectáculo principais eram os circos, os teatros e os anfiteatros.
O circo era muito apreciado. Era constituído por uma arena e uma spina.
Nos Circos realizavam-se os:

Ludus Troianus, um simulacro de batalha entre os jovens da aristocracia;
As exibições equestres - acrobacias equestres realizadas pelos desultores;
As corridas pedestres
As corridas de carros puxados por dois, três ou quatro cavalos.
Cada corrida previa dar sete voltas à pista.
No anfiteatro, que se assemelhava à forma de dois teatros,  as partes constituintes mais importantes eram a arena , onde se realizavam os espectáculos, e a cavea (onde ficavam os assistentes, organizados por classes sociais) . Aqui realizavam-se lutas de gladiadores, combates de feras e combates navais.
Por sua vez, nos teatros, eram apresentadas tragédias e comédias, mais apreciadas pelas classes cultas, mas ainda os mimos e pantomimas.
Representações teatrais (ludi scaenici), as corridas de cavalos (ludi circenses) e as lutas de gladiadores (munera gladiatoria) são, portanto, muito mais do que meros entretenimentos públicos, oportunidades ideais para testar o equilíbrio entre as várias classes e componentes da vida social romana e para reafirmar o poder das elites que são, afinal, os verdadeiros mecenas/evergetas
Ludi Cereales - em honra de Ceres, por altura do Solstício, trajando todos de branco. Homenageava-se também o regresso de Proserpina.
Ludi florales - festas da Primavera, trajando-se de todas as cores para imitar as cores do campo
Ludi gladiatori - Lutas de gladiadores, sendo de todos os jogos os preferidos pelos romanos. Mas também as lutas de feras venationes eram de grande aceitação em Roma.

Ludi magistri - Mestre escola. Em Roma os professores tinham uma grande importância. Para atestá-lo, em Aljustrel, numa das célebres Tábuas encontadas, legislava-se sobre a isenção de impostos dos mesmos.
A Educação era garantida em Roma fundamentalmente pelos pais, ou pelos pedagogos a quem eles confiavam essa tarefa. Mas, «foi  a partir do século II a. C. que em Roma também se foram organizando escolas segundo o modelo grego, destinadas a dar uma formação gramatical e retórica, ligada à língua grega. Só no século I a. C. é que foi fundada uma escola de retórica latina, que reconhecia total dignidade à literatura e à língua dos romanos. Pouco tempo depois, o espírito prático, próprio da cultura romana, levou a uma sistemática organização das escolas, divididas por graus e providas de instrumentos didácticos específicos (manuais)».
As escolas tinham os seguintes graus:
«1. elementares (ou do litterator ou ludus, dirigidas pelo ludi magister  e destinadas a dar a alfabetização primária:

ler, escrever e, frequentemente, também calcular; tal escola funcionava em locais alugados ou na casa dos ricos; as crianças dirigiam-se para lá acompanhadas do paedagogus, escreviam com o estilete sobre tabuletas de cera, aprendiam as letras do alfabeto e sua combinação, calculavam usando os dedos ou pedrinhas – calculi - , passavam boa parte do dia na escola e eram submetidas à rígida disciplina do magister, que não excluía as punições físicas);


2. secundárias ou de gramática (nas quais se aprendia a cultura nas suas diversas formas: desde a música até à geometria, à astronomia, à literatura e à oratória; embora predominasse depois o ensino literário na sua forma gramatical e filosófica, exercido sobre textos gregos e latinos, através da lectio, da enarratio, da emendatio e do judicium);




3. escolas de retórica - política, forense, filosófica, etc. – e elaboravam–se as suasoriae ou discursos sobre exemplos morais e as controversiae ou debates sobre problemas reais ou fictícios). Embora mais limitada em comparação à educação grega (eram escassas a gramática, a música, e também a ciência e a filosofia), mais utilitária, a formação escolar romana mantém bem no centro este princípio retórico e a tradição das artes liberais, resumidas no valor atribuído à palavra».
A partir de: A Educação dos Romanos - As Tábuas de Vipasca, Olinda Gil in:
http://comunidade.sol.pt/blogs/olindagil/archive/2013/01/22/A-Educa_E700E300_o-dos-Romanos_2D00_As-t_E100_buas-de-Vipasca.aspx

Ludi Megalesi - a 4 de Abril festejava-se  Magna Mater, divindade de originem frígia, protectora da Natureza e Fertilidade. Associada ao culto de Cibele, esta data  recordava chegada a Roma, a 4 Abril de 204 a.C., da Megalesia, a estátua de Cibele, tirada de seu local de culto de Pessino (Pérgamo), na Ásia menor, por ordem dos Livros  Sibilinos -   colectâneas de oráculos em grego, trazidos, segundo a lenda, da Grécia para Roma e guardados nos subterrâneos do templo de Júpiter Capitolino, que são consultados, por ordem do Senado romano, por ocasião de grandes calamidades, para se descobrir como apaziguar a ira dos deuses. -  a fim de evitar o perigo de guerra com Haníbal.
Cibele, é o nome latino dessa divindade  frígia, da Ásia Menor, e conhecida pelos Gregos como Rhea, a esposa de Cronos e mãe dos deuses olímpicos.  Cibele era a deusa da natureza e da fertilidade, venerada em Roma como a Mãe dos Deuses. Criadora de almas, protegia contra o espírito do mal quem a  invocava. O seu culto teve grande importância em Roma a partir de Augusto que por ela tinha especial veneracão.
Um aspecto particular de Cibele é que faz oráculos e provoca êxtase, tanto para propiciar a profecia, como para aliviar as dores ou mesmo a morte.
O santuário da deusa em Roma foi levantado no Palatino, tendo-se inaugurado em 191 a.C.




Magna Mater. Imagem obtida a partir de: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203482389008267&set=a.1100649324336.17538.1469780309&type=1&theater


Ludi Romani - Também denominados de Magni, eram jogos anuais dedicados a Júpiter. Embora inicialmente tivessem apenas a duração de apenas um dia, no tempo de Augusto passaram a ter lugar de 04 a 19 de Setembro. No século I a.C., chegaram a durar setenta e sete dias, cinquenta e cinco dos quais eram consagrados ao teatro.

(Ver a obra Ludi Romani)

Ver neste mesmo blogue «Espectáculos na Antiguidade».
Ver ainda: «El Circo en Hispania Romana». Museo Nacional de Arte Romano, Mérida, 2001.
http://www.santiagoapostol.net/latin/espectaculos_roma.html

Ludus latrunculorum ou Latrunculi  - é  um jogo que se associa como o próprio nome indica a bandidos e ladrões, de latrunculus , diminuitivo de latro, mercenário ou salteador.  Trata-se de um jogo de tabuleiro já conhecido pelos gregos e vulgarizado entre romanos, lembrando de algum modo o xadrez. Contudo, defende-se que  é geralmente aceite como tratar-se um jogo de tácticas ou estratégias militares. O latrunculi pode usar peças de osso, de pasta vítrea ou de cerâmica e mesmo os dados de osso ou marfim.
A primeira vez que surge referido entre os Romanos é por Varrão (116-27 a.C.). Também Ovídio (43 a.C. - 17/18 d.C.) o refere, in formando que as peças podem ser de vidro de várias cores ou mesmo pedras preciosas.
Duodecim Scripta ou "jogo de doze e linha" foi um jogo muito popular nos primeiros anos do Império Romano. Segundo Cícero este jogo tinha duas denominações: quando se obtinha o valor máximo que se podia obter nos dados (2 x 6) intitulava-se venereus (desa do amor); quando se obtinha o valor ais baixo (2 x 1) era conhecido como canis (cão).
Ao que se sabe, este jogo foi sendo gradualmente substituído pelo Tabula , com características similares, mas mais fácil, pois tinha só 24 espaços distribuídos por duas filas, ao contrário do Duodecin Scripta que tinha 36 distribuídas por três filas.
Ver a recente obra de Lidia Fernandes, Um Roteiro Lúdico Português
http://www.cyberjornal.net/index.php?option=com_content&task=view&id=18074&Itemid=30










"pedine" multicolores (Sanp, inv. 7167b) em pasta vítrea, provenientes de  Pompeia «nella bottega sita al civico 12 dell'insula 8 della Regio I. Probabilmente si trattava dei calces utilizzati per il famosissimo e misteriosissimo "ludus latrunculorum", più semplicemente detto "latrunculi". Il diffusissimo gioco di strategia militare, un ibrido tra la dama e gli scacchi, evidentemente anche a Pompei come a Roma appassionava e coinvolgeva grandi e piccini».



Lupercalia - Festival dedicado a Luperco (‘o que protege do lobo’), o protector do gado, segundo Lívio, originalmente adorado na Lupercalia, celebrada no aniversário da fundação de seu templo (15 de Fevereiro), quando seus sacerdotes (Luperci) levavam peles de cabra e golpeavam os espectadores com cintos de pele de cabra. No festival da Faunalia, que se celebrava a 5 de Dezembro, as pessoas do campo com grande alegria e banquetes, faziam referência a Fauno como deus da agricultura e do gado.
Dizem as fontes latinas que os sacerdotes visitavam nesse dia a cova da loba que, segundo a lenda, amamentara Rómulo e Remo.