quinta-feira, 2 de março de 2017

Dia Internacional da Mulher no Museu Nacional de Arqueologia


O Museu Nacional de Arqueologia associa-se às iniciativas do Dia Internacional da Mulher, lembrando as Mulheres de todos os tempos.
Assim, pelas 10h 30m de dia 8 de Março, irá realizar uma visita guiada à exposição «As Religiões da Lusitânia», observando o testemunho que o tempo nos deixou, escrito ou lavrado no feminino.
Junte-se a nós!

Na fotografia: Busto Cabeça-retrato de uma jovem mulher, proveniente da Villa Romana de Milreu. Publicada em:
http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=110198

© Arquivo de Documentação Fotográfica, DGPC. MNA




"Esta cabeça evanescente e aguda,
tão doce no seu ar decapitado,
do Império portentoso nada tem:
nos seus olhos vazios não se cruzam línguas,
na sua boca as legiões não marcham,
na curva do nariz não há povos
que foram massacrados e traídos.
É uma doçura que contempla a vida,
sabendo como, se possível, deve
ao pensamento dar certa loucura,
perdendo um pouco, e por instantes só,
a firme frieza da razão tranquila.
É uma virtude sonhadora: o escravo
que a possuía às horas da tristeza
de haver um corpo, a penetrou jamais
além de onde atingia; e quanto ao esposo,
se acaso a fecundou, não pensou nunca
em desviar sobre el' tão longo olhar.
Viveu, morreu, entre colunas, homens,
prados e rios, sombras e colheitas,
e teatros e vindimas, como deusa.
Apenas o não era: o vasto império
que os deuses todos tornou seus, não tinha
um rosto para os deuses. E os humanos,
para que os deuses fossem, emprestavam
o próprio rosto que perdiam. Esta
cabeça evanescente resistiu:
nem deusa, nem mulher, apenas ciência
de que nada nos livra de nós mesmos."

Jorge de Sena



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