domingo, 22 de maio de 2011

O Convento do Espinheiro, Évora






















O Convento do Espinheiro, cuja origem data do século XV, é um imóvel classificado. Justificando as suas origens, há uma lenda que narra a aparição da Virgem Maria sobre um espinheiro, por volta do ano 1400.



(Imagem da Capela de André de Resende obtida no site do IPPAR/IGESPAR)

A capela tumular de Garcia de Resende foi fundada em 1520, tendo a sua construção arrancado no ano seguinte (ESPANCA, 1966, p. 307), em terrenos pertencentes ao mosteiro hieronimita de Santa Maria do Espinheiro, nos arredores de Évora. A escolha desta localização terá a ver com a importância dada pelo próprio D. Manuel à ordem jerónima, levando a que grandes famílias nobres se fizessem enterrar em conventos a ela pertencentes. A este ideal, de natureza eremítica e contemplativa, Garcia de Resende corresponde ainda com a construção de uma capelinha no ermo, ou seja, afastada da igreja conventual, e com o orago escolhido, Santa Maria do Egipto, imagem de penitente de raríssima invocação em Portugal, provando não apenas a total aderência ao modelo ascético - típica aliás da devoção quinhentista - mas igualmente a cultura humanista de Resende (CUSTÓDIO, 1989, pp. 114-115).
A construção, de volumes escalonados, é composta por nártex vazado por três arcos redondos, um em cada muro, e pelo arco igualmente de volta perfeita que abre para a nave de pequenas dimensões, com ábside ainda mais estreita e rebaixada, de planta rectangular, tida como uma minúscula obra-prima do manuelino, de traça atribuída a Martim Lourenço (RAMALHO, 1998). No pavimento do nártex está a campa de Jorge de Resende, irmão de Garcia de Resende, originalmente na nave, mas depois trasladada para este espaço exterior. Na nave, de dois tramos de abóbada ogival, permanece a campa de Garcia de Resende, aqui recolocada no século XX, uma vez que a pedra tumular, de lavor renascentista, fora vendida após a extinção das Ordens Religiosas. Na mesma altura se levaram da capela as ossadas de Resende, hoje igualmente recuperadas. O pavimento da nave e da ábside é formado por um forro de azulejos hispânicos do início de quinhentos, e as abóbadas nervuradas são rematadas por bocetes vegetalistas, assentando em mísulas de temática idêntica.
O particular interesse desta capelinha reside justamente nas suas reduzidas dimensões, bem como na utilização de um estilo manuelino-mudéjar tipicamente alentejano, já inaugurado, no que respeita aos volumes escalonados e ameiados, na Ermida de São Brás. A miniaturização da capela, de volumes cúbicos, e a utilização de rebocos de alvenaria e revestimentos azulejares aproxima-a, de acordo com alguns autores, dos oratórios moçárabes (CUSTÓDIO, 1989, pp. 117-119), sendo esta particular sensibilidade mudéjar aquilo que mais se destingue nesta declinação do estilo manuelino. SML
(informação do site do IPPAR/IGESPAR)

O Convento do Espinheiro foi objecto de obras de recuperação e de ampliação, visando a criação de um hotel de excelência.

Sobre o Convento do Espinheiro pode consultar-se uma monografia totalmente dedicada à sua história e aos trabalhos de reabilitação.
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