domingo, 4 de dezembro de 2016

Peça do mês de dezembro no MNA: O Relevo de Tróia: o culto mitraico e o Solstício de Inverno




Os Homens, desde remotas alturas, tiveram vários cultos dedicados ao Astro Rei, a maior luz do céu visível aos Humanos que rege a Vida e o Tempo, motivo pelo que é, para muitos povos, um dos símbolos mais importantes, sendo até venerado como um Deus ou encarado como manifestação da divindade, entre muitos. 
Dezembro é o mês em que se marca o Solstício de Inverno, que, de algum modo, se comemorava em Roma com as Saturnália, um festival em honra de Saturno, divindade de origem grega. Celebrava-se no dia 17 de Dezembro, mas, ao longo dos tempos, foi estendida a uma semana completa, terminando a 23 de Dezembro.
Também o deus Mitra cujo nascimento era evocado a 25 de Dezembro, tal como veio a acontecer com o Menino Jesus, tinha uma forte relação com o Sol.
Este deus de origem oriental teve grande adesão junto dos soldados romanos, ou seja os legionários, e também entre os funcionários administrativos e comerciantes.
Mitra, ou Mithras, cujo nome significa "Amigo” em Sânscrito e “Contrato” em Persa, era concebido como um deus luminoso que incitava os homens a seguirem o Seu caminho, no combate pela Luz contra as Trevas. A sua Luz representa a síntese da Luz do Sol e da Lua, e o Domingo é o dia dedicado ao seu culto, ou seja, o «Dies Solis».
No Ocidente, o seu culto acabou por confundir-se com o do «Sol Invictus», ou Sol Invencível, pois verifica-se, em finais do século III, o sincretismo entre a religião de Mitra e outros cultos solares de procedência oriental.
É em finais dessa centúria, em 274, no reinado de Aureliano, que atribuiu a «Sol Invictus» as suas vitórias no Oriente, que o seu culto se torna religião oficial. O imperador manda edificar, em Roma, um templo dedicado ao deus e foram incumbidos sacerdotes de lhes prestar culto.
O máximo dirigente deste era o «pontifex solis invicti».
O mitraísmo manteve-se, contudo, como culto não oficial, havendo quem professasse, ao mesmo tempo, o mitraísmo e a religião do «Sol Invictus».
Quer na cidade romana de Tróia, Grândola, onde muitos autores querem ver a sua representação num baixo-relevo, quer em Beja, quer naturalmente na capital da Província da Lusitânia, a cidade de Augusta Emerita (Mérida) está comprovado o Culto Mitraico, que se expandiu na Hispânia a partir de finais do século II – inícios do século III d. C., a par de outros cultos orientais, tais como de Serápis, Ísis, Cibele-Magna Mater.

Cátia Mourão e Filomena Barata acompanhar-nos-ão neste dia no Museu de Arqueologia e falando-nos do Culto Mitraico.





Relevo Mitraico proveniente das Ruínas de Tróia.

(cópia). MNA.



Fotografia:



José Luis de Jesus
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