sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

José Leite de Vasconcelos e o Santuário do Endovélico

José Leite Vasconcelos, o fundador do que actualmente se designa Museu Nacional de Arqueologia, teve a sua vida consagrada vida integralmente à ciência e mais concretamente ao estudo da etnografia, na história, da arqueologia, da epigrafia, da numismática, da filologia, entre outras temáticas, morreu em 17 de Maio de 1941.
Legou-nos, para além de um inumerável trabalho, uma obra notável realicionada com a «História das Religiões».
Remonta a 1890 a edição do seu primeiro trabalho dedicado a esta temática, publicado no jornal Dia número 846, o artigo “ O Deus lusitano Endovellico”, logo seguido de outro artigo “Novas inscrições de Endovellico”, dado à luz no número de 30 de junho de 1890 do jornal Auróra do Cávado.
Pode considerar-se que o domínio especifico do estudo das religiões da Lusitânia se tenha iniciado nas décadas de setenta oitenta por Francisco Martins Sarmento, Gabriel Pereira, Adolfo Coelho para não referir alguns trabalhos anteriores de carácter generalista.
No que respeita à investigação, o conhecimento havia evoluído muito com a publicação do vasto volume «II do Corpus inscriptionum Latinarum» onde Emílio Hubner havia recolhido e dado a conhecer todas as inscrições conhecidas.
Mas, obviamente, que este tipo de interesse pelo universo das Religiões se pode remontar ao Humanista André de Resende, o primeiro a copiar os textos das epígrafes do Santuário do Sol e da Lua, bem como, a seu modo, a Frei Bernardo de Brito, através do estudo da estatuária e dos textos epigráficos e comentários sobre o assunto, bem como com o recurso com o recurso a aspectos lendários, a exemplo da localização do túmulo de Tubal no Promontório Sagrado.
Também Camões, através da sua epopeia, faz juz às divindades do Olimpo como protectoras da epopeia portuguesa.
Com o iluminismo do século XVIII encontramos entre os interessados por esta temática Jerónimo Contador de Argote e, depois, José Diogo Mascarenhas Neto.
Os trabalhos de Martins Sarmento, Gabriel Pereira e Adolfo Coelho, no século XIX, sem dúvida que contribuiram para um maior interesse pela temática.
Já em 1885, José Leite Vasconcelos assina um opúsculo de 62 páginas onde apresentara uma síntese sobre Portugal Pré-histórico, (Lisboa, David Corazzi editor, vol.106 da Biblioteca do Povo e das Escolas), demonstrando assim o seu interesse pela arqueologia, em cujos trabalhos práticos se iniciou em 1890, no santuário de Envellico em S. Miguel da Mota, Terena.
Entre 1897 e 1913 vários investigadores se sentiram estimulados pelos estudos de José Leite de Vasconcelos e foram dando contributos para o seu trabalho.
Podemos referir alguns dos nomes dos que, de alguma forma, contribuíram para a valorização das Religiões, tais como Francisco Manuel Alves, Albano Bellino, Félix Alves Pereira, António dos Santos Rocha e Francisco Tavares Proença Júnior.
A obra veio a ser concluída em 1913, embora José Leite de Vasconcelos lhe tenha feito adendas em: “ Hierologia lusitânia (novos adiamentos às Religiões da Lusitânia, vol I a III)”, publicados em O Archeologo Português. Ainda relacionado com as Religiões, JLV escreveu um opúsculo de 24 páginas intitulado «Deuses da Lusitânia», Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1913, onde respondia às criticas emitidas por G.L. Santos
Ferreira no opúsculo «Breves Observações Acerca do Método Seguido no volume 2 das «Religiões Lusitanas» para a Leitura de Certas Inscrições Latinas», Lisboa, 1913, tema que retomou ainda mais tarde.
São estas as suas palavras em 1897 «Para mim as religiões não passam de phenomenos sociologicos»
A exposição inaugurada sobre o tema «As Religiões da Lusitânia», no Museu Nacional de Arqueologia, bem como a edição do seu catálogo, sob a coordenação de José Cardim Ribeiro, são a justa homenagem ao fundador do Museu e uma obra indispensável sobre os novos conhecimentos sobre esta temática.
Bibliografia sumária:
José Leite de Vasconcelos, Fotobiografia
Lívia Cristina Coito, João Luís Cardoso e Ana Cristina Martins
Museu Nacional de Arqueologia
Sobre as Religiões da Lusitânia
Por: José Manuel Garcia
disponível em: https://accaopopularlibertaria.files.wordpress.com/…/religi…
A Historiografia das Religiões Antigas do Oidente Peninsular, Helena Gomeno Pascual, in «Religiões da Lusitânia : Loquuntur Saxa», Museu Nacional de Arqueologia, 2002.
Sobre o Santuário de Endovélico, propomos a leitura de:
«A INVESTIGAÇÃO EM TORNO DO SANTUÁRIO
DE S. MIGUEL DA MOTA:
O PONTO DE SITUAÇÃO»
Thomas G. Schattner
Instituto Arqueológico Alemão – Madrid
Carlos Fabião
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Amílcar Guerra
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Texto a partir de recolha de Filomena Barata.
Na imagem: Portadora de oferendas. Santuário de Endovélico. Fotografia: Museu Nacional de Arqueologia. Exposição «Religiões da Lusitânia».
Postar um comentário