terça-feira, 28 de julho de 2015

LACOBRIGA, UM PEQUENO APONTAMENTO, Filomena Barata

Publicado em: PORTUGAL ROMANO21 MAI 2013
A Ponta da Piedade (nas fotografias) descrita por Manuel Teixeira Gomes, sétimo Presidente que a República Portuguesa teve, homem do mundo e algarvio de Portimão:
«Caminho estreito e arenoso, entre sebes de cornicabra por onde assomam com frequência as pás das figueiras da Barbaria, ali muito definhadas pela exposição e violência dos ventos reinantes.
(…) Ao longo da “Ponta da Piedade”, e depois cercando-a, crescem no mar inúmeras rochas acasteladas, algumas ligadas por arcos naturais, e dispostas em tôrno de pátios onde a água se faz transparente como esmeralda líquida (…).
A água conserva-se até onde a vista alcança, no mesmo tom de turqueza molhada, e o corte perfeito da penha de Sagres, perpendicular, rectíssimo, acaba no horizonte a linha de costa.»
Manuel Teixeira Gomes, in Regressos


O território hoje designado por Algarve entrou na esfera de influência romana nos finais do século III ou inícios do século II a.C., quando Gadir (Cádis) reconheceu a supremacia latina.
As fontes clássicas referem que foi ocupado, antes da chegada de Túrdulos e Celtas, na segunda metade do I milénio a. C., pelos Cónios, um povo de origem não Indo-Europeu.
Na costa algarvia quer Plínio, quer Pompónio Mela e Ptolomeu nomeiam a existência de uma importante localidade designada Lacobriga, entre as outras que também foram referenciadas como tal no período compreeendido, entre os dois primeiros séculos de dominação romana.
Plínio situa-a entre as populações célticas e Mela refere-se-lhe junto ao Promontório Sacro …
Muitos arqueólogos defenderam que a povoação Lacobriga referida pelos autores latinos se deveria situar junto de Monte Molião, onde se encontraram importantes vestígios arqueológicos, se bem que sejam também conhecidos achados de origem romana em Lagos, muito possivelmente devido ao desenvolvimento de um núcleo portuário.
Efectivamente a zona de Monte Molião deve ter devido a sua importância à produção de preparados de origem piscícola, como o denuncia a existência de conjuntos de cetárias.
Mas também alguns outros autores defenderam poder-se situar em locais como a Fonte Coberta, Serro da Amendoeira, Figueira da Misericórdia, Figueiral, e o Paúl.
Mas actualmente sabe-se que a «área da baía de Lagos foi intensamente ocupada durante a época romana. Se o início dessa ocupação está aparentemente relacionada com episódios militares decorrentes da conquista romana do extremo Ocidente peninsular, não parecem restar hoje dúvidas que, entre o século I a.C. e os finais do VI da nossa Era, cidadãos romanos estavam instalados na região.
De ambas as situações restam vestígios abundantes na área da baía, evidenciando alterações e rupturas em relação à abordagem do espaço em épocas anteriores. Por outro lado, o novo modelo de instalação, bem como as novas estruturas sociais e políticas que, de alguma forma o motivaram, também provocou modificações significativas em termos da exploração dos recursos».
in:
http://vimeo.com/29196559


As escavações efectuadas no Centro Histórico de Lagos atestam a existência de uma importante ocupação de carácter industrial de época romana, para produção e envasamento de preparados piscícolas.

Leitura fundamental: ARRUDA, Ana Margarida. Laccobriga: A Ocupação Romana na Baía de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos, 2007. 80 p.
SILVA, Luís Fraga da, LACOBRIGA, http://imprompto.blogspot.pt/2005/10/lacobriga.html

Se quiser conhecer um pouco mais de Lagos em Período Medieval, proponho a leitura de:
Entre Muralhas e Templosa Intervenção Arqueológica no Largo de Santa Maria de Graça (2004-2005),coordenada por Marta Diaz-Guardamino e Elena Morán.
A obra centra-se na intervenção efectuada no Largo de Santa Maria de Graça (onde se teria implantado a Igreja Matriz de Santa Maria de Graça, que fora edificada no século XIV), onde se situava um cemitério medieval, utilizado durante a Época Moderna e Contemporânea, até ao século XIX.
No século XV, este cemitério recebeu a primeira sepultura do Infante D. Henrique, falecido em Sagres, tendo sido posteriormente trasladado para o Panteão Régio de Santa Maria da Vitória, na Batalha.
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